Parecia que o pesadelo estava voltando. Assim como na temporada passada, quando, na reta final,  Memphis Grizzlies teve mais da metade do seu time fora de ação por lesões, a segunda quinzena de novembro foi tenebrosa para o time do Tennessee: Chandler Parsons machucou seu joelho de porcelana no dia 19, James Ennis sentiu a panturrilha na partida seguinte e, uma semana mais tarde, Vince Carter e Mike Conley também se lesionaram. Para completar, a mãe de Zach Randolph faleceu e ele ficou sete jogos afastado.

Se o time já não tinha o grupo de jogadores mais profundo da NBA e a disputa na conferência Oeste é das coisas mais selvagens que temos por aí, o desfecho mais provável para a franquia neste ínterim em que aguardaria seus jogadores baleados seria uma sequência deplorável de derrotas.

Curiosamente, é justamente o contrário que está acontecendo. Foi neste período que o Grizzlies emplacou sua segunda melhor sequência na temporada. Não que o time fique melhor sem um punhado dos seus melhores jogadores, não é isso, mas desde então Marc Gasol, pivô da equipe, simplesmente passou a jogar no mais alto nível possível.

São cinco vitórias seguidas (tudo bem, quatro delas em casa e apenas dois jogos contra supostos concorrentes por uma vaga nos playoffs) e um título de melhor jogador da semana. Neste meio tempo, Gasol tem sido soberano, tanto na defesa, onde habitualmente já é brilhante, quanto no ataque, onde também é bom, mas geralmente divide a responsabilidade com seus colegas. São 26 pontos, 7 rebotes, 5 assistências e 2 tocos de média nestas cinco partidas. Cinco jogos ganhos sem firula, com no máximo cinco pontos de vantagem diante do Sixers.

Eu sempre fui muito fã do seu jogo, de uma discrição digna de um Tim Duncan. Assim como o gênio do Spurs, Marc fundamentou seu jogo em uma defesa impecável baseada na técnica e no posicionamento, sem abusar do jogo físico e do atleticismo – uma virtude bem incomum. Com a bola na mão, o espanhol sempre teve um jogo de post eficiente mesclado com um bom range nos arremessos, que foi ~pimpado agora com chutes de três. De fora do arco, Gasol já foi decisivo um bocado de vezes e ostenta um excelente aproveitamento de 44% na temporada. Para completar, tem visão de jogo de um armador.

Todo este arsenal teve que ser usado exaustivamente no período, já que seu colegas de time neste período foram os ‘D-leaguers’ JaMychal Green, Andrew Harrison, Troy Williams e Troy Daniels, além do útil-porém-limitado Tony Allen.

Apesar de todas estas qualidades de Gasol – sim, eu sou um paga pau dele -, o estilo de jogo do Grizzlies não privilegia o individualismo dos seus atletas. De um modo geral, isso é bom, já que abre um leque imenso de possibilidades à franquia todos os jogos. Mas, por outro lado, não nos ajuda a lembrar como alguns de seus jogadores são tão bons quando exigidos – coloco Conley e Randolph no mesmo balaio, ainda que em patamares diferentes.

Agora o Memphis pega uma sequência fuderosa que muito provavelmente vai botar um fim a este momento vitorioso do time. Em quatro dias, eles enfrentam o Warriors uma vez e o Cavs outras duas. Em todo caso, o time conseguiu minimizar os danos de um período completamente desfalcado. E o mérito é quase todo de Marc Gasol.

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