Month: November 2016 (Page 1 of 2)

Qual o problema de Antetokounmpo? O nome

Giannis Antetokounmpo é um monstro. Lidera seu time em pontos, rebotes, tocos, roubadas de bola e aproveitamento nos chutes. É o que mais faz arremessos de quadra e do lance-livre. Está uma fração atrás de Matthew Dellavedova na briga pela liderança em assistências da equipe. Mas seu técnico, Jason Kidd, acredita que a liga não o reconhece ainda como um dos melhores jogadores da temporada. O problema, segundo ele, é o nome do jogador.

Particularmente, eu acho que o fato de jogar em um mercado minúsculo – possivelmente o menor da NBA -, com uma base de fãs modesta e com poucos jogos programados para a tevê aberta americana são justificativas mais plausíveis para o eventual desprezo, mas não dá para se ignorar o fato de que quase ninguém na liga consegue chamá-lo pelo nome que carrega na camisa.

Quando ele entrou na liga, o pessoal do Bucks fez uma brincadeira com o elenco perguntando como era a pronúncia do sobrenome do grego. Poucos se arriscaram e nenhum conseguiu falar.

Mesmo o presidente americano Barack Obama em visita à Grécia tropeçou no nome do jogador quando se arriscou no seu discurso. Sobraram umas letras na hora que tentou arranhar o palavrão.

Os narradores, então, têm pesadelos com a sopa de letrinhas. No começo era impossível, mas ainda hoje eles encontram dificuldades.

Prova disso é que ele tem um dos melhores e mais consolidados apelidos da atualidade no jogo (“Greak Freak”) e basicamente só o chamam assim ou pelo seu primeiro nome, Giannis (fala-se IANIS, sem o som de G). O coitado sofre com a dificuldade do nome mesmo e pela preguiça do pessoal em aprender – o povo americano é, em especial, preguiçoso para tentar falar qualquer coisa diferente do inglês.

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Para quem é familiarizado com a coisa, a pronúncia correta de nome e sobrenome é \YAHN-iss ah-deh-toh-KOON-boh\, mas acho que ler esse tipo de coisa atrapalha mais do que ajuda numa hora dessas.

Ainda acredito que não é a melhor desculpa para justificar a falta de reconhecimento a ele, mas é verdade que esse Antetokounmpo não ajuda.

O tank involuntário do Mavs

Não existe hoje na NBA time com uma campanha pior do que a do Dallas Mavericks. São 3 vitórias e 13 derrotas, o que lhe confere uma posição pior do que outros times bem ruins da disputa, como Brooklyn Nets, Philadelphia 76ers e Phoenix Suns.

Não chega a surpreender que o Dallas esteja mal – a equipe está envelhecida, sem saúde e não é muito qualificada. Mas é inesperado que esteja na última posição.

Na NBA não é necessariamente um péssimo negócio ter a pior campanha. Exceto quando já há uma troca engatilhada, ser o lanterna rende à franquia as maiores chances de pegar a primeira posição no draft seguinte, além de garantir, no mínimo, ficar entre os quatro primeiros no sorteio das picks. Para os iniciantes, é por isso que alguns times entram no modo “tank” – que é perder de propósito quando seu time é ruim para acelerar as chances de, nos próximos anos, se reerguer com novos talentos.

NBA: Milwaukee Bucks at Dallas Mavericks

A ‘cara’ do Dallas nesta temporada é irreconhecível

O inusitado desta vez é que o Dallas não é um time que está lá atrás propositalmente. Ainda que estivesse consciente das suas limitações, a estratégia da franquia era brigar pelas últimas posições dos playoffs do Oeste. Questionado recentemente sobre a possibilidade de largar mão desta temporada, Mark Cuban, dono do time, disse que só pretende decidir ‘tankar’ caso esteja nesta posição lá pela 70ª rodada.

Mas uma conjunção de fatores podem forçar o Dallas a ficar por ali, lambendo o chão da NBA, mesmo que involuntariamente. O lance é que, ao menos no primeiro mês de temporada, vivemos um momento único: aparentemente nenhum time está realmente perdendo de propósito mais.

