Não existe hoje na NBA time com uma campanha pior do que a do Dallas Mavericks. São 3 vitórias e 13 derrotas, o que lhe confere uma posição pior do que outros times bem ruins da disputa, como Brooklyn Nets, Philadelphia 76ers e Phoenix Suns.

Não chega a surpreender que o Dallas esteja mal – a equipe está envelhecida, sem saúde e não é muito qualificada. Mas é inesperado que esteja na última posição.

Na NBA não é necessariamente um péssimo negócio ter a pior campanha. Exceto quando já há uma troca engatilhada, ser o lanterna rende à franquia as maiores chances de pegar a primeira posição no draft seguinte, além de garantir, no mínimo, ficar entre os quatro primeiros no sorteio das picks. Para os iniciantes, é por isso que alguns times entram no modo “tank” – que é perder de propósito quando seu time é ruim para acelerar as chances de, nos próximos anos, se reerguer com novos talentos.

NBA: Milwaukee Bucks at Dallas Mavericks

A ‘cara’ do Dallas nesta temporada é irreconhecível

O inusitado desta vez é que o Dallas não é um time que está lá atrás propositalmente. Ainda que estivesse consciente das suas limitações, a estratégia da franquia era brigar pelas últimas posições dos playoffs do Oeste. Questionado recentemente sobre a possibilidade de largar mão desta temporada, Mark Cuban, dono do time, disse que só pretende decidir ‘tankar’ caso esteja nesta posição lá pela 70ª rodada.

Mas uma conjunção de fatores podem forçar o Dallas a ficar por ali, lambendo o chão da NBA, mesmo que involuntariamente. O lance é que, ao menos no primeiro mês de temporada, vivemos um momento único: aparentemente nenhum time está realmente perdendo de propósito mais.

Nets e Sixers, ‘habitués’ da lanterna, estão jogando com uma vontade impressionante. O primeiro não tem muitos motivos para propositalmente ficar lá embaixo, já que sua escolha de primeiro round do draft está alienada ao Boston Celtics. O segundo está completamente entorpecido pelo fator-Embiid e tem jogado com um vigor inédito nos últimos anos. Suns, que seria um concorrente do peso de uma âncora, tem se mostrado inconstante a ponto de poder ganhar qualquer jogo – e eventualmente conseguir, de fato.

O dilema, agora, é se a campanha ruim até o momento é digna de um ‘tank’ para valer ou se ainda é possível correr atrás do prejuízo. A questão não é nem sobre explicitamente perder de propósito, propriamente, mas se força a barra ou não para colocar Dirk Nowitzki e Deron Williams em quadra apesar das lesões, se abre espaço entre os medalhões para tentar garimpar um jogador sem contrato com fome de bola (como estes dias entrou em quadra com quatro titulares que sequer tinham sido draftados) e etc.

Sinceramente, acho que, mesmo completo, o Mavs não tem gás para tentar alguma coisa no Oeste. Mesmo que tenha potencial para ir melhor do que Suns, Kings e Pelicans, o passo para chegar ao pelotão seguinte é muito mais largo do que as possibilidades reais da franquia. Levando em conta que será preciso, além de ir bem, tirar o atraso de um mês perdido na temporada, a tarefa é quase impossível.

Por outro lado, entendo que é difícil admitir que o botão de reset foi apertado tão cedo. Tank não é um remédio fácil de se engolir, especialmente para uma franquia que nos últimos anos se acostumou com campanhas vitoriosas. Mais fácil é, mesmo, se contentar com condição e fingir que tudo que está ao alcance está sendo feito – mesmo que, na prática, seja um ‘tank’ de fazer inveja aos concorrentes.