Month: January 2017 (Page 2 of 2)

Embiid, Cousins e suas campanhas de All Star

A votação para os jogadores titulares do All Star Game de 2017, que acontecerá em New Orleans, se encerra na segunda-feira, 16. Nas duas parciais divulgadas até agora, o resultado foi o mesmo: Kyrie Irving, Dwyane Wade, Lebron James, Giannis Antetokounmpo e Kevin Love foram os mais votados do Leste e Stephen Curry, James Harden, Kevin Durant, Kawhi Leonard e ZAZA PACHULIA são os líderes do Oeste.

A seleção leva em conta o que os caras têm feito até o momento mas, sobretudo, é um concurso de popularidade, o que justifica algumas ~não conformidades nos resultados parciais. Mas, se fosse levar em consideração as CAMPANHAS de cada jogador, certamente Joel Embiid, melhor ser humano da terra, e Demarcus Cousins TERIAM que ser selecionados para o jogo do dia 19 de fevereiro.

O carisma e os esforços do pivô camaronês do Philadelphia já são manjados. Mesmo antes de estrear pelo Sixers neste ano, Embiid já era uma estrela das redes sociais, flertando com Rihanna, fazendo piadas sobre sua recuperação física lenta e tudo mais. Com o início da votação para o Jogo das Estrelas, a genialidade de Joel ficou ainda mais evidente.

Para começar, desenterrou uma história de 2014 de que tomou um fora e que a garota disse que só daria bola para o jogador quando ele se tornasse um all star. Só isso rendeu a ele 53 mil votos para o jogo – já que cada retweet conta como um voto.

Embiid também teve a pachorra de evocar a alma do ex-general manager do Sixers, Sam Hinkie, que conduziu o questionado processo de reconstrução do elenco e que foi demitido ano passado, justamente quando a franquia dava seus primeiros sinais de recuperação.

Apesar da demissão ter sido conturbada e Hinkie ter saído magoado, o executivo não resistiu ao carisma e cara de pau do atleta.

Além, claro, de mandar aquela clássica piada do ‘RT falso’, só que nesse caso, inventando que o controverso presidente americano teria votado nele.

Se por tudo isso Embiid tinha que estar entre os titulares do Leste, Demarcus Cousins é quem tem sido o MVP do marketing na conferência Oeste.

Nem tanto pela campanha que ele tem feito para ele mesmo – até o momento, o jogador se limitou a prometer que gravaria um álbum de R&B caso fosse selecionado como titular -, mas principalmente pelo tanto que o Kings e seus torcedores tem se esforçado para que ele seja um dos escolhidos, sempre recorrendo a campanhas bem boladas.

A melhor delas, sem dúvidas, foi uma postagem do perfil oficial do Sacramento que usa a polêmica entrevista pós-jogo de Cousins em que ele repete umas setecentas vezes “ITS RIDICULOUS” ensandecido até que tenha seu microfone cortado mesclada com a classificação da primeira votação, em que mostra Demarcus muito atrás de Zaza Pachulia.

O mesmo perfil postou um time bem plausível para o All Star Game e convidando para que os torcedores que concordassem com aquela votação clicassem no botão de retweet – com a malandragem de que os nomes de todos os outros jogadores, exceto de Cousins, estavam escritos com alguma coisa errada, fazendo com que somente os votos para o jogador do Kings fossem contabilizados – já que a ferramenta só reconhece quando os nomes dos jogadores estão escritos com a grafia correta.

Por último, um torcedor prometeu que se sua postagem passasse dos 25 mil compartilhamentos, sua mulher aceitaria que seu filho por nascer fosse batizado de Demarcus Cousins – e, para infelicidade da criança, o post já passou dos 27 mil compartilhamentos.

Só nessas três brincadeiras, Cousins já angariou 50 mil dos seus 380 mil votos.

É bem provável que, ainda assim, não sejam suficientes para levá-los ao All Star Game, mas bem que eles mereciam.

O passado é sempre melhor, mesmo que não seja de fato

Charles Barkley falou e virou notícia, mas é o típico papo que vai e vem numa insistência irritante: a NBA de hoje é fraca, os times são ruins, boas mesmos eram as equipes do passado, craques de verdade foram aqueles de gerações anteriores, aquilo que era basquete e etc.

Por mais que para mim seja óbvio que o jogo de hoje é mais completo, mais difícil, mais evoluído físico e tecnicamente (sim, tecnicamente também!), que o basquete da atualidade seja uma evolução do que foi jogado ao longo do século, a maioria esmagadora das pessoas tende a pensar que o esporte do passado é melhor do que o de hoje.