Nets e Sixers, ‘habitués’ da lanterna, estão jogando com uma vontade impressionante. O primeiro não tem muitos motivos para propositalmente ficar lá embaixo, já que sua escolha de primeiro round do draft está alienada ao Boston Celtics. O segundo está completamente entorpecido pelo fator-Embiid e tem jogado com um vigor inédito nos últimos anos. Suns, que seria um concorrente do peso de uma âncora, tem se mostrado inconstante a ponto de poder ganhar qualquer jogo – e eventualmente conseguir, de fato.

O dilema, agora, é se a campanha ruim até o momento é digna de um ‘tank’ para valer ou se ainda é possível correr atrás do prejuízo. A questão não é nem sobre explicitamente perder de propósito, propriamente, mas se força a barra ou não para colocar Dirk Nowitzki e Deron Williams em quadra apesar das lesões, se abre espaço entre os medalhões para tentar garimpar um jogador sem contrato com fome de bola (como estes dias entrou em quadra com quatro titulares que sequer tinham sido draftados) e etc.

Sinceramente, acho que, mesmo completo, o Mavs não tem gás para tentar alguma coisa no Oeste. Mesmo que tenha potencial para ir melhor do que Suns, Kings e Pelicans, o passo para chegar ao pelotão seguinte é muito mais largo do que as possibilidades reais da franquia. Levando em conta que será preciso, além de ir bem, tirar o atraso de um mês perdido na temporada, a tarefa é quase impossível.

Por outro lado, entendo que é difícil admitir que o botão de reset foi apertado tão cedo. Tank não é um remédio fácil de se engolir, especialmente para uma franquia que nos últimos anos se acostumou com campanhas vitoriosas. Mais fácil é, mesmo, se contentar com condição e fingir que tudo que está ao alcance está sendo feito – mesmo que, na prática, seja um ‘tank’ de fazer inveja aos concorrentes.

Quando os engravatados quase estragaram a bola de basquete

O esporte é mutante. Já foi só de brancos, só de americanos, só de gigantes. Já foi jogado só dentro do garrafão. Não tinha linha de três. Cogitaram uma linha de quatro pontos. Foi corrido, foi caminhado. Em quadra, já rolou quase tudo. E quase tudo mudou.

O mesmo nos acessórios e equipamentos. Os All Star deram lugar aos Nikes, os calções ficaram cada vez mais curtos e, quando não podiam diminuir mais, começaram a crescer até o joelho novamente. As camisas já não são só mais regatas.

Aos mais desatentos, só uma coisa parece que passou incólume a tudo isso: a bola de basquete. Sempre do tamanho de uma melancia, alaranjada e com aquele quique característico, não muito cheia, não muito vazia.

Mas, dez anos atrás, a liga passava por dois meses de polêmica, justamente quando uma meia dúzia de cartolas decidiu mudar o “instrumento de trabalho” dos atletas sem consultá-los.

Na offseason de 2006, a Spalding lançou uma nova bola que prometia melhor performance e uma reação mais natural ao entrar em contato com o suor. A promessa era que, ao contrário da clássica bola, ela não precisaria de pausas sistemáticas ao longo da partida para que fosse secada. O material, sintético, também era ambientalmente mais indicado do que o couro usado até então.

A grande treta foi que nenhum jogador da liga testou a nova bola. Eles só tiveram em contato com a nova laranjinha, em outro tom da cor e com um desenho diferente nas ‘costuras’, na pré-temporada. Com o passar dos jogos, a promessa de desempenho não se confirmou. Não que ela piorasse o jogo propriamente dito – não melhorou, nem piorou os números de turnovers ou o aproveitamento dos chutes, apesar da promessa de facilitar a partida para os atletas -, mas os jogadores se sentiam incomodados com a mudança.

A principal reclamação é que o material causava alguns cortes nas mãos. A absorção da umidade também não estava legal. Havia quem reclamasse que, por causa disso, a pelota nunca saia da mão da mesma forma. Ora grudava mais do que deveria, ora escapava involuntariamente.

