Month: February 2017 (Page 1 of 2)

Dupla recompensa

Fazia tanto tempo que anunciavam que o Sacramento cedo ou tarde iria trocar Demarcus Cousins que eu já nem acreditava que iria acontecer de fato algum dia. Aconteceu hoje.

O Kings despachou seu pivô metade estrela metade problema pro New Orleans Pelicans em troca de uma escolha de draft, Buddy Hield, Tyreke Evans e Langston Galloway.

Já falo melhor sobre como cada time fica. Mas pra mim a troca é uma ironia recompensadora para dois dos maiores jovens talentos individuais da NBA na atualidade.

Cousins, apesar de ser o melhor pivô da liga naturalidade, é tratado com desprezo por uma parcela das pessoas pelo seu temperamento complicado. Não acho que seja inteligente tomar uma falta técnica por jogo, mas sua qualidade em quadra não é algo que se possa abrir mão. Apesar de todos os problemas, Cousins é o tipo de jogador que vale tudo a pena. A cagada aqui foi que o Kings nunca teve um time decente que fosse além do seu franchise player – e mesmo assim tem brigado pela última vaga dos playoffs deste ano.

Anthony Davis, em diferente medida, sofre de um mal parecido em New Orleans. Tem um talento enorme que não é acompanhado pela sua franquia. Acaba sendo ridicularizado por ter assinado uma extensão de muitos anos com um time que toma decisões técnicas muito questionáveis para se reforçar – por exemplo, apostar dezenas de milhões no basquete de Salomon Hill.

Acho a negociação, portanto, uma recompensa aos dois, que tanto precisavam de um jogador de calibre para jogar ao lado e nunca tiveram. Falando do jogo em si, acho que tem boas chances de render uma química interessante. Cousins deve fazer o seu jogo de sempre, com muito volume dentro do garrafão, muita briga por rebotes um ou outro contra ataque puxado que bem um maluco.

Davis, por sua vez, é o cara que tem técnica e refinamento para se adaptar ao colega. Habilidade para bater bola e iniciar as jogadas como um point forward ele tem. Mobilidade e chute também. A vontade de ser um ala sempre existiu. Só faltava alguém melhor do que ele pra jogar lá dentro – e Cousins é o melhor da NBA pra isso. Para finalizar, a defesa de um complementa a preguiça do outro.

Vale lembrar que ambos são crias da Universidade de Kentucky, o que tem alguma chance de colaborar no encaixe e na boa vontade dos dois.

É verdade que a franquia sai com menos profundidade no grupo de jogadores. Exceto Jrue Holliday e a dupla, mais ninguém presta neste elenco. Mas quem na NBA tem uma dupla tão fudida assim? São pouquíssimos times. Vale a pena o risco.

Já o Sacramento conseguiu abrir mão da única coisa interessante que o time teve nos últimos anos. Terá duas escolhas de draft neste ano, legal, mas quando este time terá condições de ganhar algo? Impossível dizer. Até lá, o time arranja uma outra forma de se sabotar – tem sido assim sempre.

O Minnesota não é melhor sem Lavine

Parece que bastou que Zach Lavine caísse com uma lesão que o tiraria para o restante da temporada para que a dupla Andrew Wiggins e Karl Anthony Towns deslanchasse de vez.

De fato, desde que o shooting guard se machucou, a dupla registrou números insanos. Nos últimos sete jogos, todos sem o colega, Wiggins e Towns lideraram o time para vitórias importantes (uma contra o forte Raptors e outra contra o rival Nuggets). Antes da lesão os dois tinham médias, somados, de 45 pontos por partida. Depois dela, tem sido 60 por jogo.

Mesmo que os números empolguem, o time passe por uma fase boa e os jogadores deem sinais de que estão melhores encaixados sem o colega, o Timberwolves não é um time melhor sem Lavine e as chances de playoffs não aumentam com sua ausência.

A melhora imediata da equipe não passa de um sintoma comum dos times jovens e em evolução. Uma semana engatam uma sequência boa, na outra caem de produção. É natural que Towns e Wiggins vão pontuar mais na ausência da terceira força ofensiva da equipe, mas Lavine vinha tendo o ano mais sólido da sua carreira e o Minnesota não tem um elenco profundo a ponto de poder abrir mão dos seus recursos técnicos.

Os números de pontos feitos e sofridos com e sem Lavine em quadra até abrem margem para debate – o time vinha sofrendo mais pontos com ele em quadra e fazendo menos -, mas o lance aqui é que um time em formação tem que privilegiar o entrosamento e evolução dos seus melhores atletas. Se o time ainda tivesse virado da noite para o dia com um jogo incontestável, ainda era de se pensar, mas não é o caso. Por isso, é insano pensar que é melhor jogar sem Lavine ao invés de trabalhar a química entre o trio à exaustão.

É importante lembrar que Andrew Wiggins começou a temporada com números parecidos com os atuais, mas viveu um apagão a partir de dezembro. Towns, por outro lado, começou a temporada mais discretamente e com o passar dos meses tem mostrado todo o potencial que sinalizou ter já no final da última temporada. Levando isso em conta, é mais provável que ambos estejam passando por um período de alta juntos, do que o time tenha encontrado uma maneira mais eficiente de jogar.

Isso não tira de vista a tese de que talvez Lavine possa desempenhar outras funções quando voltar ou que possa ser deslocado para o banco – em todo caso, não acredito e nem apostaria nisso.

Por último, ainda que matematicamente seja viável se classificar para os playoffs, acho muito difícil que isso aconteça nestas circunstâncias. À exceção do Dallas Mavericks, todos os concorrentes (Denver Nuggets, Sacramento Kings, New Orleans Pelicans e Portland Trail Blazers) pela oitava vaga estão mais preparados para terminar o ano indo para o mata-mata.

A complexidade do pick-and-roll

Karl Malone para como uma tábua na cabeça do garrafão esperando que John Stockton passe como uma flecha rente a ele. Na mesma fração de segundos que o armador adversário se choca bruscamente em seu corpo, dando algum espaço para que Stockton pense sem marcação, Malone corre para perto da cesta com os braços levantados esperando a bola. O passe sai preciso e com uma virada de corpo, o ala-pivô do Utah Jazz enterra livre da sombra do marcador adversário, que ficou no meio do caminho sem saber se cobria Stockton ou se acompanhava Malone.

Não foram eles que criaram o pick and roll, mas Stockton e Malone o imortalizaram ao executá-lo milhares de vezes com uma perfeição ímpar na história da NBA aquele aquele momento.

Duas décadas e meia mais tarde, o corta-luz do pivô na intermediária da quadra para dar espaço ao armador e a corrida para receber a bola deixou de ser um ‘signature move’ da dupla do Utah Jazz  para se tornar a jogada mais utilizada no basquete.

Hoje, segundo o monitoramento estatístico da própria NBA, 33% das jogadas de ataque iniciam com um pick and roll – o dobro do que acontecia há dez anos, quando o tracking começou a ser feito.

A grosso modo, pode parecer uma simplificação do esporte, uma vez que uma única jogada dentre as infinitas variáveis domina um terço das ações com a bola.

Não é bem assim. Se antes este movimento tinha suas limitações de ações – basicamente se resumiam a um corte para o arremesso ou um passe no jogador que penetrava o garrafão. Uma prova da complexidade da jogada é que uma boa proporção dos melhores executores ou defensores do pick and roll são os jogadores reconhecidamente como os mais inteligentes da liga.

Diferente de antigamente, hoje os times tem se tornado especialistas na movimentação sem a bola para receber um passe que começa neste tipo de jogada.

Os alas, se movimentam sem a bola cortando em direção à cesta ou se posicionando nas brechas para receber o passe livres – e os times mantém sempre um ‘sharp shooter’ que saiba correr inteligentemente sem a bola para, rapidamente, se mexer da maneira apropriada criando uma opção de passe para o armador.

Os pivôs, mais do que nunca, estão aptos a abrirem para o chute de três depois do corte no marcador. Na defesa, a mesma coisa. Aquele ‘center’ que funcionava apenas como uma âncora defensiva se torna presa fácil na hora do corte, deixando muito espaço para o arremesso adversário ou sendo muito lento na cobertura.

Os armadores, então, estão cada vez mais hábeis para chutar enquanto driblam, logo após o bloqueio. A partir do momento que o adversário dá uma mínima brecha depois do bloqueio, o cara com a bola já tem condições de chutar e ameaçar o outro time. Por isso, as coberturas têm que ser muito mais rápidas – quase instintivas, o que, de certa forma, abre espaço para os demais jogadores na quadra.

Enfim, uma infinidade de variáveis que não eram comuns até 10, 15 anos atrás.

Hoje, é praticamente inviável ter sucesso na NBA sem saber executar um pick and roll com qualidade – Stephen Curry/Kevin Durant e Draymond Green fazem com maestria, Lebron James tem uma variável mortal no Cavs, James Harden se tornou o maior passador da NBA baseado seu jogo nos cortes dos pivôs.

Claro que não deixa de ser um modismo, mas é um hábito muito mais eficiente e bem trabalhado dos que o jogo bruto de costas pra cesta dos anos 90 e as jogadas de isolamento dos principais jogadores do time dos anos 2000.

E quem acha que é muito simples, dificilmente vai ganhar alguma coisa na liga por um bom tempo.

Lebron sem folga

Gregg Popovich, técnico mais vitorioso da NBA nos últimos anos, não esconde uma das suas táticas para, ano após ano, chegar aos playoffs como um dos favoritos. Além de armar equipes altruístas e tirar o melhor dos seus jogadores, Popovich gerencia como ninguém o fôlego dos seus atletas ao longo do ano. Com múltiplas partidas em que descansa todos seus titulares, o técnico do Spurs parece que seus jogadores entram em quadra o mínimo possível para fazer o time terminar com uma boa campanha. Mais do que isso, para ele, é exigir demasiadamente das pernas dos caras, a um ponto em que a fatura pode ser cobrada lá na frente, nos playoffs, quando as coisas realmente importam.

Esta prática foi importada pelas melhores equipes da NBA nos últimos anos. Sempre que há uma ‘gordura para ser queimada’ na tábua de classificação ou se enfrenta uma maratona de jogos, as equipes que podem se dar a esse luxo descansam seus principais jogadores.

