Parece que é combinado. A um mês da data limite para trocas, jogadores de times ruins, estrelas de franquias que lutam pelo time e atletas renegados soltam o verbo manifestando suas insatisfações. Semana passada foi emblemática: Lebron James, Dwyane Wade, Jimmy Butler e Rajon Rondo abriram a boca para reclamar de algo.

É legítimo e não teria problema nenhum se fosse feito de outra forma. O problema é a maneira que muitos jogadores tentam resolver as coisas: dando piti publicamente pela mídia.

Antes de qualquer coisa, eu faço a ponderação que a gente não sabe o que é tratado internamente. Pode ser que nos meses que precedem o desabafo para a imprensa sejam de intensa negociação com comissão técnica, front office e colegas de time. Realmente, não temos como saber.

Mesmo assim, acho irritante essa choradeira toda. Na maioria esmagadora das vezes me parece mais um sintoma de alguém que está tentando transferir a sua responsabilidade do que de um sujeito que quer realmente solucionar algo.

A começar por Lebron James. É o maior GM informal da liga. Força a barra para o time assinar com seus camaradas, para que demita o técnico, para que o elenco se reforce. OK, é um status adquirido. Mas não é exagero chorar por um armador reserva como se isso fosse a coisa mais fundamental do planeta quando o front office do Cavs é uma extensão direta das suas vontades?

Detalhe que o time já se sujeita a se reformular inteiro para buscar Kevin Love no Timberwolves, a assinar contratos de um ano com ele mesmo para garantir equipes competitivas todas as temporadas e a renovar seus colegas de time (JR Smith e Tristan Thompson, clientes do seu mesmo empresário) por fortunas. O que mais ele quer?

Além do que o Cleveland Cavaliers é uma equipe que já tem um dos elencos mais fortes da liga em uma conferência em que a franquia tem a confortável condição de levar em ritmo de cruzeiro. Se Lebron tem razão em fazer isso, todos seus concorrentes do Leste teriam o mesmo direito.

Não é porque o time não tem o veterano que Lebron quer na armação que o time perdeu para o Sacramento Kings e para o New Orleand Pelicans sem Anthony Davis.

Dwayne Wade é outro que não está lá muito em condições de jogar seus colegas aos leões. Depois de uma derrota, falou que só ele e Jimmy Butler jogam no time do Bulls, que só os dois se importam com os resultados das partidas, jogando toda a responsabilidade dos recentes resultados ruins nos jovens jogadores do Bulls.

Nos dias seguintes, os seus colegas comentaram que Wade não era uma presença muito constante nos treinos do time e Butler, que endossou as críticas do veterano, fez sua pior partida da carreira com apenas uma cesta em 13 arremessos tentados – duas coisas que também não são lá muito exemplares pros demais.

Rajon Rondo, por sua vez, jogou merda no ventilador ao postar nas suas redes sociais que exemplos de verdade eram os seus veteranos no tempo de Boston Celtics, que não procuravam a imprensa para expor seus colegas e resolviam seus problemas internamente e na quadra. No caso dele, não que ele esteja muito preocupado com o sucesso do Bulls, mas possivelmente viu na treta toda uma possibilidade de recuperar os minutos perdidos na rotação ou melar o ambiente de vez e forçar uma troca para um time onde tenha mais espaço.

Todos estes caras são escolados, sabem que qualquer peido fora de hora vira uma bomba. Uma declaração dessas não é um descuido. É uma jogada premeditada. Mas dificilmente tem resultados práticos mais eficientes do que os estragos causados dentro do time.

Não vejo um armador veterano e sem time sendo tão útil assim para o Cleveland Cavaliers no momento, que vá fazer muito mais do que os caras que estão por lá já fazem. Não imagino o Chicago Bulls dando uma virada brutal daqui em diante. Tenho certeza que se Rondo for pra outro time, não vai assumir a titularidade de uma equipe vencedora e retomar o status de estrela.

No fundo, é só um bando de marmanjo chorando diante de uma dúzia de microfones.

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