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Quando foi lançada, a Spalding, fabricante das bolas, disse que ex-jogadores fizeram testes para comprovar as melhorias. Steve Kerr e Mark Jackson, cobaias da marca, depois vieram a público para dizer que só tinham passado uma tarde batendo bola e que, naquele período, não identificaram nenhuma anormalidade.

Um protótipo parecido tinha sido usado no All Star Game do ano anterior e em algumas partidas da D-League, sem grandes reclamações, mas também sem uma amostra de horas de jogo suficiente para que os atletas formassem opinião.

Shaq, Nash, Nowitzki, Kidd… todo mundo reclamou da bola, mas a liga não se pronunciou no primeiro momento. A NBA, imagino, não queria minar o que ela julgava que poderia ser um sucesso comercial – afinal, era a primeira mudança na bola de jogo em 35 anos e apenas a segunda em toda a história do basquete profissional americano (a outra foi mudar o visual de quatro para seis ‘gomos’ a fim de deixá-la mais estável para o quique). A Spalding era seu parceiro mais duradouro e o medo era dar um tiro no pé do patrocinador.

Mas não há marketing que resista às principais estrelas mostrando seus dedos arranhados depois dos jogos ou a um Shaquille Oneal apontando para a bola depois de errar um lance-livre (mesmo que seu aproveitamento tenha sido medonho ao longo de toda a carreira). Dois meses depois, David Stern, manda-chuva da NBA, admitiu que estava reunindo as reclamações para avaliar o que seria feito. Diante do temor de uma adaptação tecnológica que resultasse em um frankenstein ainda pior, a alternativa mais desejada era que a velha bola de couro voltasse às quadras.

E, na virada do ano, foi o que aconteceu. A NBA voltou atrás e assumiu o erro de não ter testado exaustivamente a inovação entre os jogadores. A admissão pública do erro funcionou. Num acordo implícito – ou não, sei lá -, jogadores voltaram a jogar com a antiga bola de couro e todo mundo meio que fingiu que aqueles dois meses nunca aconteceram.

Desde então, nenhum executivo ou cientista maluco ousou mexer na laranjinha da NBA novamente.

Lakersmania

É bem comum que times com este perfil caiam no gosto da galera: tomam tanto pau por tanto tempo que todo mundo passa a ter alguma simpatia e, quando as coisas finalmente começam a dar certo de novo, a turma se empolga e a equipe vira a nova queridinha da liga.

À primeira vista, não parece surpreendente que o Los Angeles Lakers esteja neste clima – o time passou por um período sombrio enquanto esperava Kobe Bryant se aposentar e agora parece que pode tentar beliscar uma vaga para os playoffs com um time cheio de moleques promissores. Mas o momento é sim único e diferente das outras vezes que outras equipes experimentaram momentos parecidos.

Para começar, é o Lakers, time que nove entre dez fãs de NBA gostam de secar. É como ver torcedores dos outros times comemorando o sucesso de Flamengo e Corinthians, times mais detestados do Brasil pelos torcedores dos rivais. O máximo de simpatia que o time já tinha conquistado era uma espécie de compaixão nutrida pelas sucessivas derrotas para o Boston Celtics na virada dos anos 50 para 60. Depois disso, a franquia sempre foi o time que todos amavam detestar.

Mas, acima de tudo, o time não é só divertido e surpreendente, ele é efetivamente bom, fugindo à regra de que equipes assim, nestas condições, são mais folclóricas do que eficientes.

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Para começar, o ataque do Lakers é poderoso. Num patamar, pasmem, dos melhores da liga. É o quarto time no aproveitamento dos arremessos, atrás somente de Warriors, que tem três dos melhores arremessadores da história da NBA, do Clippers, que joga junto há milênios, e do Hawks, outro fenômeno meio inexplicável do basquete, mas que é absurdamente bem treinado. A boa mira faz com que o time seja o segundo que mais faz cestas mesmo sendo apenas o 11º que mais tenta.

O time também tem se mostrado capaz de competir durante os 48 minutos de partida, sem tirar o pé. Além de ter um ritmo alucinante com a bola nas mãos (quarto que mais corre), tem o banco mais atuante da liga – que mais pontua, segundo que dá mais assistências e quarto que mais pega rebotes.

É o time que mais dá enterradas na liga.

Tem cinco jogadores com mais de 10 pontos por jogo.

Metade do time tem 25 anos ou menos. Três deles nem podem beber.

Além de divertido e surpreendentemente bom, o futuro do time que se desenha é brilhante. A ponto dos rivais, que sempre detestaram, se renderem.

É, acho que deu pra notar que eu também estou completamente fascinado pela Lakersmania.

 

Procurado: Steve Franchise

Um Iverson com disciplina“. O cara que cravou essa definição sobre Steve Francis lá no final dos anos 90, há quase 20 anos, foi um iluminado. Ainda que o futuro tenha provado que ele estava errado, já que Francis conseguiu a incrível proeza de ter uma biografia ainda mais conturbada que a de Iverson, a pertinência da comparação é impressionante: ambos foram atletas profissionais improváveis cujos talentos superaram as limitações físicas e que, no final das contas, acabaram boicotados pelos seus péssimos hábitos fora das quadras.

O leitor um pouco mais novo talvez não se lembre, mas Steve Francis foi um protótipo de Russell Westbrook que transitou pela NBA no começo dos anos 2000.

Em um relato pessoal, foi nessa época que eu comecei a ver basquete com mais cuidado mas, ao mesmo tempo, ainda não estava contaminado por essa obsessão muitas vezes chata de assistir o jogo pensando em eficiência, números e tudo mais. Ver um cara de 1,90m enterrar por cima de todo mundo e descolar triple-doubles no meio dos pivôs lendários dos anos 90 era algo fascinante. Por um período, eu me convenci que Steve Franchise, como era chamado, era a melhor coisa da NBA.

Steve Francis

Mas o seus feitos como jogador não são nada se comparados à sua atividade, digamos, extra-quadra – aliás, isso é que aparentemente fez a carreira de atleta de Francis ser tão curta.

O currículo de estrela universitária, calouro do ano e três convocações para o All Star Game nem se comparam à lista de bizarrices e problemas que enfrentou após a aposentadoria precoce da NBA, aos 29 anos.

Aliás, ele era tão bom que, quando começou a decair como atleta, ninguém entendeu muito bem, Tudo bem, teve uma lesão ou outra, mas nada tão sério a ponto daquele jogador, até pouco tempo fabuloso, virar uma peça descartável de uma hora para outra.

As coisas começaram a ficar um pouco mais claras quando as primeiras imagens de Francis após derrocada começaram a surgir. Em uns dois anos, o jogador parecia ter envelhecido uns quinze.

Ele é esse senhorzinho da esquerda

Ele é esse senhorzinho da esquerda

As imagens eram tão chocantes, que Francis teve que vir a público dizer que não estava virado nas drogas. Que apenas estava envelhecendo como qualquer outra pessoa – de 30 e poucos anos com uma lata de 50…

Vira mexe, pitavam umas imagens mais intrigantes ainda do jogador. Numa delas, jogando champangne no rosto enquanto CHORAVA cantando Drunk in Love da Beyoncé. Na outra, era enforcado pelo também ex-jogador e também maloqueiro Stephen Jackson.

Neste meio tempo, notícias davam conta que Francis estava completamente quebrado, sem dinheiro, apesar do mais de 103 milhões recebidos em salários. Para descolar uma grana, tentou jogar na liga chinesa – numa época em que a liga chinesa era menos competitiva ainda – e não mostrou qualquer condição de voltar a praticar um esporte.

Agora, parece que chegou ao fundo do poço. Nesta semana Francis foi parado por dirigir bêbado e acima da velocidade permitida nas ruas de Houston. Acabou mantido preso por estar sendo procurado por roubo – alguns meses atrás ele teria estourado um carro e roubado mais de 7 mil reais em pertences. Arrependido ou alterado, ele até procurou a polícia para confessar o crime aos prantos, mas foi liberado pelos policiais que não entenderam nada. Alguns dias mais tarde, com a denúncia do crime em mãos, a polícia da Florida passou a procurá-lo pelo crime e o classificou como fugitivo. Pesado…

Incrível que, ainda jovem, ainda sem grandes indícios do que viria pela frente, tenham soltado aquela comparação com Iverson. Realmente, com alguma razão, mas definitivamente sem a tal disciplina.

Draymond Green e a busca pelo reconhecimento

Quase não há meio termo com Draymond Green. O jogador é detestado por boa parte dos torcedores e amado pela outra parcela. Há quem ache ele sujo demais e falastrão além da conta. Do outro lado, é considerado o último representante do jogo duro e um dos jogadores mais completos da liga. É difícil achar alguém que pondere os aspectos positivos e negativos para fazer seu julgamento sobre Green. Em geral, ele é considerado ou uma coisa só ou outra.

Essa polaridade de opiniões tem custado a Draymond Green o reconhecimento que, segundo suas declarações, ele considera mais importante a respeito do seu jogo: o posto de melhor defensor da liga.

Difícil dizer se ele é O MELHOR mesmo. Se de um modo geral no ataque, em que temos centenas de estatísticas e métricas precisas, já é foda cravar categoricamente quem é o melhor jogador, na defesa este trabalho é ainda mais árduo.

Em todo caso, este clima de “ame ou odeie” em relação a Green já custou a ele um título de Defensive Player of the Year – nos últimos dois anos, ele ficou em segundo, atrás de Kawhi Leonard. Ainda que Kawhi seja um monstro também e mereça os títulos, em 2014/2015, Draymond foi o melhor jogador de defesa do melhor time defensivamente da liga – assim como Leonard esteve nesta situação na temporada passada.

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Naquela oportunidade, Green chegou a receber mais votos para ser eleito o melhor defensor da NBA, mas como a premiação soma a pontuação das escolhas de primeiro, segundo e terceiro lugar, Kawhi acabou levando o troféu na somatória dos pontos. Enquanto a maioria dos jornalistas achou que o jogador do Warriors era o melhor defensor da NBA, quase um terço não se dignou a colocá-lo nem no top3 – um sinal claro do quanto Green divide opiniões.

O início de temporada e, principalmente, a mudança no plantel dos times sinaliza que este pode ser o ano em que Draymond vai superar esta polarização e vir a ser reconhecido como o melhor jogador de defesa da NBA – pelo menos ganhar o título de DPOY.

A chegada de Kevin Durant ao Warriors redefiniu os papéis de cada jogador do time. As prioridades no ataque e na defesa foram revistos e coube a Draymond Green assumir boa parte das responsabilidades defensivas de Andrew Bogut e Harrison Barnes.

Green está no top 10 em tocos e assistências, além de seu time conseguir segurar o ataque rival em 6 pontos abaixo da média a cada 100 posses quando ele está em quadra – uma média excelente. Foi ele que desmanchou a última jogada do Milwaukee Bucks na prorrogação do jogo de sábado. E é ele quem tem segurado as pontas lá atrás para o Golden State se manter como o ataque mais letal da liga.

Kawhi, ainda que continue sendo o melhor defensor da liga ao seu lado, tem outras preocupações nesta temporada, já que virou o principal jogador do Spurs nos dois lados da quadra. Uma condição que pode tirar o foco dos ‘eleitores’ do título de DPOY de Kawhi e migrar para Green.

Claro, tem muita coisa para rolar. Rudy Gobert e Deadre Jordan vem tão fortes quando Draymond nesta briga – mas acho que o ala tem a vantagem de ser mais versátil e defender qualquer posição na quadra.

Em todo caso, tudo se desenha para que este seja o ano que Green mais tem condições de se consagrar como o melhor defensor da liga, apesar dos haters.

