Que bom que alguns times têm a decência de detectar fraquezas pontuais e/ou solucionar algumas cagadas recentes sem grandes sacrifícios. A troca anunciada entre Toronto Raptos e Orlando Magic é uma lição para os demais times da liga neste sentido, aliás. Com uma movimentação simples, os dois times dão importantes passos para corrigir erros de percurso recentes .

Claro, cada qual em sua medida, mas ambos melhoram suas perspectivas atuais e futuras com a ida de Serge Ibaka para o Toronto Raptors e de Terrence Ross, junto de duas escolhas de primeiro round, para o Orlando Magic.

A começar pelo ponto de vista do time canadense, que até mês passado era considerado a principal ameaça do domínio absoluto do Cleveland Cavaliers. Entrou em uma onda de maus resultados e já foi superado pelo bom Boston Celtics, pelo emergente Washington Wizards e pelo desacreditado Atlanta Hawks. Com semanas terríveis entre janeiro e fevereiro, o time não só não aproveitou a queda do Cavs como perdeu espaço para outros concorrentes do Leste.

Desde o começo da temporada já se imaginava que o time precisava de um reforço defensivo no garrafão que, se possível, pudesse colaborar no ataque, especialmente no perímetro. O time tinha perdido Bismack Biyombo para o Orlando Magic e não tinha conseguido nenhuma reposição à altura. A solução inicial foi buscar Jared Sullinger, do Celtics, no mercado. Mas lesionado, o jogador ficou meses de molho e quando voltou à ação, não deu conta do recado.

Alguns meses dentro da temporada, o Raptors se animou com a notícia de que Paul Millsap estava no mercado. O ala era o jogador perfeito para complementar a dupla Kyle Lowry-Demar Derozan – tinha as tão buscadas características de ser um exímio defensor e versátil no ataque. Mas o negócio miou com a falta de boas propostas pela estrela do Atlanta.

Sem muitas opções no mercado, o time tratou de treinar o brasileiro Lucas Nogueira para se tornar a solução caseira. Bebê até começou a chutar de fora, emplacou boas sequências de partidas, mas infelizmente não tem a qualidade necessária para elevar a franquia de patamar.

Agora, encontra em Serge Ibaka o encaixe próximo do ideal. Apesar de estar em último ano de contrato e ter um salário gigante, o ala-pivô que era do Thunder e do Magic é uma versão genérica do que o time buscava em Millsap.

Ainda que não seja mais aquele defensor vigoroso de outros tempos e oscile muito no ataque, Ibaka é uma excelente opção alternativa para pontuar. Sabe jogar sem a bola nas mãos – e apesar de ter reclamado disso em Oklahoma, suas perspectivas de envolvimento na rotação são bem maiores ao lado de Lowry do que de Westbrook e Durant.

Como parece ser a melhor opção no momento, o Raptors vai para o tudo ou nada. Se não é a garantia de sucesso do Toronto, Serge é a melhor opção disponível para tentar fazer o time retomar o posto de finalista do Leste. Pode dar muito certo.

Ao contrário do que ele era em Orlando. Ninguém entendeu nada na offseason quando o time da Florida trocou sua escolha do primeiro round e Victor Oladipo, sua principal aposta de franchise player, por Ibaka e, pior, alguns dias depois assinou com Biyombo.

O time carregava o garrafão e, ainda por cima, jogava um de seus talentos da posição, Aaron Gordon, para a ala menor, onde não tinha dado muito certo nas experiências anteriores.

O resultado foi catastrófico: o time nunca encontrou uma formação que soubesse usar bem o elenco e o time, que esperava lutar pelos playoffs, foi sendo superado por quase todo mundo na conferência. Hoje, é o penúltimo colocado, na frente apenas do Nets, que só ganhou uma partida em 2017. O ataque é horroroso e a defesa não funcionou. Não há opções no perímetro.

Apertar o botão de ‘reset’ era o melhor a se fazer. Para isso, a solução ideal seria trocar Ibaka, jogador de pior contrato no momento e que ficaria livre em alguns meses, por boas perspectivas futuras. E foi isso que aconteceu.

Ok, nada conserta a cagada feita meses atrás, mas Terrence Ross vem tendo um excelente ano e é um ala-armador bem decente para suprir a ausência total de talento do Magic na posição.

Ainda entra no próximo draft com duas escolhas de primeiro round: a sua, que deve ser alta, e a dada pelo Toronto, que não será tão boa assim. Mas em uma turma que dizem ser carregada de bons talentos, já é algum alento.

Os dois times vacilaram em algum momento recente, seja com alguma troca ruim ou na inércia nas trocas quando boas oportunidades surgiram, mas esta negociação funcionou bem para corrigir a rota de cada uma das franquias na medida do possível.