Month: January 2017 (Page 1 of 2)

Quase todo piti é exagerado

Parece que é combinado. A um mês da data limite para trocas, jogadores de times ruins, estrelas de franquias que lutam pelo time e atletas renegados soltam o verbo manifestando suas insatisfações. Semana passada foi emblemática: Lebron James, Dwyane Wade, Jimmy Butler e Rajon Rondo abriram a boca para reclamar de algo.

É legítimo e não teria problema nenhum se fosse feito de outra forma. O problema é a maneira que muitos jogadores tentam resolver as coisas: dando piti publicamente pela mídia.

Antes de qualquer coisa, eu faço a ponderação que a gente não sabe o que é tratado internamente. Pode ser que nos meses que precedem o desabafo para a imprensa sejam de intensa negociação com comissão técnica, front office e colegas de time. Realmente, não temos como saber.

Mesmo assim, acho irritante essa choradeira toda. Na maioria esmagadora das vezes me parece mais um sintoma de alguém que está tentando transferir a sua responsabilidade do que de um sujeito que quer realmente solucionar algo.

A começar por Lebron James. É o maior GM informal da liga. Força a barra para o time assinar com seus camaradas, para que demita o técnico, para que o elenco se reforce. OK, é um status adquirido. Mas não é exagero chorar por um armador reserva como se isso fosse a coisa mais fundamental do planeta quando o front office do Cavs é uma extensão direta das suas vontades?

Detalhe que o time já se sujeita a se reformular inteiro para buscar Kevin Love no Timberwolves, a assinar contratos de um ano com ele mesmo para garantir equipes competitivas todas as temporadas e a renovar seus colegas de time (JR Smith e Tristan Thompson, clientes do seu mesmo empresário) por fortunas. O que mais ele quer?

Além do que o Cleveland Cavaliers é uma equipe que já tem um dos elencos mais fortes da liga em uma conferência em que a franquia tem a confortável condição de levar em ritmo de cruzeiro. Se Lebron tem razão em fazer isso, todos seus concorrentes do Leste teriam o mesmo direito.

Não é porque o time não tem o veterano que Lebron quer na armação que o time perdeu para o Sacramento Kings e para o New Orleand Pelicans sem Anthony Davis.

Dwayne Wade é outro que não está lá muito em condições de jogar seus colegas aos leões. Depois de uma derrota, falou que só ele e Jimmy Butler jogam no time do Bulls, que só os dois se importam com os resultados das partidas, jogando toda a responsabilidade dos recentes resultados ruins nos jovens jogadores do Bulls.

Nos dias seguintes, os seus colegas comentaram que Wade não era uma presença muito constante nos treinos do time e Butler, que endossou as críticas do veterano, fez sua pior partida da carreira com apenas uma cesta em 13 arremessos tentados – duas coisas que também não são lá muito exemplares pros demais.

Rajon Rondo, por sua vez, jogou merda no ventilador ao postar nas suas redes sociais que exemplos de verdade eram os seus veteranos no tempo de Boston Celtics, que não procuravam a imprensa para expor seus colegas e resolviam seus problemas internamente e na quadra. No caso dele, não que ele esteja muito preocupado com o sucesso do Bulls, mas possivelmente viu na treta toda uma possibilidade de recuperar os minutos perdidos na rotação ou melar o ambiente de vez e forçar uma troca para um time onde tenha mais espaço.

Todos estes caras são escolados, sabem que qualquer peido fora de hora vira uma bomba. Uma declaração dessas não é um descuido. É uma jogada premeditada. Mas dificilmente tem resultados práticos mais eficientes do que os estragos causados dentro do time.

Não vejo um armador veterano e sem time sendo tão útil assim para o Cleveland Cavaliers no momento, que vá fazer muito mais do que os caras que estão por lá já fazem. Não imagino o Chicago Bulls dando uma virada brutal daqui em diante. Tenho certeza que se Rondo for pra outro time, não vai assumir a titularidade de uma equipe vencedora e retomar o status de estrela.

No fundo, é só um bando de marmanjo chorando diante de uma dúzia de microfones.

O Knicks de hoje é o karma de Carmelo Anthony

A cada momento me parece que uma mudança de ares é o único caminho saudável para a carreira de Carmelo Anthony.

O melancólico jogo de ontem, com quatro prorrogações e a derrota do Knicks, soa como um sinal disso. Partida em Atlanta com arbitragem caseira e mesmo assim o Knicks conseguiu sobreviver por quase 70 minutos. Foram 23 mudanças de liderança no placar e 21 empates. Por parte do time de Nova York, dos dez caras que entraram em quadra, quatro foram eliminados por falta (Carmelo um deles) e outros dois ficaram pendurados. Nos últimos segundos do quarto overtime, Courtney Lee, um dos poucos titulares sobreviventes, teve a chance de empatar a partida duas vezes, mas foi vencido pela imprecisão e pelo cansaço.

O Knicks fez muita merda nas últimas semanas e a franquia está uma zona completa, mas mesmo quando o time luta, se esforça e se doa, a coisa não tem ido pra frente.

Ainda que seja Derrick Rose o cara mais descompromissado com a franquia, que Joakim Noah esteja totalmente aquém do que já jogou e até Kristaps Porzingis que tenha oscilado tremendamente (o que é normal para um jogador jovem, diga-se), é sobre Carmelo Anthony que recaem maior parte das críticas.

