Month: November 2016 (Page 2 of 2)

Embiid inventou que matou um leão aos 6 anos de idade e seus companheiros de time acreditaram

Joel Embiid é uma das melhores pessoas a habitar o planeta em séculos. E a cada momento ele faz algo que nos faz lembrar disso.

Na sexta-feira ele foi a vez dele fazer mais uma das suas. Ele participou do podcast do Adrian Wojnarowski e abriu a entrevista falando como os americanos não sabem porra nenhuma do que acontece fora dos Estados Unidos. Sabendo desta alienação completa dos então colegas da universidade de Kansas e de todos os estereótipos que criados pelos não-africanos sobre a vida na África, Embiid, camaronês, inventou que quando tinha seis anos de idade teve que provar para sua aldeia que era homem e, para isso, teve que matar um leão na selva e voltar para o povoado carregando o animal nas costas.

img24522278

“Você tinha que ver a cara deles quando eu contei isso”, riu Joel enquanto relembrou a história no programa. Segundo ele, a anedota fez bem para sua moral no time universitário, já que todos os colegas passaram a temê-lo depois disso.

Mesmo no programa, Embiid tentou deixar um clima misterioso no ar, dizendo que a história “pode ser verdadeira, pode ser falsa, que nenhum americano iria saber”, brincando com a ignorância daqueles que imaginam que o povo africano realmente viva em um safari gigantesco – mesmo que a cidade natal de Joel seja a completamente urbana capital do Camarões, com 1 milhão de habitantes a mais que Philadelphia e 25 vezes maior do que Lawrence, cidade onde fica o campus da universidade de Kansas.

Gênio!

GM do Raptors agradece Trump por “fazer Toronto um destino inacreditável” para jogadores

Ninguém sabe realmente como será o mandato de Donald Trump como presidente dos EUA, se ele vai realmente fazer tudo que prometeu em campanha e colocar em prática suas ideias completamente atrozes no que diz respeito às minorias ou se falava tudo aquilo para ganhar simpatia de uma parcela da população.

Ainda que a primeira alternativa assuste muita gente, há quem lide bem com essa possibilidade. No dia seguinte da confirmação do milionário como vencedor das eleições, o General Manager do Toronto Raptors, Masai Ujiri, comemorou o possível cenário inóspito para algumas pessoas. Segundo ele, a chegada de Trump ao poder faz de Toronto, única cidade com time da NBA fora do território americano, um destino desejado pelos jogadores.

No que diz respeito as assuntos de inclusão e aceitação das minorias, ultrapassar a fronteira entre os dois países é ir de um extremo ao outro. Enquanto Trump coleciona declarações intolerantes, racistas, misóginas, homofóbicas e preconceituosas, o presidente canadense, Justin Trudeau, virou quase que um símbolo de um governo inclusivo, aberto às diferenças.

Outro contraste é quanto a aceitação de estrangeiros. Uma das propostas mais emblemáticas de Trump era a surreal construção de um muro na fronteira do país com o México, além da implacável perseguição aos imigrantes ilegais. Já o governo de Trudeau anunciou nesta semana que pretende bater recordes de acolhimento de estrangeiros e, sobretudo, refugiados por ano.

Pode parecer brincadeira, mas no momento em que Trump foi confirmado como presidente dos EUA, o tráfego de pessoas que navegavam no site da imigração canadense aumentou de tal maneira que o portal caiu várias vezes ao longo do dia.

Se esta tendência se confirmasse na NBA, representaria uma mudança brutal para a franquia de Toronto. O Raptors não é um time conhecido por atrair free agents muito disputados. A renovação de Demar Derozan, quando era um dos jogadores mais assediados da offseason, foi histórica.

Uma das maiores aquisições da história da franquia foi o ala Demarr Carroll – que é um bom jogador, saiu valorizado do Atlanta Hawks, mas é apenas Demarre Carroll. De resto, Toronto tem sido um destino frequente de atletas em ascensão, mas que despertam alguma dúvida das franquias com maior poder de barganha.

