O volume de jogo de Russell Westbrook é colossal. Melhor jogador disparado de um time meia boca, ele se vê na responsabilidade de carregar todo mundo nas costas, decidir sozinho. Resultado: nunca, em toda a história, uma série de jogos decisivos viu um jogador concentrar tanto as ações da partida. O seu Usage Rate de 47% nestes playoffs foi o maior da história para jogadores com pelo menos 20 minutos jogados. Isto quer dizer que metade das jogadas do seu time terminavam com Westbrook arremessando, indo pra linha do lance-livre ou perdendo a bola.

Esta atitude, digamos, centralizadora dividiu as opiniões: para uma parte, a única chance do OKC vencer o Houston Rockets era se Westbrook fizesse isso mesmo, para outra, o ataque ‘monotemático’ foi o que matou o Thunder, já que nem sempre Russell está tão inspirado assim.

A concentração foi tamanha que em toda a história documentada do basquetebol mundial em que foi possível fazer esta mesma conta, só uma vez um jogador teve uma ‘taxa de uso’ comparável a esta: quando Michael Jordan reuniu a Tune Squad e enfrentou o time dos Monstrars no filme Space Jam.

Não é sacanagem, um cara de Harvard fez esta conta há alguns anos para mostrar como o box score da partida do filme foi absurdo – como se um filme em que extraterrestres invadem a terra para sequestrar personagens de desenho e roubam os talentos de jogadores da NBA em uma batalha diplomática decidida em um jogo de basquete fosse algo sensato – e calculou que, naquela partida, Michael Jordan foi usado em 44% das posses de bola do seu time.

Fora isso, descontando as duas atuações, uma que definia o futuro do OKC e outra, o destino da Terra, NENHUM jogador centralizou tanto as ações do seu time em uma série de playoffs, nem o mesmo Jordan nos tempos de Chicago Bulls, nem Kobe Bryant ou Allen Iverson nos seus momentos mais fominhas. O máximo que qualquer outro jogador conseguiu chegar no mata-mata – quando naturalmente os melhores atletas dominam as ações – de Usage Rate foi 39%.

Comparações esdrúxulas e fantasiosas a parte, não dava para imaginar nada de diferente. Westbrook e o Thunder jogaram assim a temporada toda. Impossível é dizer o quanto isso prejudicou ou ajudou o time. Por ser quem faz tudo no time, obviamente o sucesso e o fracasso do time são frutos do seu trabalho, mas é leviano dizer que poderia ser melhor ou pior se fosse diferente.

A única conclusão que dá para tirar disso tudo é que é quase impossível ter sucesso sem um time realmente coeso, com um grupo de jogadores realmente competitivo. Mesmo que seu melhor jogador faça de tudo em quadra. Uma dupla não basta – e foi isso que tirou Kevin Durant de Oklahoma – e uma estrela solitária é ainda mais inofensiva. A única exceção é Michael Jordan jogando contra os Monstars.

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