Até entendo que ele seja o líder da equipe e tudo mais, mas o time não chegou a esse ponto por causa dele.

Por conta dos seus 32 anos e da natural queda no atleticismo, é normal que seu jogo mude. A explosão nas infiltrações desapareceu, é verdade, mas Melo continua dando conta do jogo de perímetro, continua eficiente na briga pelo rebote e até mostrou uma qualidade desconhecida na troca de passes com a chegada de Porzingis ao time.

Ano passado, quando a torcida estava empolgada com o então calouro, Anthony foi até enaltecido por estas mudanças. O problema foi que neste ano o Knicks pretensamente formou um time de medalhões (um ‘supertime’, como batizado por Derrick Rose, à sua maneira, com tudo que há de negativo nisso).

Desde que a coisa desandou, a partir do Natal, e o Knicks emendou a péssima sequência de 5 vitórias e 15 derrotas, caindo na classificação,  vigília sobre Carmelo aumentou. As críticas de que ele não se esforça, não decide e não quer saber mais de basquete são frequentes. É raro que alguém diga que, na verdade, neste período o jogador tenha aumentado sua média de pontos para 25 por jogo e o Knicks tenha melhorado quando ele está em quadra (diferente de Rose e Kristaps, que acumulam mais pontos sofridos do que feitos quando estão jogando).

Além disso, partiu das mãos deles o chute da vitória contra o Hornets e a cesta do empate no tempo normal contra o Hawks, ontem. Mesmo no lamaçal, é ele quem decide.

Não defendo que o futuro da franquia vá ser melhor com ele. Realmente o time tem que cercar Porzingis de talento para os próximos anos. Mas, nesta temporada, não me parece que a culpa do naufrágio do Knicks seja dele. Dentro das suas limitações, Carmelo tem sido o melhor jogador do time – mesmo que não exista este reconhecimento.

Por último, também acho bem injusto que ele seja crucificado por ter escolhido ficar em Nova York por todos estes anos. Raramente vou condenar um cara por lealdade a uma camisa. Além disso, Carmelo apostou na evolução do time e na capacidade de Phil Jackson montar um time competitivo – o que não aconteceu.

Diante disso, acho que Carmelo tem mais a perder ficando no Knicks do que o Knicks ficando com Carmelo. Essa zona toda, me parece um karma pela insistência dele numa franquia que às vezes parece não ter jeito. É hora de uma mudança de ares.

Burros e machucados

Virou moda nesta temporada. O jogador é substituído, o juiz apita uma falta questionável ou ele simplesmente não consegue lidar com a frustração de estar atrás no placar quando o técnico pede um tempo e resolve descontar na cadeira do banco de reservas com uma meia dúzia de socos. Demarcus Cousins fez isso uma dúzia de vezes neste ano já. Enes Kanter foi fazer o mesmo ontem, só que se deu muito mal: na hora do soco, QUEBROU A MÃO e deve desfalcar o time por dois meses. Gênio, né?

Na real, os jogadores fazem direto este tipo de imprudência. Na maioria esmagadora das vezes, não dá nada e passa despercebido. Mas quando acontece, coitado, vira piada e entra para a história.

Aqui vai, então, um histórico de lesões estúpidas que jogadores já tiveram na NBA por conta de algumas cagadas:

Amor e ódio
O caso de Blake Griffin é o mais recente. Ano passado, enquanto o time estava em Toronto, o jogador saiu no braço com um membro do staff do Clippers. Quebrou a mão ao socar o cara ‘múltiplas vezes’. Foi uma burrice tremenda, já que Blake se recuperava de uma lesão na coxa e estava prestes a voltar – até por isso tinha voltado a viajar com o time. O estranho de toda a história é que a vítima de Griffin era um cara supostamente com o qual ele tinha uma amizade bastante sólida. Imagina se ele não gostasse não do fulano…

Amare e o extintor
Sabe aquelas instruções de segurança que ensinam como quebrar um vidro e pegar uma mangueira ou apertar um alarme de incêndio? Pois é, a gente lê aqui, olha aquela ‘história em quadrinhos’ que explica os procedimentos mas sabe que nunca na nossa vida vai precisar fazer tal coisa. Amare não pode dizer o mesmo. Inteligentemente, uma vez ele quebrou um suporte de vidro onde dentro tinha um extintor e machucou a mão, prejudicando sua participação em uma série de playoff. A grande cagada, no caso, é que ele não estava reagindo a um incêndio, mas a uma derrota perfeitamente previsível para o Miami Heat de Lebron, Wade e Bosh.

A motoca de Monta Ellis
Jogadores geralmente assinam cláusulas nos seus contratos que os proíbem de algumas atividades. Andar de moto é a mais básica delas. Possivelmente para não cair nesta cláusula que comprometeria seus ganhos de um contrato de 66 milhões recém assinado, Monta Ellis falou que rompeu os ligamentos do seu tornozelo caindo de uma ‘MOTINHO DE BAIXA VELOCIDADE’. A verdade é que Monta comprometeu sua temporada e sua moral (se machucar assim andando de mobilete? hmm…), mas não o seu gordo contrato. Até que não foi tão burro assim.

