De todos os prêmios individuais distribuídos ao final da temporada, o que eu acho mais intrigante é o de Most Improved Player, que reverencia o jogador que mais evoluiu de um ano para o outro. Por não ter um critério tão objetivo quanto os demais (melhor calouro, melhor jogador, melhor reserva…), a corrida é sempre muito aberta, com uma meia dúzia de postulantes.

Levando em conta esta característica e potencializada pelo pouco tempo corrido de temporada até o momento, temos uma porrada de jogadores com credenciais para o título de MIP. Ainda assim, alguns dos favoritos têm algo em comum: são crias do draft de 2014.

Me refiro principalmente a Andrew Wiggins, Jabari Parker e Julius Randle. Com alguns jogos de temporada, o trio disputa com favoritismo o posto de jogadores que mais cresceram de rendimento de um ano para o outro ao lado de Giannis Antetokounmpo, D’Angelo Russell e outros concorrentes.

Wiggins é quem, na minha opinião, lidera essa corrida. De ‘novo Lebron’ no dia do draft de 2014, o jogador teve dois anos em que esteve abaixo das expectativas. Ano passado parecia certo que não passaria de um ‘segundo jogador’ do Wolves com a chegada do calouro sensação Karl Anthony Towns.

Mar 4, 2016; Milwaukee, WI, USA;  Minnesota Timberwolves guard Andrew Wiggins (22) drives for the basket against Milwaukee Bucks forward Jabari Parker (12) in the first quarter at BMO Harris Bradley Center. Mandatory Credit: Benny Sieu-USA TODAY Sports

Mas agora, no terceiro ano da carreira, o ala tem conseguido mostrar que tem potencial para ser mais do que um excelente defensor e um mero coadjuvante. Seu chute de três melhorou brutalmente – a ponto de ter o melhor aproveitamento de toda a liga, com 53% de acerto – e todos seus fundamentos estão com melhores médias com apenas um minuto a mais de jogo na comparação com a temporada passada.

E o principal: Wiggins carregou o time nas poucas vitórias do Minnesota no ano. Fez 47 pontos para derrotar o Lakers, 35 para vencer o Sixers e 29 para bater o Magic.

Julius Randle, ala-pivô do Lakers, é outro que desencantou. Beneficiado pelo basquete acelerado praticado pelo time do técnico Luke Walton, Randle tem extrapolado suas funções de reboteiro que faz o jogo sujo no garrafão. Seu papel em quadra agora é muito maior. Mais participativo, inclusive, para chamar as jogadas. Não tem sido raro ver o jogador puxar o contra-ataque de um lado a outro da quadra, correndo como um armador. A nova atitude rendeu até um triple-double na vitória contra o Brooklyn Nets e o posto de segundo jogador do time que mais distribui assistências.

O terceiro desta lista é Jabari Parker, do Milwaukee Bucks, e segunda escolha no draft de 2014. Enquanto Giannis é a estrela óbvia do time, Jabari é o cano de escape da franquia. O ala chegou na NBA com o pedigree de pontuador, comparado a Carmelo Anthony, mas o improviso como ala-pivô e uma séria lesão do ano de estreia fizeram com que o atleta passasse dois anos bem discretos. Agora, em 11 partidas, Jabari beira os 20 pontos por jogo, na melhor sequência da sua vida.

Os três já apresentam um salto nos seus números de pontos, eficiência e participação superiores ao que CJ McCollum, vencedor do prêmio de jogador que mais evoluiu no ano passado, por exemplo.

Além deles, a safra de 2014 tem outros jogadores que ensaiam uma mudança de patamar nesta temporada: TJ Warren, do Phoenix Suns, Aaron Gordon, do Orlando Magic, e Jusuf Nurkic, do Denver Nuggets.

Ainda é cedo para dizer quem vai vencer o prêmio de Most Improved Player e é bem possível que não fique com nenhum deles, mas a evolução deste grupo de jogadores começa a justificar todo o hype do draft de dois anos atrás.