Isso acontece simplesmente porque o jogo que está na memória do cara é imbatível. Não dá para comprar uma recordação, repleta de imprecisões e de sentimentos, com o jogo nu e cru que está passando na TV neste exato momento.

Existe uma turma que adora proclamar que o basquete dos anos 90 é insuperável. Mas pense se é uma comparação justa colocar de um lado uma época em que assistir a um jogo da NBA era um evento sensacional, em que você era um pirralho deslumbrado com o basquete recém descoberto e que seu senso crítico era bastante questionável e do outro a nossa possibilidade de assistir a todos os jogos da rodada, sendo uma porrada deles ruins, depois de um dia inteiro de trabalho e em que o encantamento pelo esporte é completamente diferente.

O que as mentes saudosistas raramente se lembram é que os jogos dos anos 90 também tinham muitas coisas insuportáveis: formas de defesa que eram proibidas e limitavam os confrontos, insistência em determinados modelos de ataques, times recém-criados que eram muito mais fracos que os demais…

Sabiamente, a nossa memória evapora qualquer lembrança de um Los Angeles Clippers e Washington Bullets de 1993 – se é que existia a possibilidade de ver um jogo destes naquela época – para dar lugar aos melhores momentos de Chicago Bulls e Seattle Supersonics.

Partindo desta premissa, é perfeitamente possível imaginar que naquela época existia quem pensasse que “basquete de verdade era aquele jogado nos anos 70” e assim por diante, como se o jogo perfeito fosse aquele criado por James Naismith no final do século XIX e que, desde então, as pessoas só tivessem insistentemente tentado estragar a coisa toda. É claro que não é assim.

Não digo que não havia coisas boas, algumas delas melhores, em outros tempos. Longe disso. Mas contesto o mantra saudosista que ignora o que há de bom atualmente. Que não vê que nunca existiu um cara com o tamanho, força e habilidade de Lebron James. Que a precisão nos arremessos de Stephen Curry, no volume em que ele chuta, com a marcação que tem nos dias de hoje, é algo sem precedentes. Que voar da linha do lance livre para enterrar nos dias de hoje não é mais um evento extraordinário. Que nunca existiu um reboteiro tão bom com o tamanho de Russell Westbrook. Que Kevin Durant é uma aberração, do tamanho de Hakeem Olajuwon mas com movimentos de Tim Hardaway. Que o Golden State Warriors passa mais a bola e é mais envolvente do que o Lakers do Shotime dos anos 80.

Que, enfim, não curte o privilégio que é ver a história ser escrita diante dos nossos olhos.

 

A novela New York Knicks

Bastou uma sequência ruins de jogos, com 8 derrotas em 9 partidas, que o New York Knicks voltou aos noticiários pelo que lhe é característico nas últimas décadas: muita treta, muita crise e pouco basquete.

Depois de atingir o surreal 4º posto na Conferência Leste por um breve momento, o time embarcou em uma má fase. Três derrotas seguidas, lesão de Kristaps Porzingis, sequência de derrotas ampliada para seis jogos, queda no rendimento de Carmelo Anthony… A coisa estava feia, mas ficou horrorosa quando o téncico Jeff Hornacek decidiu colocar o armador titular Derrick Rose no banco nos períodos finais das partidas. O jogador não curtiu e, segundo insiders, os dois discutiram feio.

Dias depois, ontem, o jogador não deu as caras na partida. O Knicks entrou em quadra com Brandon Jennings, armador reserva, sem sequer saber o paradeiro do seu titular. O time tomou um pau, Carmelo foi expulso da partida, Phil Jackson se recusou a falar com qualquer pessoa e, ao final do jogo, staff, comissão técnica e jogadores declararam que não faziam ideia do paradeiro de Rose, que na manhã do mesmo dia tinha ido treinar normalmente, sem dar qualquer indício ou justificativa que não estaria apto a jogar algumas horas mais tarde.

Apenas Joakim Noah, colega de Derrick desde os tempos de Bulls, apareceu para dizer que o jogador tinha falado com ele, “estava OK e sem correr qualquer risco” – já que alguns mais desesperados temiam que algo grave tivesse acontecido com o desaparecido Rose.

