Month: October 2016 (Page 1 of 4)

Confie em Joel Embiid, o verdadeiro processo do Sixers

Mesmo que o Philadelphia 76ers esteja com uma campanha ainda sem vitórias no campeonato e com o pior saldo de pontos de toda a liga, nenhum torcedor do time diria que a temporada atual se compara com os últimos anos do time, quando entrou em um processo sinistro de reconstrução que parecia não ter fim. O clima, a vontade e competitividade é outra. Mas tem um fator ainda mais determinante para que o Sixers deste ano esteja irreconhecível se comparado com os demais: a presença do pivô camaronês Joel Embiid.

Na sua estreia, depois de dois anos de espera, a sólida atuação de Embiid foi comemorada com um irônico grito de “MVP! MVP!”. Mais do que uma brincadeira com seu jogador, era um grito aliviado de que todo aquele sofrimento, todas aquelas derrotas propositais, renderam um fruto sequer.

Os torcedores já entraram na temporada desesperançosos quando Ben Simmons fraturou o pé e anunciou que poderia ficar o ano todo de molho. Dos jovens escolhidos no draft como futuras promessas, Noel também vai perder o início da temporada machucado e Jahlil Okafor se mostrou problemático o suficiente para a franquia já procurar trocá-lo assim que surgir uma oportunidade. O bom desempenho de Embiid era a última cartada para que esta não fosse mais uma temporada jogada no lixo.

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Além de mostrar um talento acima da média e solidez nos fundamentos, Joel é uma das figuras mais carismáticas da liga. Enquanto esteve se recuperando de lesões nos dois últimos anos, Embiid desenvolveu um senso de humor peculiar de autodepreciação que faz os fãs da NBA torcerem por ele e os torcedores do Phila idolatrarem o cara.

Depois de ter fingido namorar com a Rihanna nas redes sociais e praticar bullying desenfreado com seus colegas de time, Joel conseguiu recuperar a credibilidade ao slogan da franquia, Trust the Process (confie no processo), usado para acalmar os torcedores enquanto era sucessivamente um dos piores times da NBA: agora, ele se autodenomina o “Process” em pessoa, como quem assume, meio que brincando, meio que não, toda a responsabilidade por dar um novo gás ao time.

Acho que mais gente sentiu isso. Mesmo perdendo de lavada, o Sixers parece finalmente que joga para tentar ganhar. Aguentou bem até o terceiro quarto contra o Oklahoma City Thunder na estreia e jogou pau a pau o primeiro tempo contra o Atlanta Hawks, num ímpeto improvável de se encontrar nas últimas três temporadas.

Neste clima, Embiid vestiu tão bem a fantasia de dono do time que nem se fala mais em quando Ben Simmons vai voltar, se vai ser este ano ainda ou não. Tudo que querem é ver o pivô jogar mais vezes e confirmar que está saudável mesmo.

Com esta desconfiança superada, Embiid já poderá ser considerado uma das grandes estrelas emergentes da liga – tudo que o Sixers procurou ao longo destes anos.

 

Finalmente chegou o último dia de contrato de Gilbert Arenas

É hoje, 31 de outubro de 2016, que Gilbert Arenas recebe os últimos dólares do pior contrato multimilionário que uma franquia já fez em toda a história da NBA. Depois de idas e vindas, dispensas, trocas e renegociações, finalmente o armador encerra o seu vínculo com a liga.

O trambolho de 111 milhões de dólares foi assinado há oito anos. Arenas não joga uma partida profissional por qualquer time da liga há seis. Depois da canetada, jogou por três times, numa média de 30 partidas por temporada. Mas pior do que as lesões, se envolveu numa das tretas de vestiário mais cabulosas que se tem notícias. E só agora, finalmente, algum time vai parar de pagar Gilbert para ficar em casa.

Mas vamos com calma. O negócio não era tão cabeludo quando começou, lá em 2008. Ele piorou com o tempo. No começo, Arenas era uma estrela emergente, um pontuador nato, o símbolo de uma franquia em ascensão, o Washinton Wizards. Agent Zero era três vezes all star, uma delas como titular.

O único porém para que ele assinasse um contrato máximo, na época de 127 milhões, era que o armador tinha perdido quase toda a campanha de 2007-2008 por conta da recuperação de uma cirurgia no joelho. Foram só 13 partidas no sacrifício. Mas, depois de um ano inteiro de molho e mais um verão só para retomar a condição física, time e jogador chegaram a um acordo ‘bom para ambas as partes’: 111 milhões por seis temporadas.