O Cleveland Cavaliers, que vinha sobrando no Leste, fez bem isso enquanto pode. Seus titulares foram poupados por alguns jogos no campeonato passado e o título veio – diferente do rival Golden State Warriors, que colocou seus melhores jogadores até o último minuto em quadra.

Neste ano, porém, a gerência da saúde e do fôlego dos seus atletas, por assim dizer, está um pouco mais complicada. A começar pelas lesões de alguns dos principais jogadores do elenco. Exceto Tristan Thompson, que detém o maior número de partidas seguidas sem lesão, todos os colegas de Lebron se machucaram em algum momento. Kyrie Irving ficou de fora de alguns jogos, Kevin Love vai ficar afastado umas semanas e JR Smith está fora há meses.

Além disso, o time não está com uma vantagem tão confortável perante os rivais. Depois de um mês de janeiro com mais derrotas do que vitórias, o Cavs viu Celtics e Wizards se aproximarem. Abrir mão dos titulares agora, é dar chance para uma eventual perda de mando num confronto futuro de playoffs.

Some-se a isso o fato de que Lebron deu uma chorada sem muita razão há algumas semanas – dizendo que o time precisava de mais jogadores de qualidade – e agora quer mostrar serviço para reverter a reação negativa da imprensa e torcida.

Tudo isso tem feito o camisa 23 ser exigido à exaustão – hoje, ele tem a segunda maior média de minutos por jogo na temporada. Um suposto risco para uma equipe que precisa chegar às finais tinindo para poder fazer frente ao Warriors e que nos dois últimos anos teve que ter Lebron jogando na sua melhor forma em toda a carreira para poder, em uma das oportunidades, sair com o título.

Acontece que Lebron é diferente. Exceto pelos dois anos passados, que conseguiu alguma folga, sua carreira sempre foi marcada por um volume de jogo altíssimo. Somando temporada regular e playoffs, são 49 mil minutos. Nos últimos 15 anos, ninguém chegou a essa quantidade de tempo. Dirk Nowitzki, o segundo colocado, jogou 4 mil a menos – o equivalente a uma temporada e meia. E, mesmo assim, James nunca chegou baleado numa série de playoffs.

Ainda que a cartilha de hoje mande que os jogadores joguem no limite mínimo possível para que fiquem inteiros para o mata-mata, Lebron sempre tem sido diferente. A impressão que dá, é que quanto mais exigido é, melhor a resposta.

Nesta série de jogos em fevereiro, ele retomou a sua média de pontos e suas performances vitoriosas que marcaram os melhores momentos da sua carreira. Justamente quando se desgastou mais, que jogou numa quantidade absurda.

Mais preocupante do que o tanto de tempo que Lebron fica em quadra hoje, é saber se seus colegas estarão inteiros e recuperados para os playoffs. No que depender dele, mesmo que fuja à regra, não há o que se preocupar.

O mito Oscar Schmidt e o ‘não’ para a NBA

Uma das grandes dúvidas que muitos de nós, brasileiros, temos é que lugar Oscar Schmidt ocuparia no ranking imaginário de grandes jogadores de basquete do mundo se tivesse jogado na NBA.

Oscar, o maior cestinha do basquete mundial e principal pontuador da história das olimpíadas, até teve chance de, lá atrás, desfazer esta dúvida. Ele chegou a ser draftado pelo New Jersey Nets em 1984, mas optou por não jogar na liga americana. Sinceramente, não tenho uma opinião formada sobre o quão bom ou decepcionante ele seria. A única convicção é que seria bem mais fácil tirar a prova se ele tivesse aceitado.

Em todo caso, o próprio ‘não’ de Oscar ao Nets é rodeado de mitos e incertezas. Há anos ouvimos a saborosa versão de que Oscar abriu mão de ser um dos principais jogadores da história da NBA para defender a sua pátria. Porém, existem algumas ponderações impopulares que precisam ser feitas e que contextualizam melhor esta história.

É incontestável que Oscar foi escolhido mesmo pelo New Jersey no draft de 1984. O mesmo que tinha Hakeem Olajuwon, Michael Jordan, Charles Barkley e John Stockton.

Também é absoluto o fato que quem jogasse a liga americana deixaria de ser visto como um atleta amador e, consequentemente, não poderia participar mais dos Jogos Olímpicos e Panamericanos – numa proibição que durou até 1992.

No entanto, é bacana entendermos o que era Oscar, o que era a NBA e que lugar cada um ocupava no basquete mundial na época.

O brasileiro estava com tudo na Itália, era a estrela do seu time e tinha o devido reconhecimento no basquete europeu. Nos anos 80, a liga italiana vivia seu auge – cinco times foram campeões europeus – e Oscar foi cestinha do campeonato por sete anos seguidos.

Do outro lado do oceano, a NBA já era a melhor e mais badalada liga de basquete do mundo, mas não era nem sombra do gigante de marketing que se tornaria nos anos seguintes. Os salários não eram astronômicos como hoje e o campeonato não era transmitido para todos os países.