Mais tarde, apareceu a informação de que o jogador teria ido a Chicago tratar de assuntos pessoais, mas que não tinha avisado ninguém. No dia seguinte, sem dar qualquer explicação, Rose aparece de uniforme para treinar com o time, como se nada tivesse acontecido. Knicks convoca uma coletiva, diz que vai multar o jogador. Ele, dando uma de louco, disse que precisava ir para casa ver sua mãe (?). Se limitou a dizer que precisava de “espaço”. História difícil de engolir quando é tão simples fazer uma ligação ou mandar uma mensagem avisando alguém do ocorrido…

Rose (camisa 25) no treino do Knicks como se nada tivesse acontecido

Toda a novela e, pior, a falta de justificativas convincentes de todas as partes só depõem contra o Knicks e Derrick Rose. Por mais que obviamente qualquer pessoa tenha o direito de colocar sua família ou problemas pessoais a frente de qualquer outra responsabilidade, a falta de informações no dia do jogo e, principalmente, no dia seguinte, só aumentam as desconfianças de que o clima no elenco é bom o suficiente para tirar o time do buraco e de que o nível de profissionalismo exigido na franquia é mínimo.

Lembrando que uma das principais críticas associadas a Carmelo Anthony, principal jogador do time nas últimas temporadas, é que se importa mais com “New York” do que com o “Knicks” – suas atenções estariam voltadas à badalação da cidade e não ao basquetebol. Se a franquia não se incomoda com seus principais jogadores dando de ombros para o jogo, fica difícil pensar em um futuro vitorioso.

Também só confirmam que Derrick Rose é um jogador descompromissado que nunca mais vai render nem perto do que suas expectivas apontam. Sua falta de dedicação não vai compensar seus problemas de lesão.

O problema para ambos, Rose e Knicks, neste caso, é que todos os planos vão indo por água abaixo conforme a novela toda vai se prolongando. A franquia, da forma como foi montada neste ano, esperava resultados imediatos. E da forma como as coisas andam, isso se torna cada vez mais difícil.

De quebra, o Knicks pode notar que Rose não é útil nem para seus planos a curto prazo e nem para seu projeto de futuro. Se o jogador fazia juras de amor à camisa azul no começo da temporada, hoje seu futuro está cada vez mais incerto como membro do time.

Um drama digno de New York Knicks.

Por que Anthony Bennett?

Anthony Bennett, a 1ª escolha do draft de 2013, foi dispensado ontem pelo Brooklyn Nets. É o quarto time em quatro anos que abre mão do ala sem que ele tenha deixado qualquer impressão positiva, alimentando as conversas de que ele é a pior 1º escolha de todos os tempos.

Nem entro nesta discussão ainda – já foram dezenas de primeiras escolhas, um punhado de jogadores ruins já passaram pelo mesmo e, mais importante, a carreira de Bennett ainda não acabou – mas o que me intriga é saber como tudo isso aconteceu. Por que ele, que parece tão ruim, foi a primeira escolha do draft e por que deu tão errado por enquanto? Não sei se alguém tem estas respostas, mas vou aqui pelo menos tentar entender melhor a situação do jogador.

Voltemos ao primeiro semestre de 2013. A classe que se anunciava para o draft não era das melhores. O jogador que consensualmente mais chamava a atenção era o pivô de Kentucky Nerlens Noel, que no final das contas foi escolhido na sexta posição por conta de uma complicada lesão no joelho que o tirou de ação da sua primeira temporada como jogador do Philadelphia 76ers. Fora Noel, ninguém despontava como favorito.

As previsões da véspera do draft apontavam Alex Len, hoje pivô do Phoenix Suns, como 1st pick mais provável. Mas ele também tinha tido uma lesão meses antes da seleção dos calouros e as mesmas dúvidas que rondavam Noel, cercavam o ucraniano Len.

Além deles, Victor Oladipo, Otto Porter, Ben McLemore e Trey Burke estavam bem cotados, mas o Cleveland Cavaliers, que teria a primeira delas, buscava um ala maior, que pudesse dividir o garrafão com o ainda cru Tristan Thompson.

Já era difícil escrever o sobrenome de Giannis Antetokounmpo naquela época

A solução encontrada foi, então, escolher Anthony Bennett. Uma surpresa, sim, mas nada absurdo diante dos seus ‘concorrentes’ – olhando em retrospectiva, nenhum se compara a outras ‘primeiras escolhas padrão’ dos anos anteriores, como Anthony Davis, Kyrie Irving, John Wall, Blake Griffin e Derrick Rose, todos All Stars.

