No último domingo, o Madison Square Garden soou um pouco diferente durante parte da partida entre New York Knicks e Golden State Warriors. Minutos antes da bola subir, o telão pendurado no teto da arena mostrava um anúncio: “O primeiro tempo desta partida será apresentado sem qualquer música, vídeo ou entretenimento para que vocês possam experimentar o jogo na sua forma mais pura. Aproveite o som do jogo”.

O experimento tem sua bela dose de polêmica. De cara, não foi muito bem recebido pelos jogadores. Draymond Green, o mais enfático, disse que jogar sem as músicas características, sem os shows nos tempos e tudo mais é “patético” e “completamente desrespeitoso”. Courtney Lee achou estranho e disse que isso tira parte da vantagem de se jogar em casa. Carmelo Anthony achou ‘diferente’, para ser econômico nas palavras.

Já eu achei que foi um experimento válido. Não que eu concorde que todo e qualquer recurso de entretenimento de uma partida além do jogo deva ser eliminado, mas acho que é bacana um teste como este para que a gente possa comparar os dois ambientes e ponderar o que é necessário para o clima da partida e o que é supérfluo.

No alto do meu humor de um velho de 100 e poucos anos, me irrito com a falta de espontaneidade daqueles coros gravados e reproduzidos pelo sistema de som dos ginásios, por exemplo (“Everybody clap your hands: clap clap clap…” e etc). Não vejo muita graça nessa cultura de cheerleaders também.

Como amante do esporte, curto mais a sensação de estar próximo da quadra, ouvindo o deslizar dos tênis, o berro dos jogadores e o esporro do técnico do que o clima de espetáculo de circo, com trocentas músicas, gente dando pirueta e 50 dançarinas do Faustão fazendo coreografias no meio da quadra.

Isso não quer dizer que eu ache que tudo seja dispensável – o experimento do MSG foi extremo e não acho que seja necessário abrir mão de toda perfumaria extra quadra. Lembro, por exemplo, que fiquei efetivamente emocionado com a introdução do jogo da abertura da temporada do Heat de 2013, contra o Bulls, num jogo que assisti in loco. Todas as 20 mil pessoas que estavam lá ficaram pilhadas pra partida, mudando toda a atmosfera do jogo – o que, certamente, ajudou o Miami a vencer o jogo.

Também concordo que muita gente vai ao jogo da NBA esperando ver todo o show: as danças, as ‘kiss cam’, os arremessos do meio da quadra e tal. Faz parte da cultura do basquete nos EUA.

Mas isso não torna a reflexão inválida. A festa é importante, mas o jogo é ainda mais. Quando a barulheira se torna maior que o basquete, não custa nada repensar o espetáculo.

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