Deve ser insuportável jogar como um MVP, colecionar atuações históricas, ser um dos melhores atletas da liga e seu time figurar na última colocação da classificação sem grandes perspectivas de melhora.

É este o cenário de Anthony Davis, ala-pivô do New Orleans Pelicans, time mais tenebroso da NBA até o momento, com seis derrotas em seis partidas.

O time hoje divide a lanterna da liga com o Philadelphia 76ers, time que habita aquela parte da tábua de classificação há alguns anos. A diferença entre os dois é que o Sixers não tem muitas pretensões de sair dali enquanto seus principais jogadores, calouros ou quase calouros, não ganharem rodagem.

Com o Pelicans é diferente. Cada ano nesta situação – não é o primeiro ano perdido – conta como uma temporada de talento de Anthony Davis que é desperdiçado. Em quatro anos que teve Davis no time, a franquia foi a uma pós-temporada, quando foi varrida pelo Golden State. De resto, só decepções.

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Ano passado era esperado que o time evoluísse a ponto de se tornar uma presença frequente nos playoffs. Não rolou. O time inteiro se machucou e quando jogou com boa parte dos titulares também não rendeu muito bem. O próprio Anthony Davis não teve uma performance tão espetacular como se imaginava (“só” repetiu os números do ano anterior).

Nesta temporada a coisa está ainda mais estranha. Estivesse em uma equipe ligeiramente mais competitiva, Davis seria um dos líderes na corrida para MVP. Estreou fazendo 50 pontos e 16 rebotes. Depois emendou atuações de 45 pontos e 17 rebotes e 35 pontos e 15 rebotes. Tudo em vão. Seis jogos e seis derrotas.

É verdade que o time está desfalcado – Tyreke Evans e Jrue Holiday, dois titulares, não estrearam ainda -, mas pelo desempenho recente de ambos, especialmente pela falta de saúde da dupla, não dá para esperar que o time tenha uma mudança muito virtuosa na sua campanha mesmo com a volta deles.

Por enquanto, duas coisas estão acabando com a campanha do Pelicans: um baixíssimo aproveitamento nos arremessos, um dos dois piores em duas semanas de NBA, e a completa inabilidade de fechar os jogos, perdendo nos segundos finais em três oportunidades.

Nos dois casos, o treinador pode ter uma influência determinante – ainda que seja muito difícil dizer de fora se é isso mesmo. Ao mesmo tempo, mesmo que se troque o técnico, Anthony Davis continua isolado de talento. No final das contas, é isso que importa na maioria das vezes.

Tem quem pense que se Davis fosse tudo isso, seria capaz de carregar o time nas costas em alguns momentos. Tenho certeza que isso vai acontecer em algumas partidas deste ano, mas dá para culpá-lo quando o segundo melhor jogador do time é Tim Frazier, que jogou mais vezes de titular nestas duas semanas do que nos outros dois anos como profissional, além de ter um currículo recheado de dispensas e contratos de 10 dias? Não dá.

O triste disso tudo é que Davis está preso à franquia até 2020 pelo menos. E se julgarmos o Pelicans pelo que fez nos últimos anos, não me parece provável que o time vá melhorar muito daqui pra frente, seja ao longo deste ano, seja para as próximas temporadas.

Enquanto isso, Davis vai pagando todos os seus pecados, até mesmo aqueles que não cometeu, em um time horrível.