Month: May 2017 (Page 2 of 3)

Quem define o jogo 7?

Desde o começo, a série entre Boston Celtics e Washington Wizards deu todos os sinais que duraria até o jogo 7. Os dois times se matando na temporada regular, o equilíbrio dos confrontos ao longo do campeonato e a força dos elencos sugeriam isso – eu apostei nisso, inclusive. Finalmente, a expectativa se confirmou e chegamos até aqui.

Antes de tudo, fico feliz. Playoffs são legais quando acontece esse tipo de coisa, quando uma partida vai para a decisão final, quando os times vão para o tudo ou nada. A temporada passada foi excelente, mas o que fez ela entrar mesmo para a história foi a decisão do título no último minuto da última partida possível. Neste ano, por enquanto, não teve nada melhor do que esta série.

É muito difícil palpitar e, principalmente, prever o que pode acontecer num jogo 7. A atmosfera da partida é única. Mas existem alguns fatores que, a exemplo do que rolou até agora, podem ser determinantes para o sucesso de uma ou outra equipe.

John Wall e Isaiah Thomas, as duas estrelas máximas dos times, estão fazendo tudo que podem. Thomas meteu uma das maiores pontuações da história da franquia ao longo desta série e Wall acertou o arremesso salvador na partida passada. É de se esperar que joguem o tudo que podem e que as defesas adversárias concentrem seus esforços para pará-los. O fiel da balança está na performance dos colegas deles.

Da parte do Wizards, cabe a Bradley Beal ser a estrela que foi na sexta-feira. O shooting guard tem flashes de estrela no ataque e de especialista na defesa. No entanto, a falta de consistência mata seu jogo. Há partidas em que ele simplesmente não aparece.

Boa parte do sucesso do time depende do seu jogo. Beal é alto e forte para a posição. Tem um excelente chute e é uma referência na liga quando o assunto é movimentação sem a bola. Basta fazer valer tudo isso. Uma partida precisa de Otto Porter e Markieff Morris é fundamental para que a marcação dê algum espaço para Beal. Mesmo assim, é jogo para que ele engula quem estiver pela frente.

A prevalência no rebote ofensivo por parte do garrafão do Wizards, com Gortat e Morris, também é um fator fundamental para que o time se mantenha competitivo, mesmo quando as bolas não caírem.

Da parte do Boston, o peso recai sobre os ombros de Al Horford e Avery Bradley. O primeiro tem sido a válvula de escape na crianção de jogadas de meia quadra do time verde. Além disso, só ele tem talento e capacidade de incomodar o garrafão rival – Amir Johnson tem sido uma piada e Kelly Olynyk não é bom o suficiente lá dentro.

Avery Bradley, por sua vez, é o cara que tem potencial para barrar o backcourt avassalador do Washington e pontuar de fora com a bola na mão, especialmente quando Isaiah Thomas estiver atraindo as atenções da defesa rival. Ele, junto com Marcus Smart, são os mais capazes, também, de impedir as arrancadas que o Washington tem tido em todas as partidas.

Por tudo isso e pela característica que os jogos decisivos têm, a individualidade destes caras é que vai definir o resultado do jogo, mais do que os esquemas dos dois times, mais do que a prancheta dos técnicos.

Que venha mais um excelente jogo.

[Previsão dos Playoffs] Final do Oeste: Warriors x Spurs

Jogo 1 – Dom.  14 de maio,  San Antonio @ Golden State, 16h30 (ESPN)
Jogo 2 – Ter.  16 de maio,  San Antonio @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 3 – Sab. 20 de maio,  Golden State @ San Antonio, 22h (ESPN)
Jogo 4 – Seg.  22 de maio,  Golden State @ San Antonio, 22h (ESPN)
Jogo 5 * Qua. 24 de maio,  San Antonio @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 6 * Sex. 26 de maio, Golden State @ San Antonio, 22h (ESPN)
Jogo 7 * Dom. 28 de maio,  San Antonio @ Golden State, 22h (ESPN)

Temporada regular: Spurs 2 x 1 Warriors

Palpite: Warriors em 6

O tão aguardado confronto de playoffs entre o sempre competitivo San Antonio Spurs e o recentemente dominante Golden State Warriors finalmente vai acontecer. Nos últimos dois anos, quando o time californiano despontou efetivamente como a maior força da NBA atual, os mais de 150 jogos de temporada regular funcionaram como um período de espera para quando, já no mata-mata, o GSW teria fatalmente sua real prova de fogo ao enfrentar o time texano.