Tony Allen depois do apito
O juiz apita paralisando a partida, mas o jogador aproveita o embalo para dar aquela enterrada só pra zoar. Cara, isso acontece direto – eu mesmo se conseguisse enterrar faria isso sempre. Tony Allen, ainda no Boston Celtics, seguiu seu instinto boleiro, deu a passada para dar a cravada e… rompeu os dois ligamentos do joelho com o jogo já parado.

Bolas de Sam Cassell
Sam Cassell, o cara mais feio de que se tem notícia na NBA, costumava comemorar suas cestas nos finais das partidas com um movimento característico em que o protagonista era sua própria bolsa escrotal. Ele foi punido várias vezes por isso, inclusive. Mas nada se compara ao CASTIGO DIVINO que sofreu: ao eliminar o Sacramento Kings na semifinal do Oeste, Cassell fez sua comemoração de assinatura. No ato do movimento, machucou sua bacia. Ficou de fora de dois jogos da final de conferência contra o Lakers e em outras duas partidas não aguentou jogar mais do que cinco minutos. Escroto, literalmente.

Charles Barkley, Eric Clapton e o reino da fantasia
Essa é muito mal contada, mas merece ser lembrada pela SURREALIDADE dos fatos. Barkley perdeu o início da temporada de 1994 por que teria queimado a primeira camada das suas córneas pela reação de uma loção para o corpo. Pior: ele teve essa crise alérgica DURANTE UM SHOW DO ERIC CLAPTON. Não se sabe se ele passou a desgraça do creme durante a apresentação ou se foi uma reação das luzes do palco somadas à loção, mas foi essa sucessão bizarra de fatores que tirou Barkley das quadras por uns dias.

Na cama
Alguns jogadores conseguem fazer cagadas mesmo dormindo. Acontece de tudo. Desde aquele caso clássico do cara dormir em cima da mão e ela ficar amortecida (aconteceu com Kevin Love, com o agravante de que a mão dele NÃO VOLTOU A FUNCIONAR logo de cara e ele ficou de fora de uma partida) até do infeliz dormir com uma faca no bolso e se cortar (Derrick Rose inteligentemente dormiu enquanto comia uma maçã na cama e se cortou no seu ano de calouro). Até tragédias acontecem. O calouro do Toronto Raptors BJ Tyler disse que cochilou enquanto fazia gelo nos seus joelhos e fritou os ligamentos. A queimadura foi tão grave que a lesão tirou seu movimento lateral e algum tempo depois ele teve que se aposentar.

Boooooooooo-zer
Não foi na cama, mas quase isso: alguém bateu na porta de Carlos Boozer numa madrugada, ele se assustou, levantou e foi correndo para a escada. No meio do caminho, tropeçou numa mala que estava no chão e que ele não viu por estar muito escuro. Caiu e quebrou a mão – ficou de fora de várias partidas pelo meu time do fantasy game, inclusive.

Tênis mal colocado
Era 2001, Dirk Nowitzki foi colocar o tênis antes de um jogo contra o Washington, mas aparentemente o calçado não ficou muito bem colocado. Ele resolveu pisar no chão mais forte para que o pé entrasse no pisante de uma vez. Torceu levemente o tornozelo e ficou de fora da partida.

Melhor lesão do mundo
Até Michael Jordan já fez das suas. Era 1999 e ele ainda não tinha se aposentado oficialmente. O jogador arrebentou o tendão de um dedo da mão direita com um daqueles cortadores de charuto. Teve que fazer cirurgia e tudo.

Toda paciência será recompensada

A temporada começou torta para Nikola Jokic. O jogador do Denver Nuggets tinha terminado o ano anterior bem, como um dos cinco melhores calouros da temporada e dava sinais de que estouraria assim que a bola subisse na nova temporada. O plano do staff do Denver Nuggets era se aproveitar da sua excelente visão de jogo, mobilidade e chute confiável para colocá-lo ao lado do  pivô bósnio Jusuf Nurkic, formando uma promissora dupla de gigantes truculentos do Leste Europeu na NBA. No papel, a aposta era promissora. Na prática, não funcionou.

Apesar dele ser um dos poucos jogadores com mais de 2,10m com capacidade de correr com a bola pela quadra, driblar, chutas e passar, suas vantagens desapareceram quando foi obrigado a jogar mais afastado da cesta e marcado por um ala adversário tão ágil quanto ele.

O time também não respondeu em quadra e a tentativa seguinte para fazer a equpe deslanchar foi empurrar Jokic para o banco. A ideia era manter Nurkic, um pivô mais tradicional, com o time titular e trazer Jokic com a segunda unidade do Denver.

As coisas melhoraram um pouco, os jogadores inflaram seus números – algo interessante, já que o congestionamento de pivôs do time levantou alguns boatos de trocas – mas o time seguiu perdendo, sem uma identidade e com um desempenho notoriamente abaixo do potencial. Parecia que o todo o talento que a equipe tinha acumulado no seu plantel não era tão grande assim.

