Month: April 2017 (Page 2 of 2)

Alguém vai sobrar

São três times e apenas duas vagas. Isso para ser definido em apenas um jogo. A rodada final da temporada regular, nesta quarta-feira, vai ter ares de decisão de campeonato para Indiana Pacers, Chicago Bulls e Miami Heat.

Os três times jogam em casa e os dois primeiros, Pacers e Bulls, precisam vencer para se garantir entre os oito melhores do Leste. O Heat, além de fazer o seu papel, precisa secar um dos rivais para retomar um posto no mata-mata.

Cada um dos times vai enfrentar um drama para tentar se garantir nos playoffs.O Miami Heat, a princípio, é o que tem o pior cenário por depender do revés de um dos outros dois. Por outro lado, é o time que, de um modo geral, enfrenta menos pressão: com uma equipe completamente desmantelada, maior parte das pessoas dava como certo que a franquia só faria figuração nesta temporada. O time encontrou um monte de jogadores com muita vontade de jogar e Erik Spoelstra definiu um modelo de jogo que fez o time emplacar uma sequência de vitórias digna dos melhores times do campeonato – só o Warriors emplacou um ‘streak’ mais longo. Só estar ali disputando alguma coisa até o final da temporada já é um puta feito da equipe.

Tem a vantagem de jogar contra o Washington Wizards, que não luta por mais nada na última rodada – ainda que empate com o Raports, perde no critério de desempate.

Em condições levemente mais favoráveis, encontra-se o Chicago Bulls. O time joga em casa contra a equipe mais desprezível da NBA na atualidade, o Brooklyn Nets, que tem apenas 20 vitórias na temporada. O grande problema aqui é que o histórico do Bulls contra times ruins é péssimo – enquanto a campanha contra as equipes boas é positiva. Quer dizer que, só por causa disso, o time vai perder? Claro que não, mas o retrospecto deve servir de alerta.

Por fim, o Indiana Pacers enfrenta o Atlanta Hawks, que vem de uma boa sequência, já está garantido no mata-mata e é bem provável que não ofereça muitas resistências. O grande lance aqui é o Pacers emplacar uma vitória com o que tem de melhor – o time entrou na temporada com expectativas em alta, mas viveu uma montanha-russa ao longo da competição, sem a menor consistência ao longo do ano. Este jogo, aliás, terá transmissão da ESPN!

Dado o momento dos times e tudo que Jimmy Butler e Paul George têm jogado, o meu palpite é que Miami vai pagar o pato. Acho que os três times vencem suas partidas finais, com Indiana garantindo a 7ª colocação e Chicago a 8ª, com uma campanha exatamente igual a do Heat, mas com o time da Florida perdendo no desempate. Vale ficar de olho!

Sem defesa

 

Para o bem do Cleveland Cavaliers, a temporada regular se encerra nesta quarta-feira. Depois de uma campanha de playoffs impecável no ano passado e um início de temporada que prometia ser um passeio, o time se afundou em uma nuvem turva de desconfiança que só pode ser dissipada a partir do momento em que o time retomar a confiança e vencer de forma convincente uma série do mata-mata.

As duas derrotas seguidas para o Atlanta Hawks neste final de semana são um bom exemplo do que tem sido essa espécie de inferno astral do time: enquanto na pós-temporada passada o time varreu o Hawks, nas últimas duas partidas tomou duas pancadas doloridas de um time de qualidade questionável – ok que no jogo de ontem a série de erros finais, o acerto do time do Hawks no último quarto e, principalmente, as confusões da arbitragem são fatores que não podemos desconsiderar, mas tudo que tem perturbado o time nos últimos tempos e que agora assombra seus torcedores para o início dos playoffs esteve por ali também: uma preguiça monstruosa de jogar as partidas que a equipe julga desinteressantes e uma defesa confusa e pouco enérgica.

O Cavs é o time que, a cada 100 posses, menos rouba a bola do adversário. No mesmo critério, é o quinto que menos dá tocos e que menos comete faltas. E o sexto que menos pontua a partir de desperdícios de bola do rival. Tudo isso, em alguma medida, mostra que o time não é lá dos mais esforçados na defesa.