Nos dois anos, o Spurs caiu no meio do caminho. Em 2015, perdeu numa série épica contra o Los Angeles Clippers. No ano passado, quando Spurs e Warriors registravam duas das melhores performances em temporadas regulares de toda a história, foi o Oklahoma City Thunder que se meteu na história. Tardou, mas aconteceu: Spurs conseguiu superar Grizzlies e Rockets para cruzar com o Warriors nos playoffs.

O contexto das coisas sugere que, infelizmente, o embate deste ano tem boas chances de ser menos equilibrado do que os hipotéticos confrontos aguardados nos anos passados. Em 2015, o Warriors não tinha alcançado seu auge ainda. Em 2016, apesar do rival estar voando, o Spurs parecia estar quase no mesmo nível. Neste ano, o Golden State se reforçou com Kevin Durant e amadureceu – deixou de lado a pira pelos recordes e passou a fazer o básico para vencer todo mundo com certa tranquilidade. Na contramão, o San Antonio perdeu Tim Duncan para o INSS e remontou seu esquema de jogo ao redor de Kawhi Leonard, que entra na série baleado com uma lesão no tornozelo.

O Warriors, mais do que nunca, tem uma defesa móvel e versátil. Tem a vantagem de poder colocar Andre Iguodala, Draymond Green, Klay Thompson ou Kevin Durant na marcação do melhor jogador rival sem medo de torrar um deles com faltas. Do outro lado, Kawhi, Jonathon Simmons e Danny Green terão que se desdobrar para parar um ataque ainda mais frenético, rápido e letal que o do Rockets, que em alguns momentos da série passada acabou com o SAS.

Os últimos 20 anos de basquete nos ensinaram que Gregg Popovich é capaz de qualquer coisa e que Manu Ginobili pode acabar com uma partida de playoff. Também não acho que o fato do Golden State ter sobrado nos playoffs até aqui e o Spurs ter sofrido bem mais seja vantagem para um ou para o outro – os rivais de cada um tinham níveis bem diferentes e nem sempre ficar uma semana descansando faz tanta diferença assim, já que o Spurs chega com mais ‘sangue no olho’ pra partida.

Mas, sem dúvida, o Warriors está em um momento melhor. Diferente dos anos anteriores, em que o nível dos dois times eram muito próximo, agora o Spurs teria que superar suas limitações e as certezas do rival para igualar a série. E essa é uma tarefa muito difícil.

De volta aos anos 70

A década de 70 não foi das melhores. A pira inicial das discotecas, os hippies envelhecendo, um amontoado de roupas e cabelos de gosto duvidoso e um mar de gente que ainda não sabia lidar com uma oferta tão vasta e fácil de entorpecentes fez daqueles dez anos um período um pouco confuso da história do século 20.

A NBA não fugiu à regra e viveu dias de um embaralhado de forças nunca visto até e desde então. Foram oito campeões em dez anos, uma variedade jamais vista. O jogo não era dos melhores: as táticas eram muito embrionárias, as jogadas eram bem simples e os malabarismos que fizeram do basquete o esporte coletivo mais plástico do mundo ainda não tinham saído das quadras de rua para os jogos profissionais.

Mas se nessa zona alguém conseguiu mostrar alguma consistência no topo da liga, especialmente na conferência Leste, estes times foram Boston Celtics e Washington Wizards (na época, Baltimore/Capital/Washington Bullets), equipes que décadas depois se odeiam, formam uma das rivalidades mais tensas da NBA e se enfrentam no mais aguardado jogo 7 destes playoffs.