Para completar, não era uma competição simpática aos estrangeiros como é hoje. Em 84, ano que Oscar foi chamado para a liga, nenhum ‘estrangeiro puro’ tinha jogado mais do que cinco anos na liga ou tinha sido titular regular por algum time – mais do que isso, só aqueles que nasceram fora dos EUA, mas se formaram como jogadores nas escolas e universidades do país.

Com toda esta ‘antipatia’ ao basquete europeu, Oscar foi escolhido no nada honroso sexto round – 131ª escolha geral -, sem contrato garantido e com uma possível participação modesta no seu suposto ano de estreia.

Comparando as situações, de ser uma estrela emergente em uma liga boa e não ter qualquer garantia em uma liga mais forte e ainda ter que abrir mão das competições internacionais, Oscar preferiu não ir para a NBA. Em uma entrevista ao Grantland há uns anos, ele mesmo disse não estava disposto a trocar a coroa de um dos campeonatos mais fortes do mundo pela incerteza da briga por posição na NBA.

Para os mais jovens especialmente, é preciso lembrar que a troca de informações era muito diferente naquela época. A turma dos EUA não sabia exatamente o que rolava no basquete europeu e era um pessoal bem restrito que acompanhava a NBA. Não havia todo esse intercâmbio. Os olheiros americanos só foram saber quem era Oscar mesmo anos mais tarde, no Panamericano de Indianápolis em 87 ou nas Olimpíadas de Barcelona em 92.

Ele não foi o primeiro nem o último craque do basquete internacional a tomar esta decisão. Além dos soviéticos, que enfrentavam uma resistência natural por conta da Guerra Fria, muitos europeus e latinoamericanos recusaram a NBA. O mexicano Manuel Raga foi o primeiro deles, em 1970 (na 167ª posição do draft). No mesmo ano, o melhor jogador da europa na década, Dino Meneghin, também disse não à liga americana. O grego Nikos Galis, discutivelmente o melhor jogador internacional a não jogar na NBA, também não fez questão de voltar a liga depois de ter sido dispensado pelo Boston antes da sua estreia.

Portanto, não dá para acreditar piamente na história heróico-demagógica que Oscar se sacrificou pelo país, que abriu mão de ser um imortal da NBA pelo amor à pátria. Não foi isso. Foi uma escolha consciente de alguém que sabia que não teria a devida atenção, remuneração e espaço logo de cara nos EUA. Muito possivelmente, ele perderia alguns anos do seu auge tentando mostrar se tinha jogo ou não para se destacar na NBA – a exemplo de Drazen Petrovic, que demorou dois anos para conseguir começar como titular na liga, mesmo sendo melhor do que 90% dos jogadores americanos da época.

Nem entro no mérito de que ele não era um grande defensor, que alguns olheiros dos times americanos achavam que ele não tinha como jogar na liga por estas deficiências e etc. Acho que suas qualidades ofensivas eram suficientes para ser útil em qualquer time – ainda que a falta de um jogo defensivo torne claro que qualquer comparação com Larry Bird é sem noção.

Pesou contra ele, em todo esse período, também a falta de sucesso coletivo nos times europeus pelos quais passou. Num ambiente em que se valoriza tanto a cultura do vencedor, Oscar não tinha tantas vitórias nas ligas mais fortes da Europa para ostentar no currículo e mostrar para os olheiros americanos – foram 13 anos de basquete europeu sem títulos nacionais relevantes.

Por fim, acho que não ir para a NBA não tira os méritos de Oscar como um dos maiores do basquete mundial em todos os tempos. Ser dominante por tanto tempo em tantas competições diferentes é um mérito impressionante. Digno de orgulho.

Oscar é um mito. Mas é sempre interessante desconstruir alguns mitos.

Correção de rota

Que bom que alguns times têm a decência de detectar fraquezas pontuais e/ou solucionar algumas cagadas recentes sem grandes sacrifícios. A troca anunciada entre Toronto Raptos e Orlando Magic é uma lição para os demais times da liga neste sentido, aliás. Com uma movimentação simples, os dois times dão importantes passos para corrigir erros de percurso recentes .

Claro, cada qual em sua medida, mas ambos melhoram suas perspectivas atuais e futuras com a ida de Serge Ibaka para o Toronto Raptors e de Terrence Ross, junto de duas escolhas de primeiro round, para o Orlando Magic.

A começar pelo ponto de vista do time canadense, que até mês passado era considerado a principal ameaça do domínio absoluto do Cleveland Cavaliers. Entrou em uma onda de maus resultados e já foi superado pelo bom Boston Celtics, pelo emergente Washington Wizards e pelo desacreditado Atlanta Hawks. Com semanas terríveis entre janeiro e fevereiro, o time não só não aproveitou a queda do Cavs como perdeu espaço para outros concorrentes do Leste.

Desde o começo da temporada já se imaginava que o time precisava de um reforço defensivo no garrafão que, se possível, pudesse colaborar no ataque, especialmente no perímetro. O time tinha perdido Bismack Biyombo para o Orlando Magic e não tinha conseguido nenhuma reposição à altura. A solução inicial foi buscar Jared Sullinger, do Celtics, no mercado. Mas lesionado, o jogador ficou meses de molho e quando voltou à ação, não deu conta do recado.

Alguns meses dentro da temporada, o Raptors se animou com a notícia de que Paul Millsap estava no mercado. O ala era o jogador perfeito para complementar a dupla Kyle Lowry-Demar Derozan – tinha as tão buscadas características de ser um exímio defensor e versátil no ataque. Mas o negócio miou com a falta de boas propostas pela estrela do Atlanta.

Sem muitas opções no mercado, o time tratou de treinar o brasileiro Lucas Nogueira para se tornar a solução caseira. Bebê até começou a chutar de fora, emplacou boas sequências de partidas, mas infelizmente não tem a qualidade necessária para elevar a franquia de patamar.

Agora, encontra em Serge Ibaka o encaixe próximo do ideal. Apesar de estar em último ano de contrato e ter um salário gigante, o ala-pivô que era do Thunder e do Magic é uma versão genérica do que o time buscava em Millsap.

Ainda que não seja mais aquele defensor vigoroso de outros tempos e oscile muito no ataque, Ibaka é uma excelente opção alternativa para pontuar. Sabe jogar sem a bola nas mãos – e apesar de ter reclamado disso em Oklahoma, suas perspectivas de envolvimento na rotação são bem maiores ao lado de Lowry do que de Westbrook e Durant.

Como parece ser a melhor opção no momento, o Raptors vai para o tudo ou nada. Se não é a garantia de sucesso do Toronto, Serge é a melhor opção disponível para tentar fazer o time retomar o posto de finalista do Leste. Pode dar muito certo.

Ao contrário do que ele era em Orlando. Ninguém entendeu nada na offseason quando o time da Florida trocou sua escolha do primeiro round e Victor Oladipo, sua principal aposta de franchise player, por Ibaka e, pior, alguns dias depois assinou com Biyombo.

O time carregava o garrafão e, ainda por cima, jogava um de seus talentos da posição, Aaron Gordon, para a ala menor, onde não tinha dado muito certo nas experiências anteriores.

O resultado foi catastrófico: o time nunca encontrou uma formação que soubesse usar bem o elenco e o time, que esperava lutar pelos playoffs, foi sendo superado por quase todo mundo na conferência. Hoje, é o penúltimo colocado, na frente apenas do Nets, que só ganhou uma partida em 2017. O ataque é horroroso e a defesa não funcionou. Não há opções no perímetro.

Apertar o botão de ‘reset’ era o melhor a se fazer. Para isso, a solução ideal seria trocar Ibaka, jogador de pior contrato no momento e que ficaria livre em alguns meses, por boas perspectivas futuras. E foi isso que aconteceu.

Ok, nada conserta a cagada feita meses atrás, mas Terrence Ross vem tendo um excelente ano e é um ala-armador bem decente para suprir a ausência total de talento do Magic na posição.

Ainda entra no próximo draft com duas escolhas de primeiro round: a sua, que deve ser alta, e a dada pelo Toronto, que não será tão boa assim. Mas em uma turma que dizem ser carregada de bons talentos, já é algum alento.

Os dois times vacilaram em algum momento recente, seja com alguma troca ruim ou na inércia nas trocas quando boas oportunidades surgiram, mas esta negociação funcionou bem para corrigir a rota de cada uma das franquias na medida do possível.

Quão bom no ataque um jogador tem que ser para não precisar defender?

A vida é comumente definida por grandes clichês. “O ataque ganha jogos, a defesa ganha campeonatos” é um daqueles repetidos à exaustão no esporte a ponto de sequer pensarmos a respeito dele. Já virou uma verdade absoluta que um time com um ataque letal tem boas chances de ser superado por aquele que tem uma defesa mais sólida.

Com toda a gama de informações, dados e possibilidades de análises que temos hoje, já sabemos defesas ganham, sim, campeonatos, mas na mesma medida que ataques. A história prova isso – em um histórico recente, dá para citar que o Cleveland Cavaliers do ano passado, o Miami Heat de 2013, o Dallas Mavericks de 2011, o Los Angeles Lakers de 2009 tinham defesas consideravelmente piores dos seus rivais nas finais e, mesmo assim, levaram o caneco.

Mesmo que a realidade comprove que os dois lados da quadra são de suma importância, e que mais vale que um time funcione à sua maneira do que como a cartilha dos clichês recomendam, jogadores também são reféns das ‘verdades absolutas’ dos ‘entendedores’ do esporte.

Neste caso em específico, parece que há uma tentativa exagerada de se compensar as coisas, uma vez que os jogadores que são muito bons no ataque tendem a ser mais valorizados pela torcida do que aqueles que são excelentes na defesa. Na tentativa de dar os merecidos créditos aos marcadores implacáveis, muita gente menospreza os artilheiros que são preguiçosos ‘lá atrás’.

Mas se existem tantos mitos sobre a importância exagerada de um dos lados da quadra quando se fala nos times, será que não acontece o mesmo na avaliação dos jogadores. Afinal, sem preconceitos e clichês, o quanto um jogador tem que ser bom no ataque para poder ser ruim na defesa? O quanto ele ser folgado na defesa o torna um mau jogador se ele for decisivo no ataque?

Com certeza é bem difícil QUANTIFICAR isso, afinal, por mais que existam números e estatísticas que tentem fazer isso, simplesmente não é possível medir o real impacto de um jogador em um time. É tudo uma questão de encaixe, de química com o time e do que se espera dele.

