Adiós, Magnano

A Confederação Brasileira de Basquetebol (CBB) confirmou a saída do técnico argentino Rubén Magnano do comando da seleção brasileira masculina. O encerramento do vínculo com o treinador já era esperado depois da eliminação no torneio olímpico ainda na primeira fase e simboliza o final de uma era no time nacional. Ao meu ver, o trabalho foi razoável, o final foi melancólico e a saída foi natural. O desafio futuro não combina com o seu trabalho de seis anos comandando o elenco brasileiro.

Antes de qualquer coisa, vou fazer uma ressalva básica: a análise aqui se restringe ao trabalho técnico de Magnano. Ainda que ser treinador de uma seleção por seis anos signifique uma conivência com os rumos da Confederação Brasileira de Basquete, eu encaro que o ambiente de merda da CBB é um atenuante para a avaliação do legado do Magnano exclusivamente. Não que isso possa servir como desculpa, mas se o cenário fosse outro, as chances de melhores resultados seria consideravelmente maiores.

De um modo geral, acho que o trabalho realizado por ele foi bem decente. Foi bem justificável a aposta em um técnico campeão olímpico para comandar a primeira geração brasileira com jogadores da NBA. Ainda que tenha demorado um tempo e seja fruto de uma característica individual de alguns jogadores do elenco, sob seu comando o time definitivamente conseguiu assumir uma identidade de forte defesa e movimentação frenética da bola – e, convenhamos, que não é fácil implementar um modelo de jogo num elenco que se reúne a cada dois anos somente.

Os resultados, no entanto, não foram tão bons – aliás, salvo o quinto lugar nas Olimpíadas de Londres, em 2012, eles foram bem decepcionantes. Nada muito diferente do que Lula Ferreira e Moncho Monsalve conseguiram com esta mesma geração, mas convenhamos que a expectativa com Ruben Magnano era ligeiramente maior.

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Magnano montou um time com cara e identidade, mas com resultados decepcionantes

Outro problema, que ficou bem evidente nos últimos jogos, foi a insistência em fazer uma rotação que ignora o momento da partida, o calor do jogo e o desempenho individual dos atletas. Eu entendo que é importante ter convicções, mas é fundamental saber rever seus conceitos rotineiramente – e isso parece que nunca passou pela sua cabeça.

No final das contas, aquele papo de que “o Brasil não tem um jogador que decide” pode ser muito bem resultado de um esquema de jogo que não permite que um jogador se destaque a este ponto – e enquanto a seleção brasileira tinha dez atletas jogando 15 minutos, os rivais tinham jogadores que metiam 40 pontos por jogo. Quem sabe se Nene, Leandrinho ou qualquer outro tivesse esta liberdade, não seria um jogador “que decide” como os dos outros times…

Na reta final, Magnano também perdeu a chance de contribuir com o legado do basquete brasileiro e fazer uma seleção do povo, botando os jogadores em contato com a torcida nas vésperas do torneio do Rio. Ele preferiu a atitude antipática de blindar o elenco – o que se provou, no mínimo, ineficiente.

Diante do resultado dos jogos, então, sua saída era natural – ainda que eu ache que não foi um vexame. Ser um técnico bom, mas cabeça-dura não é uma combinação interessante para o desafio da seleção brasileira para os próximos anos.

É necessário contar com alguém que esteja alinhado com a formação dos jogadores no Brasil e que não tenha muito compromisso com os resultados imediatos – por sorte, a próxima grande competição é só daqui três anos, no Mundial de 2019 na China. Um técnico como José Neto vai muito mais ao encontro da renovação necessária para o escrete.

Dito tudo isso, adiós, Magnano.

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1 Comment

  1. Ulisses

    olha acho que Mangano já deu falhou em vários momentos nas olimpiadas no jogo contra Argentina que foi crucial a onde ele não manteve os 5 que encaixaram que foi Raulzinho Benite Alex Guilherme Nené na segunda prorrogação errou em não começar com Nené com isso Argentina abriu 8 x0 em outros momentos jogos ele também demorou a socorrer a equipe si fosse presidente da CBB ira fazar uma aposta no comando da seleção em Walter Roese que foi técnico da seleção sub 18 em 2010 que revelou Lucas bebe Raulzinho Falicio com esses 3 Bruno cabolco .Lucas dias Ricardo ficher léo mendel Augusto lima tenho certeza si técnico for o Walter Roese si ele tiver todos esse jogadores a disposição tenho certeza que vamos ser pódio tanto no mundial da Chinha em 2019 quanto em toquio 2020 colocaria o jornalista Fabio sormani para ser condenador de todas seleções masculinas

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