Mas voltemos aos anos 70, que foi a última vez que as duas equipes, juntas, dividiram os holofotes da conferência: o Boston era disparado o melhor time da história naquele momento. Vinha de uma década de 60 absolutamente dominante. Liderado por Bill Russell, o time tinha vencido 11 de 13 campeonatos até 1969.

Com a aposentadoria de Russell, a franquia deixou de ser a melhor disparada na liga e alguns rivais se aproximaram. Los Angeles Lakers, eterno vice dos anos anteriores, e Milwaukee Bucks, que tinha acabado de draftar o sucessor de Bill, Lew Alcindor/Kareem Abdul-Jabbar, se matavam no Oeste (sim, Milwaukee jogava do ‘outro lado’ dos EUA). No Leste, New York Knicks vinha com uma formação inovadora, com vários bons jogadores e um basquete coletivo muito bem jogado, e o Bullets, hoje Wizards, começava a montar uma potência.

O primeiro passo para isso foi escolher o atarracado pivô Wes Unseld. Com um black power invejável (um dos bons legados da época) e apenas 2,01 metros, Unseld era um pedaço maciço de músculos e ossos pesados. Estreou na liga como calouro do ano e MVP na mesma temporada. Nas primeiras cinco temporadas pelo Bullets, teve médias de 17 rebotes por partida. Num tempo em que a posse de bola média durava quase a metade do que dura hoje, Unseld era muito útil com passes que atravessavam a quadra.

Wes Unseld

O time também tinha Elvin Hayes, outro pivô com capacidade absurda de catar rebotes e com um talento nato para pontuar. Os dois formaram a dupla de garrafão mais dominante do basquete naquele momento.

Assim, os Bullets foram campeões uma vez, a única na história da franquia, chegaram a outras três finais, perdendo para Bucks, Warriors e Sonics. Ainda chegou a cinco semifinais de conferência até a virada dos anos 80, quando começou a decair e entrou num período de altos e baixos.

Só não foi melhor porque tinha um rival de peso. Ainda que os tempos não fossem de tanta bonança como nos anos anteriores, o Boston ainda se manteve entre os mais competitivos. O craque, agora, era John Havlicek, sexto homem nos tempos de Russell, mas que tinha sido alçado à condição de ídolo com a mudança de geração.A parceria do ala-armador com Dave Dowens e Jo Jo White rendeu ao time verde dois títulos – ainda o maior número da década, junto com Lakers – e mais quatro finais de conferência, mais do que qualquer outra franquia dos anos 70.

Apesar do domínio – dentro de um cenário de equilíbrio total da época -, os dois times só se enfrentaram uma vez naqueles anos. Na final de conferência de 1975 deu Bullets, por 4 a 2. Nos demais anos, sempre um ou outro tropeçava em um rivais mais fraco no meio do caminho.

John Havlicek

A disputa entre os dois acabou não virando uma grande rivalidade porque a NBA não era das ligas mais populares dos EUA ainda (muito abaixo do baseball e futebol americano, além de contar com a concorrência com a ABA, outro campeonato de basquete da época). A passagem também fica esquecida na história porque precedeu um dos momentos mais marcantes da história do basquete, que foi a explosão do jogo nos anos 80.

Mas não dá pra negar, mesmo assim, que foi uma briga que teve sua importância na história. Por mais que todo mundo tenha todos os motivos para lembrar o mínimo possível dos anos 70, eles foram os mais marcantes da história para o confronto entre Boston e Washington, que terá um novo capítulo escrito nesta segunda-feira.

 

Reputação recuperada

O retorno de Mike D’Antoni à NBA no ano passado parecia o atestado do fracasso. Ora eleito o melhor técnico da liga, ora comandante de time com melhor campanha e das franquias mais tradicionais do país, agora ele voltava a trabalhar com um cargo menor na comissão técnica do pior time do campeonato em anos, o Philadelphia 76ers.