O combinado parecia uma boa, já que dava alguma margem para a franquia contratar mais talentos e renovar com os colegas de Arenas, e dava um desconto ao jogador pela sua condição física duvidosa. “O que eu posso fazer com 127 milhões que eu não posso com 111 milhões?“, comemorou Gilbert na época.

Só que as coisas entraram num espiral sinistro a partir daí. A recuperação física do jogador não rolou conforme o previsto e Arenas já perdeu praticamente a primeira temporada inteira do novo vínculo. Entrou em quadra em apenas dois jogos, na tentativa de dar alguma esperança aos torcedores do time que na temporada seguinte, pelo menos, o time do Wizards estaria completo para disputar o torneio.

No ano seguinte, mais de 400 dias depois de ter renovado com o time, finalmente um Arenas inteiro entra em quadra. E, melhor de tudo, fazendo o que se esperava dele: era um dos cestinhas da temporada, com um punhado de jogos fazendo mais do que 30 pontos. Em dezembro, com a temporada em pleno vapor, Arenas anotou seu primeiro triple-double da carreira. Duas semanas mais tarde, meteu 45 pontos contra o Mavericks. Arenas tinha voltado à velha forma!

Justamente quando estava no auge da recuperação, vazou uma informação que enterraria a reputação e abalaria a carreira do jogador para sempre: por uma estupidez tremenda, Arenas mantinha armas no seu armário no seu vestiário em Washingston. Um dia, depois que o reserva Javaris Crittenton o cobrou uma aposta banal, Arenas sacou a arma e apontou para o colega dentro das dependências do clube.

Além de violar as regras do estado, Gilbert também quebrou o acordo dos atletas de que eles não poderiam portar armas de fogo em eventos da NBA – uma recomendação meio óbvia, mas que Arenas sabe-se lá por qual motivo não seguiu. Investigado pela liga, o jogador pegou uma suspensão de 50 partidas, que o tirou de ação para o restante da temporada.

A treta toda foi brutal para a carreira do jogador, que era um ‘Dwight Howard feliz’ – daqueles que estão fazendo piadas o tempo todo, midiático, super carismático a ponto de ninguém mais levar a sério. Ele até alegava que o incidente das armas era, no fundo, uma brincadeira incompreendida.

Arenas fazendo um gesto bem apropriado na entrada do jogo

Arenas fazendo um gesto bem apropriado na entrada do jogo

Depois da suspensão, ele voltou para a temporada seguinte, mas, completamente apático, e mais debilitado fisicamente, o jogador nunca mais foi o mesmo. Ele mudou seu número de 0 para 9 alegando que era um novo cara. Nas fotos da pré-temporada, Arenas não abriu um sorriso sequer.

Por conta da apatia e falta de clima para seguir na franquia, o jogador foi trocado para o Orlando Magic, que tinha alguma esperança de reabilitá-lo e queria se desfazer de outro contrato absurdo da época, os mais de 90 milhões de Rashard Lewis.

Não deu muito certo e Arenas foi dispensado ao final da temporada. Como negociação para o pagamento do que o jogador ainda tinha direito sob contrato, o Orlando decidiu fatiar os quase 40 milhões restantes em cinco anos ao invés de dois, fazendo com que Arenas recebesse uma aposentadoria de quase 12 milhões anuais de 2012 a 2016.

E hoje é o último dia deste contrato maravilhoso para ele e péssimo para seus empregados. Pelo menos ele fez um bom proveito disso (comprou seu próprio aquário para tubarões, paga 5 mil por mês para um caseiro cuidar da sua mansão de sete quartos e dez banheiros, entre outras coisas).

Agora, o tempo finalmente passou e a fonte secou. Boa sorte na busca de um novo emprego tão bom quanto o antigo.

Sim, eles sabem arremessar

O jogo estava 101 a 99 para o Bulls e, em uma bola espirrada para a zona morta, Dwayne Wade encaçapou uma bola de três pontos a 26 segundos do final do jogo, dizimando qualquer chance do Boston Celtics vencer a partida. Foi um cala boca geral. Não só pelo chute em si que deu a vitória ao Chicago na estreia do jogador pela equipe, mas por o que aquela cesta representava: com uma atuação impecável nos chutes de longe, Rondo, Wade e Butler mostraram que podem, sim, arremessar de fora.

