Gregg Popovich, técnico mais vitorioso da NBA nos últimos anos, não esconde uma das suas táticas para, ano após ano, chegar aos playoffs como um dos favoritos. Além de armar equipes altruístas e tirar o melhor dos seus jogadores, Popovich gerencia como ninguém o fôlego dos seus atletas ao longo do ano. Com múltiplas partidas em que descansa todos seus titulares, o técnico do Spurs parece que seus jogadores entram em quadra o mínimo possível para fazer o time terminar com uma boa campanha. Mais do que isso, para ele, é exigir demasiadamente das pernas dos caras, a um ponto em que a fatura pode ser cobrada lá na frente, nos playoffs, quando as coisas realmente importam.

Esta prática foi importada pelas melhores equipes da NBA nos últimos anos. Sempre que há uma ‘gordura para ser queimada’ na tábua de classificação ou se enfrenta uma maratona de jogos, as equipes que podem se dar a esse luxo descansam seus principais jogadores.

O Cleveland Cavaliers, que vinha sobrando no Leste, fez bem isso enquanto pode. Seus titulares foram poupados por alguns jogos no campeonato passado e o título veio – diferente do rival Golden State Warriors, que colocou seus melhores jogadores até o último minuto em quadra.

Neste ano, porém, a gerência da saúde e do fôlego dos seus atletas, por assim dizer, está um pouco mais complicada. A começar pelas lesões de alguns dos principais jogadores do elenco. Exceto Tristan Thompson, que detém o maior número de partidas seguidas sem lesão, todos os colegas de Lebron se machucaram em algum momento. Kyrie Irving ficou de fora de alguns jogos, Kevin Love vai ficar afastado umas semanas e JR Smith está fora há meses.

Além disso, o time não está com uma vantagem tão confortável perante os rivais. Depois de um mês de janeiro com mais derrotas do que vitórias, o Cavs viu Celtics e Wizards se aproximarem. Abrir mão dos titulares agora, é dar chance para uma eventual perda de mando num confronto futuro de playoffs.

Some-se a isso o fato de que Lebron deu uma chorada sem muita razão há algumas semanas – dizendo que o time precisava de mais jogadores de qualidade – e agora quer mostrar serviço para reverter a reação negativa da imprensa e torcida.

Tudo isso tem feito o camisa 23 ser exigido à exaustão – hoje, ele tem a segunda maior média de minutos por jogo na temporada. Um suposto risco para uma equipe que precisa chegar às finais tinindo para poder fazer frente ao Warriors e que nos dois últimos anos teve que ter Lebron jogando na sua melhor forma em toda a carreira para poder, em uma das oportunidades, sair com o título.

Acontece que Lebron é diferente. Exceto pelos dois anos passados, que conseguiu alguma folga, sua carreira sempre foi marcada por um volume de jogo altíssimo. Somando temporada regular e playoffs, são 49 mil minutos. Nos últimos 15 anos, ninguém chegou a essa quantidade de tempo. Dirk Nowitzki, o segundo colocado, jogou 4 mil a menos – o equivalente a uma temporada e meia. E, mesmo assim, James nunca chegou baleado numa série de playoffs.

Ainda que a cartilha de hoje mande que os jogadores joguem no limite mínimo possível para que fiquem inteiros para o mata-mata, Lebron sempre tem sido diferente. A impressão que dá, é que quanto mais exigido é, melhor a resposta.

Nesta série de jogos em fevereiro, ele retomou a sua média de pontos e suas performances vitoriosas que marcaram os melhores momentos da sua carreira. Justamente quando se desgastou mais, que jogou numa quantidade absurda.

Mais preocupante do que o tanto de tempo que Lebron fica em quadra hoje, é saber se seus colegas estarão inteiros e recuperados para os playoffs. No que depender dele, mesmo que fuja à regra, não há o que se preocupar.