O enredo decadente era óbvio: os últimos trabalhos tinham sido trágicos. Uma passagem de quatro anos pelo New York Knicks, numa época que a franquia pensou que daria a volta por cima com a chegada de Carmelo Anthony mas que acabou com apenas uma ida aos playoffs e um ultimato do jogador de que não continuaria no time com Mike como técnico; e outra pelo Los Angeles Lakers, na última formação pretensamente galática do time, com Kobe Bryant, Steve Nash, Pau Gasol e Dwight Howard, mas que resultou na segunda pior campanha da franquia em toda a sua história até então.

A conclusão na época, três temporadas atrás, era de que Mike D’Anthony estava ultrapassado. Que seu trabalho, avaliado como unidimensional, estava manjado: um time que concentra todos seus esforços no ataque, nas posses de bola curtas, no pick and roll e nas bolas de três era legal e tal, mas não bom o bastante para ser campeão. Mesmo quando deu certo, diziam, o estilo tinha suas limitações e a equipe se tornava presa fácil nos playoffs.

Lendo hoje, parece bizarro imaginar que este tipo de crítica faça algum sentido. Com alguns ajustes, o estilo imposto por D’Antoni há dez anos se tornou não só uma tendência no basquete de hoje, mas uma referência para os melhores times em atividade – e os dois últimos campeões, rejeitando qualquer rótulo de que o estilo seja característico de equipes perdedoras.

Apesar desta redenção parcial, o reconhecimento de que talvez os insucessos passados estivessem mais relacionados a elencos descomprometidos ou baleados fisicamente veio nesta temporada. Numa união perfeita de talento dos seus jogadores e de um esquema que sabe tirar o melhor de cada um, Mike D’Antoni fez de um Houston Rockets desacreditado e decadente uma nova força na liga.

Montou um ataque poderosíssimo, refez James Harden como um MVP, ressuscitou Eric Gordon, rejuvenesceu Nene, reciclou Ryan Anderson e transformou o Rockets em uma equipe temida por qualquer time da NBA. É, mais uma vez, como há mais de uma década, um dos favoritos ao prêmio de melhor técnico da liga por tudo isso. Até conseguiu montar uma defesa mediana, sua principal dificuldade nos tempos de Phoenix Suns – será que por um problema dele ou pelas características de um time que tinha como principais jogadores Steve Nash e Amare Stoudemire, reconhecidamente péssimos marcadores?

O resultado da partida de ontem foi acachapante e decretou a eliminação do Houston e D’Antoni nos playoffs, mas vale lembrar que a disputa foi contra um excelente San Antonio Spurs, que tem à beira da quadra o melhor técnico da história do basquete, Gregg Popovich. E que a derrota de ontem foi maiúscula, mas praticamente na mesma proporção que a vitória conquistada pelo mesmo Rockets contra o mesmo Spurs no primeiro jogo da série. No final das contas, tomar 4-2 da equipe de segunda melhor campanha da NBA na semifinal da conferência Oeste é um trabalho bem digno para quem ‘estava acabado’.

Não foi neste ano que ele finalmente ganhou alguma coisa. Mas o título é para poucos. Seu estilo de jogo já ganhou troféus. Mais do que isso, ganhou a liga inteira e sua reputação foi merecidamente restabelecida.

Camisas irreconhecíveis

Eu aposto que quem tem mais ou menos a mesma idade que eu, na faixa dos 30 anos, vai reconhecer esta passagem: era início da década de 90, eu estava começando a acompanhar futebol com alguma consciência. Torcendo pelo humilde Coritiba, que iria enfrentar uma fila sem títulos de uma década e que só voltaria à Primeira Divisão dali alguns anos, o que mais via na tevê era um imbatível Palmeiras dominando o futebol nacional. Campeão Brasileiro, Paulista, cheio dos maiores craques da época. Tudo isso vestido com uma camisa listrada de verde e branco.

Passaram algumas temporadas, o time ainda era bom, continuou na tevê, mas mudou o uniforme para uma camisa toda verde (com algumas variações infelizes na época), que na minha cabeça de criança, que não conhecia a história do time alheio, era estranha. Isso me marcou. Mesmo hoje, sabendo que a verdadeira camisa palmeirense seja toda verde e que as listras brancas sejam só uma exceção na história do time, inconscientemente ainda me pego estranhando o time jogar com a camiseta do uniforme só com uma cor.

Acho que por isso eu fico tão incomodado quando vejo os times da NBA jogando com uniformes alternativos nos playoffs. Que porra é essa de Houston Rockets jogando mais vezes de regata preta ou camisetas cinzas com manga ao invés das tradicionais ‘jersyes’ vermelhas e brancas? Ou do Washington Wizards abrir mão por completo dos seus uniformes principais para jogar todas as partidas do mata-mata com uma camisa alternativa que homenageia o exército americano? Sem falar nos pijamas que Spurs usou vez ou outra na pós-temporada e no uniforme preto de D-League que o Milwaukee Bucks entrou em quadra na série contra o Toronto Raptors.

Com toda a visibilidade que a liga ganha quando os playoffs chegam, acho triste que os times abram mão das suas identidades por alguma jogada de marketing. Certamente, é neste período que o maior número de pessoas passam a se interessar pelo jogo, começar a acompanhar as transmissões e conhecer os times. Não consigo engolir que valha a pena promover um determinado uniforme negando toda a história de uma franquia – ainda que muitos times mudem radicalmente suas identidades visuais ao longo dos anos, infelizmente.

É provável que uma porção considerável de pessoas estejam conhecendo o Houston Rockets agora com uma camisa que não tem nada a ver com nada, enquanto há dois anos o time lotava a sua arena na final de conferência com uma camiseta escrita RED NATION – exemplo do quanto a cor vermelha é importante para o time.

Entendo que os times façam isso por dois motivos e que eles não estão ligando muito para quem não gosta. O primeiro deles é comercial, dar uma super exposição para um conjunto de uniformes e “obrigar” o torcedor mais fanático comprar umas cinco camisas por ano – ainda que o próprio Wizards tenha falhado miseravelmente nessa estratégia, já que fez um lote muito pequeno de unidades deste modelo do mata-mata, as regatas se esgotaram e agora acha que não vale a pena confeccionar novas por causa da mudança de fornecedor de materiais da Adidas para Nike daqui dois meses.

O outro é a superstição. O time usa uma vez uma camisa diferente, ganha um jogo e cai na tentação de usá-la mais vezes já que “deu sorte”. Foi por isso que o Cleveland Cavaliers foi campeão com a praticamente irreconhecível camiseta preta com mangas no ano passado.

Não há nada que possa ser feito contra isso. A grana e essa suposta forcinha extra para ganhar são maiores do que a opinião de um punhado de torcedores resistentes às mudanças. Que joguem uma vez ou outra durante a temporada regular, que inventem histórinhas para justificar isso ao longo do ano. Tudo bem, até vai. Mas nos playoffs? Não é pra mim.

O maior arremesso de todos: The Shot

Há 28 anos, Michael Jordan fazia a cesta mais importante da sua carreira até aquele momento. Faltavam três segundos para acabar o jogo, o Chicago Bulls estava um ponto atrás no placar do último jogo da série de primeiro round contra o Cleveland Cavaliers. Jordan corre para receber o lateral entre dois jogadores rivais, bate bola até a cabeça do garrafão e salta para o chute com um segundo restando no relógio. Num movimento meio Dadá Maravilha, MJ parece que plana por uma fração de tempo, ‘retarda’ sua queda ao chão para ganhar espaço e arremessa no último centésimo antes de seu pé tocar a quadra novamente. Acerta o arremesso e faz a ÚNICA cesta da história no estouro do cronômetro em um último jogo de uma série eliminatória.

Por todo esse drama, este é conhecido como The Shot, ‘O ARREMESSO’, com uma ênfase brutal no artigo definido que explica que este é o chute mais importante já convertido – mais até que aquele que o mesmo Jordan meteu sobre Byron Russell contra o Jazz, já que aquele podia ser errado que o Bulls teria mais um jogo para tentar o título caso perdesse a partida.

É muito comum que o Chicago Bulls de Jordan hoje seja lembrado como um time super dominante e quase invencível. Foi mesmo a partir do momento que venceu seu primeiro título em 1991. Mas até lá, a franquia e o próprio Jordan eram bastante contestados, por uma suposta falta de capacidade de definição de jogos e vencer partidas importantes. ‘The Shot’ foi um grande marco para que esta impressão começasse a mudar.