O time já estava jogando junto há um tempo considerável, mudanças tinham sido feitas e nada melhorava. Até o adolescente Lakers e o disfuncional Kings tinham campanhas melhores do que o Nuggets. Para piorar, Jokic, que parecia ser um jogador tão promissor quanto os queridinhos da liga Karl Anthony Towns e Kristaps Porzingis, estava praticamente esquecido no banco da equipe, com um papel secundário em uma equipe perdedora.

Algo tinha que ser feito. Foi uma derrota de lavada para o insosso Dallas Mavericks que motivaram uma segunda revolução no Denver na temporada.

Vendo que neste rodízio sem graça entre os jogadores as coisas continuaram sem funcionar e mais um ano seria perdido com um elenco jovem nas mãos, o técnico Michael Malone repromoveu Nikola Jokic a pivô titular do time. Mais do que isso, nomeou o jogador como ponto focal da equipe no ataque. Quase todas as jogadas deveriam passar por ele a partir dali. A última cartada era apostar tudo no jogador mais talentoso do time. Se o Nuggets não iria ganhar, que pelo menos o jogador ganhasse minutos e rodagem, mesmo que isso custasse tempo de quadra para Nurkic e desvalorizasse o jogador.

Dois meses depois do início da temporada, semanas de discussões sobre o quanto Jokic não tinha vingado e uma série de questionamentos sobre o futuro da franquia, toda a paciência do jovem pivô foi recompensada.

A mudança deu certo. Desde que Nikola Jokic reassumiu a titularidade como comandante do garrafão do Nugget, o time está com nove vitórias e nove derrotas. Melhor do que isso, assumiu a oitava colocação no Oeste.

Não é coincidência que o jogador voltou a aparecer com seus passes e suas jogadas decisivas. Suas médias, idem, estão em um patamar de all star – se sua melhora não fosse tão tardia na temporada, certamente estaria disputando uma vaga no Jogo das Estrelas.

Em novembro, no auge da crise do time, Jokic estava com médias de 8 pontos e 6 rebotes. Em janeiro, no melhor momento seu e do time, são 23 pontos e 11 rebotes. Nas estatísticas avançadas, seu impacto para o time é um dos mais impressionantes da liga. Quando está em quadra, o Denver costuma fazer 4 pontos a mais do que os adversários a cada cem posses de bola. Quando vai para o banco, o Nuggets perde por 7 pontos. Desde a virada do ano, tem sido o líder do time em pontos, rebotes e assistências.

Ainda que parecesse uma boa ideia explorá-lo como ala, o grande trunfo de Jokic é ter uma série de habilidades em uma área da quadra onde a força domina. Por mais que pivôs estejam chutando cada vez mais de fora e exista uma tendência para que jogadores mais móveis assumam a posição, o sérvio é um dos poucos que reúne todos os fundamentos do pivô moderno com agilidade e capacidade de passar a bola.

Fazer valer esta habilidade diante de outro grandalhão é mais vistoso do que colocá-lo para brigar com um cara como Lebron James ou Draymond Green, por exemplo. Ele até vai dar conta, mas não vai tirar tanta vantagem.

Jokic teve a calma de esperar seu tempo, tentar mostrar serviço quando reserva e aguardar uma nova chance como titular. Em coisa de um mês e pouco, retomou o status de promessa a estrela. A paciência valeu a pena para o próximo franchise player do Denver.

Palpites para reservas do All Star Game

Divulgados os titulares do All Star Game do dia 19 de fevereiro, agora é o momento de especular quem deve ser reserva do jogo. A discussão tem sua importância porque o número de vezes que um jogador vai para o Jogo das Estrelas é um critério usado desde os gatilhos de contrato (‘se fulano for all star tantas vezes, seu salário aumenta em 10%’, ocupando ainda mais a folha salarial e impactando na formação dos times) até para entrada ou não no Hall da Fama.

A definição dos titulares, você sabe, é um ‘concurso de popularidade’, que neste ano teve algumas mudanças de regras e ponderações. Até por isso, os reservas são escolhidos pelos head coaches, com, em tese, critérios técnicos sobre quem está melhor na temporada.

Levando isso em conta, aqui vão os meus palpites para reservas do All Star Game (lembrando que em cada conferência devem ser escolhidos dois armadores, três alas ou pivôs e dois ‘coringas’ de qualquer posição):

LESTE

Armadores
Isaiah Thomas – Na minha opinião, foi a grande ausência entre os titulares. Além de ser um dos cinco caras mais decisivos da liga atualmente e estar carregando o time do Boston a uma briga pelo segundo lugar da conferência, Isaiah é a cara do All Star Game. Precisa ser um malabarista para sobreviver em um jogo em que os menores rivais são pelo menos 20 centímetros maiores do que ele.

John Wall – A função de ‘armador na conferência Leste’ é a que tem o mercado mais saturado na NBA atualmente. Tem muita gente boa, o que faz desta segunda escolha a mais difícil de todo o conjunto de reservas. Vou de John Wall por estar com uma temporada insana, ser o líder de um Washington Wizards em ascensão, quase imbatível em casa. Pesa aqui o fato do jogador ser um craque na defesa também, ser acrobático, rápido, atlético e ter plenas condições de dar show no jogo (ele já foi até campeão no torneio de enterradas!).