Havia uma desconfiança geral – minha, inclusive – de que o time estaria limitado a jogadas individuais, penetrações e ‘iso’ dos seus principais jogadores. Todas as críticas quanto à montagem do elenco se concentravam nesta deficiência dos jogadores. Isso porque o trio nunca foi muito afeito a chutar bolas de trás do arco e, sempre que Rondo, Butler e Wade tentaram fazer isso em grande escala, tiveram aproveitamentos ruins.

O desempenho na estreia, no entanto, contrariou o retrospecto. Somados, eles acertaram 9 de 14 arremessos de três pontos, com impressionantes 64% de aproveitamento.

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Para se ter uma ideia da evolução do desempenho, na carreira, os três geralmente acertam menos do que a metade do que acertaram ontem. Wade, por exemplo, fez quatro cestas do tipo no jogo, enquanto na temporada passada inteira, em 74 jogos, ele fez sete.

Me parece claro que houve uma recomendação para que os três arriscassem os arremessos sempre que encontrassem uma oportunidade – especialmente Butler e Wade. Se eles mostrarem consistência nestas jogadas, é uma tática inteligente, que torna o ataque do Bulls bastante imprevisível.

Foi só a estreia, mas foi surpreendente.

Não era para Jonathon Simmons estar ali – mas ele está

“Who are you? Who are you?”, cantou ironicamente a torcida do Milwaukee Bucks quando o técnico Gregg Popovich colocou Jonathon Simmons em quadra na casa do adversário. Com uma dose de razão nos berros, os torcedores queriam intimidar o jogador, calouro, apesar dos seus 26 anos. Simmons respondeu a sacanagem com 18 pontos em 20 minutos e a vitória para o time visitante.

Anteontem, mais uma vez, o ala-armador do San Antonio Spurs saiu do nada para acabar com o jogo de estreia contra o superpoderoso Golden State Warriors. Fez 20 pontos, deu um toco à lá Lebron James em Stephen Curry e cravou uma das maiores enterradas do ano, no primeiro dia da temporada, na cara de Javale Mcgee. Nos 28 minutos que esteve em quadra, o time texano fez 33 pontos a mais do que o rival da California – um impacto maior do que Kawhi, Lamarcus ou Ginobili.

Mas se ontem ele estava com o diabo no corpo na principal partida da primeira rodada, se em janeiro ele calou um ginásio inteiro que sequer sabia da sua existência, há três anos Simmons era o retrato do fracasso no esporte profissional americano.

Jonathon estava fodido. Depois de ter saído da universidade e ter sido rejeitado no draft, Simmons jogava de graça pelo Sugar Land Legends, da semi-profissional e recém-criada American Basketball League (ABL). Ele só queria aparecer para algum time. Não contava que o campeonato seria interrompido por problemas financeiros depois de um mês de disputa e ele sequer teria um lugar para jogar.

Sem muito rumo na vida, o jogador tentou uma peneira do Austin Toros, time da D-League, liga de desenvolvimento da NBA, ligado ao San Antonio Spurs. Teve que pagar 150 dólares que não tinha para fazer o teste. Com quatro filhas desde a época da faculdade – quando os jogadores não podem receber para jogar -, apostar uma grana dessas num teste para um time de segunda categoria não era a melhor das ideias. Mesmo assim tentou. E passou.

Foi dos selecionados entre 60 caras que estavam na mesma merda que ele. Os treinadores recomendaram então que ele voltasse dali algumas semanas para o trainning camp do time, quando o Austin formaria um grupo para jogar a temporada da liga de desenvolvimento. A D-League funciona como uma ‘reserva técnica’ dos times da NBA, que despacham alguns jogadores do elenco para jogar por lá enquanto não têm espaço nos times principais. Para dar condição para estes caras atuarem com alguma frequência, completam o elenco com peladeiros profissionais como Simmons.

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Jonathon se saiu bem e a equipe o ofereceu um contrato de quase 2 mil dólares por mês. Em dois anos de atividade, ele foi o primeiro jogador a integrar o elenco vindo de uma peneira pública. A grana até era boa se comparada com o que ele tinha ganhado com basquete até aquele momento – no caso, nada -, mas não o suficiente para sobreviver e bancar as quatro filhas que tinha deixado na sua cidade natal, Houston.

Na sua primeira temporada estava cumprindo um papel razoavelmente digno, mas nada de muito destaque. Outros colegas de time ganhavam vez ou outra chances no San Antonio Spurs quando algum jogador do elenco principal se lesionava (Austin Daye, Ronald Murray, Bryce Cotton), mas nada dele ser chamado.

