Month: August 2016 (Page 2 of 3)

Hoje tem que dar Brasil… e Argentina!

Esqueça o jogo insano do final de semana. Esqueça a rivalidade histórica, esqueça as piadas, a treta Pele e Maradona ou qualquer coisa do gênero: hoje não basta uma vitória do Brasil para que a seleção passe para a segunda fase. É preciso também que a Argentina, já garantida na segunda fase, encontre motivação para ganhar o jogo contra a Espanha para que o time brasileiro fique entre os quatro times classificados para o mata-mata dos Jogos Olímpicos.


Quanto ao jogo do Brasil, acho que não vai ser difícil bater a Nigéria. Os africanos têm o pior time do grupo, apesar da vitória sobre a Croácia – que derrotou o Brasil… – e mostraram formar um elenco mais instável que o dos brasileiros.

O ‘pepino’ da rodada é depender dos nossos simpáticos vizinhos. O grande problema, ao meu ver, é que eles já estão em uma posição muito confortável na liderança garantida do grupo.

Há quem diga que eles poderiam fazer corpo mole para eliminar o Brasil. Eu duvido. Não que eles não queiram a eliminação brasileira ou que hesitem entregar um jogo na fase de classificação, mas acho que os argentinos preferem limar a seleção da Espanha, que pode ser mais ameaçadora do que o Brasil um cruzamento futuro.

Ainda que os dois estejam cambaleando na competição, historicamente esse elenco espanhol cresce com o desenrolar dos torneios e os argentinos sabem disso – ou talvez esse seja o enredo que eu escolhi acreditar para ter alguma esperança de classificação brasileira…

Sei lá. Nunca é bom depender dos outros, muito menos de um rival, mas não restam alternativas.

São 17h30 e meu braço está formigando até agora

Pelo amor de deus, eu não estou preparado pra isso! O jogo entre Brasil e Argentina acabou faz quase uma hora e até agora eu estou meio zonzo, atordoado. O que nós acabamos de assistir foi um dos roteiros mais épicos, insanos e absurdos que o basquete pode nos proporcionar – infelizmente com um desfecho ruim para os brasileiros.

Na real se você não viu a partida, procure agora a programação dos canais de esporte e assista a reprise de madrugada. Qualquer descrição do jogo vai ser insuficiente para explicar a atmosfera da partida. Só assistindo para entender toda a aflição das quase três horas de embate. Mas se é possível resumir de alguma maneira, foi um jogo com duas prorrogações em um ginásio lotado de torcedores das duas equipes e decidido nos últimos segundos – e em vários momentos meu braço deu aquela formigada, num sinal claro de PRINCÍPIO DE INFARTO.

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Vai se foder, Nocioni

Apesar da tristeza de perder um jogo assim e decretar o destino fatal de enfrentar os americanos nas quartas de final, é preciso entender que vimos um dos maiores jogos da história das olimpíadas, com uma atmosfera que impressionou o mundo inteiro – os jornalistas americanos, especialmente, surtaram por nunca terem assistido uma partida com duas torcidas tão barulhentas e intensas em uma quadra de basquete.

Não vou tentar explicar a derrota – o Brasil errou em algumas jogadas, mas da mesma forma os argentinos vacilaram em diversos momentos e isso que fez o jogo ser pegado. Só vou lamentar que a vitória não tenha vindo. Seria o tipo de superação perfeito para o enredo de uma medalha olímpica. Vencer os rivais argentinos desta maneira poderia ser a passagem de bastão de um time que conseguiu um milagre olímpico para outro que tenta um feito parecido. Não rolou.

O final foi triste, o enredo foi nervoso, mas foi um puta jogo – e é por isso que nós amamos essa merda (nas derrotas é uma merda mesmo) de esporte.

Fiel da balança

Em mais um jogo equilibradíssimo, como tem sido a tônica das partidas do Grupo B do torneio olímpico de basquete, o Brasil perdeu para a Croácia por 80 a 76. Desta vez, o que fez a diferença foi o time croata ter um cara para chamar a responsabilidade e meter todas as bolas possíveis. Bojan Bogdanovic, que na NBA é mais um reserva, anotou 33 pontos e deu a vitória para a sua seleção.