As médias de 16 pontos e 8 rebotes no campeonato universitário eram realmente boas – comparáveis aos números de grandes jogadores – e, apesar da baixa estatura, Bennett era uma promessa de força no garrafão aliado à qualidade nos chutes e pontuação consistente no post. Ele foi um dos líderes em enterradas no college daquele ano, além de ter mostrado capacidade de chutar dos três pontos.

Em resumo, Bennett como primeira escolha daquele ano foi, de fato, um exagero, mas como teria sido qualquer outra escolha dentre os bem cotados. O tempo mostrou que somente Giannis Antetokounmpo e talvez CJ McCollum, com muita boa vontade, se tornariam jogadores especiais. Mas um era um grego adolescente completamente desconhecido e outro vinha de uma universidade minúscula que ninguém nunca tinha visto jogar.

Já selecionado, Bennett integrou o time do Cavs. É importante contextualizar que a franquia era completamente diferente do que é hoje. Era uma espécie de Philadelphia 76ers, que colecionava derrotas para tentar amontoar jovens talentos. Depois da saída de Lebron James para o Miami Heat, o time emendou uma sequência de três temporadas com menos de 25 vitórias.

Naquele momento, o elenco tinha como espinha dorsal os bons, porém bastante jovens, Kyrie Irving e Tristan Thompson, e a eterna promessa Dion Waiters. Todos treinados pelo questionável Mike Brown, um cara que só deu certo quando teve Lebron no seu elenco.

O cenário já era ruim, Bennett já não era o cara mais talentoso do mundo e, para completar, ainda tinha sido ‘amaldiçoado’ com o fardo de ser a primeira escolha de um draft.

Seu começo foi tenebroso. O calouro não acertou um mísero arremesso nos seus quatro primeiros jogos. Para piorar, a torcida, impaciente, começou a gritar “ÔÔÔÔ” a cada vez que Bennett engatilhava o tiro, num mix de expectativa pela primeira cesta e de sacanagem com o jogador, o que só piorava as coisas para alguém que mostrou não saber lidar bem com a pressão.

Bennett só foi ter alguma sequência produtiva de jogos em janeiro, mas sempre sem consistência. Seus demais colegas de draft também tiveram anos de estreia sofríveis, tanto é que o fraquíssimo Michael Carter Williams foi escolhido como calouro do ano, mas só Bennett que carregava a pesada bigorna da primeira escolha nas costas.

No ano seguinte, foi envolvido na troca por Kevin Love. Andrew Wiggins era o fruto do desejo do Minnesota, mas Anthony entrava no pacote como um jogador que ainda poderia desencantar. Começou com tempo de jogo, foi titular em algumas partidas, mas o fraco desempenho nos arremessos e nos rebotes, suas duas principais credenciais a princípio, fizeram com que o jogador perdesse espaço e nem fosse notado quando uma lesão série no tornozelo o tirou de ação por 30 jogos na temporada. Ao final do campeonato, foi dispensado pela primeira vez.

O Toronto Raptors, então, tentou emplacar o jogador da casa. Quem sabe o canadense se sentisse melhor do lado de lá da fronteira, não? Não. Desta vez, o time desistiu do jogador em menos de dois meses. Quase a mesma coisa que aconteceu agora, neste ano, com o Brooklyn Nets.

Enfim, é difícil entender o que acontece nos MEANDROS da vida de um jogador, especialmente olhando à distância, mas me parece claro que a escolha dele na posição mais alta do draft foi um exagero, mas compreensível na época. E o jogador nunca conseguiu lidar com este fardo, nem mesmo para mostrar que poderia ser útil.

Infelizmente, para Anthony Bennett, a primeira escolha não foi um prêmio, mas uma maldição.

Qual mini Valanciunas é você?

Uma empresa de hospedagem de sites e criação de domínios fez a melhor campanha possível envolvendo um jogador meia boca da NBA. A canadense Go Daddy contratou o pivô lituano do Toronto Raptors Jonas Valanciunas para estrelar sua campanha dizendo como era fácil criar uma página na internet com as suas ferramentas. Falando assim parece bem sem graça, claro, mas a empresa foi além.

Na campanha, Valanciunas diz que tem um hobby fora das quadras: criar miniaturas dele mesmo em poses ou realizando atividades inusitadas e, para capitalizar com o passatempo, ele teria criado um site para vender estes bonequinhos.