Em 1989, Boston Celtics, Los Angeles Lakers e Detroit Pistons ainda eram os grandes times da liga. Chicago e Cleveland eram duas equipes emergentes que buscavam bater os rivais mais vencedores do momento. Na temporada regular, o Cavs, por sua vez, tinha vencido todos os seis jogos contra o Bulls e terminado o campeonato com a terceira melhor campanha no Leste – o Chicago ficou com a sexta.

Neste ano, as duas equipes-sensação da temporada se enfrentaram logo no primeiro round dos playoffs (que na época era uma série de cinco jogos). O jogo anterior já tinha ido para a prorrogação Jordan tinha feito 50 pontos, mas o Bulls havia sido derrotado – confirmando a tese na época de que Jordan era um jogador com marcas individuais impressionantes, mas falhava como um vencedor.

Na derradeira partida, veio a resposta num confronto de equilíbrio foi brutal. A três minutos do final, o jogo estava empatado em 90 a 90 e teve uma dezena de trocas de liderança até o apito do cronômetro. Jordan, que terminou com 44 pontos a partida, fez 6 nestes últimos minutos de jogo. Craig Ehlo, reserva do Cavs, vinha se transformando no herói improvável da partida, com 24 pontos, 8 deles nos últimos três minutos e uma cesta a 4 segundos do final da partida. Mas, coitado, ao invés de entrar para a história por isso, ficou marcado por ser o cara que tentou bloquear o arremesso derradeiro de Jordan – e aparecer nas milhões de reprises se lamentando, enquanto Michael Jordan dava o soco no ar mais famoso do basquete.

Basquete, porrada e bomba

Se fosse possível planejar o roteiro de um jogo de playoff perfeito ele teria que ter alguns elementos fundamentais. Primeiro, uma atuação épica, histórica, de um jogador que supera alguma adversidade e desconta todas as suas frustrações e limitações dentro de quadra. Seria disputado ponto a ponto, com reviravoltas no placar e, no final das contas, seria decidido na prorrogação. E, até como consequência de tudo isso, de um jogo pegado do início ao fim, os dois times dariam o sangue em quadra, se odiariam, e brigariam – literalmente – até o fim.

A série entre Boston Celtics e Washington Wizards ainda não se tornou uma das grandes disputas da história do mata-mata da NBA – talvez ainda esteja longe disso -, mas até o momento é a única que reúne todas as condições para tal: Isaiah Thomas já fez uma das maiores atuações dos playoffs nos últimos anos depois de perder a irmã em um acidente de carro e o dente numa cotovelada (não são coisas comparáveis, mas você entendeu…); a série está pau a pau, com duas viradas do Boston, um jogo decidido na prorrogação e uma vitória retumbante do Wizards; e, por fim, o grande diferencial da série perante os demais confrontos, os dois times estão se matando em quadra.

O saldo da briga até agora é considerável. Para começar, Thomas já ‘beijou’ o cotovelo de Otto Porter Jr e o chão do TD Garden. Na primeira, perdeu o dente da frente. Na segunda, não sei como não perdeu de volta – vai ver a ‘janela’ foi consertada com alguma coisa bem mais resistente do que um dente original.

Markieff Morris e Al Horford também vem trocando carícias: no primeiro jogo, Morris caiu sobre o pé de Horford e torceu o tornozelo em uma lesão feia de assistir. No jogo seguinte, o ala do Wizards se embolou e empurrou o pivô celta no meio dos fotógrafos e torcedores. Ainda que defensores mais malandros coloquem o pé propositalmente para lesionar os arremessadores quando caem no chão, o histórico de Horford faz crer que a jogada foi uma fatalidade. Já a fama de Morris, que estava ‘lutando MMA’ no primeiro round do mata-mata segundo Paul Millsap, não deixa dúvidas que ele empurrou Horford para fora da quadra na maldade mesmo.