O talento do time na proteção da sua própria cesta também é bem relativo. Fora Lebron James, ninguém que realmente compõe a rotação do time é bom defensor. JR Smith, depois de dois anos surpreendendo na marcação, voltou a ser só mais um lá atrás. Iman Shumpert vive de uma reputação que não corresponde mais com a realidade. Tristan Thompson é mediano na proteção do aro e Channing Frye é bem abaixo da média. Kyrie Irving e Kevin Love são reconhecidamente preguiçosos daquele lado da quadra. Com um grupo destes, só é possível defender bem se o time tiver um esquema muito bem desenhado e todos jogarem com o máximo de energia sem a bola. Nenhuma das duas coisas tem acontecido.

Isso não é necessariamente um problema sempre, já que o time sobra no ataque e aposta em um volume massivo de chutes certeiros de três pontos. Mas é uma situação bem diferente daquela do início da temporada, quando Cleveland parecia ser imbatível na briga pelo título do Leste – vale lembrar que Toronto Raptors, Washington Wizards e Boston Celtics, rivais nessa caminhada da pós-temporada, estão entre os 10 melhores ataques da liga e tem talento suficiente para machucar qualquer defesa mal montada.

A grande vantagem do Cavs daqui pra frente é que, ao começarem os playoffs, o time tem boas chances de pegar logo de cara um confronto razoavelmente favorável para seu estilo de jogo. Miami Heat, Indiana Pacers ou Milwaukee Bucks não parecem ter cacife para superar o atual campeão, mesmo em má fase. O histórico de Lebron James e companhia também nos leva a crer que o time possa minimizar estes problemas assim que o mata-mata começar – é mais fácil armar uma defesa diante de um rival conhecido, que vai ser enfrentado por jogos em sequência, do que montar uma marcação genérica que funcione bem contra as 29 equipes rivais da liga.

Para a sorte do Cavs, a temporada regular termina logo. E nos playoffs, as coisas podem mudar de figura – e tem que mudar caso o time queira repetir o resultado do ano passado.

A zona que é o Orlando Magic em uma foto

Era só um registro inocente de uma negociação qualquer. O agente do jogador argentino Patricio Garino, feliz que seu cliente tinha fechado contrato com o Orlando Magic para o final desta temporada e toda a próxima, postou a clássica foto do atleta com papel e caneta na mão e sorriso no rosto. A merda, exemplo máximo do amadorismo total e da maré de azar que a franquia vive, é que na parede atrás do jogador, ao fundo da foto, um quadro branco mostrava todas as negociações que o time considera fazer na offseason.

Numa coluna estão os jogadores ‘híbridos’, de múltiplas posições, que o time cogita tentar alguma troca. Na outra, aqueles sem contrato que a franquia pretende persuadir para assinar. Nas seguintes, pivôs e alas com a característica de espaçar a quadra que também estão no radar do time.

Pois bem, ainda que não seja culpa direta da franquia que o agente do jogador tenha feito esta cagada, houve um descuido brutal, já que é bem plausível imaginar que alguém do staff do Magic estava presente naquele momento e viu que uma foto estava sendo tirada com as informações ao fundo.

O negócio fica ainda mais constrangedor porque a primeira coluna sugere que o time vai tentar trocar o ala Aaron Gordon, um dos seus principais talentos, por Dario Saric, do Philadelphia 76ers. Imagina que clima gostoso dentro do time quando Gordon descobriu os planos do time por uma foto no twitter…

O pior de tudo é que diante de todas as movimentações que o Orlando executou nas últimas temporadas, uma trapalhada dessas não chega a ser surpreendente. O ‘dominó de maravilhas’ começou no ano passado, quando o time mandou Tobias Harris, um ala bem útil e jovem, pelo inexplicável combo composto por Brandon Jennings e Ersan Ilyasova. O primeiro, um armador que nunca vingou, jogou 25 jogos pela franquia e saiu ao final da temporada, e o segundo foi negociado com o Oklahoma City Thunder junto com os promissores Domantas Sabonis e Victor Oladipo em troca de Serge Ibaka. Este, por sua vez, foi mandado para Toronto no meio da temporada atual, em troca de Terrence Ross e uma escolha no final do draft. Em resumo, o time se desfez de uma porrada de gente promissora em troca de uma escolha de draft e um jogador que mal se firma como titular.

Dentro de quadra, o time também não se encontrou: com um monte de pivôs à disposição e falta de talento no perímetro, o técnico Frank Vogel fez milhões de experiências e colheu poucos resultados úteis. Foi o terceiro time com maior número de formações que jogaram mais do que 100 minutos juntas, atrás somente de Clippers e Rockets (ambos tiveram três dos seus titulares lesionados por um bom tempo ao longo do ano, o que explica o fenômeno). Tem o segundo pior ataque da liga e uma das dez piores defesas. Já usou Gordon, power forward de ofício, como ala-armador e Mario Hezonja como ala-pivô, que até ano passado era testado como armador.

