Estou lendo o excelente Boys Among Men, livro escrito pelo Jonathan Abrams que conta a história do fenômeno que acometeu a NBA nos anos 90 e 00, quando alguns jogadores pulavam a universidade e entravam na NBA ainda adolescentes – no futuro resenho a obra aqui. Mas uma passagem breve do livro me chamou a atenção e acho que pode ser interessante para esta discussão de que a Globo irá transmitir um compacto dos jogos das finais deste ano durante a madrugada.

Nas primeiras páginas, ao tentar explicar o clima que a liga vivia em 1995, quando Kevin Garnett anunciou que sairia direto do colégio para o draft, o autor relembra como se sucedeu o estrondoso crescimento de popularidade da liga na década anterior: a rivalidade Magic x Bird, o tratamento da liga como um negócio global por David Stern, a espetacularização do jogo e a entrada de Michael Jordan, o protagonista ideal para um esporte que buscava capilaridade no país.

Antes desta sucessão de eventos, no entanto, a NBA era uma liga bastante marginalizada nos EUA e não fazia nem sobra aos campeonatos nacional de baseball e futebol americano. O basquete não conseguia emplacar grandes ídolos por conta da estreita associação dos seus principais jogadores a escândalos do uso de drogas e o jogo era tido como desinteressante “em que os atletas só se dedicavam durante os dois minutos finais da partida”, diz o livro.

O desinteresse era tamanho, que a NBA não tinha vez no horário nobre das emissoras de TV. Mesmo as finais dos primeiros anos da década de 80 foram ao ar à meia noite de lá, horas depois do jogo. Mesmo em um horário menos disputado, os jogos perdiam de lavada para o talk-show de Johnny Carson (a NBA era transmitida pela CBS e as entrevistas, pela NBC).

O livro conta que as finais que 1980, quando Magic Johnson, ainda calouro, teve uma das performances mais impressionantes da história do basquete (jogando nas cinco posições ao longo do jogo, inclusive de pivô, na ausência de Kareem Abdul Jabbar, que estava machucado), a maioria esmagadora dos americanos estava assistindo os seriados Dukes of Hazzard e Dallas em outro canal.

The Dukes of Hazzard, que no Brasil se chamava OS GATÕES, chamava mais a atenção do público do que a NBA, mesmo em um horário pouco convencional.

Não bastasse os jogos já serem transmitidos fora do seu horário, eles ainda iam ao ar com uma legenda horrorosa RECORDED EARLIER tatuada na tela que deixava a exibição da partida ainda mais deprimente.

Com o passar dos anos e crescimento da popularidade, os jogos começaram a tomar mais espaço na grade nobre da TV, até que os jogos deixassem de ser completamente exibidos como reprise em 1987 – além do aumento no número de transmissões em canais dedicados somente a esportes, como ESPN.

Não sou louco de dizer que em breve a NBA será transmitida com vários jogos ao vivo na TV aberta, até porque os tempos eram outros (a tecnologia e a distribuição da informação foram as coisas que possivelmente mais evoluíram no mundo neste período de 30 anos), mas serve como curiosidade e, em última medida, como inspiração.

Por mais que 2h30 de um jogo de basquete jamais irão ocupar o horário nobre da Globo, dá para imaginar que o público que não tem tevê por assinatura possa ter acesso a mais jogos, tapes, VTs e etc de basquete com o passar do tempo, caso os resultados de audiência sejam bons.

Com o possível aumento da base de fãs a partir destas transmissões, é possível que o Brasil entre de vez no radar da liga e a gente possa sonhar com mais lojas, jogos de pré-temporada, partidas do meio da temporada, transmissões em mais canais e etc.

Dá pra sonhar com algo melhor no futuro.