Um dia chegou ao treino decidido a largar mão da vida de atleta de segunda categoria e trabalhar em algum emprego tradicional – sua mãe queria que ele fosse barbeiro – , mas foi demovido da ideia pelo então membro da comissão técnica do time, Earl Watson, que hoje é técnico do Phoenix Suns. Watson e seus colegas de Austin estavam de olho no talento de Simmons, aguardando uma oportunidade para recomendá-lo para o staff principal de San Antonio.

Foram duas temporadas de insistência sem muitos frutos até que na offseason de 2015 o Brooklyn Nets o convidou para jogar nas Summer League de Orlando. Três jogos depois, foi a vez do San Antonio Spurs dar uma oportunidade a ele, desta vez para o torneio de verão de Las Vegas, o mais tradicional de todos. Atuou bem e foi nomeado o melhor jogador do campeonato.

Dois dias depois de receber o prêmio, o front office do San Antonio o procurou para oferecer um contrato para a temporada seguinte. Seriam 500 mil dólares não garantidos para ser inscrito como um dos 15 jogadores do Spurs para disputar a NBA!

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Como tudo na vida dele é dolorosamente sofrido, na data final para inscrição dos elencos, Simmons foi mandado de volta para o time de Austin – o alento era que, desta vez, era um atleta contratado da equipe principal que só jogaria temporariamente pelo time reserva.

Não durou um mês para, no mesmo jogo, Manu Ginobili e Kawhi Leonard se lesionarem e o time precisar de um suplente para a posição. Foi a deixa necessária para que Simmons estreasse na NBA, calouro aos 26 anos.

Desde então, teve algumas idas e vindas entre San Antonio e Austin, mas já jogou 56 partidas pela principal liga do mundo. Duas delas como titular. Foi vaiado em Milwaukee. Foi estrela contra o Golden State.

Hoje é uma peça garantida na rotação mais democrática e talentosa da liga, arranca elogios do principal técnico da NBA e, mais impressionante de tudo, venceu todos os prognósticos de ser um ninguém.

League Pass começa temporada sem funcionar no Playstation

Quem me acompanha sabe o quanto eu pago pau para o League Pass, serviço de streaming da NBA para transmitir todas as partidas ao vivo. Eu divido meu tempo assistindo no computador e no Playstation 4. Para o primeiro dia da temporada, no entanto, não foi possível assistir pelo videogame – um vacilo que o suporte do serviço não informou que aconteceria. Quem depende exclusivamente do PS para acessar o League Pass vai ficar sem poder assistir as partidas por tempo indeterminado.

Durante a pré-temporada eu até vi que o aplicativo tinha sido ‘descontinuado’. Na mesma época, surgiu uma mensagem avisando que uma nova versão estaria disponível na PS Store assim que a temporada começasse. Começou e o app não apareceu por lá. No momento da assinatura do serviço, ninguém foi informado do problema também.

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Entrei em contato com o suporte para os clientes fora dos EUA e a resposta que me deram é que “em algum momento o aplicativo estará novamente disponível para PS3 e PS4, mas que infelizmente não conseguiram fazê-lo até o início da temporada”. Também não deram maiores explicações.

Para os clientes americanos, o suporte online do twitter do League Pass recomendava que os usuários deletassem o aplicativo antigo e então buscassem o novo na PS Store. Vi relatos no reddit e no twitter que dava para o pessoal de fora dos EUA logar a conta na loja americana do Playstation para burlar o sistema, mas eu não sei como faz isso e nem tenho culhão.

Pelo visto, o problema foi só com o Playstation, já que no email de resposta o serviço me recomendava assistir via PC, Mac, celular (iOS ou Android), Chromecast, AppleTV, Xbox One ou Roku (claramente citaram todos os devices disponíveis só para enfatizar que todos os outros estão funcionando, haha).

Espero que volte logo, afinal, a possibilidade de assistir pelo videogame é anunciada como uma das vantagens no momento da assinatura.

Warriors atrás de uma nova identidade

Sem recordes, sem marcas a bater, sem oba-oba. A derrota na estreia do novo Golden State Warriors não é nada alarmante, mas sinaliza que o primeiro objetivo da equipe é encontrar uma nova identidade. Na primeira partida do campeonato, em casa, onde na temporada passada só foi derrotada uma vez e era quase imbatível nas últimas duas temporadas, o GSW foi derrotado com certa facilidade pelo San Antonio Spurs.

Mais preocupante do que o resultado, foi a diferença de performance em relação ao que era jogado pelo time anteriormente, com desempenhos ruins nos chutes de fora e nos rebotes, duas características muito fortes do Warriors campeão de 2015 e vice de 2016.

