Eu já escrevi há algum tempo aqui o quanto acho que a chegada de Kevin Durant ao Golden State Warriors consegue ser bombástica e cirúrgica ao mesmo tempo. O ala é um dos melhores jogadores do mundo. Ofensivamente ele é praticamente imparável. Defensivamente, quando quer, é monstruoso. E entra em um time que consegue trabalhar como nenhum outro para deixar seus arremessadores em excelentes condições e para defender intensamente o perímetro. Ainda que eu tenha torcido meu nariz quilométrico para a escolha de Durant, eu acho que não tinha lugar melhor para ele se encaixar.

A forma como as coisas se desenrolaram ano passado também serviu como um aprendizado para o GSW: bater todos os recordes possíveis, se tornar um time quase imbatível e cair de forma avassaladora na final é uma narrativa que vai martelar na cabeça dos jogadores para sempre. Se isso for usado para o bem, a equipe só tende a melhorar.

Não que o time vá bater o recorde insano de 73 vitórias na temporada regular. Acho até que é mais provável que pegue um pouco mais leve ao longo dos meses para chegar aos playoffs correndo menos riscos – as lesões de Curry no mata-mata também assustaram o time.

O histórico, inclusive, confirma esta tese. Dos últimos dez times que venceram 67 jogos ou mais ao longo da história, nove caíram de rendimento na temporada seguinte. Não necessariamente ficaram piores, mas é normal levar uma temporada com mais calma tentando se preservar para um mata-mata mais seguro.

Assim como o Spurs, ainda que em outra medida, o Golden State vai ter que se acostumar a jogar sem Andrew Bogut. Mesmo jogando poucos minutos, o pivô australiano era quem fechava a defesa dentro do garrafão para o time. Zaza Pachulia, o substituto, não tem a mesma habilidade na cobertura e na proteção do aro. Draymond Green vai ter que cobrir esta lacuna, com a ajuda de Durant. Não chega a ser um grande problema, mas é o único problema que me vem à mente.

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Há quem fale também em guerra de egos. Não acho que será um problema agora. É sempre difícil dissertar sobre a personalidade de um jogador que a gente só acompanha à distância, mas Durant parece ser um cara fácil de lidar e consciente do papel que tem que desempenhar para encaixar no time. Palpite puro, mas é a minha impressão.

Lá na frente, se o negócio desandar, pode ser que aconteça mesmo. Não existe harmonia que resista à frustração das expectativas – mas daí já é especular além do limite aceitável.

Por conta de tudo isso, não dá para esperar nada menos do que o favoritismo absoluto ao título da NBA.

Offseason
Warriors foi o grande vencedor da temporada de assinatura de free agents. Conseguiu fisgar o craque do ano, contra vários prognósticos. Ainda se saiu relativamente bem quando teve que bolar uma ‘engenharia dos salários’ para acomodar Durant na sua folha de pagamento – conseguiu Zaza Pachulia por ínfimos (na NBA de hoje) 2 milhões de dólares.

Time Provável
PG – Stephen Curry / Shaun Livingston
SG – Klay Thompson / Ian Clark
SF – Kevin Durant / Andre Iguodala
PF – Draymond Green / David West
C – Zaza Pachulia / Anderson Varejão / Javale Mcgee

Expectativa
Atual recordista de vitórias em uma única temporada da NBA, time do MVP dos dois últimos anos e equipe que arregimentou o principal jogador da offseason. Só o título interessa, não?

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