Month: February 2017 (Page 2 of 2)

Até os piores times não são mais tão ruins

Já dava para perceber nas primeiras semanas de temporada. O Philadelphia 76ers, que mal ganhou 10 jogos ano passado, estava pela primeira vez em anos endurecendo o jogo contra seus rivais. O Brooklyn Nets, fraquíssimo também, levava a disputa dos jogos até os últimos minutos do jogo. E o Los Angeles Lakers, então, que passou o primeiro mês e meio de disputa entre os postulantes aos playoffs? Quem viu estes times jogarem no ano passado e perdeu alguns minutos assistindo neste ano notou: aqueles times que antes eram horríveis, agora estavam ligeiramente melhores e, mais que isso, estavam interessados em ganhar.

Agora, com cada equipe com mais de 50 partidas disputadas e partindo para a reta final, temos a certeza de que a disputa deste ano tem sido diferente. Os números comprovam isso, aliás: pela primeira vez na história, apenas duas equipes estão com campanha abaixo dos 33% de aproveitamento a esta altura do campeonato.

Comparando a classificação do dia 7 de fevereiro ano a ano, em média, 5 times já estão muito atrás dos outros na disputa – mesmo em anos que tínhamos menos equipes na liga. Isso acontece por que é geralmente daqui em diante que os times largam mão das suas pretensões e investem em melhores chances de pegar uma posição alta no draft – e isso implica em perder (o único ano em que peguei um recorte diferente foi 1999, por causa do locaute que fez o campeonato começar em fevereiro. Neste caso, peguei a classificação final mesmo).

Não quer dizer necessariamente que temos um número grande de boas equipes ou algo do gênero, mas dá para afirmar que temos mais times querendo vencer. Pelo menos até agora, não teve nenhum time entrando em quadra se esforçando para perder.

Esta melhora é resultado das características dos elencos dos times do fundo da tabela. Lakers, Sixers, Timberwolves e Suns ainda penam – e geralmente perdem – quando enfrentam os melhores, mas querem injetar nos seus moleques uma cultura vencedora que será útil no futuro.

Este, aliás, foi o único legado decente deixado por Byron Scott no time de Los Angeles na temporada passada. O técnico era péssimo, mas achava que seus jogadores tinham que tentar se acostumar com as vitórias. Mesmo que perder fosse um negócio mais interessante para a franquia como negócio – para reforçar o elenco -, Scott achava que o ‘tank’ seria nocivo para o espírito de competitividade dos seus atletas.

Ainda sobra o Nets, que é horrível, mas que tem tentado alguma coisa dentro dos seus limites. No caso deles, o lance é que não há nenhuma vantagem em perder, já que suas picks de draft pertencem ao Boston Celtics. Só resta tentar mostrar alguma luta em quadra – ainda que não tenha dado muito certo.

É também por isso que Cleveland e Toronto, por exemplo, que reinavam absolutos no Leste, tiveram semanas tenebrosas na virada do ano. Não tinha jogo dado. Vez ou outra, o azarão vencia.

Geralmente não é fácil aturar a maratona de jogos da temporada regular quando alguns times já largaram mão da disputa. Com todo mundo no bolo, querendo mostrar serviço, há chance de um jogo entre Golden State Warriors e Phoenix Suns ser divertido – o Miami Heat que o diga.

É bom para a competição e é excelente para quem assiste.

Promoção Dois Dribles: sorteio da camiseta “JR SMITH FOR PRESIDENT”

Notícia boa para os fãs da NBA, do blog e do BOM GOSTO: vai rolar o segundo sorteio de camiseta do Dois Dribles! Da outra vez, na virada do ano, sorteei uma camiseta do ‘JR Smith sem camisa’ e a vencedora foi a Francieli Santos. Agora, o que está em jogo é outro artigo da mesma coleção, a camiseta ‘JR Smith for President’.

Para quem não lembra, esta camisa foi inspirada na comemoração do título do Cavs, quando um torcedor fez um cartaz pedindo que o jogador concorresse às eleições contra Donald Trump e Hillary Clinton.

É uma oportunidade única de ter esta camiseta se você é fã do jogador mais displicente da liga ou está afim de ter esta peça rara do universo da NBA. É muito fácil. Basta curtir a página do Dois Dribles no facebook ou no twitter e compartilhar o post da promoção na sua timeline. Se fizer isso nas duas redes sociais, dobra as chances de ganhar! Ah, é preciso que o sua postagem esteja aberta publicamente para que eu possa vê-la.

QUER GANHAR UMA CAMISETA 'JR SMITH FOR PRESIDENT'?Basta seguir a página do Dois Dribles no facebook ou no twitter…

Posted by Dois Dribles on Monday, February 6, 2017

Serão válidos compartilhamentos feitos através do post original do blog (acima) até as 23h59 do dia 15 de fevereiro. O resultado será anunciado no dia 16 pela manhã.

Na conta dos role players

Veio totalmente do nada. O Miami Heat tinha emplacado três vitórias seguidas, mas nem o torcedor mais otimista poderia imaginar que a sequência fosse continuar. Os motivos eram dois: ao longo de toda temporada o time não tinha emplacado tantos resultados positivos seguidos e o rival da vez era o Golden State Warriors, time de melhor campanha na NBA.

Se você está ligado na liga, já sabe o resultado. O Miami não só venceu este jogo como ganhou outros seis e hoje ostenta a melhor sequência da NBA nos últimos 20 dias. São dez triunfos seguidos que colocaram o time na briga pelos playoffs do Leste – antes disso, o time estava a 10 vitórias de distância da oitava colocação. Hoje são apenas duas.

Além disso, é a segunda equipe que melhor arremessa (56,1%) – atrás apenas do histórico Golden State Warriors – e a que faz os adversários chutarem pior (47,9% de aproveitamento). A equação é básica: acertando muito mais que o adversário, a vitória geralmente vem.

O roteiro é absolutamente improvável. O Miami Heat começou a temporada sem grandes pretensões e com um time para não brigar por nada. A ideia era passar um ano perdendo para buscar talentos para rechear o jovem elenco – fosse por draft, já que a próxima classe parece ser bem forte, fosse pelo mercado de jogadores sem contrato, já que a Flórida é um bom destino para quem não quer perder grandes fatias de salário em impostos.

O time já não era lá essas coisas e ficou ainda menos estrelado quando entrou numa maré de azar das lesões. Justise Winslow, principal jogadores entre os pós-adolescentes da franquia, lesionou o ombro direito e está fora da temporada desde dezembro. Hassan Whiteside, maior salário do time e pivô titularíssimo, ficou de fora uma ou outra partida com um problema no olho. Josh Richardson, ala armador titular, também já completou um mês sem jogar.

Somando toda essa turma, o Heat já contabiliza mais de 160 abstenções por lesão, maior marca da NBA neste ano (sem contar a ausência de Chris Bosh, que não deve jogar mais pelo time).

Mas surpreendentemente esta equipe é a que mais vence na liga nos últimos tempos. O mérito, neste caso, é de um grupo de formigas operárias que se acertaram com a camisa do Miami e estão carregando o time. O elenco varia de jogadores que nunca tiveram outra experiência na NBA e eram insignificantes para o universo há um mês até aqueles que já tiveram seus lampejos na carreira mas nunca conseguiram ser constantes.

Exemplo disso é que o atleta que mais vezes entrou em quadra pela franquia neste ano é o completo anônimo Rodney McGruder, que tentou entrar na liga em 2013, mas só nesta temporada conseguiu efetivamente estrear em uma partida oficial – no currículo, até então, só jogos de summer league, d-league e campeonato húngaro.

Dion Waiters, eterna promessa que eu tinha certeza que nunca iria vingar em nenhum lugar, tem jogador muito. Foi eleito o melhor jogador da conferência na semana passada. James Jonhson, eterno reserva-do-reserva, é o sexto-homem mais eficiente das últimas partidas.

Ao lado deles, Luke Babbit, Willie Reed e Okaro White também têm sido importantes – jogadores que têm mais contratos temporários na carreira do que partidas jogadas, praticamente.

Só Dragic e Whiteside foram mais vezes titulares em suas carreiras do que reservas ou ‘dleaguers’

Até Goran Dragic e Hassan Whiteside, os mais badalados, também têm seus históricos de ‘underdog’: passaram despercebidos por várias equipes e só estouraram depois de uns bons anos rodando pela liga.

É um fenômeno difícil de explicar. Além de uma sintonia fina entre os caras e um momento em que tudo dá certo, é possível imaginar que todos eles estão jogando no limite máximo dos seus talentos em busca do reconhecimento que nunca tiveram em suas carreiras – mesmo que o basquete de um ou outro não seja lá essas coisas, o esforço está fazendo a diferença.

Não acredito que isso vá durar muito tempo. Até acho que o mais provável é que em breve o time vai caia na real e se perca na corrida pelo mata-mata. Mas, sem dúvida nenhuma, estes caras estão conseguindo mostrar que têm um valor que nunca esperamos deles.

Falar (besteiras também) é a profissão de Charles Barkley

Quinta-feira é o dia da NBA na TV aberta dos Estados Unidos. É o dia da semana em que geralmente acontecem os jogos de maior apelo popular e a TNT, canal gigantesco de lá que detém os direitos de transmissão do basquete, passa sua rodada dupla.