O mesmo Morris e Thomas se encrencaram também. Se xingaram, trombaram, o Estatuto da Criança e Adolescente fez vista grossa e Thomas botou Markieff pra dançar.

Entre os coadjuvantes, teve treta também. Kelly Olynyk, que já mandou Kevin Love e Robin Lopez para o departamento médico em outros confrontos, e Kelly Oubre tentaram sair na mão – o que pode render uma suspensão até -, enquanto Brandon Jennings e Terry Rozier fingiram que também sairiam até que ambos fossem expulsos.

A confusão toda da série é o desenrolar de uma rivalidade pesada que já vinha das temporadas passadas. Mal dá pra saber se começou quando o antigo técnico do Wizards Randy Wittman xingou Jae Crowder da beira da quadra ou se quando Crowder ‘tocou no nariz’ de John Wall numa discussão mais acalorada após o final de um jogo neste ano. De lá para cá, Wall e Beal já desceram o cacete em Marcus Smart, que por sua vez quebrou o nariz de Beal. Porter falou que o time do Washington jogava sujo, a turma do Wizards combinou de ir vestida de preto pra partida para o ‘funeral do Celtics’ e por aí vai.

A tendência é que as coisas fiquem ainda mais feias. Se as partidas continuarem disputadas, acho ótimo. Muito melhor do que uma lavada como Warriors e Cavaliers estão aplicando sobre Jazz e Raptors. E talvez é o que esteja faltando na série entre Spurs e Rockets.

Por mais quatro jogos assim. Enquanto todos estiverem vivos, claro.

EXCLUSIVO: Fiba mantém punição e Brasil fica de fora das eliminatórias da Copa do Mundo de Basquete

Em uma reunião do Comitê Central da Fiba, ficou decidido hoje que a punição à Confederação Brasileira de Basquete (CBB) será estendida até junho, tirando o Brasil das eliminatórias da Copa do Mundo de Basquete, que será realizada na China em 2019. A informação foi repassada em primeira mão ao Dois Dribles.

A decisão tira o Brasil da disputa porque o sorteio das datas e dos confrontos das eliminatórias acontece no próximo domingo, dia 7 de maio, em Guangzhou. Com a punição, o time brasileiro não estará no pote. Os jogos começam em novembro deste ano e acontecem até fevereiro de 2018, em datas fechadas pela federação internacional (numa iniciativa inédita no basquete, mas que já é usada nas eliminatórias da Copa do Mundo de Futebol).

Apesar da Fiba ter determinado o modelo de classificação sem prever equipes convidadas (uma prática comum até o último mundial, em que o Brasil, inclusive, foi convidado), o processo das eliminatórias não está totalmente claro, abrindo margem para alguma alteração futura. No entanto, a estrutura da classificatória teria que ser alterado, diferente do já planejado.

Na próxima reunião, devem decidir se o Brasil pode participar ou não da Copa América (que define vaga nas olimpíadas).

A primeira suspensão da Fiba para a CBB aconteceu em novembro. De acordo com a federação internacional, a confederação não estava cumprindo plenamente com suas obrigações como uma federação nacional nos termos dos estatutos gerais aplicáveis e ainda precisa de reestruturação. Desde então, a Fiba tem reconsiderado a situação da entidade, mas não voltou atrás da decisão, mesmo com a nova gestão da CBB. Em fevereiro, o veto foi mantido até maio, por exemplo.

[Previsão dos Playoffs] Semifinal do Oeste: Warriors x Jazz


Jogo 1 – Ter. Maio 2 Warriors @ Jazz, 23h30
Jogo 2  – Qui. Maio 4 Warriors @ Jazz, 23h30
Jogo 3 – Sáb. Maio 6 Jazz @ Warriors, 21h30
Jogo 4 – Seg. Maio 8 Jazz @ Warriors, 22h
Jogo 5 – Warriors @ Jazz, se necessário
Jogo 6 – Jazz @ Warriors, se necessário
Jogo 7 – Warriors @ Jazz, se necessário

Temporada regular: 2×1

Palpite: Warriors em 4

Com o Warriors completo e saudável, me parece muito difícil qualquer resultado diferente de uma classificação tranquila do Warriors. O Utah Jazz é um time competente, com uma defesa muito sólida e um ataque organizado, mas não tem chance diante do melhor ataque da liga e segunda melhor defesa.

O time de Salt Lake City tem como virtude atacar a cesta adversária com um mix de chutes muito variado, com uma tonelada de chutes de média distância – um hábito incomum nos dias de hoje e que surpreende algumas defesas. Mas o Golden State é um time vacinado para isso. Green, Durant, Iguodala e Thompson têm talento e sintonia de sobra para neutralizar esta característica.

Os playoffs também vivem de uma máxima de que o time com mais estrelas sempre entra em vantagem. Enquanto o Jazz é um time de formigas operárias e talentos emergentes, o Warriors é uma reunião de alguns dos melhores atletas da NBA atual.

Por fim, o GSW vem descansado, de uma série fechada rapidamente contra o Blazers, enquanto o Jazz teve uma série completa de jogos contra o Clippers até sábado.

A derrota para o Warriors não seria algo desastroso para o Jazz, que já teve o mérito de ser o único time a reverter o mando de quadra no primeiro round dos playoffs. Vencer um jogo 7 também é um feito interessante para o currículo deste jovem grupo de jogadores.

O maior massacre dos playoffs

O confronto entre San Antonio Spurs e Houston Rockets tinha tudo para ser o mais equilibrado dos playoffs até aqui. Ironicamente, foi o maior massacre de todas as partidas do mata-mata deste ano. O time vermelho (que estava de preto) massacrou o rival do Texas: 126 a 99 fora de casa. E só não foi mais porque o Houston levou a partida em banho-maria na sua metade final – na volta do intervalo, o Rockets estava com praticamente o dobro de pontos do Spurs.

Vi muita gente falando ~nas redes sociais~ que vitória por 1 ou por 30 pontos valem a mesma coisa numa série de playoffs, que contam como 1×0 da mesma forma. Numa análise bem fria, isso é verdade. No entanto, o genocídio cometido na quadra do AT&T Center tem uma influência brutal no desenrolar do confronto.

Para começo de conversa, o nó aplicado por Mike D’Antoni foi surpreendente. Por mais que existisse o risco do Houston emplacar seu jogo corrido e acertar tudo de fora, ninguém com o mínimo de sanidade imaginava que a vitória seria tão tranquila. James Harden e companhia expuseram todas as fraquezas de San Antonio ao longo dos 48 minutos de jogo.

(Mark Sobhani/NBAE via Getty Images)

Para começo de conversa, ficou claro que o Spurs não pode jogar com tantos defensores fracos de pick and roll. A maioria esmagadora das cestas do Houston saiu de jogadas que começavam com um corta na cabeça do garrafão e Harden soltava a bola no jogador do bloqueio (Clint Capela para a enterrada ou Ryan Anderson para o chute de fora) ou distribuía para outro jogador aberto na lateral (Eric Gordon ou Trevor Ariza), livre por causa da dobra de marcação. Nisso, David Lee e Pau Gasol pareciam juvenis, correndo atrás de Harden e sem tempo de reação para recuperar a posição marcando um segundo jogador.

Lamarcus Aldridge e Tony Parker também estiveram muito mal. O primeiro mostrou não ter velocidade para acompanhar Trevor Ariza e o segundo foi totalmente apagado no ataque e na defesa. Danny Green e Kawhi Leonard não foram capazes de, sozinhos, parar o arsenal do Rockets. O primeiro, para completar, também não acertou nada.

O Houston, por sua vez, emplacou 22 bolas de três e seis jogadores com mais de dez pontos. Das 40 cestas que fez, 30 foram assistidas.

É preciso ponderar que este primeiro jogo teve o que o Houston pode oferecer de melhor e o que pode acontecer de mais desastroso para o San Antonio – uma combinação improvável de se repetir. Mesmo assim, é um sinal muito claro de que o time de D’Antoni começou mais preparado a série do que a equipe de Gregg Popovich.

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