O ala-pivô chinês Yi Jianlian assinou com o Los Angeles Lakers por uma temporada. Dependendo do número de partidas jogadas, o salário anual do jogador pode chegar a 8 milhões de dólares – mais do que Andrew Wiggins, melhor calouro da temporada retrasada, e Isaiah Thomas, armador do Boston Celtics selecionado para o último All Star Game. Será o quarto jogador mais bem pago do time na temporada. Tudo isso para esquentar o banco, já que Julius Randle, Timofey Mozgov, Luol Deng e até Larry Nance Jr devem estar na sua frente na rotação.

Ainda que Jianlian não seja um inútil completo, seu passado já nos provou que ele não tem cacife para a NBA. Em cinco temporadas, de 2007 a 2012, beirou os 8 pontos e 5 rebotes de média. Se despediu da liga, na sua última temporada, fazendo pouco mais de 2 pontos por partida e jogando cerca de seis minutos por jogo – médias de alguém que é completamente dispensável.

Desde então, jogou o campeonato chinês. Lá foi MVP, o que na verdade só comprova sua condição de grande refugo da NBA, já que a liga da China é o maior reduto de jogadores que não deram certo nos EUA mais ainda preservam alguma grife no sobrenome que estampam nas camisas.

A sua volta basquetebolisticamente injustificada à liga se dá apenas por um fator: mercado. Tanto de jogadores, contratos e etc como de camisas, transmissões de televisão e tudo mais. Sua presença no elenco angelino é por puro business.

Para começar, exceto por Yao Ming, boa parte dos times da NBA só assinaram com jogadores de origem chinesa, sejam americanos ou de lá mesmo, por causa disso. É um estigma que os futuros bons jogadores ocidentais ainda precisam vencer. A própria história do draft de Yi, em 2007, é um exemplo disso.

Na época, somente as duas primeiras escolhas já estavam definidas semanas antes do draft. Fora Greg Oden e Kevin Durant, tudo podia acontecer e Jianlian estava cotado em qualquer posição da terceira até a décima pick. Nas conversas que antecediam as escolhas, seu agente só fez uma ressalva: que não fosse escolhido pelo Bucks, já que Milwaukee não tinha uma comunidade asiática relevante. As preferências eram Boston e Sacramento, que abrigam duas das dez maiores concentrações de asiáticos nos EUA (estes critérios, por si só, já mostram que o próprio agente do jogador estava pouco se lixando para o jogo, só pensando no caráter comercial da coisa toda).

Como o destino é quase sempre lazarento, ele acabou sendo escolhido pelo Bucks mesmo – o GM do time, seduzido pelo fenômeno Yao Ming, resolveu apostar em Yi. Ainda que na cidade não fizesse lá muito sucesso, as transmissões das partidas do time para a China tinham audiência média de 100 milhões de pessoas – metade do Brasil, para se ter uma ideia.

E tem sido a mesma coisa, em proporções diferentes, com Jeremy Lin. Descendente de taiwaneses, foi rejeitado no draft, mas assinou com o Golden State Warriors para ver se a comunidade asiática de São Francisco – maior dos EUA – poderia largar mão do baseball para dar atenção ao time de basquete da região. A diferença é que Lin deu certo (?) em determinado momento da carreira, mas, no fundo, os times querem mesmo é capitalizar com estes caras.

Neste aspecto, a estratégia do Lakers não é de todo mal. Com a aposentadoria de Kobe Bryant, a franquia mais popular do mundo ao lado do Chicago Bulls precisava de alguém para chamar a atenção do público que não é ‘consumidor usual de basquete’ – e tentar abocanhar parte da idolatria que Kobe desperta no público chinês. De olho num mercado onde tudo é elevado à última potência, é uma boa ideia ter um representante da China no time.

Kobe Bryant

Em 2012, Kobe foi considerado o atleta mais popular da história da China – sendo que nem é de lá.

O próprio contrato do jogador, de 8 milhões de dólares, não é um abacaxi. Ainda que maiores do que no ano passado, as pretensões do Lakers para este ano são pequenas. Vale a pena, então, assinar com um cara que não vai comprometer a folha salarial na temporada seguinte, quando o Lakers terá mais de 20 milhões novamente para tentar seduzir alguém no mercado, e ainda abre a possibilidade de despachar Jianlian no meio da temporada para um time que busque um contrato prestes a expirar – franquias que estão afogadas em salários altos buscam contratos de jogadores no último ano para tentar liberar espaço na folha de pagamentos.

No final das contas, são só negócios.

CompartilheShare on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on Reddit0Share on LinkedIn0Email this to someone