Draft de 2014: ninho de Most Improved Player

De todos os prêmios individuais distribuídos ao final da temporada, o que eu acho mais intrigante é o de Most Improved Player, que reverencia o jogador que mais evoluiu de um ano para o outro. Por não ter um critério tão objetivo quanto os demais (melhor calouro, melhor jogador, melhor reserva…), a corrida é sempre muito aberta, com uma meia dúzia de postulantes.

Levando em conta esta característica e potencializada pelo pouco tempo corrido de temporada até o momento, temos uma porrada de jogadores com credenciais para o título de MIP. Ainda assim, alguns dos favoritos têm algo em comum: são crias do draft de 2014.

Me refiro principalmente a Andrew Wiggins, Jabari Parker e Julius Randle. Com alguns jogos de temporada, o trio disputa com favoritismo o posto de jogadores que mais cresceram de rendimento de um ano para o outro ao lado de Giannis Antetokounmpo, D’Angelo Russell e outros concorrentes.

Wiggins é quem, na minha opinião, lidera essa corrida. De ‘novo Lebron’ no dia do draft de 2014, o jogador teve dois anos em que esteve abaixo das expectativas. Ano passado parecia certo que não passaria de um ‘segundo jogador’ do Wolves com a chegada do calouro sensação Karl Anthony Towns.

Mar 4, 2016; Milwaukee, WI, USA;  Minnesota Timberwolves guard Andrew Wiggins (22) drives for the basket against Milwaukee Bucks forward Jabari Parker (12) in the first quarter at BMO Harris Bradley Center. Mandatory Credit: Benny Sieu-USA TODAY Sports

Mas agora, no terceiro ano da carreira, o ala tem conseguido mostrar que tem potencial para ser mais do que um excelente defensor e um mero coadjuvante. Seu chute de três melhorou brutalmente – a ponto de ter o melhor aproveitamento de toda a liga, com 53% de acerto – e todos seus fundamentos estão com melhores médias com apenas um minuto a mais de jogo na comparação com a temporada passada.

E o principal: Wiggins carregou o time nas poucas vitórias do Minnesota no ano. Fez 47 pontos para derrotar o Lakers, 35 para vencer o Sixers e 29 para bater o Magic.

Julius Randle, ala-pivô do Lakers, é outro que desencantou. Beneficiado pelo basquete acelerado praticado pelo time do técnico Luke Walton, Randle tem extrapolado suas funções de reboteiro que faz o jogo sujo no garrafão. Seu papel em quadra agora é muito maior. Mais participativo, inclusive, para chamar as jogadas. Não tem sido raro ver o jogador puxar o contra-ataque de um lado a outro da quadra, correndo como um armador. A nova atitude rendeu até um triple-double na vitória contra o Brooklyn Nets e o posto de segundo jogador do time que mais distribui assistências.

O terceiro desta lista é Jabari Parker, do Milwaukee Bucks, e segunda escolha no draft de 2014. Enquanto Giannis é a estrela óbvia do time, Jabari é o cano de escape da franquia. O ala chegou na NBA com o pedigree de pontuador, comparado a Carmelo Anthony, mas o improviso como ala-pivô e uma séria lesão do ano de estreia fizeram com que o atleta passasse dois anos bem discretos. Agora, em 11 partidas, Jabari beira os 20 pontos por jogo, na melhor sequência da sua vida.

Os três já apresentam um salto nos seus números de pontos, eficiência e participação superiores ao que CJ McCollum, vencedor do prêmio de jogador que mais evoluiu no ano passado, por exemplo.

Além deles, a safra de 2014 tem outros jogadores que ensaiam uma mudança de patamar nesta temporada: TJ Warren, do Phoenix Suns, Aaron Gordon, do Orlando Magic, e Jusuf Nurkic, do Denver Nuggets.

Ainda é cedo para dizer quem vai vencer o prêmio de Most Improved Player e é bem possível que não fique com nenhum deles, mas a evolução deste grupo de jogadores começa a justificar todo o hype do draft de dois anos atrás.