O time da casa arremessou 33 bolas de fora do arco e só acertou 7. Um aproveitamento que, se já é ruim nos números, fica ainda pior nas circunstâncias em que aconteceram, já que praticamente metade deles nem foram contestados pela defesa. Era de se esperar que com liberdade para pensar e agir, Curry, Thompson, Durant e Green acertassem mais – afinal, quem errava mil bolas livre era Harrison Barnes, que foi despachado da franquia.

Aproveitamento do Warriors nos arremessos de três

Aproveitamento do Warriors nos arremessos de três

O Warriors também foi massacrado nos rebotes. No geral, o Spurs agarrou 55 deles e o Golden State apenas 35. Aproveitamento baixo nos chutes e falta de rebotes é a receita certa da derrota. Nos pontos de segunda chance, gerados por rebotes ofensivos, a diferença foi ainda mais brutal: 24 a 4 para o San Antonio.

Em resumo, o Spurs até errava, mas recuperava metade das bolas no ataque. O Golden State também errava, mas não conseguia recuperar a posse da pelota.

Ainda que não dê para supervalorizar estes números – é apenas um jogo, o banco do Spurs estava muito inspirado, o do Warriors não -, indica que o Golden State precisa se acertar, especialmente para suprir a ausência de Andrew Bogut. O jogador tinha uma importância fundamental para impedir a recuperação de bola do adversário, por exemplo. Seus suplentes, Pachulia e West, pegaram 4 rebotes em 30 minutos jogados.

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A falta de rebotes no ataque também me parece um sintoma de um time que tem muitos chutadores abertos (Curry, Durant, Thompson e às vezes Green). Posicionados assim, fica quase impossível recuperar os chutes errados – e tem dias que a bola não cai mesmo.

De positivo, eu vejo a atitude assassina de Kevin Durant no novo uniforme. Se alguém imaginava uma versão mais tímida do jogador em um time estrelado (eu era um deles), estava enganado. Nos primeiros minutos de jogo, Durant ja mostrou que chegou para ser o dono do time. Chutou tudo que podia, lutou pela bola, marcou, deu toco.

Talvez seja o caso do restante do time se adaptar às novas funções. Green mesclar melhor os bloqueios no ataque para tentar livrar Thompson da marcação, se afundar no garrafão para brigar pela bola. Curry se movimentar para o fundo da quadra ao invés de transitar no topo do arco de três.

O estranhamento com os novos papéis é natural, afinal, dois titulares importantes da equipe não estão mais por lá. Dois jogadores que eram especialistas em algumas funções bem específicas.

Então, antes de qualquer coisa, o Golden State precisa se acostumar com sua nova formação. Este começo será tempo de reafirmar em alguns aspectos do jogo, reencontrar sua identidade.

7 perfis sobre NBA para seguir no twitter

Ontem eu fiz uma lista de podcasts que eu mais gosto e me ajudam a ficar bem informado. Mas entendo que nem todo mundo é adepto do hábito. Para quem curte acompanhar a liga de uma maneira mais ‘silenciosa’, ativa e interativa, vou fazer uma lista de perfis essenciais do twitter para se seguir.

Não vou colocar muito aqui, só aqueles que são meio obrigatórios para quem não quer perder as principais notícias, opiniões e comentários sobre NBA. Tem alguns que são bons para acompanhar durante os jogos, outros que são excelentes por serem engraçados e ainda aqueles que são fundamentais porque dão as novidades da liga em primeira mão.

Bom, claro que o que eu mais indico é o perfil aqui do blog mesmo (RISOS). Lá tem os posts em primeira mão, live tweeting durante as partidas e comentários gerais sobre a liga todos os dias.

@blogdoisdribles:

Ah, também não quero dizer nada nem apelar, mas em breve vai ter um sorteio para os seguidores do perfil com algo que está cruzando o oceano atlântico neste exato momento… Enfim, segue lá!

Bom, segue a lista dos melhores perfis:

Não tem conversa: Woj é o jornalista que dá os maiores furos da liga. Durante o draft chega até a ser chato de tão bem informado que ele é. Antes de cada time fazer sua pick, ele antecipa qual será o jogador escolhido. Trocas, assinaturas de contratos, lesões… ele informa tudo antes dos outros.

Haralabos Voulgaris é  um apostador americano que preenche a timeline de comentários cretinos sobre NBA. Mas, mais do que isso, é um cara que vê as tendências do jogo com um olhar bem peculiar e interessante.