Por mais que James Harden, por exemplo, seja o principal sinônimo da NBA para um mau defensor hoje (até injustamente, diga-se, já que existem milhões de jogadores piores do que ele na hora de marcar um adversário), é óbvio que suas qualidades como pontuador e, agora, construtor de jogadas o tornam indispensável para qualquer equipe.

O esquema atual do Rockets torna seu esforço defensivo ainda mais dispensável, uma vez que o time preserva em suas rotações sempre pelo menos três jogadores bastante móveis na marcação e cobertura tanto fora quanto dentro do garrafão. Neste esquema, sempre Patrick Beverley, Eric Gordon, Trevor Ariza, Sam Dekker, Nene ou Clint Capela estão se matando na transição para tentar recuperar a bola. Neste modelo, vale mais a pena manter James Harden sempre pronto para puxar um contra ataque de três segundos do que o colocar para se esforçar além da conta na marcação.

Outro que entra na mesma cota indiscutivelmente é Isaiah Thomas. Na sua escalada de role player para all star, Thomas mostrou que é um dos mais mortais pontuadores por centímetro da história da NBA, mas que sua defesa condiz com a sua altura. Nas stats avançadas de impacto nos dois lados da quadra, o tamanho do gap de qualidade do jogador no ataque e na defesa não há precedentes. Segundo as estatísticas, não há um jogador com tanta diferença entre o impacto positivo no ataque e negativo na defesa. Mesmo assim, o Boston Celtics de hoje, que começa a ameaçar o domínio absoluto do Cleveland Cavaliers, tem Thomas como seu principal jogador. A sua figuração sem a bola é complementada sem problemas pelas qualidades de especialistas de Avery Bradley e Marcus Smart.

Mas o bicho começa a pegar quando falamos de caras que não são absolutas unanimidades. Vou pegar o exemplo do Monta Ellis. Foi “o cara” do Golden State Warriors antes do time se tornar o que é hoje. Fazia 25 pontos por jogo e era a principal estrela da equipe. No entanto, contando só os minutos que estava em quadra, nunca seu impacto positivo na frente foi superior ao seu impacto negativo na retaguarda.

Tanto é que nas últimas seis temporadas enfrenta uma queda implacável na sua minutagem em jogo e na sua participação na rotação das equipes. Neste ano, o Indiana Pacers se acertou quando ele se lesionou e embalou quando o colocou como reserva. Hoje, sua participação se resume a um escape na segunda formação do time.

Outro exemplo complicado é o de Kevin Love. Ser péssimo na marcação e soft na briga dentro do garrafão nunca foi um grande problema até as finais do ano passado. Primeiro no Timberwolves, em que ele era o líder no ataque de um time que não competia por grandes coisas – portanto, não fazia muito sentido puni-lo com menos tempo de quadra se o resto do elenco não iria ajudar -, depois no Cavaliers, onde se resumiu, no início da sua passagem, a um especialista no perímetro.

No entanto, na batalha final contra o Golden State Warriors, suas deficiências defensivas se tornaram praticamente insustentáveis. Enquanto o time perdia as primeiras partidas, Love era considerado o responsável por não ajudar o time a segurar o ataque californiano – a ponto de começar um jogo como reserva. O Cleveland virou a série e quase ninguém se lembra mais disso.

Neste ano, por outro lado, Love voltou a encontrar um protagonismo parecido com o que tinha em Minnesota. Preciso no ataque e novamente presente no garrafão, seus problemas de marcação não incomodam mais tanto assim.

No fundo, percebe-se que, na verdade, não é qualidade ofensiva de um jogador que o faz poder abrir mão dos esforços defensivos. Mas sim o seu papel na equipe e as compensações que o grupo de jogadores fazem para bancá-lo. Monta foi útil enquanto alguém defendeu por ele. Love voltou a ser assim que a defesa do Cavs não foi mais um problema. Isaiah se tornou uma estrela quando foi rodeado de bons marcadores. O próprio James Harden virou um perene candidato a MVP logo depois do Thunder abrir mão dele, também por não ser um grande defensor – o que se mostrou um erro brutal hoje. É muito mais uma questão de contexto e encaixe do que a diferença entre qualidade ofensiva e defensiva.

Trocar o pivô Jalhil Okafor tem sido uma dura tarefa para o Philadelphia 76ers. Dominados pelo modismo que os centers precisam ser ultra-versáteis e devem, necessariamente, funcionar como âncoras defensivas fizeram o jovem jogador parecer um inútil, apesar de ter um dos mais refinados jogos de low-post. Trata-se como se o jogador não fosse ter qualquer utilidade na liga por ser um marcador fraco e ter uma péssima estatística de box plus-minus (que tenta medir o impacto dos jogadores em quadra).

Acontece que, ao meu ver, saber jogar de costas para a cesta e pontuar nestas situações é uma qualidade tão importante quanto ser um preciso arremessador de três – fundamento ovacionado nos dias de hoje. E, além disso, stats avançadas nos ajudam a entender o jogo, mas não são determinantes – os mesmos dados sugerem que Kawhi Leonard, melhor defensor da liga nos dois últimos anos, não é um marcador tão bom assim.