Apesar da dificuldade previsível que seria encontrada, este era um confronto que eu contava com a vitória brasileira. O time croata é muito novo e concentra sua marcação no miolo do garrafão, sem muita cobertura nos cortes fora da bola e no perímetro. Em tese, em um dia mais ou menos calibrado, o Brasil deveria vencer o time do leste europeu. Não conseguiu.

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Mesmo sem ter um aproveitamento muito ruim nos chutes, o time brasileiro não teve sucesso e ficou atrás praticamente o jogo inteiro, variando apenas a diferença da desvantagem. A juventude da Croácia em quadra se transformou em energia: a equipe jogou um basquete moderno, sem posições fixas e com muita movimentação no ataque, confundindo a defesa brasileira. Não era raro ver o ala-armador Bogdanovic caindo no pivô dentro do garrafão ou os pivôs Babic e Saric distribuindo bolas no perímetro.

Apesar do banho tático que o Brasil levou, a partida se manteve equilibrada por uma série de desperdícios bobos cometidos pelos rivais – natural para um time jovem, mas que por pouco não custou a vitória.

Nestas horas, quando as coisas estão desandando para os dois times e o jogo está em aberto, faz falta um pontuador nato. Foi o que deu a vitória para os EUA com a atuação de Carmelo Anthony ontem e o que garantiu o jogo para a Croácia hoje.

Sempre que o Brasil esboçava alguma reação ou colava no placar, Bojan aparecia para chutar uma bola e esfriar a reação brasileira. Fosse uma bola de três, uma cavada de falta para bater lance-livre: o croata tinha uma resposta imediata para não transformar a atitude brasileira em um apagão da sua própria equipe.

O Brasil até tem jogadores decisivos e com os chamados COJONES – Huertas e Nene, principalmente -, mas falta aquele cara consistente para pontuar sempre e carregar o time nas costas quando for necessário. Leandrinho é o mais próximo disso neste elenco, mas infelizmente ele não tem se mostrado confiável para assumir este papel dia após dia.

Para não depender de um jogador que não existe no grupo de atletas, é preciso ser mais eficiente ao longo do jogo. Voltar a ser firme na defesa e buscar variações no ataque, coisas que não fez em alguns momentos desta partida.

Susto americano

Quase aconteceu. Por pouco que o time norte-americano de basquete não perdeu uma partida no torneio olímpico ontem. Na terceira rodada da competição, os EUA passaram um sufoco contra os até então também invictos da Austrália e venceram por 98 a 88, depois de ter virado a metade do jogo cinco pontos atrás no placar.

Eu até esperava que a equipe americana pudesse encontrar algumas pedreiras ao longo do caminho para o ouro, mas, antes do início do torneio, jamais imaginaria que a Austrália seria um deles. A verdade é que os Boomers estão jogando um basquete de excelência na defesa e com ataque muito bem azeitado. Contrariando um final de temporada muito ruim, Dellavedova, pasmem, tem sido o melhor jogador do torneio. Bogut está um monstro na defesa e Patty Mills está endiabrado no ataque

Ficou claro no jogo de ontem que era um time muito bem armado e treinado tentando derrotar um grupo de talento puro, mas que só joga no contra-ataque e que nem sempre é tão dedicado na defesa. Quase deu certo.

Os EUA só conseguiram virar a partida quando o ataque encaixou de vez e as bolas de fora começaram a cair. Daí, meu amigo, não tem muito o que fazer. Carmelo Anthony anotou nove bolas de três – faltou uma para igualar o recorde em uma partida de Jogos Olímpicos que é dele mesmo, contra a Nigéria em 2012.

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No final das contas, a maneira como o jogo se desenrolou serviu como lição para os dois times envolvidos. Os australianos entenderam que, jogando dessa forma, têm chances de encarar qualquer um. É a defesa mais organizada e enérgica até o momento e é a equipe que parece ter o entrosamento mais próximo de um clube que joga junto o ano inteiro. Aliás, eu me enganei quando, nas análises pré-torneio, falei que a Australia era o time mais fraco entre os possíveis oito classificados. O time é tão bom quanto seus concorrentes diretos.

Para os americanos, o susto também foi saudável. O time é muito bom, mas precisa jogar de verdade para ser campeão. Não que eles não estejam focados, mas claramente o time se deslumbrou com os amistosos preparatórios e com os dois primeiros jogos do campeonato – ainda que tenha achado engraçado, penso que não é o maior símbolo de seriedade jogar ‘pedra, papel e tesoura’ dentro de quadra para decidir quem vai cobrar um lance-livre, por exemplo.

O quase acidente de percurso também nos dá alguma esperança de que o torneio será competitivo na fase de mata-mata, sem a garantia de que o time americano já passar o trator por cima dos adversários. Ainda acho que eles serão campeões, mas torço para que tenham mais jogos assim pela frente.

Lance-livre ganha jogo – de novo

O Brasil conseguiu uma vitória empolgante contra a Espanha na segunda rodada do campeonato de basquete das Olimpíadas do Rio. A cinco segundos do fim, Marquinhos deu um tapinha no rebote ofensivo e deu a liderança para o time brasileiro no placar: 66 a 65 sobre um dos favoritos do torneio.

Existem inúmeros fatores que dão ou tiram uma vitória dessas das mãos de uma equipe em jogos tão apertados e é irresponsável atribuir a apenas um destes, mas nestes dois primeiros jogos, o time brasileiro teve uma alteração decisiva e flagrante no seu desempenho: o aproveitamento de lances-livres.

Na derrota na partida de estreia, o Brasil acertou apenas 22 de 35 (62,9%) arremessos da linha, enquanto os lituanos converteram 15 de 18 (83,3%) tentados. No placar, apesar da reação impressionante no segundo tempo, os brasileiros perderam por seis pontos. Hoje, contra a Espanha, o Brasil meteu 16 de 21 (76,2%) e os rivais acertaram 22 de 33 (66,6%). Em especial, Pau Gasol, principal jogador espanhol, errou sete arremessos do lance-livre – e dois decisivos no último minuto, que obrigariam o Brasil a chutar de três pontos no lance seguinte.

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Este tipo de análise vale, atribuindo uma derrota ou uma vitória em grande parte ao aproveitamento dos free throws, porque é a única jogada do basquete em que o time depende exclusivamente da sua capacidade e do seu equilibrio emocional – excluindo a capacidade de defesa do adversário, os esquemas táticos, os matchups, o ritmo da partida, que influenciam nos outros arremessos e jogadas. Um time excelente neste fundamento, vai ganhar boa parte dos jogos disputados lance a lance e um time pouco confiável vai oscilar quando depender disso para vencer – é bem básico.

No final das contas, o Brasil só teve condições de fazer valer seu aproveitamento porque se manteve na partida a todo momento. Sem o apagão nos momentos finais dos torneios anteriores e sem a moleza com que entrou em quadra na estreia.

Marcelinho Huertas controlou o ataque do time e Nene, além de ser um point guard dentro do garrafão, foi monstruoso na defesa. Augusto Lima mostrou que tem que tomar todos os minutos de Hettsheimer e Marquinhos conseguiu entrar no jogo melhor do que fez nos amistosos e na estreia. O time apresenta um desempenho crescente, que é o mais importante em uma competição de tiro curto como esta.

O caminho para medalha é longo e não tem nada garantido, mas o Brasil está pelo menos fazendo o básico – o que a Espanha, um dos seus maiores rivais nesta caminhada, não fez.

 

Não foi de todo mal

O Brasil perdeu na estreia do torneio masculino de basquete para a equipe da Lituânia por 82 a 76. Apesar da derrota, há o que tirar de bom do primeiro jogo do campeonato. Depois de começar o terceiro quarto de jogo perdendo por 58 a 29, o time brasileiro conseguiu uma reação impressionante e chegou a diminuir a vantagem para apenas 4 pontos.

Jogos de estreia em torneios curtos não são fáceis, especialmente jogando em casa, em uma situação que o apoio da galera pode se transformar em nervosismo. Nem acho que foi exatamente este o caso – pelo menos não ficou evidente isso. Na primeira metade de jogo, principalmente no segundo quarto, o time Lituano deu uma aula de ataque contra defesa, em que eles acertavam tudo na frente diante de uma defesa totalmente apática do Brasil.

Tivesse sido este o teor até o final do jogo, a seleção brasileira sairia arrasada de quadra para sua próxima partida. Não foi assim. Nos dois quartos seguintes, o time fez 23 a 12 no terceiro tempo e 24 a 12 no último. A defesa se acertou e o ataque passou a jogar simples, buscando as cestas no garrafão e a forçar a falta nos pivôs lituanos.

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O Brasil fez valer seu banco. Marcelinho Huertas, Alex e Heittsheimer estiveram muito mal. Até mesmo Leandrinho, maior pontuador do time com 21 pontos, não esteve bem com a formação principal e errou quase tudo na primeira parte da partida. Quando Raulzinho – salvo o último chute a cinco passos da linha de três que ninguém entendeu -, e Felício entraram por mais tempo na segunda etapa, o Brasil se acertou. Leandrinho e Nene, titulares, passaram a jogar demais nos dois lados da quadra e o time quase virou um jogo que estava perdido.

Fica o alerta para o apagão que a equipe teve – muito característico deste elenco, ainda que o mais recorrente seja o time estar vencendo e sofrer um lapso no final e tomar a virada. Dos males, o menor: foi no primeiro jogo onde isso ainda poderia acontecer. Também é bom ficar mais atento aos lances-livres e aos chutes de fora, de onde o Brasil teve um desempenho fraco (22/34 do free throw e 2/14 dos três).

É bom para o time entrar no clima da competição. O time lituano é excelente e não é um desastre perder para eles. O grupo tem tudo para ser decidido na última rodada. Até lá, o time já deve ter encontrado sua formação titular.

Jordan, Cousins e Derozan vão à zona “por engano” no Rio

Aham, todo mundo acredita em vocês, DeAndre Jordan, DeMarcus Cousins e DeMar Derozan. Segundo o maravilhoso site de fofocas americano TMZ, os jogadores americanos entraram em uma “balada caliente para desfrutar dos prazeres mais primitivos do homem” por engano.


Eles resolveram sair do luxuoso cruzeiro onde estão hospedados para dar um rolê pela noite carioca e entraram no que o site chamou de ~bordel. A justificativa foi a melhor, segundo o TMZ: os atletas entraram no estabelecimento achando que era um spa.

PORRA QUEM VAI NUM SPA COM OS PARCEIRO DE MADRUGADA?

Outros três jogadores do elenco acompanhavam o trio, mas não foram identificados.

Olimpíadas: jogar em casa não rende medalhas

Na série de posts que comecei com análises sobre os times (especialmente Brasil e EUA) e grupos do torneio olímpico, muita gente comentou que a seleção brasileira vai ganhar medalha e que até tem chances de vencer os americanos. Apesar da notória e clara diferença de qualidade, o pessoal se prende naquele lance de que os jogos são aqui, a torcida vai empurrar o time e os caras vão se superar em quadra. Eu até acho que o Brasil pode conseguir um resultado acima da sua qualidade, ganhando uma medalha (de bronze ou de prata, dependendo do cruzamento da segunda fase), superando times mais fortes como Sérvia e França, mas acho impossível que vença os EUA. Mas aqui, sobretudo, quero desmistificar esse papo de que o ‘fator casa’ é tão favorável nos torneios de basquete de seleções. Pelo menos no histórico recente, jogar em casa não tem sido uma vantagem grande o suficiente para levar um time ao título.

Isso é tão flagrante que, mesmo quando o time é um dos favoritos no torneio, o título não vem – mais difícil ainda quando não é a melhor equipe, como é o caso do Brasil. Nas Copas do Mundo de Basquete, por exemplo, até os EUA perderam em casa na última vez que sediaram o mundial. A Espanha, maior força europeia dos últimos anos, ficou apenas em quinto quando o campeonato foi realizado por lá – sendo que tinha sido duas vezes medalhas de prata nas olimpíadas anteriores e campeã mundial dois torneios antes.

