Month: December 2016 (Page 2 of 2)

O imprescindível Paul Millsap

A maneira mais eficiente de se mostrar fundamental é na ausência. E é neste espaço de três jogos em que não entrou em quadra que Paul Millsap está provando que é, talvez ao lado de Russell Westbrook e James Harden, o jogador mais imprescindível para seu time nesta temporada.

Há vinte dias, o Atlanta Hawks era a nova/velha aposta de ameaça ao Cleveland Cavaliers, a frente de rivais como Toronto Raptors, Charlotte Hornets e Boston Celtics. Apesar de ano após ano se confirmar como uma das melhores equipes do Leste, neste ano o time mudou e testava uma nova maneira de jogar, tentando, principalmente, solucionar a principal carência das últimas temporadas, que era garantir rebotes. A nova formação com Dwight Howard e sem Al Horford estava se mostrando eficiente e tudo parecia melhor do que antes.

Até que a coisa desandou. O time perdeu três seguidas, venceu o Indiana e, diante do Utah Jazz, Paul Millsap se lesionou. O jogador ainda continuou jogando e entrou em quadra nas duas partidas seguintes (contra Lakers e Warriors) com o quadril gritando, mas como o time tinha voltado a perder estes três jogos, a comissão decidiu tratar a lesão do seu melhor jogador. Daí que o bicho pegou de vez.

paul-millsap

As partidas em que Millsap não entrou em quadra, o Atlanta Hawks teve o pior desempenho de toda a liga. Perdeu para o Phoenix Suns, que é um dos lanternas da NBA no momento, e foi surrado por Detroit Pistons e Toronto Raptors, quando tomou uma diferença acumulada de 80 (OITENTA!!!) pontos nas duas partidas – a maior em dois jogos seguidos na temporada entre todos os times.

A ausência do ala-pivô explica boa parte deste desempenho horrível do time. Em pouco mais de três anos no Hawks, Millsap se mostrou um dos jogadores mais eficientes da liga, apesar de quase nenhum holofote. Seu jogo é discreto, mas comparável ao das maiores estrelas da liga.

Excelente reboteiro para seu tamanho e fenomenal bloqueador de chutes, Millsap é um dos melhores defensores da NBA. Ano passado foi eleito para o segundo time de defesa da liga, atrás somente de Kawhi Leonard e Draymond Green na votação entre os alas. Foi, inclusive, o líder em Defensive Win Share da temporada no ano passado, estatística que tenta medir a impacto defensivo do jogador nas vitórias do seu time.

No ataque, ele é completo. Pode armar como um point guard e, ainda assim, chuta próximo dos 35% da linha de três. Foi o maior pontuador do time nos últimos três anos.

Ainda que Lebron James, Kawhi Leonard e Kevin Durant, por exemplo, sejam jogador mais talentosos do que ele, não consigo imaginar que suas equipes agonizem tanto nas suas ausências do que como o Atlanta Hawks está sofrendo sem Millsap. Até mesmo o Pelicans, que praticamente só tem Anthony Davis, não se saiu tão mal sem o seu principal jogador.

Pelo que vimos até agora, Paul Millsap não será considerado para a corrida de Most Valuable Player (Jogador Mais Valioso), mas já é disparado o ‘Jogador Mais Fundamental’ do ano.

Todo o equilíbrio desta temporada

O melhor jogo da temporada até o momento, Golden State Warriors x Houston Rockets na madrugada de ontem, é o melhor e mais vivo exemplo de como a disputa neste ano está boa. O Houston derrotou o Warriors em um jogo de duas prorrogações em São Francisco numa batalha épica, com placar apertado em 90% do tempo, defesa brigada e ataque preciso e ágil dos dois lados.

Só do Rockets, um time que ano passado era uma zona completa com jogadores absolutamente desmotivados, conseguir emplacar uma partidaça destas contra o Warriors, que jogava em casa, onde quase nunca perde, e vinha de uma sequência impressionante de vitórias, já mostra como tudo está mais achatado.

Mas os exemplos disso são vários: o Clippers se mostrar vivo, mesmo depois de embarcar numa sequência sinistra de derrotas, e bater o atual campeão em Cleveland; o San Antonio Spurs já ter perdido quatro jogos em casa, sendo o último deles para o caótico Orlando Magic; o Oklahoma City Thunder desfigurado e o Memphis Grizzlies repaginado continuarem no cangote dos líderes do Oeste; Toronto Raptors e Charlotte Hornets ganhando do time mais forte da liga num dia e tomando pau para uma equipe de lottery no outro; e etc.

Ainda que tivesse sua graça em ver San Antonio Spurs, Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers destroçando todos os recordes possíveis na temporada passada, é muito mais divertido ver um campeonato totalmente em aberto, com muito mais gente brigando pelas cabeças.

Cavs e Warriors ainda são os melhores times das suas respectivas conferências, mas não é um absurdo pensar que Clippers e Spurs terminem na frente no Oeste ou que Raptors assuste no Leste. Numa série de playoffs, Hornets e Hawks podem ganhar de qualquer um. Com sorte, até Bulls e Celtics podem assustar (o primeiro começou muito bem e o segundo está em uma arrancada convincente). O mesmo dá para dizer de Jazz e Blazers no Oeste.

