Desacelerar ou não?

Diante da diferença de rendimento dos times e o placar das duas primeiras partidas, existe uma pressão para que o Cleveland Cavaliers tente desacelerar o jogo nos próximos encontros. A sugestão é que o time imponha um ritmo mais lento, como é seu costume, ao invés de tentar entrar na correria do Golden State Warriors, time que tem as posses de bola mais rápidas de toda a liga.

Em entrevista no começo da semana, Lebron James disse que o Cleveland não vai seguir esta recomendação. Segundo ele, o Cavs, apesar de não jogar tradicionalmente no mesmo ritmo do Warriors, não está acostumado a amarrar o jogo por completo e não vai mudar suas características para tentar bater o rival porque a tática seria ineficiente – negando a opinião majoritária dos ~especialistas de plantão.

É fato que usar mais tempo de posse de bola ‘achata’ as possibilidades dos dois times. Em qualquer situação. Numa situação hipotética, totalmente abstrata, se um time é muito melhor do que o outro, a tendência é que ele acerte uma proporção maior de bolas no ataque e evite mais cestas na defesa. Logo, quanto maior o número de posses de bola, maior a chance do time melhor abrir vantagem em relação ao pior, pois há um maior número de oportunidades de acerto.

Já se um dos times ‘desacelera’ o jogo, diminui o número de posses de bola e de oportunidades dos dois times, mesmo que um time esteja melhor do que o outro o jogo inteiro, a diferença de pontos tende a ser menor. E o time ‘pior’ tem mais chances de se manter próximo no placar ou tomar a dianteira em um recorte do jogo em que esteja melhor do que o adversário.

No papel é assim mesmo, mas o jogo é bem diferente da teoria – ainda que seja importante considerar este tipo de conceito na hora de planejar o esquema de um time. As finais do ano passado são bons exemplos de como este tipo de análise se desmancha quando a bola sobe – e que Lebron pode estar certo em não cair neste conto.

Na última temporada, o Cavs era o segundo time mais lento da liga e o Golden State era o segundo mais rápido. Mesmo assim, o Warriors ganhou três das quatro partidas mais lentas da série final e o Cavs saiu vencedor das três partidas mais rápidas. Na prática, cada um se saiu melhor no ritmo de jogo do outro, desconstruindo a teoria.

Tem até estudo estatístico sobre o jogo que confirma que impor o ritmo não dá vantagem nenhuma. É difícil entender o motivo disso – seria natural que o time se saísse melhor no ritmo que está acostumado. No caso do confronto entre Cavaliers e Warriors, eu suspeito que um ataque mais lento, de meia quadra, favoreça defesas mais bem postadas, com trocas na marcação mais bem ensaiadas – caso do Golden State. Quem sabe tentar puxar o maior número de contra-ataques possíveis e forçar arremessos na transição sejam formas do Cleveland surpreender o rival, que tem anulado muitas das suas ações.

Também acho que o segredo está mais na movimentação do ataque e na recuperação dos rebotes do que propriamente no ‘pace’ no jogo. O Cleveland estava se mostrando um time muito bom nos dois fundamentos até que a série contra o Golden State começasse, mas está falhando em superar a tábua defensiva do Warriors e caindo na tentação das jogadas de isolação – Kyrie Irving, Lebron James e até Kevin Love estão tentando mais jogadas individuais do que se acostumaram na jornada de 12 vitórias e apenas 1 derrota do mata-mata no Leste.

Com certeza as falhas do Cleveland não dependem só dele – do outro lado da quadra está o melhor time da NBA -, mas é preciso fazer algo para não entregar o título tão facilmente para o Golden State. Mas desacelerar o jogo, diante disso tudo, não parece ser a melhor opção.

CompartilheShare on Facebook204Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on Reddit0Share on LinkedIn0Email this to someone

Previous

A falta que Kyrie Irving faz

Next

Golden State Warriors é isso aí

1 Comment

  1. Ana

    Torne-se um diretor de basquete http://mybasketteam.com/

Leave a Reply

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén