Não tenho filhos, mas imagino que escolher o nome da criança seja uma tarefa complicada, recheada de dúvidas. No entanto, existem pessoas que se superam ao adotar um critério para isso. Tem a clássica história do casal que não tinha ideia de como batizar o filho, estava em um restaurante e se decidiu por replicar no bebê o nome do prato mais caro do menu: Kobe beef.

Pois é, assim nasceu um dos nomes mais marcantes do esporte: Kobe Bryant. Uma alcunha tão escrota que dispensa sobrenomes e apelidos – ‘Kobe’ para se referir a ele.

O problema todo começou quando um publicitário detestável resolveu colocar na sua cabeça que ele deveria capitalizar em cima da passagem mais reprovável da sua carreira. Em 2003, Kobe foi acusado de violentar sexualmente uma mulher em uma clínica quando se recuperava de uma cirurgia. Com isso, criou-se a história de que, para focar no basquete, Kobe ‘virava a chave’ e acionava seus instintos assassinos de “Black Mamba”, uma das cobras mais letais do mundo.

Ainda que comercialmente tenha sido uma sacada ótima, promovendo a venda de milhões de pares de tênis com a marca do jogador, esse apelido nunca me convenceu. Arquitetado mercadologicamente, sem graça e com um propósito medonho. Em resumo, um péssimo apelido que, por mim, nunca teria sido adotado por ninguém – infelizmente tem quem goste e o chame assim.

Na verdade, tenho birra com o ‘Black Mamba’ (o nome, não o jogador) porque acho um porre a maioria dos apelidos autoproclamados.

Russell Westbrook veio com essa agora. Do nada, começou a querer que as pessoas o chamem de Brodie. O que tem a ver? Qual o motivo? Qual a piada? Nada, nada e nada. Brodie é a forma como ele se refere a ele mesmo em algumas entrevistas e etc. A imprensa comprou e agora, como um decreto da derrocada que vivemos hoje, algumas pessoas repetem essa besteira. Péssimo.

Não sei se muita gente lembra, mas Dwyane Wade uns tempos atrás tentou emplacar o horroroso WOW, as iniciais de Way of Wade. A ideia era criar um alter-ego no mesmo molde do péssimo Black Mamba. Graças aos deuses do bom senso não pegou – ainda que eu concorde que ele merecia algo bem melhor que o sem graça DWade e mais forte que Flash, do início de carreira.

Lembro no auge da carreira de Dwight Howard, que ele se pagava de Superman – fez toda uma cena no campeonato de enterradas e tal. Além de toda a mediocridade de criar um apelido para ele mesmo sem a menor graça, ainda era COPIADO de Shaquille O’neal. Como alguém pode achar bom um apelido que tem 0% de originalidade?

Além dele, lembro do Sasha Vujacic, que sequer merecia uma vaga na NBA, quem dirá um apelido. Tentou fazer a turma o chamar de “The Machine”. Chega, né?

Também acho ruim o ‘King James’ de Lebron James. Eu até gosto da presunção de se chamar de rei aos 15 anos de idade, quando o apelido foi criado, mas acho que Lebron é um nome tão poderoso que dispensa qualquer ‘nickname’. King, então, não é lá muito elaborado.

Nestes casos eu abro algumas exceções para auto-apelidos descaradamente pretensiosos. The Process, de Joel Embid, acho aceitável, por exemplo. Justifico, neste caso, que o lema da reconstrução do time, Trust the Process, se popularizou como um bullying às péssimas campanhas do time e a virada começou a vir justamente quando o mais escrachado e talentoso dos jogadores entrou em quadra, logo, Embiid era, de fato, o achincalhado ‘processo’ da franquia.

Aliás, é este o espírito do apelido: ser uma provocação, algo meio engraçado. Giannis Antetokounmpo é o cara com o melhor apelido possível na atualidade – uma era de poucas alcunhas memoráveis, admito. O grego nasceu com um nome impronunciável para os americanos, que se impressionaram com um moleque de braços gigantes e rapidez de um velocista. Bizarrice grega, ou Greek Freak, é de fato a melhor definição possível.

Não entendo como o próprio Kobe Bryant foi ter o pior apelido de todos os tempos se seu pai foi um MESTRE nesta arte: Joe Bryant era conhecido como Jellybean (JUJUBA em português), pois era alto, magrelo e com um molejo impressionante para seu tamanho. Começou como uma sacanagem de colégio e acabou virando uma marca do seu jogo. Uns anos depois, só era chamado assim.

Muito melhor do que Black Mamba e afins. Boicote a eles!

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