Desde o começo, a série entre Boston Celtics e Washington Wizards deu todos os sinais que duraria até o jogo 7. Os dois times se matando na temporada regular, o equilíbrio dos confrontos ao longo do campeonato e a força dos elencos sugeriam isso – eu apostei nisso, inclusive. Finalmente, a expectativa se confirmou e chegamos até aqui.

Antes de tudo, fico feliz. Playoffs são legais quando acontece esse tipo de coisa, quando uma partida vai para a decisão final, quando os times vão para o tudo ou nada. A temporada passada foi excelente, mas o que fez ela entrar mesmo para a história foi a decisão do título no último minuto da última partida possível. Neste ano, por enquanto, não teve nada melhor do que esta série.

É muito difícil palpitar e, principalmente, prever o que pode acontecer num jogo 7. A atmosfera da partida é única. Mas existem alguns fatores que, a exemplo do que rolou até agora, podem ser determinantes para o sucesso de uma ou outra equipe.

John Wall e Isaiah Thomas, as duas estrelas máximas dos times, estão fazendo tudo que podem. Thomas meteu uma das maiores pontuações da história da franquia ao longo desta série e Wall acertou o arremesso salvador na partida passada. É de se esperar que joguem o tudo que podem e que as defesas adversárias concentrem seus esforços para pará-los. O fiel da balança está na performance dos colegas deles.

Da parte do Wizards, cabe a Bradley Beal ser a estrela que foi na sexta-feira. O shooting guard tem flashes de estrela no ataque e de especialista na defesa. No entanto, a falta de consistência mata seu jogo. Há partidas em que ele simplesmente não aparece.

Boa parte do sucesso do time depende do seu jogo. Beal é alto e forte para a posição. Tem um excelente chute e é uma referência na liga quando o assunto é movimentação sem a bola. Basta fazer valer tudo isso. Uma partida precisa de Otto Porter e Markieff Morris é fundamental para que a marcação dê algum espaço para Beal. Mesmo assim, é jogo para que ele engula quem estiver pela frente.

A prevalência no rebote ofensivo por parte do garrafão do Wizards, com Gortat e Morris, também é um fator fundamental para que o time se mantenha competitivo, mesmo quando as bolas não caírem.

Da parte do Boston, o peso recai sobre os ombros de Al Horford e Avery Bradley. O primeiro tem sido a válvula de escape na crianção de jogadas de meia quadra do time verde. Além disso, só ele tem talento e capacidade de incomodar o garrafão rival – Amir Johnson tem sido uma piada e Kelly Olynyk não é bom o suficiente lá dentro.

Avery Bradley, por sua vez, é o cara que tem potencial para barrar o backcourt avassalador do Washington e pontuar de fora com a bola na mão, especialmente quando Isaiah Thomas estiver atraindo as atenções da defesa rival. Ele, junto com Marcus Smart, são os mais capazes, também, de impedir as arrancadas que o Washington tem tido em todas as partidas.

Por tudo isso e pela característica que os jogos decisivos têm, a individualidade destes caras é que vai definir o resultado do jogo, mais do que os esquemas dos dois times, mais do que a prancheta dos técnicos.

Que venha mais um excelente jogo.