Ser técnico da NBA, pelo menos nesta temporada, é o emprego mais seguro do mundo. Todos os 30 ‘head coaches’ que começaram a temporada comandando as franquias da liga continuam com suas carteiras de trabalho devidamente assinadas.

Para você ter noção do quanto isso é extraordinário, a última vez que uma temporada inteira correu com todos os ‘professores’ empregados do início ao fim foi em 1970-1971 – com a diferença que naquela época eram apenas 17 times na NBA, quase metade do que temos hoje.

Não dá para ter a pretensão de explicar um fenômeno desses com uma justificativa simples. Na verdade é uma soma de vários fatores que levam a isso.

Vamos partir do princípio que técnicos são demitidos, geralmente, quando o time não vai bem. Neste ano, os times que são realmente ruins já  tinham trocado de comandante no meio ou ao final da temporada passada e fizeram esta mudança pensando numa evolução a longo prazo – caso de Los Angeles Lakers, Phoenix Suns e Brooklyn Nets, principalmente. O outro time ruim da lista, o Phladelphia 76ers, já tinha escolhido o bode expiatório da temporada passada ao mandar embora Sam Hinkie, o general manager, e bancando o treinador Brett Brown. Pesa o fato também de todos os times terem demonstrado alguma evolução ao longo do campeonato. Não faria o menor sentido demitir alguém agora.

Os demais times que tiveram alguma queda considerável no desempenho ainda confiam muito em seus técnicos para demiti-los.

Dallas Mavericks e Miami Heat, por exemplo, têm técnicos reconhecidamente acima da média e contaram com baixas consideráveis nos seus elencos, o que justificaria a queda de rendimento. Ninguém seria louco de culpar Rick Carlisle e Erik Spoelstra pelo fato das equipes estarem com campanhas negativas enquanto seus elencos são formados principalmente por jogadores da D-League – que, ainda assim, mantém os dois times na disputa pelas últimas vagas da pós-temporada.

Outros, como Charlotte Hornets e Portland Trail Blazers, tiveram temporadas acima das expectativas no ano passado creditadas justamente aos seus head coaches e uma campanha cambaleante neste ano é, na verdade, uma correção de rota.

Claro que só essas justificativas não garantem ninguém no cargo. Quando um dono de time quer, ele manda embora mesmo, seja técnico ruim de verdade, seja o melhor deles. Não tem conversa.

Só que a sorte dos técnicos empregados nesta temporada é que não tem um nome disponível no mercado que seja lá muito forte. Nos anos anteriores, existia a ameaça constante de Tom Thimbodeau, um dos melhores nomes da liga nos últimos anos e que estava desempregado. Scott Brooks, outro treinador com um histórico interessante, também estava ‘distribuindo currículo’. Agora, não – os dois, inclusive, foram contratados na offseason.

Os demais potenciais substitutos são, via de regra, outros ex-técnicos que estão sossegados comentando jogos (Jeff Van Gundy, Mark Jackson, Kevin McHale), assistentes discretos (todos do Spurs) ou técnicos de times universitários, que sempre hesitam em fazer a mudança do torneio colegial para o profissional.

Esse hiato no mercado é o que também justifica que os poucos treinadores que estão com a corda no pescoço continuem nos seus cargos. Basicamente são quatro nesta situação: Fred Hoiberg, do Chicago Bulls, Jason Kidd, do Milwaukee Bucks, Alvin Gentry, do New Orleans Pelicans, e Jeff Hornacek, do New York Knicks. Todo mundo sabe que eles não são os caras ideais para suas equipes e que uma hora ou outra eles terão que ser substituídos, mas que simplesmente não vale a pena fazer esta troca agora.

Apesar da calmaria momentânea, é bem provável que o mercado volte a se agitar assim que a temporada acabar. Além de Bulls e Pelicans, várias franquias ensaiam uma reformulação nos seus elencos que, de quebra, podem sobrar para os coaches: Clippers, Raptors, Hornets, Pacers, Hawks…

Mas até lá, os 30 técnicos podem ficar tranquilos. Todos sobreviveram a uma temporada e fizeram disso o emprego mais estável do momento.