Tudo isso culmina na segunda pior campanha do Leste, superior apenas ao agonizante Brooklyn Nets. Enfim, um caos total.

E agora, para fechar a temporada, quando nada pior poderia acontecer, o time entrega de lambuja todos seus planos para o ano que vem da forma mais idiota possível. Tudo isso para anunciar a ‘bombástica’ assinatura de Patricio Garino… É, não dava para esperar uma besteira menor.

O não tão seleto grupo do Hall da Fama

Tracy McGrady foi anunciado neste final de semana como o novo integrante do Hall da Fama do Basquete. Apesar de duas vezes cestinha da liga, sete vezes ser eleito para o All Star Game e para algum dos All NBA Teams, muita gente acha que dar a honra para um jogador que não teve praticamente qualquer conquista coletiva e que teve uma carreira relativamente curta seja uma concessão injusta. A mesma coisa aconteceu quando, no ano passado, Yao Ming ‘vestiu o paletó vermelho’ – como um jogador que teve oito temporadas apenas pode estar no mesmo grupo que os maiores da história?

Ainda que eu ache que tanto Yao, quanto T-Mac mereçam estar na lista de melhores do esporte de todos os tempos, entendo os questionamentos que muitos fazem sobre a facilidade que é ser escolhido. Não que seja tranquilo ser um jogador da NBA e etc, claro que não, mas jogadores ‘apenas’ muito bons acabam entrando no mesmo bolo dos lendários, o que pra muita gente é injusto.

Um exemplo que eu concordo que foi forçação de barra é Mitch Richmond. Beleza, foi um jogador bom, esteve na liga por uma porrada de anos, teve uma média excelente de pontos, foi All NBA por cinco anos seguidos, mas esteve longe de ser um mito. Mesmo no seu pico, não foi um jogador espetacular – para se ter uma ideia, o máximo que conseguiu atingir numa votação para MVP da temporada foi a 13ª posição.

Mitch está imortalizado com a gratificação mais importante do esporte do mesmo modo que Michael Jordan, Kobe Bryant, Jerry West e outros gigantes da posição.

Isso acontece porque a nomeação é baseada em critérios absolutamente subjetivos. As únicas exigências para que uma pessoa se torne elegível é ter parado de jogar, apitar ou comandar times há quatro anos ou estar envolvido com o esporte há mais de 25 anos. De resto, vai do gosto do comitê que escolhe.

Informalmente, existem duas marcas que garantem no clube: ter mais do que 20 mil pontos na NBA ou ter sido escolhido como All NBA por pelo menos seis temporadas. De todos os jogadores elegíveis que fizeram uma coisa ou outra, apenas Tom Chambers não foi escolhido para o Hall da Fama.

Em cada uma das listas, são cerca de 50 jogadores. Não bastando isso, ainda tem um monte de gente que é selecionada sem estar nem perto das duas marcas. Como Dikembe Mutombo, que ‘só’ foi três vezes da seleção do campeonato e teve pouco mais de 11 mil pontos na carreira, entre outros. Nisso, são mais de 170 jogadores que estão naquele que seria o grupo mais restrito de craques do basquete.

O ponto é que, ainda que signifique uma relativa banalização do prêmio, não dá para desconsiderar alguns fatores na eleição, que acabam ‘alargando’ seu filtro: popularidade, impacto na história de uma franquia, potencial, feitos fora da NBA e etc. São critérios que, mesmos que intangíveis ou alheios ao jogo jogado, fazem o esporte ser o que é e constroem a figura dos jogadores perante o público – ou seja, são de uma importância fundamental.

É o que sedimenta as escolhas de Yao ano passado e McGrady neste ano. Além de ter sido um excelente jogador enquanto teve saúde, o chinês foi o símbolo do atual movimento capilaridade global da liga. T-Mac, ainda que não tenha vencido nada e nem jogado por muito tempo, está lá pelo seu potencial, por ter sido a principal ameaça ao reinado de Kobe Bryant como jogador mais explosivo e letal do começo dos anos 2000.

Já são 50 e poucos anos assim e, no final das contas, nem é tão ruim que os critérios não sejam tão restritivos. O que importa é que os grandes, seja lá por qual motivo, estejam lá.

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