O verão americano é uma época estranha para os pivôs que são péssimos em lances-livres. Seguindo a recomendação de todos os fãs revoltados em ter que assistir um festival de horrores nos minutos finais dos jogos em que os times fazem faltas propositais para mandar estes caras para o free throw, é comum a gente ver notícias e vídeos deles arremessando – e surpreendentemente, acertando! – centenas de lances-livres.

Eu já perdi a conta de vezes que ouvi dizer que “nesta offseason, Dwight treinou muito e agora está chutando acima dos 70%”. E mesmo assim, em quadra, na hora que o bicho pega, seu aproveitamento só cai.

Aproveitamento de Dwight Howard no lance-livre ano após ano

Aproveitamento de Dwight Howard no lance-livre ano após ano

E não é uma exclusividade dele. Este ano Andre Drummond estaria  treinando com um óculos de realidade virtual, numa dinâmica em que ele assiste sua própria mecânica de arremesso e corrigindo o que fez de errado e repetindo o que fez de certo. Rudy Gobert diz que treinou tanto que está acertando nove entre dez arremessos, DeAndre Jordan passou o verão do ano passado inteiro internado num ginásio com Chris Paul tentando melhorar…

Nunca funciona.

Por mais que a gente se condicione a cobrar que estes caras treinem toda vez que surge um papo sobre mudar a regra pra acabar com aquela chatice das faltas propositais para levá-los ao lance-livre, a história prova que, para alguns casos, não é uma questão de treino, mas é um problema de cabeça.

Eu entendo. O lance-livre é o único momento em que o jogo se volta exclusivamente para um jogador. O cronômetro congela, o ginásio inteiro passa a secar o arremessador, a Terra quase que para de girar aguardando que o atleta jogue a bola contra a cesta. Para alguém que tem claros problemas em lidar com a pressão, óbvio que isso tudo é um convite para uma tijolada na tabela ou um humilhante air ball.

Também há quem diga que as bolas de basquete são pequenas perto das mãos ridiculamente grandes destes pivôs imensos, que eles são muito grandes para que o arremesso faça o arco necessário e etc. Concordo que tudo isso dificulte, mas seriam fatores corrigíveis com treino. A cabeça, não.

Além do mais, Kawhi Leonard tem mãos imensas, Dirk Nowitzki tem o tamanho de um pivô e mesmo assim ambos chutam free-throw numa boa. Inegavelmente é a personalidade do cara que determina se a bola vai entrar ou não no aro.

Eles podem passar uns cem verões e outras cem primaveras tentando. Para uns ou outros, simplesmente não há o que fazer.