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Nas olimpíadas, a vantagem do time da casa é ainda menor e chega a dar a impressão que os times têm um desempenho PIOR quando jogam em casa. Só os EUA foram campeões jogando em seus domínios – o que não é nenhuma novidade, já que eles foram medalhistas de outro em 14 dos 18 torneios de basquete nos jogos. Fora isso, só a União Soviética conseguiu ser medalhista em casa – o que não é exatamente um bom resultado, já que os EUA não participaram daquela edição e os soviéticos eram os francos favoritos.

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Falo tudo isso, porque percebi que existem duas correntes muito fortes e distintas entre os fãs de basquete. Uma turma acha que o Brasil vai tomar pau invariavelmente. Outros se alimentam da ilusão que o time tupiniquim vai chegar forte para ganhar dos seus principais rivais, inclusive os EUA.

A verdade é que há um equilíbrio muito grande. Os americanos são muito melhores do que todos, mas, de resto, tudo pode acontecer. Mesmo sendo pior que Espanha, Sérvia e França – e no mesmo nível que Lituânia e Argentina – dá para ganhar de todos em um dia bom. Ou perder em um dia infeliz. Só é preciso ter em mente que o Brasil não se torna favorito só por jogar no Rio de Janeiro.

Olimpíadas – o caminho da medalha

Já falei aqui que a competição olímpica é muito difícil. São poucas equipes, muitas no mesmo nível e o tiro é curto. Da mesma forma que o Brasil tem time para ficar entre os quatro melhores times, pode perfeitamente cair logo no primeiro jogo do mata-mata e ficar com a oitava posição. No final das contas, a sorte nos cruzamentos é o fator mais decisivo para a longevidade da seleção brasileira na competição. Vou detalhar aqui o roteiro ideal para que Nene e companhia belisquem a melhor medalha possível – e, sendo bem otimista, acho que até uma prata é possível, ainda que não seja o mais provável.

Eu estou considerando que o Brasil passa da primeira fase, claro. Ainda que exista alguma dúvida, já que existem cinco potenciais classificados no grupo para quatro vagas, acho que Croácia e Argentina estão um passo atrás de Espanha, Lituânia e Brasil. Mas, como já disse, as coisas são tão equilibradas que meio que tudo pode acontecer.

Em termos de elenco, saúde, momento e entrosamento, considero que Espanha é o time a ser batido no grupo e Brasil e Lituânia estão no mesmo nível como segunda força. O Brasil até tem condições de ganhar todos os jogos, mas o natural seria ficar em segundo ou terceiro do grupo.

Pensando nos cruzamento da segunda fase, caso não seja possível ser o líder do grupo – o que faria o time ficar no outro lado da chave dos EUA e ainda pegaria uma Austrália ou Venezuela nas quartas-de-final, o melhor dos confrontos -, a melhor posição para terminar a primeira fase é em terceiro lugar, porque jogaria um possível confronto contra os americanos somente para a final.

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Ainda assim, o Brasil já enfrentaria uma pedreira logo de cara, sem margem para derrota: França ou Sérvia. No último mundial, a seleção brasileira derrotou os sérvios na fase de grupos, mas perdeu no mata-mata – e eles acabaram com o vice-campeonato do torneio. Seja quem for, é um cruzamento muito difícil, mas possível de superar.

Passando essa fase, o Brasil, considerando que foi primeiro ou terceiro do grupo, pegaria algum rival da primeira fase (Espanha ou Lituânia de volta). Como eu falei acima, uma pedreira, mas não imbatível. Caso tenha ficado em segundo do próprio grupo e passado das quartas, o adversário é o time americano – e daí, só resta sonhar com o bronze.

Digamos que vença Espanha ou Lituânia mais uma vez na semi, chega à tão sonhada final do torneio olímpico contra os EUA. Sinceramente eu não vejo nenhuma chance de ganhar, ainda que o Brasil tenha um histórico de bons jogos contra os astros da NBA.

Mesmo assim, já seria uma baita campanha terminar com a prata e presentear a torcida com uma final contra o melhor time do mundo. É difícil e depende de uma série de fatores, mas dá para sonhar.