Jason Concepcion, redator do The Ringer, é o famoso cachorro de óculos do twitter que atormenta jogadores, GMs e outros jornalistas que cobrem NBA. Ele se define no seu ‘about’ como “a pessoa mais lixo do planeta”, o que eu acho que já diz muita coisa. O perfil dele é excelente, tanto durante as partidas, como ao longo do dia.

O pivô do Sixers ainda não jogou uma partida oficial de temporada regular pelo seu time, mas já é o MVP das redes sociais. Ele avacalha a si mesmo, os rivais e os colegas de time. É imperdível.

Um dos principais jornalistas da ESPN, metralha a timeline de informações exclusivas ao longo do dia. Perfil obrigatório de se seguir.

Perfil que zoa as interações dos telespectadores sem-noção com as transmissões da ESPN e Sportv. Também evidencia as pérolas mais grotescas dos narradores e comentaristas durante as partidas.

 

Uma temporada de provação

Toda temporada tem dessas, eu sei, mas parece que esta é especial neste sentido: muitos times e jogadores entrarão em quadra para provar algo que os atormenta. Mais do que o jogo em si, uma tese precisará se confirmar, um mito terá que ser desmentido ou um tabu precisa ser quebrado. Olhando assim para a temporada, antes das coisas começarem, parece que vai haver uma redefinição de papéis a partir do que acontecer na disputa.

A principal destas histórias é a confirmação do favoritismo do Golden State Warriors. Depois de tudo que aconteceu, o time já tinha a obrigação de vencer na temporada passada sob risco de colocar em cheque todos os feitos impressionantes alcançados ao longo do ano – o principal deles, o recorde de 73 vitórias na temporada regular. O time teve números de melhor de todos os tempos e entrou na discussão sobre a melhor equipe de todos os tempos. Mas perdeu e quase tudo foi colocado por água abaixo.

Agora, o time volta a chamar toda a responsabilidade com a contratação de Kevin Durant, incontestavelmente um dos cinco melhores jogadores da atualidade. O time que já era espetacular ficou ainda melhor. Ainda por cima, atraiu Durant justamente pelas suas chances de vencer logo de cara e construir uma dinastia ao seu redor. Se não ganhar, vai parecer que muita coisa foi feita a troco de nada. Não há outra opção, só o titulo interessa para provar que tudo isso teve um propósito justificável.

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A outra grande história da temporada vai ser Russell Westbrook, o jogador que restou em Oklahoma, mostrar que não depende de Durant para ser competitivo. Que pode ser o líder de um time. Que o Thunder pode ser uma franquia forte, que habite o topo da tabela, com ele.

Enquanto Russell e Kevin eram uma dupla, sempre existiu a desconfiança acerca do jogo do armador. Sobre o quanto era eficiente. O quanto as stats avassaladoras faziam bem ao time e não somente a ele mesmo. Agora será possível tirar a prova.

Mas há muito mais coisas em jogo. O San Antonio Spurs vai poder mostrar se é uma franquia vencedora independente do seu maior jogador de todos os tempos, Tim Duncan, que venceu todos os cinco títulos do time. Vai poder provar se sabe fazer uma reconstrução sem recaídas, como parece.

O Los Angeles Clippers vai poder mostrar para todo mundo que unir Doc Rivers, Chris Paul, Blake Griffin e companhia forma um time vencedor, sim. Que é tão forte quanto seus principais concorrentes.

Houston Rockets precisará provar que sabe defender – ou que pode vencer sem defender. Boston Celtics, que melhorou. Dallas e Memphis, que não pioraram.

Dwight Howard tem que mostrar que ainda é útil. Anthony Davis e Joel Embiid, que são saudáveis. Curry, Durant e Thompson, que podem coexistir. Wade, Butler e Rondo idem.

Vish, tem muita coisa em jogo…

Só o Cleveland Cavaliers e Lebron James que não precisam convencer mais ninguém de nada. O Cavs já tirou o enorme peso das costas com o título da temporada passada em uma virada incrível. Lebron já se consolidou como um dos maiores da história – se alguém ainda é louco e não se convenceu disso, não vai ser mais uma campanha absoluta que vai fazer mudar de ideia.

Quem comecem as provações.

10 podcasts sobre basquete para acompanhar a temporada

Temporada da NBA começando e sei que tem uma turma que quer ~mergulhar neste universo e acompanhar a disputa de uma maneira mais HARD. Uma forma aconselhável de ouvir opiniões de todos os tipos e estar por dentro das novidades da liga é ouvir podcasts, que são tipo programas de áudio que você pode escutar pelo celular ou internet.