A rodada de terça-feira mostrou isso: TODOS os times com pior campanha, com mais derrotas do que vitórias, ganharam seus jogos diante dos favoritos. Estatisticamente falando, as chances daquela combinação de resultados acontecer daquela forma era menor do que 1%. Mas não quando as coisas estão mais imprevisíveis do que nunca.

Até os times que tinham tudo para ‘tankar’ e jogar a toalha estão fazendo os melhores times suar. Los Angeles Lakers é o melhor exemplo disso, disputando partida a partida uma chance de ir para os playoffs (sendo um dos únicos três times que já derrotou o GSW nesta temporada). Mas mesmo aqueles que não têm qualquer chance estão fazendo jogos muito melhores do que no ano passado: não é mais uma completa perda de tempo assistir Brooklyn Nets e Philadelphia 76ers.

Para se ter uma ideia, a essa altura do campeonato passado o Warriors estava invicto, com 20 triunfos. Lakers, Nets e Sixers tinham, somados, seis vitórias acumuladas.

No geral, mais de 20 times estão com uma diferencia média entre pontos feitos e tomados menor do que 5 – um equilíbrio incomparável com o ano passado, quando menos da metade estava nesta situação e Spurs e Warriors, em contrapartida, emplacavam recordes históricos nesta estatística.

Isso é ótimo. Dá mais gosto enfrentar, assim, a maratona de 82 jogos da temporada regular. Quando as coisas acontecem como no ano passado, a temporada regular vira uma corrida em que cada time testa seu próprio limite, sem uma competição de fato entre eles. Do jeito que as coisas estão neste ano, o clima de disputa é maior, dando uma boa medida da guerra que os playoffs podem se transformar.

Tomara que continue assim!

Quadra molhada, goteira, ar condicionado quebrado: as arenas da NBA são mais amadoras do que a gente pensa

Ontem eu já tinha escolhido o meu jogo do League Pass. Seria Kings e Sixers. A partida reunia tudo que eu queria ver de maneira despretenciosa: o embate de dois dos meus jogadores preferidos (Demarcus Cousins e Joel Embiid) em um horário decente (às 22h e não de madrugada, o que me destruiria para o dia seguinte de trabalho). Mas um imprevisto bizarro aconteceu e adiou a partida, frustrando meus planos – sim, esse é o ponto mais importante pra mim: o assoalho estava muito úmido e a organização do Wells Fargo Center não conseguia secá-lo.

O pessoal formou uma força-tarefa, passou rodo no chão umas quatrocentas vezes – até os jogadores ajudaram -, mas não teve Cristo que conseguisse secar aquela desgraça. A justificativa é que havia gelo por baixo do piso, usado na partida de hóquei na noite anterior, e o calor incomum na cidade causou uma condensação por cima da madeira, aponto do isolamento térmico não dar conta da MUDANÇA DE ESTADO DA MATÉRIA. Sem ter muito o que fazer, a partida foi adiada.

Este é o tipo de imponderável que muita gente nem imagina que rola na NBA – e se fosse por aqui, com certeza ia ter muita gente dizendo EITA SÓ NO BRASILZÃO MESMO NÉ PQP -, mas este tipo de ‘amadorismo’ é até recorrente por lá.

Ano passado rolaram umas bem primárias. Um jogo do Bucks foi paralisado porque um torcedor mais exaltado resolveu destilar todo seu azedume, literalmente, jogando um pepino em quadra.

Em outra partida, uma goteira atrasou uma partida do Nets em meia hora por causa de uma goteira no teto do Barclays Center – e neste caso, o mais amador foi o jeito que eles tentaram solucionar o problema, com um balde gigantesco na beira da quadra, da mesma maneira que você faz em casa quando acontece algo parecido.

balde

A bizarrice mais grave de todas foi quando o sistema de ar condicionado do AT&T Center, em San Antonio, quebrou no primeiro jogo das finais de 2014. Com mais de 20 mil torcedores respirando e transpirando em um lugar completamente fechado, a temperatura interna da arena bateu os 30ºC.

Para piorar, o jogo estava corrido pra cacete e os jogadores se desgastaram muito mais do que o usual – a ponto de Lebron James não aguentar mais ficar em quadra nos minutos finais por conta da desidratação.

Na época até rolou teoria da conspiração dizendo que o sistema teria sido desligado de propósito para prejudicar o Heat – como se fosse possível prever que os jogadores do Miami iriam sentir mais do que os do San Antonio… Em todo caso, uma falha que prejudicou bastante a disputa do jogo.

Isso tudo sem entrar no assunto ‘cronômetro quebrado’, que toda semana rende alguma treta – semana passada, inclusive, uma das maiores, quando uma contagem atrasada do relógio foi determinante para mudar o resultado da partida entre Kings e Raptors.

É o tipo de coisa que não se espera que aconteça na liga que é a maior referência de profissionalismo no mundo, né?

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