Não foi só você. Eu também achei medonha a primeira parcial da votação para os titulares do próximo All Star Game. Zaza Pachulia em segundo entre alas e pivôs do Oeste, Stephen Curry na frente de James Harden e Russell Westbrook e outras atrocidades mais sutis (Kyrie Irving com mais votos que o segundo e terceiro colocado entre os armadores do Leste, Dwyane Wade titular na frente de DeMar DeRozan, Isaiah Thomas e John Wall…) são risíveis.

Além de me fazer lembrar que boa parte das vezes que nós da grande massa temos que decidir alguma coisa nós fazemos besteira, esta parcial serve como um lembrete de que o All Star Game não vale absolutamente nada. Não é um jogo de reconhecimento, nem um prêmio de performance. É, no máximo, um concurso de popularidade anual.

A NBA até tenta fazer uma festa, transformar o final de semana em algo atraente, mas faz tempo que eu não vejo quase nenhuma graça no que rola. Ano passado, por exemplo, ainda se salvou o campeonato de enterradas com uma disputa épica entre Aaron Gordon e Zach Lavine. De resto, foi uma chatice tremenda.

Lembrando que ano passado Zaza Pachulia quase entrou por ter sido apoiado por uma celebridade das redes sociais da Geórgia, seu país. Kyle Lowry, até teve duas temporadas fantásticas nos últimos anos, mas teve uma baita ajuda na votação quando Justin Bieber decidiu fazer campanha por ele no seu twitter. Há mais tempo, Yi Jianlian, chinês que nunca foi grande coisa na NBA, quase entrou apoiado pelos bilhões de compatriotas. Kobe Bryant já foi titular mesmo no ano em que jogou só seis partidas e teve 13 pontos de média.

Curry na frente de Westbrook e Harden. Thomas muito atrás de Irving e Wade. É justo?

O único problema aqui é que leva-se muito a sério o número de seleções que tal jogador tem para o All Star Game quando se discute o currículo dos caras. Naquelas conversas de boteco de quem foi melhor que quem, se fulano deveria entrar para o Hall da Fama, sempre se fala “ah, mas ele teve não sei quantos all star”. Levando em conta os critérios da seleção para o jogo, esse é um argumento que deveria ser relativizado.

Até por isso, tentando evitar esse tipo de coisa, a NBA anunciou a mudança das regras de seleção. A votação popular será responsável por 50% da escolha dos titulares. O restante será escolhido por jornalistas e jogadores. Não sei o que pensar sobre isso e nem estão muito claros os critérios disso. Além do que, não há garantia, ainda, de que estas distorções da votação sejam completamente sanados – devem ser amenizados, apenas.