Pelos próximos quatro anos, pelo menos, Toronto tem uma cartada exclusiva na manga. Pode funcionar.

O povo não gosta de vencer, gosta é de comer de graça

Quem vê até pensa que os 20 mil torcedores que lotam a Quicken Loans Arena todos os jogos do Cleveland Cavaliers querem ver o Lebron James, Kyrie Irving e companhia defendendo o título da NBA. Nada disso. Isso está só no pacote. O que o povo realmente quer é comida de graça!

Durante esta semana, o Cavs recebeu o Hawks e levou o primeiro pau da temporada. Perdeu por 110 a 106 em casa. O time começou bem atrás no placar e nos minutos finais tentou buscar a vitória, sem sucesso. Apesar da recuperação ao longo da partida, o que realmente levou a turma ao delírio nas arquibancadas foi Dwight Howard errar dois lances-livres seguidos nos minutos finais do jogo – e não exatamente porque isso não faria o Atlanta abrir vantagem na contagem, mas por causa de uma promoção local garante uma porção de seis nuggets de graça para cada vez que um adversário perder os dois arremessos no quarto período.

goodman

A promoção é comum e acontece em vários ginásios com suas devidas adaptações. Ano passado, por exemplo, na corrida acirrada pelas últimas vagas nos playoffs, Wizards, Bulls e Jazz fizeram ações parecidas. Cada vez que um jogador errasse dois chutes seguidos da linha no quarto tempo, todos ganhariam sanduíches de graça.

A ideia é maravilhosa. Cada vez que um jogador adversário perde o primeiro chute, a torcida inteira fica completamente alucinada com a possibilidade de um segundo erro e, consequentemente, ganhar comida de graça.

Dá até um ânimo quando o time está atrás no placar. Quando geralmente a torcida já está mais afim de ir embora sem pegar muito trânsito, a promoção mantém na arquibancada o pessoal mais desvairado.

Depois deste jogo ai de cima, John Wall até falou que a torcida parece mais empolgada com a possibilidade do sanduíche de graça do que com a vitória do time sobre um rival que disputa uma vaga direta no mata-mata:

E parece que esta histeria coletiva ajuda o time em quadra – ou melhor, prejudica o rival. No ano passado, quando estes três times fizeram campanhas deste tipo, o aproveitamento dos adversários nos lances-livres caiu ligeiramente. Enquanto a média da liga é de 75% de aproveitamento, os rivais de Bulls, Jazz e Knicks acertaram 71%.

A diferença é pequena, mas todo mundo ganha – mesmo que o time perca em quadra.

Mesmo cambaleando agora, Minnesota ainda deve ser o próximo grande time

Como frequentemente acontece, o time queridinho de todos, a menina dos olhos desta temporada não está tendo resultados à altura das expectativas criadas ao seu entorno. O Minnesota Timberwolves está com apenas uma vitória em seis jogos e só não tem campanha pior do que o ‘já esperado último’ Philadelphia 76ers e o tenebroso New Orleans Pelicans.

Ainda que seja começo de temporada, o nível de competitividade da conferência Oeste nos indica que estes resultados desperdiçados logo de cara, especialmente derrotas para os fracos Nets e Kings, devem fazer falta na classificação final da equipe.

Por enquanto tem sido decepcionante porque seria legal ver o Minnesota já trilhar uma ida aos playoffs, mesmo que fosse para levar pau de algum favorito – como o Los Angeles Lakers esboça fazer já neste ano -, mas não chega a ser alarmante. Mesmo que continue com resultados ruins, é bem provável que o Timberwolves seja um dos próximos grandes times da liga.

Andrew Wiggins tem mostrado mais poder de fogo do que parecia ter, pontuando em um volume alto e chutando de três muito melhor do que nos dois primeiros anos da sua carreira, com duas cestas deste tipo por jogo. Karl Anthony Towns também tem mostrado um arsenal ofensivo mais apurado, com aproveitamento melhor nos chutes e mais participação na troca de passes do time, a ponto de, apenas no seu segundo ano, se mostrar uma referência sobre como os pivôs devem jogar daqui para frente.

Ainda conta com Kris Dunn e Zach Lavine no backcourt, o primeiro com um dos maiores potenciais do draft deste ano e o segundo é um surpreendente coadjuvante capaz de pontuar e marcar com intensidade. O mais velho dos quatro tem apenas 22 anos.

2157889318001_5201703687001_5201629653001-vs

No final das contas, o que importa para este time é a rodagem deles em conjunto. A lesão de Ricky Rubio, de certa forma, até ‘ajuda’ a franquia a encontrar sua identidade. Se vai precisar contar com seu talento ou se vai partir com tudo para cima de Dunn – ainda não dá para concluir qualquer coisa desta experiência, no entanto.

Até mesmo esta coisa toda de ir aos playoffs precocemente enquanto o time se desenvolve é superestimada. Há dois anos o Pelicans foi para o mata-mata e encanou muita gente que seria a primeira viagem aos playoffs de muitas. Não foi pra frente.

O próprio Oklahoma City Thunder, exemplo máximo e comparação mais fácil com este time do Wolves, passou pelo mesmo há alguns anos. Quando já contava com a dupla Westbrook e Durant, ainda na casa dos 20 e 21 anos, o Thunder já mostrava todo o talento do mundo, mas por duas temporadas teve campanhas com menos de 25 vitórias. O atual núcleo do Golden State Warriors, com Curry e Thompson, idem.

Portanto, mesmo que continue perdendo boa parte dos jogos, ainda dá para imaginar que, pelo talento que tem, este seja um dos grandes times da NBA. Já que não agora, que seja nos próximos anos.

Klay Thompson e a amnésia do chute

Nos últimos anos, o Golden State Warriors irritou muita gente com um estilo meio monotemático de se jogar basquete, abusando dos arremessos de três pontos. Goste você ou não, é compreensível a insistência da franquia nisso. Dois dos melhores arremessadores da formam o backcourt do time, Stephen Curry e Klay Thompson. A qualidade é tamanha que, mesmo com quase uma década de carreira pela frente, ambos já figuram nas discussões sobre melhores chutadores de longe de todos os tempos. Nas últimas três temporadas, os dois fizeram dobradinha como os que mais acertaram arremessos de fora do arco e, mesmo com um volume brutal de chutes, ostentam excelentes índices de acerto, em patamares próximos aos melhores da história.

A nova temporada começou e, ao mesmo tempo que Curry continua um ‘ignorante’ no fundamento, liderando a liga, Klay Thompson não tem conseguido manter o ritmo. O mau momento do ala armador fica ainda mais flagrante um dia depois de seu colega bater o recorde de cestas de três feitas em uma só partida. Só ontem, Curry meteu 13 bolas em 17 tentativas. Nos sete primeiros jogos do ano, Klay fez 11 cestas de três em 53 arremessos.

klay

Thompson continua tentando bastante (é o quarto jogador que mais chutou de três no ano) e, com a presença de Kevin Durant, tem arremessado muito mais livre do que está habituado – segundo o tracking de arremessos do site da NBA, 60% dos seus chutes são feitos sem um marcador colado no seu cangote (isto é, com mais de 1,2 metro de espaço) e mesmo assim seu aproveitamento baixíssimo.

Para ter uma boa comparação, ano passado, quando arremessava menos livre, teve aproveitamento de 42% de longe. Neste ano, são 20%. Menos da metade.

shotchart_1478610470665

Sinceramente, não sei como isso pode ser explicado. O jogador e o técnico do time, Steve Kerr, afirmam que ainda é cedo e que logo as coisas vão voltar ao normal. Até acredito que sim. Mas, por enquanto, parece que Klay esqueceu como se arremessa.

 

 

Pelicans é um castigo não merecido a Anthony Davis

Deve ser insuportável jogar como um MVP, colecionar atuações históricas, ser um dos melhores atletas da liga e seu time figurar na última colocação da classificação sem grandes perspectivas de melhora.

É este o cenário de Anthony Davis, ala-pivô do New Orleans Pelicans, time mais tenebroso da NBA até o momento, com seis derrotas em seis partidas.

O time hoje divide a lanterna da liga com o Philadelphia 76ers, time que habita aquela parte da tábua de classificação há alguns anos. A diferença entre os dois é que o Sixers não tem muitas pretensões de sair dali enquanto seus principais jogadores, calouros ou quase calouros, não ganharem rodagem.

Com o Pelicans é diferente. Cada ano nesta situação – não é o primeiro ano perdido – conta como uma temporada de talento de Anthony Davis que é desperdiçado. Em quatro anos que teve Davis no time, a franquia foi a uma pós-temporada, quando foi varrida pelo Golden State. De resto, só decepções.

anthony-davis-nba-boston-celtics-new-orleans-pelicans

Ano passado era esperado que o time evoluísse a ponto de se tornar uma presença frequente nos playoffs. Não rolou. O time inteiro se machucou e quando jogou com boa parte dos titulares também não rendeu muito bem. O próprio Anthony Davis não teve uma performance tão espetacular como se imaginava (“só” repetiu os números do ano anterior).

Nesta temporada a coisa está ainda mais estranha. Estivesse em uma equipe ligeiramente mais competitiva, Davis seria um dos líderes na corrida para MVP. Estreou fazendo 50 pontos e 16 rebotes. Depois emendou atuações de 45 pontos e 17 rebotes e 35 pontos e 15 rebotes. Tudo em vão. Seis jogos e seis derrotas.

É verdade que o time está desfalcado – Tyreke Evans e Jrue Holiday, dois titulares, não estrearam ainda -, mas pelo desempenho recente de ambos, especialmente pela falta de saúde da dupla, não dá para esperar que o time tenha uma mudança muito virtuosa na sua campanha mesmo com a volta deles.

Por enquanto, duas coisas estão acabando com a campanha do Pelicans: um baixíssimo aproveitamento nos arremessos, um dos dois piores em duas semanas de NBA, e a completa inabilidade de fechar os jogos, perdendo nos segundos finais em três oportunidades.

Nos dois casos, o treinador pode ter uma influência determinante – ainda que seja muito difícil dizer de fora se é isso mesmo. Ao mesmo tempo, mesmo que se troque o técnico, Anthony Davis continua isolado de talento. No final das contas, é isso que importa na maioria das vezes.

Tem quem pense que se Davis fosse tudo isso, seria capaz de carregar o time nas costas em alguns momentos. Tenho certeza que isso vai acontecer em algumas partidas deste ano, mas dá para culpá-lo quando o segundo melhor jogador do time é Tim Frazier, que jogou mais vezes de titular nestas duas semanas do que nos outros dois anos como profissional, além de ter um currículo recheado de dispensas e contratos de 10 dias? Não dá.

O triste disso tudo é que Davis está preso à franquia até 2020 pelo menos. E se julgarmos o Pelicans pelo que fez nos últimos anos, não me parece provável que o time vá melhorar muito daqui pra frente, seja ao longo deste ano, seja para as próximas temporadas.

Enquanto isso, Davis vai pagando todos os seus pecados, até mesmo aqueles que não cometeu, em um time horrível.

 

Derozan, o intruso

Difícil palpitar qualquer coisa com apenas dez dias de temporada. Mais difícil dizer quem pode ser MVP neste ano, já que a disputa do prêmio de melhor jogador da NBA parece estar mais aberta do que nos anos anteriores. Mas a grande certeza que já temos é que Demar Derozan é o maior intruso desta corrida.

Russell Westbrook, Kawhi Leonard, Anthony Davis, James Harden, Kyrie Irving, Lebron James e Kevin Durant, seus maiores concorrentes até o momento, são estrelas de primeira grandeza na liga. Derozan, que está tão bem individualmente e coletivamente quanto os melhores desta relação, é que chega de surpresa. O jogador é excelente, mas nunca esteve no mesmo patamar dos demais.

Agora está. É o cestinha da temporada até o momento com impressionantes 35,8 pontos por partida. É o primeiro jogador desde Michael Jordan em 1986 a fazer mais de 30 pontos nas cinco primeiras partidas do campeonato – esta, aliás, já é a maior sequência de jogos com uma pontuação destas na história do Toronto Raptors.

derozan-body-image-1478275497

Até o início da temporada era justo dizer que DeRozan sequer era o melhor jogador do time. Neste momento, no entanto, não há como negar que é ele quem tem carregado o time canadense à campanha de quatro vitórias em cinco jogos, já que Kyle Lowry, antigo ‘dono do time’, tem oscilado muito no ataque.

Surpreendente também é a forma como Derozan tem jogado para chegar a estas médias impressionantes. Ele é conhecido pelas escolhas horrorosas na hora de arremessar, geralmente chutando bolas muito longas, quase na linha de três, mas ainda dentro do arco de dois pontos, muitas vezes completamente marcado e depois de bater a bola por segundos a fio – reconhecidamente a pior situação possível para alguém tentar uma cesta pelo baixíssimo índice de eficiência. O mais bizarro é que, apesar de continuar com esta seleção estúpida de arremessos, as bolas estão caindo muito mais do que o normal, contrariando todas as probabilidades.

Mesmo que mais da metade dos arremessos que Derozan dá por partida sejam desta área não recomendada – um ou dois passos para dentro da linha de três -, o ala-armador está com o maior aproveitamento dos chutes em toda a sua carreira. Até agora, ele está com 55% de sucesso nos seus arremessos.

Melhor aproveitamento da liga em arremessos de média distância

Melhor aproveitamento da liga em arremessos de média distância

Curioso também que Derozan mal chuta de três. Das 70 cestas que fez nestes cinco jogos, apenas duas foram do meio da rua. Um roteiro bem improvável para o cestinha da temporada.

Sou um pouco cético sobre a duração deste desempenho dele. Confesso que não acho seus hábitos os mais inteligentes dentro da quadra. Mas preciso admitir que está funcionando. A ponto de ser um dos MVPs destes primeiros dias de temporada.

Durant escolheu o Golden State por isso

Ontem ficou muito claro porque Kevin Durant escolheu seguir sua vida na California, defendendo o Golden State Warriors. A vitória por 122 a 96 contra seu ex-time, o Oklahoma City Thunder, da forma que foi, serviu como uma prova cabal para que entendêssemos exatamente o que motivou a troca de camisa do jogador.

Foi mais do que apenas uma busca obsessiva por um título em um supertime. O que o Golden State ofereceu ao jogador, e está conseguindo cumprir, é o status de líder de um grupo vencedor. Ser peça central de uma engrenagem que funciona quase que perfeitamente.

Pela forma como Green, Curry e Thompson estão jogando, fica claro que há um esforço coletivo para que KD se sinta à vontade, faça tudo que ele fazia em Oklahoma só que dentro de um esquema já azeitado.

Pelo Thunder, mesmo que de um modo que rendia frutos, o basquete jogado era uma sucessão de tentativas heroicas dele e Westbrook em resolver a partida. No Warriors é mais do que isso: é um time vencedor, que deu certo e mostrou a Durant que ele era essencial para que todos ali pudessem dar um passo adiante.

imrs

Entendem o que eu digo? Não é atrair o jogador a um projeto vencedor para ele se aproveitar disso, mas fazer algo que já é muito bom girar em torno dele. Além de um afago, é uma maneira inteligente de evoluir e repensar o que deu errado no time na temporada anterior, que terminou de forma decepcionante.

O jogo da madrugada desta quinta-feira foi emblemático neste aspecto. Westbrook tentou, lutou, mas no segundo período já estava claro que sua garra, sua raiva e seu talento não eram suficientes para bater a coletividade do Warriors.

Do outro lado, Durant não precisou abrir mão da sua individualidade para atropelar o ex-time. Pelo contrário, seus colegas claramente fizeram de tudo para mostrar que Kevin está totalmente confortável na nova equipe.

E, pelo visto, era isso que Kevin Durant procurava em um time de basquete.

Westbrook x Durant: o que cada um tem a provar

Hoje a noite, no último jogo da rodada, teremos um dos confrontos mais aguardados da temporada. O Golden State Warriors, de Kevin Durant e companhia, recebe o Oklahoma City Thunder, de Russell Westbrook (e basicamente só ele mesmo). Ainda que todo mundo esteja em polvorosa por causa do reencontro e das supostas tretas entre os dois, eu acho que o jogo vale menos pela eventual rivalidade entre a dupla e mais pelo que cada um tem a provar neste momento da carreira e da temporada.

Explico: ainda que eu entenda que a forma como as coisas aconteceram leve a este enredo, como se os dois se odiassem e tal, não acredito que isso seja muito real. Pelo que ambos disseram e seus colegas de time confirmaram, nunca foram melhores amigos, nunca passaram de uma dupla imparável dentro de quadra. Além do mais, cada um seguiu sua carreira e pronto, sem ódio recíproco. O desfecho, no final das contas, foi o mais conveniente para cada um: Russell finalmente teve um time só para ele e Durant garantiu uma equipe competitiva a altura do seu talento. Hoje teremos um jogo pegado, disputado entre dois times fortes do Oeste, mas nada mais do que isso necessariamente.

Acho que esse clima de ódio, treta e mágoa vai fazer mais sentido quando Durant for jogar em Oklahoma pela primeira vez, tendo que encarar a torcida que, essa sim, está com sangue nos olhos.

NBA: Playoffs-Oklahoma City Thunder at Dallas Mavericks

O que eu acho mais relevante do encontro de são dois times que têm dinâmicas completamente diferentes de jogo. De um lado é um time quase que de um cara só, que chuta 30, 40 bolas por partida e tenta provar que esse é o melhor caminho para ganhar. Do outro, uma equipe com pelo menos três caras que poderiam fazer o mesmo, mas ainda estão atrás de uma maneira de conciliar suas habilidades individuais dentro de um esquema coletivo.

Da parte do Thunder, o time ainda quer entender em qual intensidade Westbrook é saudável para o jogo da equipe. Da parte do Warriors, o quanto cada um precisa ceder em nome de uma fluidez coletiva.

Até o momento, o time de Oklahoma venceu todos os jogos – é um dos dois únicos que está invicto na NBA. Ontem, no maior desafio do time, contra o Clippers, Westbrook se concentrou em defender o perímetro com mais intensidade do que nas partidas anteriores e pontuar. O ataque se resumia em trocar passes laterais até que a bola voltasse para as mãos de Russell que, individualmente, tentava decidir as jogadas.

Ainda que o jogador esteja com uma média impressionante de assistências (10 por jogo), acho que a versão mais decisiva de Westbrook seja esta mesmo, a pontuadora letal.

Do outro lado da quadra, Durant está provando que conseguiu, até agora, transpor seu jogo para a nova equipe – e que alguns elementos do time, na verdade, é que precisam se ajustar a ele.

Klay Thompson é o melhor exemplo disso: a presença de KD parece ter aberto mais espaços para Klay receber os passes entrando no garrafão do que aberto para o chute de três – aumentou significativamente a frequência de arremessos a menos de um metro da cesta e viu seu rendimento nas tentativas de fora. Ainda que na teoria isso renda melhores oportunidades de pontuação para o jogador, Klay não parece estar confortável com a situação. Cabe um ajuste aí, ainda.

Ainda que amostra seja pequena, a melhor partida do Golden State, contra o Portland, no ano foi aquela em que Durant se preocupou menos em disputar o rebote de defesa e mais em marcar os chutes. Que carregou menos a bola no ataque e que procurou mais abrir espaços para receber livre e chutar.

Com a frequência dos jogos, Durant e seus colegas ainda vão entender se estas funções são as melhores para o Warriors deslanchar ou não.

Mesmo que o burburinho todo do jogo fique em torno da eventual rivalidade entre Kevin e Russell, a partida de hoje tem mais a mostrar sobre o papel de cada um neste novo cenário. E, aí sim, provar se as escolhas deles foram corretas.

 

Fantasy: toda a paciência com seu craque será recompensada

É decepcionante mesmo. Começa a temporada, os times entram em quadra uma, duas, três vezes e alguns dos melhores jogadores, bem aqueles que você escolheu no draft, estão numa draga tremenda, com estatísticas bem abaixo do que você esperava. Não se desespere: é normal.

Todo ano é assim, tem gente que começa o ano muito acima da média e outros que começam muito mal. Além do mais, ao longo da temporada também é comum que mesmo os melhores jogadores tenham sequências de dois ou três jogos em baixa. Não é porque esta sequência aconteceu justamente nos primeiros jogos que você deve se assustar com isso, oras.

Os números abaixo da média acontecem também por conta da amostra minúscula de jogos que temos até então. Logo elas serão puxadas para cima com boas atuações. É só esperar.

Por enquanto, ainda é válido das um voto de confiança para:

Karl Anthony Towns (F/C – Minnesota Timberwolves)

Nas duas primeiras partidas Towns ficou com médias de apenas 5 rebotes, rigorosamente metade do MÍNIMO que ele deve fazer noite após noite ao longo da temporada. Os 18 pontos de média registrados nos dois jogos também deve ser o mínimo que ele vai fazer daqui em diante. Vale destacar que o Timberwolvers como um todo começou a temporada com um rendimento meio estranho. Mesmo que o time não decole como o esperado, não há motivos para imaginar que Towns não será um dos dez melhores jogadores de fantasy da temporada.

1474554860_8919575-karl-anthony-towns-stephen-curry-nba-golden-state-warriors-minnesota-timberwolves-834x560

Stephen Curry (G – Golden State Warriors)

Era esperado que a chegada de Kevin Durant ao Golden State Warriors abalasse alguns números de arremessos do atual MVP (são dois chutes e cinco pontos a menos de média, por enquanto), mas o problema é que a participação de Curry no ataque do time diminuiu em todos os fundamentos. A queda de duas assistências e quatro rebotes por jogo não deve se manter nestes patamares.

Carmelo Anthony (F – New York Knicks)

Não vai ser nesta temporada, ainda, que Carmelo terá menos de 20 pontos por jogo de média. O ala está com pífios 22% de aproveitamento nos chutes de fora que com certeza não devem se manter tão baixos. Ainda que seja provável que não consiga repetir a performance nos rebotes que teve na temporada passada, quando teve 7,7 de média por jogo, os números totais de Carmelo devem melhorar nas próximas partidas.

Deandre Jordan (C – Los Angeles Clippers)

Quem joga fantasy por categorias, deve estar estranhando muito que Jordan esteja com ‘apenas’ 48% de aproveitamento nos seus arremessos – o número não é ruim em linhas gerais, mas está muito abaixo do seu padrão de mais de 70% nas últimas duas temporadas. A média de rebotes defensivos também pode aumentar com o passar dos jogos e retomar o patamar habitual.

Brook Lopez (C – Brooklyn Nets)

Aqui o problema é basicamente tempo de jogo. Com uma limitação de minutos em quadra neste começo de temporada, Brook está com uma média de 5 pontos, 3 rebotes, 2 assistências e um toco a menos do que na temporada passada. É até possível que ele não repita os números anteriores, mas a queda não deve ser tão brutal.

Enfim, trocar um craque em baixa é confirmar a queda de rendimento. O ideal é esperar umas duas semanas antes de mexer drasticamente na equipe – isso, claro, vale só para os jogadores das primeiras escolhas que ainda, provavelmente, voltarão aos seus patamares normais de rendimento.

Page 2 of 2

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén