Lakersmania

É bem comum que times com este perfil caiam no gosto da galera: tomam tanto pau por tanto tempo que todo mundo passa a ter alguma simpatia e, quando as coisas finalmente começam a dar certo de novo, a turma se empolga e a equipe vira a nova queridinha da liga.

À primeira vista, não parece surpreendente que o Los Angeles Lakers esteja neste clima – o time passou por um período sombrio enquanto esperava Kobe Bryant se aposentar e agora parece que pode tentar beliscar uma vaga para os playoffs com um time cheio de moleques promissores. Mas o momento é sim único e diferente das outras vezes que outras equipes experimentaram momentos parecidos.

Para começar, é o Lakers, time que nove entre dez fãs de NBA gostam de secar. É como ver torcedores dos outros times comemorando o sucesso de Flamengo e Corinthians, times mais detestados do Brasil pelos torcedores dos rivais. O máximo de simpatia que o time já tinha conquistado era uma espécie de compaixão nutrida pelas sucessivas derrotas para o Boston Celtics na virada dos anos 50 para 60. Depois disso, a franquia sempre foi o time que todos amavam detestar.

Mas, acima de tudo, o time não é só divertido e surpreendente, ele é efetivamente bom, fugindo à regra de que equipes assim, nestas condições, são mais folclóricas do que eficientes.

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Para começar, o ataque do Lakers é poderoso. Num patamar, pasmem, dos melhores da liga. É o quarto time no aproveitamento dos arremessos, atrás somente de Warriors, que tem três dos melhores arremessadores da história da NBA, do Clippers, que joga junto há milênios, e do Hawks, outro fenômeno meio inexplicável do basquete, mas que é absurdamente bem treinado. A boa mira faz com que o time seja o segundo que mais faz cestas mesmo sendo apenas o 11º que mais tenta.

O time também tem se mostrado capaz de competir durante os 48 minutos de partida, sem tirar o pé. Além de ter um ritmo alucinante com a bola nas mãos (quarto que mais corre), tem o banco mais atuante da liga – que mais pontua, segundo que dá mais assistências e quarto que mais pega rebotes.

É o time que mais dá enterradas na liga.

Tem cinco jogadores com mais de 10 pontos por jogo.

Metade do time tem 25 anos ou menos. Três deles nem podem beber.

Além de divertido e surpreendentemente bom, o futuro do time que se desenha é brilhante. A ponto dos rivais, que sempre detestaram, se renderem.

É, acho que deu pra notar que eu também estou completamente fascinado pela Lakersmania.

 

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1 Comment

  1. Lucas Viesi

    Destaque para a competência que Kupchak teve nos últimos drafts, principalmente com as picks mais baixas. No de 2014, com a 7ª escolha foi no “safe” draftando Randle, tendo em vista a saída do Gasol naquele ano, mas o destaque nesse draft foi o senhor steal ao comprar a pick 46 de Washington e selecionando o Clarkson ali. No de 2015, provou ter acertado deixando o Okafor passar, já que ele era o principal nome da classe junto com Towns e jogava na posição mais carente do time na época. Russell, vem provando ter sido uma boa escolha, assumindo o papel de Franchise Player nessa era pós Kobe. Nesse mesmo ano ainda achou Nance Jr. na 27ª escolha, outro belo steal. E agora em 2016 foi no óbvio selecionando Ingram, mas teve o Zubac com a pick de segundo round, que mostrou na summer league que possui algum talento. Ou seja, em 3 drafts, o Lakers saiu com 6 bons prospectos, sendo a maioria os principais nomes do time e desempenhando papéis importantes na rotação do time, que já consegue sonhar com playoffs.

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