Claro que é uma história fantasiosa e ele não cria mini Valanciunas quando está em casa, mas o site existe e os bonecos ESTÃO REALMENTE À VENDA na melhor coleção de miniaturas relacionada com a NBA já registrada em todos os tempos.

E essa abertura total?

Adequadamente montado num dinossauro

Batendo bola com um globo terrestre

Mesmo sendo só uma campanha, os bonecos estão fazendo sucesso. Alguns deles já estão esgotados, apesar do preço bem salgado. Ah e todo o lucro das vendas das miniaturas vai para uma instituição de caridade.

Sensacional!

Um lembrete: o All Star Game não vale nada

Não foi só você. Eu também achei medonha a primeira parcial da votação para os titulares do próximo All Star Game. Zaza Pachulia em segundo entre alas e pivôs do Oeste, Stephen Curry na frente de James Harden e Russell Westbrook e outras atrocidades mais sutis (Kyrie Irving com mais votos que o segundo e terceiro colocado entre os armadores do Leste, Dwyane Wade titular na frente de DeMar DeRozan, Isaiah Thomas e John Wall…) são risíveis.

Além de me fazer lembrar que boa parte das vezes que nós da grande massa temos que decidir alguma coisa nós fazemos besteira, esta parcial serve como um lembrete de que o All Star Game não vale absolutamente nada. Não é um jogo de reconhecimento, nem um prêmio de performance. É, no máximo, um concurso de popularidade anual.

A NBA até tenta fazer uma festa, transformar o final de semana em algo atraente, mas faz tempo que eu não vejo quase nenhuma graça no que rola. Ano passado, por exemplo, ainda se salvou o campeonato de enterradas com uma disputa épica entre Aaron Gordon e Zach Lavine. De resto, foi uma chatice tremenda.

Lembrando que ano passado Zaza Pachulia quase entrou por ter sido apoiado por uma celebridade das redes sociais da Geórgia, seu país. Kyle Lowry, até teve duas temporadas fantásticas nos últimos anos, mas teve uma baita ajuda na votação quando Justin Bieber decidiu fazer campanha por ele no seu twitter. Há mais tempo, Yi Jianlian, chinês que nunca foi grande coisa na NBA, quase entrou apoiado pelos bilhões de compatriotas. Kobe Bryant já foi titular mesmo no ano em que jogou só seis partidas e teve 13 pontos de média.

Curry na frente de Westbrook e Harden. Thomas muito atrás de Irving e Wade. É justo?

O único problema aqui é que leva-se muito a sério o número de seleções que tal jogador tem para o All Star Game quando se discute o currículo dos caras. Naquelas conversas de boteco de quem foi melhor que quem, se fulano deveria entrar para o Hall da Fama, sempre se fala “ah, mas ele teve não sei quantos all star”. Levando em conta os critérios da seleção para o jogo, esse é um argumento que deveria ser relativizado.

Até por isso, tentando evitar esse tipo de coisa, a NBA anunciou a mudança das regras de seleção. A votação popular será responsável por 50% da escolha dos titulares. O restante será escolhido por jornalistas e jogadores. Não sei o que pensar sobre isso e nem estão muito claros os critérios disso. Além do que, não há garantia, ainda, de que estas distorções da votação sejam completamente sanados – devem ser amenizados, apenas.

Há coisas que não se pede

Por mais que você queira muito, que seja quase incontrolável, a lei do universo diz que tem algumas coisas que não se pede. Uma delas é pedir para a produção do Shaqtin’ a Fool para não entrar no programa que seleciona as jogadas mais vergonhosas da liga.

https://twitter.com/MikeGoldFool/status/814117267852185600

Pois um dos jogadores que é ‘indiscutivelmente um dos 5 melhores da liga’ fez este pedido. Quer dizer, seu agente fez este pedido para a produção do programa – o que é ainda mais constrangedor.

Na boa, é pior ser mais um entre milhares que já viraram piada – e depois caíram no esquecimento – ou ser O CARA QUE NÃO SABE BRINCAR que pediu para ser poupado da trollagem?

O bullying escolar, onde as crianças gerem suas próprias leis maldosas, nos ensinou a duras penas que o primeiro passo para uma brincadeira virar um tormento é levá-la muito a sério.

Javale McGee, maior protagonista do quadro em todos os tempos, é um exemplo a ser seguido. Apesar de ser achincalhado em todas as edições do programa praticamente, ele aprendeu a rir das próprias besteiras. Além de ter superado as críticas voltando a jogar bem, alcançou o patamar de MITO para o torcedor de basquete justamente pelas jogadas ‘pouco inteligentes’.

