As duas temporadas de distância entre a chegada de Kevin Love ao Cleveland Cavaliers e as finais da NBA em junho deste ano foram cruéis para o status do jogador como uma das maiores estrelas da liga. Muita gente de memória curta se esqueceu o quão destruidor Love foi nos seus últimos anos de Minnesota Timberwolves. Por lá, era um dos atletas mais acionados da liga pelos seus companheiros e um dos jogadores com maior poderio ofensivo. Na temporada de 2011/2012, foi o líder em rebotes de toda a NBA, com 15,23 de média por jogo – a maior marca dos últimos 20 anos, desde que Dennis Rodman manteve a média de 16 rebotes por partida em 1996.

No time novo, sedento por algum êxito coletivo – nos seis anos de Timberwolves não conseguiu ir aos playoffs -, Love passou por aquele período de reconstrução do seu jogo e do seu papel em quadra. Teve que reaprender a jogar com colegas úteis, como Lebron e Kyrie, e não com um catadão de jogadores que não iriam a lugar algum. Uma mudança tão brutal que nos fez parecer que Love não era um jogador fora de série e que suas médias em Minnesota eram infladas pela falta de talento ao seu redor.

Os playoffs e as finais da última temporada, em especial os primeiros jogos da série contra o Warriors, pareciam ser a última pá de terra sobre o cadáver do Kevin Love superstar que tínhamos conhecido. Naquele momento em que o Cavs perdia por 3-1 a disputa para o Golden State, Love era considerado mais um peso morto do que um jogador do time.

Mas, como num roteiro tosco de Sessão da Tarde em que todos superam seus limites e reencontram a felicidade, Love passou um jogo no banco, jogou bem, o time voltou a vencer e ele foi campeão da NBA junto com seus amigos. Se não tinha sido o suficiente para recuperar sua moral como um dos melhores da liga, pelo menos se mostrando útil o suficiente para continuar com o time no ano seguinte – sim, em determinado momento da série ele foi colocado na vitrine para trocas!

Mais tranquilo com o título e com o foco das trocas e negociações da offseason bem longe do seu traseiro, Kevin tirou férias, pegou sol, reforçou seu visual de playboy da California e voltou à liga disposto a reassumir o posto de jogador dominante que tinha quando foi contratado pelo Cavs.

Se antes o ala-pivô tinha sido relegado ao posto de coadjuvante de luxo no Cleveland dos últimos dois anos, o primeiro mês de temporada tem mostrado um Kevin Love tão importante para o time, que faz uma campanha impecável até o momento, quando Lebron James e Kyrie Irving.

Love tem chutado mais, num volume mais próximo da época em que era uma estrela solitária do Wolves. Os 21 pontos por partida até o momento são 25% superiores às suas médias nas duas primeiras temporadas em Cleveland. Os 10 rebotes por jogo são os melhores números na atual franquia, também. A proporção de jogadas em que participa das ações do time estão a níveis próximos dos seus colegas de time que antes monopolizavam a posse da bola.

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É difícil dizer o quanto desta recuperação pode ser creditada a uma mudança de atitude do jogador, a uma adaptação ao esquema ou ao técnico – Tyronn Lue declarou que uma das suas prioridades seria envolver mais Kevin Love nas ações do time quando assumiu.

Aparentemente, pelos números e dados da presença dele em quadra, Kevin está realmente com uma atitude mais parecida com a que tinha em Minnesota – e é provável que isso tenha a maior influência na melhora em suas atuações. Apesar de estar jogando menos tempo como pivô, Love tem chutado mais vezes de dentro do garrafão (28% das vezes que arremessa) e menos de três (31%).

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Tem sido menos um simples stretch-four (aquele ala grande que fica aberto, passivo, para chutar de três) e mais um ala-pivô de ofício que arremessa de três quando tem a oportunidade, como sempre foi na sua passagem no antigo time.

Pode ter demorado mais do que o esperado, mas finalmente Kevin Love está jogando aquilo que se esperava dele quando foi contratado a peso de ouro pelo Cleveland Cavaliers.

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