Não há dúvidas que o melhor jogador a estrear na liga nesta temporada foi Joel Embiid. Seus números foram excelentes, seu impacto é notório e sua personalidade é digna de todas as reverências.

Apesar disso, Embiid não é necessariamente o franco favorito para receber o prêmio de Calouro do Ano desta temporada. Ainda que nenhum estreante atual bata a marca dele de 20 pontos de média e 7 rebotes por partida, Embiid jogou com uma série de restrições de tempo. Entrou em quadra em apenas 31 jogos e por mínimos 786 minutos. Jogou menos de 20% do total de minutos do seu time no ano. Embiid foi excelente quando jogou, mas praticamente não jogou. Numa premiação que reconhece o melhor jogador de uma categoria em uma temporada inteira, o volume dos seus números são muito modestos.

Para se ter uma ideia, até hoje, o atleta que menos minutos jogou e ainda assim venceu o prêmio foi Kyrie Irving, que atuou por 1558 minutos na temporada de 2011-2012 – literalmente o dobro de Embiid. O que jogou menos proporções dos minutos da sua equipe foi Patrick Ewing, com 45% dos minutos do Knicks de 1985-1986. E o jogador com menor média de minutos foi Andre Miller, com 27 por partida – Embiid tem 25 minutos por jogo.

Mesmo que seja interessante o argumento de que Embiid foi ótimo em todos os minutos que jogou, conseguiu ser eficiente mesmo com pouco tempo de quadra, há o contraponto de que é mais fácil ser excelente por um curto período de tempo do que por um ano inteiro – e médias tendem a ser maiores com amostras menores do que com amostras mais robustas.

Este argumento fica um pouco mais concreto se a gente pegar apenas a melhor série de 31 jogos dos concorrentes de Embiid ao prêmio. Fosse assim, Dario Saric, colega de Embiid no Sixers, teria média de 16 pontos e 7 rebotes por partida (números consideravelmente mais impressionantes do que os 12 pontos e 6 rebotes que tem de média na temporada toda e bem mais próximos aos de Embiid). Malcolm Brogdon, armador do Bucks que está na disputa, também melhoraria seus números (somaria 2 pontos à média de 10 por partida e uma assistência em relação às 4 que já consegue por jogo).

Também sou meio reticente a premiar como calouro um cara que está na NBA, mesmo que sem jogar, desde 2014. Não me parece justo colocar no mesmo balaio um atleta que está desfrutando de toda a estrutura profissional de um time da liga há dois anos, treinando e aprendendo com o staff, convivendo com o grupo de jogadores, com outros, efetivamente calouros, que acabaram de vir da universidade ou da Europa.

Para quem acha que isso não faz diferença, basta comparar o corpo de Embiid quando foi draftado com o que ele tem hoje. Basta ver o tanto de treinamentos que ele teve nesse período – a ponto de virar uma piada. Neste ponto, me parece uma disputa injusta, como numa corrida entre um adolescente e um bando de crianças em que o primeiro não tem como perder.

O problema é que se riscarmos o nome do pivô do Philadelphia da lista, a disputa cai bastante de nível. Os já citados Saric e Brogdon parecem bons, mas nem se comparam a Embiid e aos jogadores que tradicionalmente ganham o prêmio. Além disso, suas médias totais da temporada figurariam entre as piores de um vencedor do prêmio de Rookie of the Year – em mais de 60 anos de NBA, só duas vezes em toda a história da liga o calouro premiado teve uma média de pontos inferior a 13 pontos por jogo, como ambos registram hoje, por exemplo.

Por tudo isso, a premiação de Calouro do Ano promete ser tão disputada quando a de MVP.

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