Reconstruir um time é complicado. Quando um time resolve recomeçar do zero, com escolhas de draft e um elenco novo, é preciso ter uma paciência de monge tibetano. São anos esperando que as escolhas vinguem, que os jogadores evoluam e que se reúna uma quantidade mínima de talentos sob o mesmo teto. Quando há a certeza de que todos já estão maduros para começar a dar resultados, é até difícil para o torcedor controlar a ansiedade.

Mas o esporte conta com um fenômeno maligno que não escolhe a vítima. Todos estão sujeitos a se lesionar. É triste. E quando acontece em um jovem talentoso que é o pilar da reconstrução de uma franquia é ainda mais doloroso.

Algumas das equipes mais promissoras foram acometidas deste mal recentemente. Apenas nesta semana, foram duas destas. Primeiro o armador Zach Lavine, aquele que menos se espera e que mais entrega no promissor time do Minnesota Timberwolves. Aos 21 anos, na sua terceira temporada na NBA e justamente quando se estabeleceu como um chutador de elite e um pontuador confiável, teve seu ligamento do joelho arrebentado. A lesão o tira de ação para o restante do ano, bem como coloca um imenso ponto de interrogação sobre como e quando será seu retorno às quadras.

Dias depois, o mesmo aconteceu com o ala do Milwaukee Bucks Jabari Parker. Pela segunda vez na sua curta carreira, uma lesão séria compromete sua temporada. Jabari entrou na NBA cercado de expectativas e estava finalmente correspondendo a elas. Coincidente no mesmo dia em que seu colega Khris Middleton estreava na temporada depois de uma lesão seríssima, Parker teve sua carreira colocada em stand by com, também, um ligamento rompido no joelho.

Se tanto Timberwolves como Bucks não estão tendo as campanhas que imaginavam no começo da temporada, agora, com um de seus jogadores machucados, as esperanças são mínimas. Todo o projeto está adiado.

Da mesma forma que o Philadelphia 76ers e o Los Angeles Lakers precisaram refazer seus planos. A diferença deles é que as lesões interromperam a reconstrução lá na sua origem, na fase embrionária pro processo. Em 2015, o Lakers teve Julius Randle com uma perna fraturada logo na primeira partida, fazendo com que ele perdesse o restante da temporada de calouro.

O Sixers, que tem o processo de reconstrução mais ousado, já teve o mesmo problema com Joel Embiid por dois anos seguidos e agora passa pela mesma agonia com o calouro Ben Simmons, que se afundou no departamento médico antes mesmo de estrear pelo time.

Em outra medida, mas igualmente triste, aconteceu com o calouro do Phoenix Suns deste ano, Dragan Bender. Ele e o time não estavam lá essas coisas, mas um machucado sério encerrando a temporada do jogador não ajuda em nada.

Infelizmente todos estão sujeitos a lesões, mas quando acontece em um time promissor que passou alguns anos lambendo o fundo da tabela em busca de dias melhores, soa até como uma maldição. Parece precisam passar o perrengue para provar que, no futuro, suportarão outras responsabilidades e cobranças maiores.

Espero que passem bem.