Olimpíadas: o outro grupo

Fechando as análises dos times das olimpíadas, agora é a vez de detalhar um pouco melhor a situação de cada um dos times restantes do Grupo A (já falei aqui sobre a equipe brasileira, sobre seus rivais de grupo e também como os EUA entram como francos favoritos). Por mais que o grupo do Brasil seja considerado o ‘da morte’ por ter um equilíbrio grande entre cinco das seis equipes, acredito que a chave dos Estados Unidos é ainda mais forte. Não só por contar com o time americano, mas porque tem outras duas seleções que, se fossemos levar em conta os desempenhos recentes nas últimas competições internacionais e os momentos dos seus jogadores, seriam semifinalistas naturais – Sérvia e França.

É bem importante mostrar isso, já que o primeiro rival brasileiro na fase de mata-mata será muito provavelmente um destes três times, que no papel estão melhores do que o Brasil.

Os torneios classificatórios para o torneio olímpico chegam a nos enganar, já que França e Sérvia só se garantiram nos jogos do Rio via repescagem. O que acontece é que Lituânia e Espanha garantiram vaga no Eurobasket do ano passado, mas só superaram Sérvia e França no detalhe. A primeira foi eliminada pelos espanhois na prorrogação e a segunda caiu numa partida duríssima diante da Lituânia – além de ter tido a melhor campanha na primeira fase e ter derrotado a Espanha em seu grupo.

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Vou começar com os franceses, que estão, aparentemente, em um melhor momento. Assim como o elenco espanhol, o plantel da França é recheado de estrelas e jogadores que são destaques nas melhores equipes do mundo. Do quinteto titular provável, quatro jogam na NBA: Tony Parker, Nicolas Batum, Boris Diaw e Rudy Gobert. O quinto jogador, é ‘só’ o MVP da final da Euroliga, Nando De Colo.

O bom desta unidade é que é muito versátil: Parker é um armador clássico e muito experiente, Diaw é um ala pivô moderno e extremamente técnico – que consegue ir bem mesmo com uma pança proeminente que não condiz com o esporte profissional -, De Colo é um gatilho ofensivo com chute afiado e Batum e Gobert são dois dos melhores jogadores de defesa do mundo.

A Sérvia chega tão forte quanto a França. O armador Milos Teodosic é possivelmente o melhor jogador do mundo fora da NBA e o shooting guard Bogdan Bogdanovic vem logo atrás. Ainda conta com o pivô que esteve entre os cinco melhores calouros da NBA neste ano, Nikola Jokic, e que tem tudo para se tornar uma estrela da liga nos próximos anos. Conta com uma rotação muito equilibrada, com dez jogadores jogando praticamente 20 minutos por jogo – a ponto do melhor jogador geralmente começar no banco -, o que cria uma dificuldade enorme para os rivais.

O quarto colocado natural deste grupo – e melhor cruzamento possível para o Brasil na próxima fase -, é a Austrália. É um time bom, mas que está um passo atrás dos rivais de grupo e dos possíveis quatro classificados no grupo do Brasil. É uma equipe muito experiente – o ala-pivô David Andersen vai disputar sua milésima olimpíada, aliás – e conta com bons jogadores que estão na NBA: Patty Mills na armação, Andrew Bogut como pivô, Joe Ingles na ala, Matthew Dellavedova como sexto homem e Aron Baynes também saindo do banco. É quase uma versão do time brasileiro com menos qualidade.

Tentando forçar uma zebra, ainda temos o time da Venezuela. A seleção é bem experiente – só três jogadores não estão rondando os 30 anos -, mas não terá seu principal jogador, Greivis Vasquez, que se recupera de lesão. A responsabilidade recai, então, sobre seu substituto, Gregory Vargas, melhor jogador do último Sulamericano.

Como pior equipe do campeonato e provável saco de pancadas do torneio, a China fecha o grupo. O gigante asiático só está nas olimpíadas porque é uma potência frente aos seus rivais de continente – e quase que as Filipinas beliscaram a vaga. Vive um processo de renovação, já que boa parte dos seus melhores jogadores se aposentaram. Restou apenas Yi Jianlian, ex NBA e melhor jogador local da liga chinesa. Dos doze convocados, nove tem 24 anos ou menos e devem formar a base da seleção que vai ser a anfitriã do Mundial de 2019.

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