Jahlil Okafor realmente não me parece uma peça fundamental para o Sixers, que tem um garrafão congestionado de jovens talentos, mas não me parece que se sairia mal em times com uma boa cobertura das suas deficiências – empurrar Anthony Davisd para a ala no Pelicans não seria nada mal, testar uma formação ultraofensiva no Blazer seria interessante ou apostar na evolução junto ao Bucks é uma opção. Enfim, sendo talentoso, há espaço de alguma maneira.

O que não dá é continuar repetindo e concordando com clichés. Estes sim não contribuem com quase nada.

O dever da torcida do Thunder é atormentar Kevin Durant hoje

Hoje é o típico dia que a torcida justifica a sua existência. Hoje é o dia que a torcida do Oklahoma City Thunder tem o dever de infernizar a vida de Kevin Durant.

Não me entendam mal: eu acho Durant espetacular e já entendi que ele tinha todo o direito de trocar de time. Foi bom para o Thunder enquanto esteve por lá, mas acabou. Sua vida agora é com outro uniforme e pronto.

Também nem acho que ele e Russell Westbrook se odeiem de verdade. Ok, os últimos dois jogos entre os times foram tensos, mas me parece mais uma tentativa de ambos fazerem moral com suas torcidas do que efetivamente um ódio mútuo – o próprio Durant falou sobre isso essa semana.

Apesar destas ponderações, deste balde de água gelada na rivalidade, acho que o papel da torcida do Thunder é fazer o máximo para implodir a moral do rival.

O único compromisso do torcedor é com o seu time. Se for necessário esquecer por alguns minutos que Durant foi o jogador mais importante da franquia nos últimos anos para desestabilizá-lo, que seja assim. Se for necessário ser injusto com sua história para aumentar as chances de vitória do OKC, que todos o façam. Mesmo aqueles que já superaram a partida do astro e entendem que o time deve seguir seu rumo devem adotar este tom. Este é o papel do cara que está na arquibancada.

De quebra, acho que Westbrook é o tipo de cara que cresce muito nestas situações, com um ginásio pegando fogo. Uma boa dose de hostilidade ao rival parece ser um bom combustível para deixar Russell ensadecido.

Hoje é o dia do torcedor do Thunder enaltecer a lealdade de Russell, que renovou contrato com a franquia assim que Durant partiu, e atormentar os rivais. Pouco importa que, na realidade, Durant não seja um traidor execrável, que ele tenha feito muito pela franquia e que ele e Westbrook nem se odeiem de verdade.

Que as homenagens e honras da casa fiquem para a próxima visita de Durant. Hoje é dia da arquibancada do Thunder odiá-lo.

Evolução: adiada

Reconstruir um time é complicado. Quando um time resolve recomeçar do zero, com escolhas de draft e um elenco novo, é preciso ter uma paciência de monge tibetano. São anos esperando que as escolhas vinguem, que os jogadores evoluam e que se reúna uma quantidade mínima de talentos sob o mesmo teto. Quando há a certeza de que todos já estão maduros para começar a dar resultados, é até difícil para o torcedor controlar a ansiedade.

Mas o esporte conta com um fenômeno maligno que não escolhe a vítima. Todos estão sujeitos a se lesionar. É triste. E quando acontece em um jovem talentoso que é o pilar da reconstrução de uma franquia é ainda mais doloroso.

Algumas das equipes mais promissoras foram acometidas deste mal recentemente. Apenas nesta semana, foram duas destas. Primeiro o armador Zach Lavine, aquele que menos se espera e que mais entrega no promissor time do Minnesota Timberwolves. Aos 21 anos, na sua terceira temporada na NBA e justamente quando se estabeleceu como um chutador de elite e um pontuador confiável, teve seu ligamento do joelho arrebentado. A lesão o tira de ação para o restante do ano, bem como coloca um imenso ponto de interrogação sobre como e quando será seu retorno às quadras.

Dias depois, o mesmo aconteceu com o ala do Milwaukee Bucks Jabari Parker. Pela segunda vez na sua curta carreira, uma lesão séria compromete sua temporada. Jabari entrou na NBA cercado de expectativas e estava finalmente correspondendo a elas. Coincidente no mesmo dia em que seu colega Khris Middleton estreava na temporada depois de uma lesão seríssima, Parker teve sua carreira colocada em stand by com, também, um ligamento rompido no joelho.

Se tanto Timberwolves como Bucks não estão tendo as campanhas que imaginavam no começo da temporada, agora, com um de seus jogadores machucados, as esperanças são mínimas. Todo o projeto está adiado.

Da mesma forma que o Philadelphia 76ers e o Los Angeles Lakers precisaram refazer seus planos. A diferença deles é que as lesões interromperam a reconstrução lá na sua origem, na fase embrionária pro processo. Em 2015, o Lakers teve Julius Randle com uma perna fraturada logo na primeira partida, fazendo com que ele perdesse o restante da temporada de calouro.

O Sixers, que tem o processo de reconstrução mais ousado, já teve o mesmo problema com Joel Embiid por dois anos seguidos e agora passa pela mesma agonia com o calouro Ben Simmons, que se afundou no departamento médico antes mesmo de estrear pelo time.

Em outra medida, mas igualmente triste, aconteceu com o calouro do Phoenix Suns deste ano, Dragan Bender. Ele e o time não estavam lá essas coisas, mas um machucado sério encerrando a temporada do jogador não ajuda em nada.

Infelizmente todos estão sujeitos a lesões, mas quando acontece em um time promissor que passou alguns anos lambendo o fundo da tabela em busca de dias melhores, soa até como uma maldição. Parece precisam passar o perrengue para provar que, no futuro, suportarão outras responsabilidades e cobranças maiores.

Espero que passem bem.

Um boicote aos apelidos autoproclamados

Não tenho filhos, mas imagino que escolher o nome da criança seja uma tarefa complicada, recheada de dúvidas. No entanto, existem pessoas que se superam ao adotar um critério para isso. Tem a clássica história do casal que não tinha ideia de como batizar o filho, estava em um restaurante e se decidiu por replicar no bebê o nome do prato mais caro do menu: Kobe beef.

Pois é, assim nasceu um dos nomes mais marcantes do esporte: Kobe Bryant. Uma alcunha tão escrota que dispensa sobrenomes e apelidos – ‘Kobe’ para se referir a ele.

O problema todo começou quando um publicitário detestável resolveu colocar na sua cabeça que ele deveria capitalizar em cima da passagem mais reprovável da sua carreira. Em 2003, Kobe foi acusado de violentar sexualmente uma mulher em uma clínica quando se recuperava de uma cirurgia. Com isso, criou-se a história de que, para focar no basquete, Kobe ‘virava a chave’ e acionava seus instintos assassinos de “Black Mamba”, uma das cobras mais letais do mundo.

Ainda que comercialmente tenha sido uma sacada ótima, promovendo a venda de milhões de pares de tênis com a marca do jogador, esse apelido nunca me convenceu. Arquitetado mercadologicamente, sem graça e com um propósito medonho. Em resumo, um péssimo apelido que, por mim, nunca teria sido adotado por ninguém – infelizmente tem quem goste e o chame assim.

Na verdade, tenho birra com o ‘Black Mamba’ (o nome, não o jogador) porque acho um porre a maioria dos apelidos autoproclamados.

Russell Westbrook veio com essa agora. Do nada, começou a querer que as pessoas o chamem de Brodie. O que tem a ver? Qual o motivo? Qual a piada? Nada, nada e nada. Brodie é a forma como ele se refere a ele mesmo em algumas entrevistas e etc. A imprensa comprou e agora, como um decreto da derrocada que vivemos hoje, algumas pessoas repetem essa besteira. Péssimo.

Não sei se muita gente lembra, mas Dwyane Wade uns tempos atrás tentou emplacar o horroroso WOW, as iniciais de Way of Wade. A ideia era criar um alter-ego no mesmo molde do péssimo Black Mamba. Graças aos deuses do bom senso não pegou – ainda que eu concorde que ele merecia algo bem melhor que o sem graça DWade e mais forte que Flash, do início de carreira.

Lembro no auge da carreira de Dwight Howard, que ele se pagava de Superman – fez toda uma cena no campeonato de enterradas e tal. Além de toda a mediocridade de criar um apelido para ele mesmo sem a menor graça, ainda era COPIADO de Shaquille O’neal. Como alguém pode achar bom um apelido que tem 0% de originalidade?

Além dele, lembro do Sasha Vujacic, que sequer merecia uma vaga na NBA, quem dirá um apelido. Tentou fazer a turma o chamar de “The Machine”. Chega, né?

Também acho ruim o ‘King James’ de Lebron James. Eu até gosto da presunção de se chamar de rei aos 15 anos de idade, quando o apelido foi criado, mas acho que Lebron é um nome tão poderoso que dispensa qualquer ‘nickname’. King, então, não é lá muito elaborado.

Nestes casos eu abro algumas exceções para auto-apelidos descaradamente pretensiosos. The Process, de Joel Embid, acho aceitável, por exemplo. Justifico, neste caso, que o lema da reconstrução do time, Trust the Process, se popularizou como um bullying às péssimas campanhas do time e a virada começou a vir justamente quando o mais escrachado e talentoso dos jogadores entrou em quadra, logo, Embiid era, de fato, o achincalhado ‘processo’ da franquia.

Aliás, é este o espírito do apelido: ser uma provocação, algo meio engraçado. Giannis Antetokounmpo é o cara com o melhor apelido possível na atualidade – uma era de poucas alcunhas memoráveis, admito. O grego nasceu com um nome impronunciável para os americanos, que se impressionaram com um moleque de braços gigantes e rapidez de um velocista. Bizarrice grega, ou Greek Freak, é de fato a melhor definição possível.

Não entendo como o próprio Kobe Bryant foi ter o pior apelido de todos os tempos se seu pai foi um MESTRE nesta arte: Joe Bryant era conhecido como Jellybean (JUJUBA em português), pois era alto, magrelo e com um molejo impressionante para seu tamanho. Começou como uma sacanagem de colégio e acabou virando uma marca do seu jogo. Uns anos depois, só era chamado assim.

Muito melhor do que Black Mamba e afins. Boicote a eles!

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