É bom porque você torna um tempo que era totalmente descartável da sua vida em útil. Dá pra ouvir dirigindo, trabalhando, correndo e etc. Eu, particularmente, gosto muito!

Eu adquiri este hábito porque trabalho muito longe de casa, entre ida e volta do trabalho são 200 km e quase 3 horas de estrada. Para não enlouquecer, uso este tempo para ouvir a opinião de gente que concordo e discordo – um exercício saudável.

Eu ouço mais os programas gringos, que em geral têm mais informação e são mais profissionais. Mas tem podcasts brasileiros legais e bem feitos, que também vou indicar. E basicamente ouço os que estão no iTunes, que é a plataforma que eu mais curto usar. Só procurar por palavra-chave, assinar e receber o podcast assim que o autor publica. Existem outras plataformas que funcionam da mesma maneira, mas eu só uso bem raramente.

Tenho planos de, ao longo da temporada, começar um programa do blog, como uma forma mais despretensiosa de comentar NBA. Só preciso arranjar tempo para me dedicar mais a isso, portanto não sei exatamente quando vai acontecer – mas quando rolar, vocês serão informados!

Enquanto isso, segue a lista:

Poscasts em inglês:

The Drop (The Starters) – É um programa semanal que os caras do Starters, programa da NBA TV, soltam todas as sextas-feiras. Tem mais ou menos uma hora de duração e é dividido em algumas partes. Eles começam falando de alguns assuntos mais importantes da semana, depois respondem perguntas dos ouvintes (relacionadas à NBA ou não, independe), elegem o que rolou de pior na semana, qual foi o melhor tuíte do período e outras coisas do gênero.

É meu preferido. É formado pelo quarteto que apresenta o programa diário de TV (dois canadenses fãs do Raptors, um australiano completamente doente e que não entende as regras de convívio social e um americano torcedor do Bulls). Os caras sabem muito de NBA e conseguem fazer um programa como se fosse uma roda de conversa entre amigos – o tipo de ideia que parece boa, geralmente dá muito errado, mas que eles conseguiram salvar.

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Jalen & Jacoby – Na verdade é um programa diário da ESPN radio que também é distribuído em forma de podcast. Tem pouco mais de uma hora de duração e não fala só de NBA – trata dos outros esportes americanos e de amenidades.

Assim como o Starters, eu gosto demais dos apresentadores do programa: Jalen Rose, ex-jogador da NBA, e David Jacoby, jornalista da ESPN. Os dois discordam de muita coisa, o que torna o debate bem dinâmico – mas sem ser forçado. O bacana aqui é a visão sincera, sem fazer média, de um ex-jogador.

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The Lowe Post – Podcast do melhor jornalista de NBA da atualidade na minha opinião. Zach Lowe é um cara que consegue mesclar com uma perfeição ímpar estatísticas (usando números avançados apropriadamente, mas sem supervalorizá-los), informações de bastidores e opinião sobre o intangível do jogo. É um cara bem humorado e com uma cultura geral impressionante, aparentemente. É um gênio escrevendo e seu podcast é mais uma dose do seu trabalho impecável.

Não tem uma frequência definida e quase sempre conta com um convidado (jogador, técnico, outros jornalistas…). Dura entre 20 min a uma hora. Excelente!

The Bill Simmons Podcast – Outro jornalista que eu gosto bastante. Bill Simmons, conhecido como Sports Guy, é o criador do finado Grantland, que era o melhor site de esportes e cultura geral dos EUA, e atual dono do The Ringer, site que tem o mesmo propósito do antigo e foi lançado neste ano.

Bill é um cara que tem muita informação e opiniões interessantes, bem humoradas. Às vezes é meio clubista demais (torcedor do Celtics), mas sabendo disso e relevando em alguns momentos, dá para levar. É legal também que ele ODEIA a Espn depois que foi demitido de lá, então você ouve coisas que não escuta nos outros podcasts normais. Tem uns convidados inusitados, como artistas em geral falando um monte de merdas. Trata de outros esportes também.

The Ringer NBA Show – Podcast do site do Bill Simmons, mas apresentado por outros jornalistas. Não acho tão bom quando o programa do Simmons, mas tem seus bons momentos. A vantagem é que tem programas mais curtos, de uns 20 minutos – bom quando você não está com tanto tempo.

