Os 180 segundos finais de partida resumem todo o poder de fogo do Golden State Warriors de hoje: o time estava perdendo, a torcida estava ensandecida, Kyrie Irving vinha jogando tudo que não tinha jogado na série inteira, mas bastaram algumas posses para que a partida fosse decidida em favor do time californiano.

É sempre assim. Tem sido com o Cleveland, foi com o Spurs e seria contra qualquer outro rival. Não importa o que façam, o quão bem joguem, que tudo dê certo. A facilidade com que o Warriors pontua e se mantém vivo no jogo é surreal. E ao longo de 48 minutos de partida, em algum momento, o time vai abrir uma sequência de pontos, ficar sem tomar e desgarrar no placar.

Nas primeiras duas partidas da série isso tinha acontecido no terceiro quarto, quando em ambas as oportunidades meteu mais de 30 pontos, fez run de alguns minutos pontuando sem resposta do rival e abriu vantagens de uns 15 pontos.

No último jogo a coisa só ficou um pouco mais emocionante porque a sequência matadora veio nos minutos finais. O Cavs estava com a maior chance em toda a série de reequilibrar a disputa, vencendo por 113 a 107 a três minutos do final da partida. Aí então o GSW meteu 9 pontos sem resposta do Cleveland, que confirmaram o 3 a 0 na série e deixam o Cavs respirando por aparelhos na final do campeonato.

Foi cagada do Cleveland, claro, pois podia ter matado o jogo se acertasse uma porção mínima dos inúmeros arremessos de três que teve livre, mas o time cansou de desperdiçar bolas da zona morta que geralmente acerta. Mas é algo que tem que sempre ser contabilizado nas partidas contra o Warriors: se você não aproveitar toda e qualquer oportunidade de pontuar fácil, a conta será cobrada em algum momento da partida.

O aproveitamento nos tiros de longe mostra como o Golden State não deixa escapar suas chances de emplacar bolas que sobram mais fáceis, enquanto o Cavs queima muitas destas oportunidades. O campeão do Oeste meteu 16 de 33 tentativas, enquanto a equipe do Leste dez 12 de 44.

(David Liam Kyle/NBAE via Getty Images)

Kyrie Irving e Kevin Love, juntos, saíram de quadra com o pífio aproveitamento de 1-14 nos chutes de fora do arco. Kyle Korver, especialista nestes lances (na teoria, ao menos), foi 2-6 de três. Iman Shumpert, Deron Williams e Richard Jefferson não acertaram nenhuma das cinco tentativas.

Do outro lado, Kevin Durant, Klay Thompson e Stephen Curry, juntos,  acertaram 15 de 27 arremessos de fora. Cada um dos três saiu com mais de 50% de aproveitamento neste tipo de chute – foi uma destas cestas no minuto final, de Durant, que virou a partida em favor do Warriors, inclusive depois de um erro de Kyrie Irving num step back.

Com tantos chutadores tão bons e tão afinados, é sempre necessário saber que em algum momento o Warriors vai pontuar e defender muito. Para batê-los, é preciso fazer a diferença – uma diferença, de preferência, grande – no restante do jogo. Mas isso ninguém consegue. Por isso eles estão invictos nos playoffs. Com boas chances de continuarem assim até que ergam a taça.

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