Muita coisa tem pipocado na internet sobre uma possível volta do Seattle Supersonics. O papo que tem rodado por aí é que, com a validação do novo acordo financeiro entre times e jogadores, a liga, formada pelos donos das franquias, estaria pensando em expandir o número de equipes das atuais 30 para 32. E, com isso, Seattle seria uma das cidades favoritas a ganhar um time.

Eu também adoraria ver o Sonics de volta por aí e concordo que foi uma decisão de merda, errada, tirar o time de lá em 2008, mas é preciso tentar separar o que é especulação e o que é verdade nesta história toda. Neste caso, me parece, infelizmente, apenas uma tremenda forçação de barra.

A história voltou à tona porque existe uma cláusula no contrato bilionário de transmissões dos jogos pela tevê que prevê um acréscimo no repasse aos times caso haja uma expansão na NBA.

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Uma decisão como esta – de fazer a liga crescer ou não – depende de uma canetada dos donos dos times. Como eles não estão lá para brincadeira e querem mais é ganhar a maior quantia de dinheiro possível, os boateiros de plantão já deduzem que naturalmente a liga vai ter novos times em breve. Afinal, mais times = mais dinheiro.

Não é bem assim. Justamente pelos donos de franquias serem tão fascinados por grana é que eu não acredito que a liga vá crescer em um futuro próximo. O primeiro raciocínio que é preciso ter é que, mais times significa numa maior divisão do bolo total da renda de televisão. Se atualmente o contrato de 2,6 bilhões de dólares anuais é dividido por 30, no futuro ele será repartido por 32 em um eventual acréscimo de franquias.

Neste caso, tudo bem, há de fato uma previsão contratual de que o repasse seja maior caso mais times entrem no racha, mas e o resto?

A NBA é uma máquina de fazer grana. A liga lucra com a venda de ingressos, produtos licenciados, parceria da marca e etc. Para manter o equilíbrio financeiro e esportivo das coisas, boa parte destas receitas também são dividas entre todos.

O negócio está indo bem, ganhando popularidade entre o tradicional público americano, crescendo pelo globo, mas não me parece que os 30 atuais donos de times estejam dispostos a repartir a bolada com mais gente sem a certeza de que isso vai render uma grana ainda maior para cada um deles.

Essa falta de convicção me parece clara. O próprio Adam Silver falou há pouco, em maio, sobre isso. “Hoje nós somos 30 parceiros. Cada dono tem 1/30 de todas as oportunidades globais, mas o problema começa no seguinte, se você expande a liga, você vai repassar um pouco disso para um novo grupo de parceiros? Do jeito que a liga está, com todo o sucesso, não estamos em uma posição de fazer experiências”.

Note, Silver é o representante de todos os times. É o cara da caneta. Se a crença fosse maior, o discurso seria outro, mais otimista.

Nem entro no mérito dos que dizem que colocar mais um time no mapa americano é ruim para os mercados próximos (há quem diga isso sobre uma franquia em Kansas City, afetando Oklahoma e em Seattle, atrapalhando os planos de Portland). Eu não concordo com isso – e nem Paul Allen, dono do Blazers, que votou contra a mudança do Sonics há dez anos.

E isso tudo é só parte do problema. Digamos que os donos de times queiram, sim, aumentar o tamanho da liga, mesmo contra todos estes prognósticos. Ainda assim Seattle tem uma série de concorrentes e alguns problemas cabeludos para resolver.

O principal deles é a sua nova arena. A NBA só vai para uma cidade que tenha plenas condições de receber um time. Lá atrás, a liga saiu de Seattle justamente por uma picuinha sobre seu ginásio: a Key Arena era pequena e não preenchia alguns requisitos que eram exigidos para a disputa do campeonato. Na discussão entre fazer uma nova, a prefeitura se omitiu e o então dono preferiu vender o time.

Agora, o atual investidor (que tentou comprar o Sacramento Kings e levar o time para lá) até tem uma área para construir um estádio, mas não tem a aprovação da cidade para erguer uma arena naquele local. O assunto é complexo: na mesma área, já foram construídos os Saeco Field e o CenturyLink Field, campos dos times de baseball e futebol americano da cidade. Além disso, é a rota de acesso ao porto de Seattle. Para construir uma nova arena nas redondezas (onde o investidor possui as áreas para esta finalidade) seria necessário ocupar um espaço por onde passa uma avenida atualmente, além de bloquear outra rua.

Em maio deste ano, o conselho municipal da cidade vetou esta possibilidade por enquanto. No ato da decisão, o prefeito de Seattle afirmou que a escolha afastava a cidade de ter um time da NBA novamente.

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Enquanto isso, Kansas City, Pittsburgh, Louisville e Las Vegas contam com arenas novas, de pé, prontas para receber jogos.

Neste caso, ainda existe a alternativa de que um ginásio seja construído em uma área menos problemática da cidade, mas dai um novo problema mobiliário surgiria: onde? quem compraria esta área? há investidor para isso? Seria uma solução com novas incertezas.

Torcer para que Seattle tenha uma franquia novamente eu também torço. Que existem algumas condições para que a NBA se expanda é verdade. Mas tudo me parece ainda muito distante de um final feliz para o Sonics – a ponto de toda esta boataria ser irracional. É uma pena.

 

 

 

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