Uma das grandes dúvidas que surgiram quando Kevin Durant desembarcou na California era como o Golden State Warriors funcionaria com mais um arremessador em quadra. Antes do ala, o time já tinha que jogar em um ritmo insano para que todos seus jogadores (Stephen Curry e Klay Thompson em maior medida, Draymond Green em menor) tivessem bolas suficientes para arremessar. Com Durant, o time teria que correr ainda mais ou então todos teriam que abrir mão de alguns de seus chutes.

A temporada regular foi de adaptação. Durant, como um bom recém-chegado, passou a chutar três bolas a menos do que estava acostumado no Thunder – o que foi compensado por um aproveitamento muito melhor, com mais jogadas de catch and shoot do que isolations. Curry fez seu sacrifício também e cortou, em média, dois arremessos de seu repertório. O mesmo fez Draymond Green.

Somente o papel de Klay Thompson ficou imaculado em um primeiro momento: apenas uma diferença decimal nas médias de chutes, acertos e pontos de um ano para o outro, de uma precisão robótica.

A temporada regular caminhou, o Golden State Warriors foi se acertando e só não funcionou como um grande treinamento ideal para a pós-temporada porque Durant se lesionou por uns 20 jogos. De resto, o time conseguiu emplacar e melhorar seu sistema de jogo e definir bem o papel de cada um dentro do esquema mais fluído da liga.

Isso funciona bem na temporada regular, mas geralmente é um cenário que muda nos playoffs. No mata-mata geralmente os melhores jogadores ficam mais tempo em quadra, chamam mais a responsabilidade e são, naturalmente, mais acionados. Como os confrontos são em série, ajustes específicos também são desenhados, redefinindo um pouco as funções de cada um em quadra.

Assim, Kevin Durant e Stephen Curry passaram a dominar mais a bola. Isso significa menos posses para os demais jogadores, especialmente se o ritmo do time continua o mesmo – é o caso do Warriors, que já tinha um dos esquemas mais rápidos da liga e se manteve assim, com uma média de 100 posses de bola por partida.

Aí que pegou para Klay Thompson: o shooting guard passou a chutar uma média de três bolas a menos por partida, a maior diferença registrada no time. E chutadores como ele tendem a sofrer com um volume menor de oportunidades – foi o caso, já que seu aproveitamento caiu para 36% ao longo do mata-mata.

Seria trágico se o ‘splash brother’ fosse única e exclusivamente um arremessador. Mas, para a sorte de Klay e do GSW, não é o caso. Thompson é um defensor implacável no perímetro. Sua vantagem é de ser alto para a posição (2,01m) e mesmo assim ter uma excelente movimentação lateral. Consegue marcar os armadores rivais – muito melhor do que Curry faria, por exemplo – e dá conta dos alas maiores nas trocas do pick and roll.

Contra o Cleveland Cavaliers, sua presença é fundamental: consegue ser o marcador principal de Kyrie Irving, o point guard que melhor dribla na NBA, e ainda cair na troca com Kevin Love e Lebron James. Possivelmente nenhum outro jogador de backcourt da NBA tem a capacidade de fazer estas duas coisas tão bem.

O primeiro jogo da série entre os dois times mostrou que mesmo péssimo no ataque – não errou só chutes difíceis, mas perdeu bolas a dois palmos da cesta -, Klay é indispensável para ajudar a segurar o ataque feroz do Cavs.

O aproveitamento dos rivais enquanto Thompson estava na marcação foi pífio: 11%. Foram nove arremessos na cara de Klay e só um acerto – foi aquela cesta espírita de Kyrie Irving, caindo no chão, para três pontos e mais a falta. De resto, o ala-armador do Warriors foi impecável: forçou dois air ball de Kevin Love, parou Kyrie em quatro bolas, JR Smith em outra e ainda fez Lebron errar na única bandeja em que caíram juntos – e a infiltração de James é, estatisticamente, o arremesso mais seguro da NBA.

Foi, também, o jogador que mais recuperou bolas perdidas para os dois lados: 6 – ajudando não só o Cleveland perder posses (foram 20 no total), bem como o Golden State a ter ínfimos 4 turnovers.

É claro que Klay seria mais útil se estivesse fazendo suas bolas de sempre. Cedo ou tarde, o Golden State também vai precisar dele no ataque – e até por sua capacidade de ser um bom pontuador, o Cleveland não poderá abrir mão de marcá-lo mesmo que a série ruim dele continue. Mas mesmo quando Klay não consegue decidir lá, é um jogador importante cá.

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