The Vertical Podcast – Na verdade aqui são três programas distintos: com JJ Redick (shooting guard do LA Clippers), com Woj (jornalista mais bem informado e que dá os maiores furos da NBA) e Chris Mannix (outro jornalista do grupo). Eu particularmente gosto mais do primeiro, com Redick, que tem uma visão diferente dos demais. JJ recebe jogadores, técnicos, membros da comissão técnica (maior parte deles do Clippers ou ex-colegas do jogador). O programa com o Woj também é muito bom porque o cara é sinistro e sempre tem excelentes convidados.

Outros interessantes: “The Big Podcast With Shaq”, apresentado por Shaquille Oneal sobre o assunto que ele quiser falar naquele dia; “Open Floor”, da Sports Illustrated, “NBA Lockdown”, “Rotoworld Fantasy Basketball Podcast”, “Hang Time”, “CBS Sports Eye On Basketball”, “Insiders Sports”, “Dunc’d On Basketball” e etc, mas dai você vai precisar dedicar a sua vida inteira a isso, o que eu acho que não é muito saudável.

Podcasts em português:

Bola Presa – Disparado o melhor podcast brasileiro de basquete, feito pela dupla que administra o blog de mesmo nome. Semanal, com um pouco mais de uma hora de duração, tem uma dinâmica parecida com o The Starters, que eu falei lá no começo – aliás me parece completamente inspirado neles. Primeiro trata-se de alguns assuntos da semana e depois abrem para perguntas dos ouvintes, que podem ser relacionadas a basquete ou não (geralmente são de RELACIONAMENTO).

Se você não se sente confortável em ouvir um programa em inglês, não sabe a língua, não é afim de ouvir e etc, o Bola Presa é o podcast obrigatório para sua ~audição semanal. Fica disponível pra download toda sexta-feira.

Bala na Cesta – Podcast do blog mais tradicional de basquete em atividade no Brasil. Não tem um formato lá muito engessado. Tem o mérito de cobrir as atividades da CBB e do basquete feminino no Brasil, áreas pouco exploradas pelos demais.

Estação Basquete – É um programa web de rádio semanal que eu não sei se vai continuar nesta temporada. Tecnicamente imbatível no Brasil (conta com uma estrutura de rádio de verdade) e passa o clima de uma conversa informal entre os participantes.

Triple-double – Não está no iTunes, mas acho que é bom dar mais opções para os leitores que se interessarem por podcasts brasileiros. É o programa do blog Triple-Double, que cobre bem NBA e NBB. É bem analítico. Dá pra ouvir pelo WeCast, SoundCloud e afins.

 

Palpites fundamentais para a temporada 2016/2017

Eu já fiz uma análise mais séria, time a time, das pretensões de cada equipe para a temporada que se inicia nesta terça-feira. Agora é a hora de palpitar na base total do achômetro mesmo. Farei aqui as minhas e vocês, concordando ou não, fazem os seus nos comentários. Ano passado fiz o mesmo e até que tive um bom aproveitamento nos acertos. Tomara que a performance se repita neste ano, haha.

Vamos lá:

  • O Brooklyn Nets não vai chegar a 20 vitórias na temporada.
  • New York Knicks se reforçou, mas vai penar para se classificar para os playoffs.
  • Dallas Mavericks não vai se classificar para os playoffs.
  • O técnico do Chicago Bulls Fred Hoiberg não termina a temporada no seu cargo.
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  • Philadelphia 76 vai melhorar, mas só vai ganhar mais jogos que o Nets.
  • Anthony Davis vai finalmente jogar mais de 80 jogos na temporada regular.
  • DeMarcus Cousins será trocado até o final da temporada. Lamarcus Aldridge termina o campeonato no Spurs.
  • Russell Westbrook vai fazer mais do que 25 triple-doubles na temporada (um recorde nos últimos 40 anos), mas não será o MVP.
    Los Angeles Lakers v Oklahoma City Thunder
  • Kristaps Porzingis e Karl Anthony Towns serão chamados para o All Star Game. Giannis Antetokounmpo não.
  • Joel Embiid vai ganhar os nossos corações, mas não o Rookie of the Year.
  • Depois de dois anos batendo na trave, Brad Stevens vai finalmente ser eleito o melhor técnico da temporada.
  • E o Boston Celtics só vai ficar atrás do Cleveland Cavaliers na Conferência Leste.
  • James Harden será o cestinha da NBA. E Kevin Durant será o maior pontuador do Golden State Warriors.
  • Pela primeira vez na história, uma final da NBA vai se repetir pelo terceiro ano consecutivo.

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