Tracy McGrady foi anunciado neste final de semana como o novo integrante do Hall da Fama do Basquete. Apesar de duas vezes cestinha da liga, sete vezes ser eleito para o All Star Game e para algum dos All NBA Teams, muita gente acha que dar a honra para um jogador que não teve praticamente qualquer conquista coletiva e que teve uma carreira relativamente curta seja uma concessão injusta. A mesma coisa aconteceu quando, no ano passado, Yao Ming ‘vestiu o paletó vermelho’ – como um jogador que teve oito temporadas apenas pode estar no mesmo grupo que os maiores da história?

Ainda que eu ache que tanto Yao, quanto T-Mac mereçam estar na lista de melhores do esporte de todos os tempos, entendo os questionamentos que muitos fazem sobre a facilidade que é ser escolhido. Não que seja tranquilo ser um jogador da NBA e etc, claro que não, mas jogadores ‘apenas’ muito bons acabam entrando no mesmo bolo dos lendários, o que pra muita gente é injusto.

Um exemplo que eu concordo que foi forçação de barra é Mitch Richmond. Beleza, foi um jogador bom, esteve na liga por uma porrada de anos, teve uma média excelente de pontos, foi All NBA por cinco anos seguidos, mas esteve longe de ser um mito. Mesmo no seu pico, não foi um jogador espetacular – para se ter uma ideia, o máximo que conseguiu atingir numa votação para MVP da temporada foi a 13ª posição.

Mitch está imortalizado com a gratificação mais importante do esporte do mesmo modo que Michael Jordan, Kobe Bryant, Jerry West e outros gigantes da posição.

Isso acontece porque a nomeação é baseada em critérios absolutamente subjetivos. As únicas exigências para que uma pessoa se torne elegível é ter parado de jogar, apitar ou comandar times há quatro anos ou estar envolvido com o esporte há mais de 25 anos. De resto, vai do gosto do comitê que escolhe.

Informalmente, existem duas marcas que garantem no clube: ter mais do que 20 mil pontos na NBA ou ter sido escolhido como All NBA por pelo menos seis temporadas. De todos os jogadores elegíveis que fizeram uma coisa ou outra, apenas Tom Chambers não foi escolhido para o Hall da Fama.

Em cada uma das listas, são cerca de 50 jogadores. Não bastando isso, ainda tem um monte de gente que é selecionada sem estar nem perto das duas marcas. Como Dikembe Mutombo, que ‘só’ foi três vezes da seleção do campeonato e teve pouco mais de 11 mil pontos na carreira, entre outros. Nisso, são mais de 170 jogadores que estão naquele que seria o grupo mais restrito de craques do basquete.

O ponto é que, ainda que signifique uma relativa banalização do prêmio, não dá para desconsiderar alguns fatores na eleição, que acabam ‘alargando’ seu filtro: popularidade, impacto na história de uma franquia, potencial, feitos fora da NBA e etc. São critérios que, mesmos que intangíveis ou alheios ao jogo jogado, fazem o esporte ser o que é e constroem a figura dos jogadores perante o público – ou seja, são de uma importância fundamental.

É o que sedimenta as escolhas de Yao ano passado e McGrady neste ano. Além de ter sido um excelente jogador enquanto teve saúde, o chinês foi o símbolo do atual movimento capilaridade global da liga. T-Mac, ainda que não tenha vencido nada e nem jogado por muito tempo, está lá pelo seu potencial, por ter sido a principal ameaça ao reinado de Kobe Bryant como jogador mais explosivo e letal do começo dos anos 2000.

Já são 50 e poucos anos assim e, no final das contas, nem é tão ruim que os critérios não sejam tão restritivos. O que importa é que os grandes, seja lá por qual motivo, estejam lá.

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