Fazia tanto tempo que anunciavam que o Sacramento cedo ou tarde iria trocar Demarcus Cousins que eu já nem acreditava que iria acontecer de fato algum dia. Aconteceu hoje.

O Kings despachou seu pivô metade estrela metade problema pro New Orleans Pelicans em troca de uma escolha de draft, Buddy Hield, Tyreke Evans e Langston Galloway.

Já falo melhor sobre como cada time fica. Mas pra mim a troca é uma ironia recompensadora para dois dos maiores jovens talentos individuais da NBA na atualidade.

Cousins, apesar de ser o melhor pivô da liga naturalidade, é tratado com desprezo por uma parcela das pessoas pelo seu temperamento complicado. Não acho que seja inteligente tomar uma falta técnica por jogo, mas sua qualidade em quadra não é algo que se possa abrir mão. Apesar de todos os problemas, Cousins é o tipo de jogador que vale tudo a pena. A cagada aqui foi que o Kings nunca teve um time decente que fosse além do seu franchise player – e mesmo assim tem brigado pela última vaga dos playoffs deste ano.

Anthony Davis, em diferente medida, sofre de um mal parecido em New Orleans. Tem um talento enorme que não é acompanhado pela sua franquia. Acaba sendo ridicularizado por ter assinado uma extensão de muitos anos com um time que toma decisões técnicas muito questionáveis para se reforçar – por exemplo, apostar dezenas de milhões no basquete de Salomon Hill.

Acho a negociação, portanto, uma recompensa aos dois, que tanto precisavam de um jogador de calibre para jogar ao lado e nunca tiveram. Falando do jogo em si, acho que tem boas chances de render uma química interessante. Cousins deve fazer o seu jogo de sempre, com muito volume dentro do garrafão, muita briga por rebotes um ou outro contra ataque puxado que bem um maluco.

Davis, por sua vez, é o cara que tem técnica e refinamento para se adaptar ao colega. Habilidade para bater bola e iniciar as jogadas como um point forward ele tem. Mobilidade e chute também. A vontade de ser um ala sempre existiu. Só faltava alguém melhor do que ele pra jogar lá dentro – e Cousins é o melhor da NBA pra isso. Para finalizar, a defesa de um complementa a preguiça do outro.

Vale lembrar que ambos são crias da Universidade de Kentucky, o que tem alguma chance de colaborar no encaixe e na boa vontade dos dois.

É verdade que a franquia sai com menos profundidade no grupo de jogadores. Exceto Jrue Holliday e a dupla, mais ninguém presta neste elenco. Mas quem na NBA tem uma dupla tão fudida assim? São pouquíssimos times. Vale a pena o risco.

Já o Sacramento conseguiu abrir mão da única coisa interessante que o time teve nos últimos anos. Terá duas escolhas de draft neste ano, legal, mas quando este time terá condições de ganhar algo? Impossível dizer. Até lá, o time arranja uma outra forma de se sabotar – tem sido assim sempre.