Alas/pivôs
Kevin Love
– Se tinha alguém que poderia ameaçar pintar no trio titular do frontcourt do Leste no lugar de Jimmy Butler, era Kevin Love. O jogador do Cleveland Cavaliers ressuscitou nesta temporada, voltando à forma mais parecida possível da época que era uma estrela solitária no Minnesota Timberwolves.

Paul George – George está levemente abaixo das expectativas neste ano. Talvez por conta do time não ter decolado como se esperava ou por estar em uma posição diferente dos últimos dois anos, não sei, mas a verdade é que eu imaginava que ele fosse se consolidar como segundo melhor jogadores do Leste nesta temporada. Mesmo assim, ainda merece uma vaga no jogo. Seu desempenho nos momentos decisivos da partida fazem dele um dos atletas mais ‘clutch’ da atualidade.

Paul Millsap – O ala do Atlanta Hawks é um robô. Extremamente eficiente, craque nos dois lados da quadra e líder de uma equipe que se mantém na metade de cima da zona de classificação do Leste, mesmo completamente reformulada. Quase ninguém nota, mas Millsap mantém as mesmas médias excelentes há quatro anos – e nos últimos três foi all star, logo não há porque questionar se ele vai ou não para o jogo neste ano. Ah, tudo isso TEMPERADO pelo fato de que ele é um dos nomes mais frequentes na rede de boatos de trocas da temporada. Mesmo assim, continuou bem.

Coringas
Kyle Lowry – Dependendo do critério, Lowry poderia ser titular do Leste, já que é efetivamente o cara que faz todo mundo no Toronto jogar melhor, inclusive Demar Derozan, seu colega que está no quinteto principal – a imprensa hipster dos EUA defende essa tese, inclusive. Não discordo disso, mas acho que Lowry é refém da sua eficiência discreta e de uma competição cruel na armação do Leste. Derozan tem a seu favor o fato de ser shooting guard, de ser o cestinha do time e de estar mais vezes nos ‘melhores momentos’. Neste ano, então, Demar ficou com ‘a cota do Raptors’ para ser o titular. Coloquei Lowry atrás de Wall e Thomas apenas pelo ‘fator espetáculo’.

Kemba Walker – Sim, mais um armador aqui. Kemba começou a temporada com um desempenho digno de ser titular do All Star Game, pontuando muito e carregando o Hornets para uma das melhores campanhas do Leste (na época, terceiro lugar). De dezembro em diante, o time caiu de rendimento e agora está apenas no bolo para se classificar. Em todo caso, Kemba continua sendo um baita pontuador, mais consistente que seus concorrentes pela última vaga no jogo.

Podem aparecer
Eu queria muito colocar Joel Embiid, ser humano mais maravilhoso do planeta Terra nos últimos meses. Seus números são excelentes, ele teria entrado como titular pela votação popular e seria legal ter um pivozão de ofício pra brigar com os ‘bigs’ do Oeste, mas o número restrito de partidas jogadas e os poucos minutos fazem com que ele fique com menos chances de entrar na seleção. Também acho que Jabari Parkers, ala do Milwaukee Bucks, seria um bom nome para figurar no time. Correndo por fora, Hassan Whiteside tem alguma chance, mas não é um cara que me agrade muito – caiu muito de rendimento e o time é um lixo.

OESTE

Armadores
Russell Westbrook – Não tem nem o que comentar. Principal ausência entre os titulares. Entendo que Stephen Curry tenha sido escolhido, ainda que Westbrook e Harden sejam os melhores jogadores da temporada. Curry é um dos atletas mais populares da NBA na atualidade e vem de dois anos surreais. Mas não é possível que os três estejam entre os titulares, então Westbrook é, com certeza, uma presença garantida entre os reservas.

Klay Thompson – Escolha muito difícil aqui. Naturalmente o correto seria colocar Chris Paul, mas ele está machucado e terá que ser substituído por alguém (a lesão pode fazer com que os técnicos nem o escolham, não sei). Como não há nenhuma unanimidade entre os demais armadores do Oeste, fui naquele que acho que é o mais talentoso, está no melhor time e teve performances mais impressionantes – Klay marcou 60 pontos neste ano já em uma partida.

Alas/pivôs
Demarcus Cousins
– Acho que Cousins ameaçava a posição de Anthony Davis entre os titulares, mas o desempenho de Davis nos últimos meses e suas estatísticas o garantiram entre os cinco. O pivô do Sacramento é espetacular, não existe qualquer discussão se ele merece ou não estar nesta lista. Seu único problema seria se fosse TROCADO antes do jogo para um time do Leste, já que sempre está nos boatos de trocas.

Marc Gasol – O espanhol vem tendo uma temporada espetacular. Segurou a onda do time sozinho quando todo mundo do Memphis se machucou. Pela primeira vez na carreira está com uma média superior a 20 pontos por partida e em quase todos os outros atributos está com um desempenho melhor do que em 2014/2015, quando foi titular no jogo.

Draymond Green – Questiona-se se o Golden State Warriors merece quatro jogadores entre os all stars. Acho que sim. O time vem muito forte e conta com uma concentração absurda de talentos individuais. Green é um deles. É um dos sérios candidatos a melhor defensor do ano e é um monstro em todos os aspectos do jogo.

Coringas
Gordon Hayward – É impressionante a evolução do Utah Jazz ao longo das últimas temporadas e a personificação disso é Gordon Hayward. O ala do time vem melhorando sua participação gradativamente. Um exemplo disso é que ao longo das últimas seis temporadas, sempre Hayward aumentou sua média de pontos. Além disso, ele é um defensor exemplar no time que tem a melhor marcação da liga.

Damian Lillard – Aqui eu fiquei muito na dúvida, mas coloquei o jogador que eu acho que é mais craque. Lillard é um dos jogadores com basquete mais vistosos da liga. Um talento puro. Além disso, tem anotado excelentes números.

Podem aparecer
Eu fiquei muito na dúvida entre Lillard e Mike Conley, armador do Memphis Grizzlies e jogador mais bem pago da NBA. Conley tem sido excelente, com médias superiores aos anos anteriores. Além disso, ninguém esperava que o time fosse a quarta força do Oeste. Muito disso se deve a ele. Rudy Gobert é outro nome que pode pintar, mas duvido que coloquem tantos pivôs assim na reserva – se ele entrar, Gasol sai, acho.

A seleção para o All Star Game melhorou, mas ainda é um concurso de popularidade

Saiu ontem a relação de jogadores que serão titulares no All Star Game deste ano, que será realizado no dia 19 de fevereiro (meu aniversário, rs) em New Orleans. Diferente dos outros anos, a seleção não foi feita diretamente pelo voto popular. O que se sabia era que o voto dos torcedores pelo site da NBA, pelas redes sociais e pelas cédulas nos jogos seria responsável por 50% das escolhas. De resto, jornalistas e jogadores dividiriam as responsabilidades para escolher os titulares.

Não tinha ficado muito claro se os 5 primeiros da votação popular estariam garantidos ou como ia ser feita essa divisão na prática. Só estava claro que a NBA queria diminuir os riscos de um jogador muito popular mas sem um desempenho espetacular dentro de quadra fosse escolhido – ano passado Zaza Pachulia ficou de fora por 14 mil votos e neste ano seria um dos titulares caso fosse usado o modelo antigo.

Ontem, no ato da divulgação, ficou claro: foi feito um ranking para cada uma das votações (torcedores, jogadores e jornalistas) e foi feita uma média da posição de cada atleta, dobrando o valor da colocação na lista dos fãs (fazendo ter um peso maior do que as escolhas de atletas e imprensa).

No final das contas, mesmo com Zaza sendo o segundo mais votado entre os torcedores, o fato dele ter sido apenas o 12º para os jogadores e nem citado na lista dos jornalistas (automaticamente caindo pra 10º, já que só nove foram votados) fez com que ele caísse para 6º na lista final de alas e pivôs do Oeste.

Por outro lado, Russell Westbrook, mesmo sendo o primeiro da lista dos atletas e da mídia, ficou de fora da relação dos titulares. Note que, na média, ele, James Harden e Stephen Curry EMPATARAM na média ponderada final, mas os jogadores do Rockets e Warriors entraram pelo critério de desempate, que é a melhor colocação na eleição popular.

No Leste aconteceu o mesmo. Demar Derozan e Isaiah Thomas empataram, mas o shooting guard do Toronto entrou por ser o 3º na lista do público, enquanto Isaiah ficou em 4º.

No final das contas, o novo modelo melhorou bastante as seleções. O público ainda é quem define majoritariamente os selecionados – mantendo a tradição do jogo ser uma celebração aos atletas mais populares da liga -, já que sete dos dez mais votados acabaram sendo titulares. Em contrapartida, a voz de atletas e jornalistas ameniza algumas distorções bizarras geradas por mutirões de torcidas e campanhas de super personalidades das redes sociais.

Não sou também favorável a dar mais peso para os atletas e a imprensa, porque, assim como os torcedores, eles também têm seus ‘queridinhos’ que não são lá tão merecedores de uma vaga no jogo – teve jornalista fazendo média com jogador local (exemplo: votando no Klay Thompson como titular), e jogadores avacalhando na votação (exemplo: Luke Babbitt, Michael Beasley, Jordan McRae recebendo votos).

De mais grave, por enquanto, foi só a exclusão de Russell Westbrook mesmo, discutivelmente o melhor jogador da temporada.

Uma alternativa seria abandonar de vez a separação por posições (já que não existe mais a distinção entre pivôs e alas), o que certamente colocaria o trio de armadores do Oeste juntos na lista de titulares do jogo. Por outro lado, iria fazer o evento descambar de vez e perder suas últimas características que ainda o fazem lembrar uma partida de basquete. Mas é algo para se pensar…

Graças a um louco, é possível jogar NBA Jam com os jogadores de hoje!

Ethan Miller, um cara que eu nem conheço, mas já amo tanto, merece um lugar no céu. Este cidadão modificou o jogo mais lendário de basquete para videogames, o NBA Jam Tournament Tournament Edition, e atualizou o game para os dias atuais.

Ficou sensacional! Todo o visual 16-bit, a mecânica primária e o esquema tosco do jogo foi mantido como no original. O que Miller fez foi apenas inserir as duplas atuais no lugar das antigas, de 1994. Ah, ele também colocou os times que não existiam ainda naquela época (Toronto Raptors, New Orleans Pelicans e Memphis Grizzlies).

Os especiais do jogo também continuam – como habilitar a personagem secreta Hillary Clinton, na época ainda primeira-dama dos EUA ainda, e outras bizarrices que fizeram deste game o mais maravilhoso já existente.

Para jogar, basta baixar um emulador de Super Nintendo (sim, como a gente fazia há uns 15 anos para se pagar de retro) e fazer o download do jogo no blog do cara que criou nova versão.

Adeus vida social neste final de semana.

O melhor jogador do melhor time

Podem falar o quanto quiser – eu mesmo falei um monte quando aconteceu -, mas não tinha lugar melhor para Kevin Durant mostrar todo o seu talento do que o Golden State Warriors. Apesar da discussão sobre o que ele deveria fazer, sobre o que cada um de nós gostaria que ele fizesse e etc de lado, o tempo tem mostrado o quanto seu jogo se encaixa perfeitamente no modelo de jogo da melhor equipe da NBA na atualidade, com melhor campanha e melhor basquete jogado.

Até era previsível que suas características fossem ajudar o time, já que o Warriors é uma equipe que cria muitas possibilidades para seus jogadores chutarem e ter mais um excelente arremessador em quadra seria naturalmente uma evolução, mas acho que ninguém imaginava que Kevin Durant conseguiria elevar seu próprio desempenho a um outro patamar em um time tão carregado de talento e com tantas estrelas para dominar a bola.

Estávamos acostumados a vê-lo jogar em um Oklahoma City Thunder que não tinha segredo quando estava com a posse de bola: ele e Russell Westbrook dominavam as ações e, no máximo, davam o último passe para alguém no post ou aberto na zona morta. Na defesa, Durant fazia seu papel dignamente, mas não chegava a ter atuações de um especialista – função que era relegada aos seus colegas.

Mas no GSW, Durant tem mostrado que é um gênio da pelota laranja. Que consegue ser decisivo mesmo quando não tem o mesmo volume de posses de bola a sua disposição e que reúne os requisitos necessários para ser um dos melhores defensores da liga.

No ataque, ele tem sido um dos jogadores mais eficientes de toda a NBA. Seu Effective Field Goal, que é uma estatística que ajusta o aproveitamento dos arremessos entre chutes de dois e três pontos, é o quarto melhor da NBA, atrás somente de DeAndre Jordan, Rudy Gobert (ambos jogam colados à cesta, então naturalmente têm um arremesso melhor) e Otto Porter (que tem feito uma temporada impressionante, mas arremessa metade do volume de bolas que Durant arrisca). É facilmente o melhor aproveitamento entre os maiores pontuadores da NBA. Na noite de ontem, contra o Oklahoma City Thunder, por exemplo, ele anotou 40 pontos com apenas 16 arremessos de quadra tentados. Um desempenho surreal!

É o líder do time em Player Efficiency Rating (estatística que mede em uma variável toda a produção do jogador em quadra) e o sexto da liga no ranking, atrás somente de jogadores que são estrelas solitárias em suas equipes. É o cestinha do time e divide a liderança nos rebotes com Draymond Green.

Na defesa, tem se mostrado um monstro. É o oitavo jogador que mais da tocos em toda a NBA na atualidade. Quando não bloqueia o chute, tem atrapalhado demais a vida dos rivais, reduzindo o aproveitamento nos chutes dos outros a 42% dentro do garrafão.

Por último, ainda que seja bem subjetivo, Durant tem chamado a responsabilidade nos principais jogos da temporada até então, o que anima o torcedor do Warriors para os playoffs que vêm pela frente. Foi decisivo contra o Thunder nas duas partidas até agora de maior pressão sobre o jogador, foi insano contra o Cleveland, até mesmo quando o seu time perdeu no minuto final.

Foram três meses do melhor Kevin Durant que poderíamos ver, até mesmo do que na temporada que foi MVP – e tenho certeza que nesta, se não fosse pelas atuações históricas de James Harden e Russell Westbrook, o ala do Warriors reconquistaria a coroa. Algo que seria muito mais difícil de fazer, neste nível, no Oklahoma City Thunder de sempre.

Também contou com a sorte e boa vontade dos seus novos colegas, que trataram de ajustar algumas coisas para melhor receber Durant. Se antes era um time que se aproveitava do talento elevadíssimo de Stephen Curry e Klay Thompson para criar chutes inesperados de três na transição e no pick and roll, hoje o time prefere passar a bola freneticamente até encontrar um de seus gatilhos livre e de frente para a cesta.

Por um lado, Klay e Steph perder algumas oportunidades de pontuar. Do outro, todos ganham condições melhores de acerto quando a bola cai em suas mãos. Um ajuste que deu muito certo, mas que poderia encontrar resistência de um ou outro jogador mais egoísta.

Hoje, o time é o que mais dá assistências por jogo (31) e que tem uma das maiores proporções de cestas assistidas na história da NBA (72%).

Ainda que não garanta nada quanto às possibilidades de título, o Golden State Warriors é o melhor time da NBA hoje – sem a sina dos recordes que distraiam a franquia no ano passado – e Kevin Durant é seu melhor jogador.

Adeus às mangas

Para o bem do basquete, as camisas de jogo com mangas estão com os dias contados. A Nike, que assume a produção dos uniformes da NBA a partir da próxima temporada, pretende se concentrar nas tradicionais regatas, de acordo com o Wall Street Journal.

