Jogadores e times chegaram a um consenso no novo acordo de trabalho na semana passada, afastando quase que definitivamente as chances de uma greve ou locaute nos próximos anos – ainda que muito improvável, os termos do novo acordo precisam ser ratificados pelos donos de times até a primeira quinzena do ano que vem. A nova CBA determina novos salários mínimos para calouros e veteranos, garantindo a possibilidade de vencimentos ainda maiores para os jogadores. Também define algumas regras sobre quem pode se candidatar ao draft e novas alternativas de calendário. Tudo muito importante e alvo de muitas negociações.

No entanto, os meandros do acordo guardam algumas curiosidades mais, digamos, banais. Como boa parte da discussão se trata de dinheiro (sua divisão, salários mínimos e máximos e etc), um dos termos do documento fala sobre atividades não relacionadas ao basquete que serão proibidas aos jogadores pelos riscos de lesão aos atletas – e, convenhamos, não existe algo mais detestável na visão dos clubes do que ter que pagar contrato a um jogador que se machucou por uma imprudência fora das quadras.

Algumas coisas são bem óbvias: jogadores estão proibidos de manipular armas de fogo, fogos de artifício, andar de jet ski, pular de paraquedas e outras coisas do gênero, incluído todo o rol de esportes radicais, por exemplo. Não chega nem a ser uma novidade. Ainda que seja a primeira vez que isso é citado numa CBA, boa parte dos contratos dos jogadores já continham estas proibições em seus termos.

Se boa parte destas atividades já estavam na lista de passatempos proibidos pelos seus próprios contratos, uma restrição surpreendeu boa parte da classe: andar de HOVERBOARD não será mais permitido também. O ‘skate do futuro’ ficou mais famoso nos pés de JR Smith, que rodava pelos corredores das arenas como se fossem sets do ‘De volta para o futuro’ ao longo da temporada passada. Ainda que ele fosse o maior adepto, 9 entre 10 jogadores apareceram com um hoverboard por aí em algum momento.

A coqueluche foi tão forte que A MODA ATÉ PASSOU – o que causa um pouco de estranheza, já que aparentemente ninguém mais usa o negócio. Mesmo assim, a NBA está preocupada que algum jogador preserve um prazer reprimido por andar com o equipamento – que foi o item mais vendido na Black Friday de 2015 e que, consequentemente, mais causou lesões aos seus clientes.

Em todo caso, apesar de entender a posição dos times e achar que o impacto prático disso será mínimo a essa altura, acho lamentável a decisão. Seria possível ver um jogador tão SERENO, flanando por aí, mesmo quando seu time estava sendo massacrado na final, como vemos JR Smith naqueles vídeos (de 2015, quando o Cavs perdeu para o GSW)?

Acho impossível. Um milagre do bom estado de espírito promovido pelo hoverboard, com certeza.