Neste ano, rolou dele tentar dar a saída de bola depois de uma cesta do seu próprio time. Depois que se tocou do lapso mental que estava tendo, voltou para a defesa rindo dele mesmo. Depois do jogo, o próprio postou um vídeo dos colegas de Golden State se cagando de rir no vestiário. Pronto, com bom humor e humildade, fez uma cagada e ainda saiu por cima.

A sorte do tal ‘top 5’ é que a produção do programa manteve sua identidade preservada. Por mais que existam suspeitas (foi na mesma semana que Kevin Durant se enroscou com Richard Jefferson no momento decisivo do clássico entre Warriors e Cavs e terminou o jogo de quatro no chão), ninguém sabe realmente quem é o medroso.

O quadro até tem um “Golden Ticket” que qualquer jogador pode usar quando não quiser ser zoado em rede nacional. Segundo as regras do programa, é só o atleta que acha que será zoado postar o ticket no seu twitter assumindo publicamente que não quer entrar na brincadeira que ele será poupado – ano passado Larry Nance Jr fez uma cesta contra, usou o “Golden Ticket” e ganhou um passe livre eterno.

O feio, nesse caso, é acionar algum engravatado para limpar a própria barra. Recorrer a alguém para não ser exposto quando, na verdade, todos estão sujeitos à piada.

É feio não saber brincar.

Quero ser grande

Parece óbvio que, independente do que aconteça nos próximos quatro meses de temporada regular e outros dois meses de playoffs, os dois times que se enfrentarão na final da NBA serão Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors, numa inédita terceira vez seguida.

E, se existe alguma mínima chance disso não acontecer, as apostas rondam San Antonio Spurs e Houston Rockets, outras sólidas forças do Oeste que parecem ter alguma possibilidade de engrossar o caldo e descolar uma vaga na final. Qualquer coisa além disso seria uma surpresa brutal.

Abaixo deles, há um time que se descola das outras 25 equipes da NBA. O Toronto Raptos parece estar na segura, porém incômoda posição de estar praticamente garantido na final do Leste, mas praticamente sem chances de bater o Cleveland Cavaliers em uma série de playoffs.

O time até tem totais condições de se manter na mesma toada do principal rival durante a temporada regular. Muito bem treinado, com um núcleo entrosado e eficiente, o Toronto não deve encontrar nenhuma dificuldade para se garantir com a segunda posição da conferência. Mas no mata-mata, diante de um Lebron em “playoff mode” e de um Cleveland com Kevin Love e Kyrie Irving jogando tudo que podem, a história é outra.

Nem compro aquela ideia de que o time ‘afina’. A campanha do ano passado comprovou que mesmo quando Lowry e Derozan não correspondem às expectativas, o time tem condições de ganhar dos demais concorrentes. O problema mesmo é que a qualidade do Cavs, atual campeão da NBA, é quase insuperável no Leste no momento.

O dilema, então, começa aí. Com alguns times flertando com a reconstrução total dos seus elencos, Toronto tem a possibilidade de ir atrás de algum nome de peso e levar seu grupo de jogadores a outro patamar ainda neste ano. Dos nomes mais óbvios do mercado atualmente, tanto Demarcus Cousins quanto Paul Millsap seriam suficientes para tornar o time canadense um ‘contender’.

A franquia é, também, uma das que tem as melhores moedas de troca neste momento para times que querem formar uma equipe vencedora no futuro. Dos seus 15 jogadores, sete estão em seus contratos de calouro.

O porém é que uma mexida agora pode comprometer o futuro da franquia. Além de abrir mão de um punhado de jovens talentos em franca evolução e com contratos baratos, isso levaria o time a concentrar suas forças nas estrelas do time que, neste caso, seriam jogadores já veteranos sem contratos garantidos. Para complicar, Lowry se torna free agent ao final da temporada e, aos 31 anos, muito possivelmente vai forçar a barra para assinar uma extensão no valor e duração máxima, comprometendo boa parte da folha salarial do time com um jogador que em alguns anos deve começar a perder rendimento.

Ainda que seja arriscado, possa comprometer o futuro da franquia e não existam garantias de que o time vá realmente conseguir bater o Cavs, Golden State ou qualquer outro time, acho que é um passo que deve ser dado. É a chance mais clara de Toronto chegar a um lugar que jamais ocupou na NBA. É a oportunidade do Raptors mostrar que é tão grande quanto os principais concorrentes ao título.

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