Dá para entender. As camisas com mangas são uma marca da passagem da Adidas, maior concorrente da Nike, como fornecedora de materiais esportivos. É natural que a nova empresa queira deixar seu selo e fazer evaporar qualquer legado da rival.

Além disso, e os modelos nunca caíram no gosto popular. Nem de jogadores, que frequentemente reclamavam de uma suposta limitação nos movimentos que as mangas causavam, nem de torcedores, que preferiam comprar as regatas e usá-las com uma camiseta branca por baixo. O fracasso comercial foi tamanho, que o povo começou a comprar as chamadas SHIRSEYs (shirt com jersey), que são camisetas de algodão mais baratas que as de jogo com número nas costas como se fossem regatas.

O único ponto alto destes uniformes foi no jogo 7 da final do ano passado, quando o Cleveland usou sua camiseta preta e ganhou o título virando a série. A camisa virou um amuleto. De resto, salvo raras exceções, as camisas com mangas colecionaram fiascos – como a infeliz versão “White Pride (Orgulho Branco)” do Denver Nuggets, que teve o pior nome do mundo ou a camisa de ~soccer do Utah Jazz que nasceu nesta temporada e graças a deus vai morrer ao final dela.

Na semana que vem, a Nike deve apresentar internamente as primeiras versões de modelos de uniformes para a liga. Espero, ÓBVIO, que vazem alguns para que a gente já possa ter ideia do que vem por aí.

Basquete-corujão

Estou lendo o excelente Boys Among Men, livro escrito pelo Jonathan Abrams que conta a história do fenômeno que acometeu a NBA nos anos 90 e 00, quando alguns jogadores pulavam a universidade e entravam na NBA ainda adolescentes – no futuro resenho a obra aqui. Mas uma passagem breve do livro me chamou a atenção e acho que pode ser interessante para esta discussão de que a Globo irá transmitir um compacto dos jogos das finais deste ano durante a madrugada.

Nas primeiras páginas, ao tentar explicar o clima que a liga vivia em 1995, quando Kevin Garnett anunciou que sairia direto do colégio para o draft, o autor relembra como se sucedeu o estrondoso crescimento de popularidade da liga na década anterior: a rivalidade Magic x Bird, o tratamento da liga como um negócio global por David Stern, a espetacularização do jogo e a entrada de Michael Jordan, o protagonista ideal para um esporte que buscava capilaridade no país.

Antes desta sucessão de eventos, no entanto, a NBA era uma liga bastante marginalizada nos EUA e não fazia nem sobra aos campeonatos nacional de baseball e futebol americano. O basquete não conseguia emplacar grandes ídolos por conta da estreita associação dos seus principais jogadores a escândalos do uso de drogas e o jogo era tido como desinteressante “em que os atletas só se dedicavam durante os dois minutos finais da partida”, diz o livro.

O desinteresse era tamanho, que a NBA não tinha vez no horário nobre das emissoras de TV. Mesmo as finais dos primeiros anos da década de 80 foram ao ar à meia noite de lá, horas depois do jogo. Mesmo em um horário menos disputado, os jogos perdiam de lavada para o talk-show de Johnny Carson (a NBA era transmitida pela CBS e as entrevistas, pela NBC).

O livro conta que as finais que 1980, quando Magic Johnson, ainda calouro, teve uma das performances mais impressionantes da história do basquete (jogando nas cinco posições ao longo do jogo, inclusive de pivô, na ausência de Kareem Abdul Jabbar, que estava machucado), a maioria esmagadora dos americanos estava assistindo os seriados Dukes of Hazzard e Dallas em outro canal.

The Dukes of Hazzard, que no Brasil se chamava OS GATÕES, chamava mais a atenção do público do que a NBA, mesmo em um horário pouco convencional.

Não bastasse os jogos já serem transmitidos fora do seu horário, eles ainda iam ao ar com uma legenda horrorosa RECORDED EARLIER tatuada na tela que deixava a exibição da partida ainda mais deprimente.

Com o passar dos anos e crescimento da popularidade, os jogos começaram a tomar mais espaço na grade nobre da TV, até que os jogos deixassem de ser completamente exibidos como reprise em 1987 – além do aumento no número de transmissões em canais dedicados somente a esportes, como ESPN.

Não sou louco de dizer que em breve a NBA será transmitida com vários jogos ao vivo na TV aberta, até porque os tempos eram outros (a tecnologia e a distribuição da informação foram as coisas que possivelmente mais evoluíram no mundo neste período de 30 anos), mas serve como curiosidade e, em última medida, como inspiração.

Por mais que 2h30 de um jogo de basquete jamais irão ocupar o horário nobre da Globo, dá para imaginar que o público que não tem tevê por assinatura possa ter acesso a mais jogos, tapes, VTs e etc de basquete com o passar do tempo, caso os resultados de audiência sejam bons.

Com o possível aumento da base de fãs a partir destas transmissões, é possível que o Brasil entre de vez no radar da liga e a gente possa sonhar com mais lojas, jogos de pré-temporada, partidas do meio da temporada, transmissões em mais canais e etc.

Dá pra sonhar com algo melhor no futuro.

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