Dois anos depois, Kevin Love volta a ser um dos melhores da liga

As duas temporadas de distância entre a chegada de Kevin Love ao Cleveland Cavaliers e as finais da NBA em junho deste ano foram cruéis para o status do jogador como uma das maiores estrelas da liga. Muita gente de memória curta se esqueceu o quão destruidor Love foi nos seus últimos anos de Minnesota Timberwolves. Por lá, era um dos atletas mais acionados da liga pelos seus companheiros e um dos jogadores com maior poderio ofensivo. Na temporada de 2011/2012, foi o líder em rebotes de toda a NBA, com 15,23 de média por jogo – a maior marca dos últimos 20 anos, desde que Dennis Rodman manteve a média de 16 rebotes por partida em 1996.

No time novo, sedento por algum êxito coletivo – nos seis anos de Timberwolves não conseguiu ir aos playoffs -, Love passou por aquele período de reconstrução do seu jogo e do seu papel em quadra. Teve que reaprender a jogar com colegas úteis, como Lebron e Kyrie, e não com um catadão de jogadores que não iriam a lugar algum. Uma mudança tão brutal que nos fez parecer que Love não era um jogador fora de série e que suas médias em Minnesota eram infladas pela falta de talento ao seu redor.

Os playoffs e as finais da última temporada, em especial os primeiros jogos da série contra o Warriors, pareciam ser a última pá de terra sobre o cadáver do Kevin Love superstar que tínhamos conhecido. Naquele momento em que o Cavs perdia por 3-1 a disputa para o Golden State, Love era considerado mais um peso morto do que um jogador do time.

Mas, como num roteiro tosco de Sessão da Tarde em que todos superam seus limites e reencontram a felicidade, Love passou um jogo no banco, jogou bem, o time voltou a vencer e ele foi campeão da NBA junto com seus amigos. Se não tinha sido o suficiente para recuperar sua moral como um dos melhores da liga, pelo menos se mostrando útil o suficiente para continuar com o time no ano seguinte – sim, em determinado momento da série ele foi colocado na vitrine para trocas!

Mais tranquilo com o título e com o foco das trocas e negociações da offseason bem longe do seu traseiro, Kevin tirou férias, pegou sol, reforçou seu visual de playboy da California e voltou à liga disposto a reassumir o posto de jogador dominante que tinha quando foi contratado pelo Cavs.

Se antes o ala-pivô tinha sido relegado ao posto de coadjuvante de luxo no Cleveland dos últimos dois anos, o primeiro mês de temporada tem mostrado um Kevin Love tão importante para o time, que faz uma campanha impecável até o momento, quando Lebron James e Kyrie Irving.

Love tem chutado mais, num volume mais próximo da época em que era uma estrela solitária do Wolves. Os 21 pontos por partida até o momento são 25% superiores às suas médias nas duas primeiras temporadas em Cleveland. Os 10 rebotes por jogo são os melhores números na atual franquia, também. A proporção de jogadas em que participa das ações do time estão a níveis próximos dos seus colegas de time que antes monopolizavam a posse da bola.

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É difícil dizer o quanto desta recuperação pode ser creditada a uma mudança de atitude do jogador, a uma adaptação ao esquema ou ao técnico – Tyronn Lue declarou que uma das suas prioridades seria envolver mais Kevin Love nas ações do time quando assumiu.

Aparentemente, pelos números e dados da presença dele em quadra, Kevin está realmente com uma atitude mais parecida com a que tinha em Minnesota – e é provável que isso tenha a maior influência na melhora em suas atuações. Apesar de estar jogando menos tempo como pivô, Love tem chutado mais vezes de dentro do garrafão (28% das vezes que arremessa) e menos de três (31%).

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Tem sido menos um simples stretch-four (aquele ala grande que fica aberto, passivo, para chutar de três) e mais um ala-pivô de ofício que arremessa de três quando tem a oportunidade, como sempre foi na sua passagem no antigo time.

Pode ter demorado mais do que o esperado, mas finalmente Kevin Love está jogando aquilo que se esperava dele quando foi contratado a peso de ouro pelo Cleveland Cavaliers.

Grizzlies, Bucks e Mavs não vão mais se hospedar em hotéis de Donald Trump

Uma porrada de jogadores e técnicos se manifestaram negativamente sobre a eleição de Donald Trump como novo presidente dos Estados Unidos, na semana passada. No entanto, não passavam de manifestações públicas que, na prática, não tem grandes desdobramentos. Agora a coisa está um pouco mais objetiva: os times do Dallas Mavericks, Milwaukee Bucks e Memphis Grizzlies não ficarão mais hospedados em hotéis que sejam batizados com o nome do futuro presidente americanos em suas viagens para Nova York e Chicago. A decisão se baseia no fato de que as franquias não querem ter suas marcas associadas a Trump.

Os dirigentes estudam também que seus times deixem de se hospedar em hotéis dele em Washington, Miami e Toronto (estes não tem “Trump” nos seus nomes).

Os times geralmente fazem suas reservas em agosto, quando a NBA divulga o calendário para toda a temporada. Desde que o Nets mudou oficialmente sua sede de New Jersey para Brooklyn, o Trump SoHo se tornou o hotel mais usado pelas franquias da liga. Com o boicote anunciado por alguns times, o hotel pode perder seu posto.

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Além de um movimento de insatisfação bem dominante no meio do basquete, o ato é também político. Marc Lasry, dono do Bucks, foi um dos maiores doadores das campanhas de Obama e Hillary. Mark Cuban, dono do Mavs, se manifestou dezenas de vezes contra Trump ao longo da campanha e chegou a ir a um debate entre os candidatos como convidado do Partido Democrata.

Em todo caso, há um choque na relação da comunidade do basquete com o presidente americano. Há um claro movimento de afastamento com a troca de Obama para Trump, seja pelo perfil das figuras, seja pelas opiniões de cada um.

 

Fiba suspende CBB até janeiro do ano que vem

Meu negócio aqui é NBA e eu evito me arriscar a falar de outra coisa aqui para não cometer uma gafe ou erro de informação. Em todo caso, não dá para se alienar e deixar de lado a notícia mais importante do momento. A Fiba, entidade de comanda o basquete mundial, suspendeu a Confederação Brasileira de Basquetebol (CBB) até  o final de janeiro do ano que vem por conta da péssima gestão da confederação, pelo não cumprimento de uma série de compromissos assumidos e pela multiplicação da dívida da instituição.

Com a punição, de imediato, os clubes e seleções brasileiras ficam impedidas de participar de qualquer competição internacional – Flamengo e Bauru não podem jogar a Liga das Américas, por exemplo. Se a suspensão for prorrogada, até a participação brasileira nos mundiais adultos de 2019 fica ameaçada, com a possibilidade de afastamento das competições classificatórias.

A treta toda vem se agravando desde que a CBB não honrou o pagamento de uma dívida gerada junto à Fiba pela participação no Mundial de 2014, quando o Brasil entrou como convidado. A cobrança chegou a ameaçar a presença brasileira nas olimpíadas do Rio, mas a federação internacional adiou uma suposta punição naquele momento. Depois, a CBB cancelou a participação das suas seleções de base em competições internacionais por falta de dinheiro. Na gestão do atual presidente Carlos Nunes, a dívida da confederação saltou de R$ 1 milhão para R$ 17 milhões.

Agora, a Fiba exige que estes débitos sejam sanados e que um plano administrativo para a próxima gestão seja apresentado a tempo.

A situação é deplorável e o estado de coma do basquete brasileiro é triste, com reflexos negativos em todos os entes, jogadores, clubes e torcedores. A CBB se disse surpresa com a suspensão, apesar da Fiba já ter anunciado uma intervenção na atual administração há alguns meses, em um claro sinal de que as coisas não estavam caminhando bem.

Sou ignorante quanto aos procedimentos legais possíveis, como uma antecipação das eleições marcadas para março de 2017 ou uma administração de transição até a saída da atual diretoria, mas é fato que a suspensão é a prova definitiva da péssima condução da modalidade no país nos últimos anos.

Que o basquete brasileiro sobreviva a estas pessoas.

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