Antes da partida, no intervalo e depois dela, a bancada mais famosa da liga comenta tudo que aconteceu na semana e o que vai rolar naqueles jogos. Comandados pela lenda Ernie Johnson, Kenny Smith, Shaquille O’neal e Charles Barkley falam o que bem entendem por algumas horas semanais para que todo o país – e, por extensão, de alguma forma, o mundo – ouça.

Barkley é o mais polêmico deles, coleciona tretas. Esta semana, o noticiário da NBA foi tomado por mais uma delas: Lebron James ‘se cansou’ do que ele chama de ‘perseguição’ do ex-jogador e disse que não vai mais tolerar que ele desrespeite seu legado como um dos melhores jogadores de todos os tempos e que tem um currículo praticamente impecável fora das quadras, diferente de Barkley, que tem um histórico polêmico desde os tempos de jogador.

O estopim foi o comentário de Barkley de que Lebron estava chorando ao pedir mais um jogador para o elenco do Cavs. James, no entanto, diz que Chuck sistematicamente pega no seu pé.

Por mais que Lebron tenha todo o direito de se insurgir contra qualquer um que o critíque, é preciso entender que o trabalho de Charles Barkley é justamente esse: dar seu ponto de vista sobre todo e qualquer assunto que esteja em voga no mundo da NBA. Concordem ou não, ele tem uma das cadeiras mais prestigiadas da crônica esportiva mundial há mais de 15 anos somente para opinar sobre essas coisas.

Esse jeito bonachão, polêmico, agressivo é o que a tevê quer. É o que funciona – não somos só nós que temos a ‘honra’ de ter um Craque Neto falando o que bem entende em um microfone para milhões de pessoas.

Barkley já falou um monte de coisas e acumula seus rivais por elas – só nós últimos tempos, disse que o Golden State Warriors nunca seria campeão da NBA por causa do seu estilo de jogo, falou que a NBA nunca esteve tão fraca e esta última sobre Lebron. Em algumas ele acerta, em muitas ele erra, mas ele está ali para isso – e, melhor de tudo, não fica fazendo média com ninguém (a pior coisa que existe nesse caso é o comentarista tipo Caio “Frutilly” Ribeiro).

O que acho errado é transformarem isso tudo em uma rivalidade pessoal (convenhamos, não que eu concorde em tudo com ele, mas não foi só Barkley que achou que isso foi choro de Lebron, que o jogo do Golden State é chato e que a NBA atual tem um baixo nível).

Ou dizerem que Chuck ‘não tem moral’ para falar isso. Ele fez um monte de merda na carreira, já falou um monte de besteiras, mas a sua vivência e o seu conhecimento sobre basquete é inegável. Sua opinião não é a fundamental, mas é importante – até em comparação com seus pares de bancada, acho as opiniões de Barkley mais interessantes (amo o Shaq ‘enterteiner’, mas acho um porre sua obsessão por parecer um frasista-engraçadão nas análises, e Kenny Smith é interessante, mas não tem todo o MOJO de Charles).

Por último, torço para que frequentemente surja algo do gênero. É bacana ouvir o que todo mundo tem a dizer – mesmo quando nós discordamos. E é mais legal ainda ver um craque como Lebron James jogando com sangue nos olhos. No fundo, só vejo vantagem na existência de um comentarista como Charles Barkley.

Qual veterano se encaixa melhor no Cleveland Cavaliers?

O Cleveland Cavaliers caiu de produção, está com 7 vitórias e 8 derrotas nas últimas 15 partidas, Lebron James chorou na imprensa que precisa dividir tempo com um novo armador no time e o front office da franquia agendou uma espécie de peneira com vários veteranos sem contrato. A ideia é preencher a vaga restante do elenco com um jogador experiente e cuja presença possa ser suficiente para dar uns minutos de folga a Lebron e Kyrie Irving, principalmente.

Para a armação de jogadas, o Cavs hoje só conta com os dois, o calouro-cru Kay Felder e o journeyman Jordan McRae – mas as duas últimas opções não parecem nada confiáveis.

O objetivo, neste momento, nem é pegar alguém de muito peso – uma troca por Carmelo Anthony, por exemplo, já foi descartada -, mas sim alguém com alguma rodagem e que ocupe a rotação com mais consistência.

Segundo os jornalistas que cobrem o Cleveland, vários figurões já se apresentaram ou devem ir até o time para mostrar como estão fisicamente e o quanto podem contribuir para a equipe. Os mais famosos são Mario Chalmers, Lance Stephenson, Kirk Hinrich, Jordan Farmar e Josh Smith.

Não sei com quem o Cavs vai assinar – se é que vai com algum deles -, mas vou, então, ranquear do menos ao mais adequado para o elenco do atual campeão e quais os motivos para contratar ou não cada um deles. Vamos lá:

5 – Jordan Farmar: Basicamente a franquia precisa de um armador com estilo playmaker, que carregue a bola, chame uma jogada ou outra e tente liderar o time na ausência de Lebron. Farmar não é isso. Sua principal qualidade é o chute de fora, algo que o Cavs tem de sobra na segunda unidade. Peca na defesa e na inteligência pra criar jogadas. De todos os cogitados, é o mais medíocre e com menos flashes na carreira. Não é agora, trintão, sem time há um bom tempo, que vai render algo.

4 – Josh Smith: Diferente de Farmar, Smith foi o jogador de mais sucesso do grupo. Teve anos muito bons em Atlanta e na juventude parecia que tinha potencial para ser um all star, dado seu atleticismo impressionante. Os problemas aqui são basicamente dois: Smith se revelou um jogador com um QI de uma mosca com a bola nas mãos e não é nem de longe o armador que o time precisa.

3 – Kirk Hinrich: O eterno armador meia boca do Bulls já foi o jogador perfeito para o Cavs. Isto é, o Hinrich de uns 10 anos atrás era o cara que o Cleveland queria em quadra hoje: discreto, carregador de piano, esperteza com a bola nas mãos e rápido para se posicionar para o chute. Mas faz uns cinco anos que Kirk é só sombra disso. Quem viu ele se arrastando em quadra na temporada passada pelo Bulls e Hawks sabe que sua contribuição seria bem limitada caso assinasse com o time de Lebron.

2 – Mario Chalmers: As características do jogo de Chalmers não são das melhores. Na real ele é uma versão de Jordan Farmar, o último da lista, que deu mais certo. A crença de que ele pode ajudar nesta situação se baseia em duas coisas. A primeira é que foi o jogador que esteve em melhor forma há menos tempo – jogou para o gasto no Memphis do ano passado até que se lesionou seriamente arrebentando o tendão de aquiles. A segunda é que já deu certo ao lado de Lebron James – e todo este circo só foi armado porque ele pediu.

1 – Lance Stephenson: Pode ser muita fé minha, mas eu ainda acredito no basquete de Lance Stephenson. Eu sei que ele já teve suas chances depois da excelente passagem pelo Indiana Pacers e nunca mais mostrou serviço, mas o ‘Born Ready’ não pode ter esquecido TUDO de uma hora para a outra – eu me recuso a aceitar! Além disso, de todos, é o que mais tem familiaridade em carregar a bola para o ataque e chamar jogadas – mais até que os concorrentes point guards de ofício. Por último, é por ele que eu torço. Vocês conseguem imaginar 1) Lance jogando com Lebron depois de todas as tretas que tiveram (James já disse que não teria problemas)? 2) Lance e JR Smith, os maiores exemplos da displicência, COM O MESMO UNIFORME? 3) Lance e Draymond Green se enfrentando em uma hipotética final da NBA? Meu deus, assinem agora com esse cara!

Um maravilhoso mês de terror com King Cake Baby

Não sou um cara que gosta muito de mascotes. Acho uma brincadeira boba e que só faz sentido para o povo lá dos EUA que nasce, cresce e se reproduz cercado de mascotes para tudo. Pra mim, não é um treco muito divertido.

No entanto, gosto muito que alguns deles são uns seres que fazem questão de ser desagradáveis e de praticar bullying da pior espécie com os torcedores e jogadores rivais. Pra mim, só assim eles justificam suas respectivas existências.

Partindo desta premissa, o meu preferido é o King Cake Baby, do New Orleans Pelicans. Um bebe maldito de plástico com uma cara de alucinado, umas fraldas largas e uma irritante coroinha equilibrada numa cabeça imensa que tem como única função na terra aterrorizar o máximo de pessoas possíveis.

Para a minha infelicidade, King Cake Baby é um mascote temporário. Ele surge nas semanas que antecedem o Mardi Gras, carnaval de New Orleans que tem uma estética meio bizarra e assustadora. A festa também preserva como tradição um bolo gigante (o tal King Cake) em que um dos pedaços carrega uma imagem de um bebê – numa vibe bolo de Santo Antônio, quem tira a fatia com o bebê, terá sorte dali em diante.

A turma do Pelicans usou, então, uma figura que era para ser um sinal de coisas boas e meteu uma roupagem de lazarenta e atitude desgraçada. O mascote é de tão mau gosto que ele foge à regra e costuma aterrorizar até os próprios torcedores da franquia.

Por sorte, a torcida do Pelicans já está vacinada. Ao longo do ano, o time tem como mascote Pierre, the Pelican, que até o ano passado também tinha um visual assustador – neste caso, involuntariamente, a ponto da franquia fazer algumas alterações no seu ‘shape’.

Mas nada horripilante se comparado ao pior bebê do mundo.

Nunca mude, King Cake Baby!

Page 2 of 2

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén