Um problema na zona morta

Mesmo que hoje já pareça claro que o título do Golden State Warriors é só uma questão de um ou dois jogos, é preciso reconhecer que o Cleveland Cavaliers apresentou alguma evolução dos jogos 1 e 2 para o jogo 3. Fora toda a qualidade ofensiva e defensiva do Warriors, todo o poder de decisão de Kevin Durant, tudo que Stephen Curry está jogando e a qualidade defensiva de Klay Thompson, o Cleveland não estava jogando o seu melhor basquete – e é até natural que as virtudes do GSW façam com que isso aconteça com seus rivais.

Nos dois primeiros jogos da série, a timidez de Kyrie Irving e os coadjuvantes do Cavs foi um problema claro. A falta de convicção se era necessário desacelerar ou não também não ajudou. Mas quando o time resolveu apostar no ataque agudo em transição e Kyrie apareceu para decidir, o jogo foi pau a pau. Decidido em detalhes.

Um destes detalhes foi a falta de eficiência do time nas bolas da zona morta. No jogo em Cleveland, o Golden State Warriors acertou 5 dos 7 arremessos do canto da quadra. O Cleveland Cavaliers meteu 2 de 18.

A disparidade é emblemática: o Cavs tentou muito dali justamente porque pintaram várias oportunidades excelentes ao longo da partida, com jogadores completamente livres – fruto de trocas de passes e contra ataques eficientes do time, tirando a defesa do GSW da bola -, mas mesmo assim JR Smith, Kevin Love, Kyrie Irving, Deron Williams e os demais não se cansaram de errar.

A falta de eficiência neste tipo de chute nesta época do ano explica muito sobre a dificuldade do time em ter jogos parelhos com o Warriors. Primeiro que os chutes dali são naturalmente, por essência, mais ‘fáceis’ que os demais – a linha é mais próxima da cesta e muitas vezes a bola chega antes do marcador, com mais espaço para quem chuta.

Segundo que esta tinha sido uma arma amplamente usada com muita eficiência pelo Cleveland ao longo de toda a temporada. A equipe foi a única de todas as 30 da NBA a arremessar mais de 10 bolas por jogo da zona morta e a fazer mais do que quatro cestas, em média, por partida dali. Tinha o mérito de ter o sétimo maior aproveitamento (40,8%) num volume brutalmente superior aos demais.

Nas finais contra o Warriors, o desempenho despencou. Continuou chutando mais de 10 bolas por partida dali (foram 34), mas acertou residuais 8 tentativas, com um aproveitamento pífio de 23,5%. No último jogo que fosse, se tivesse acertado duas ou três bolas a mais – teve mais chances do que isso completamente livre e ainda assim teria um desempenho médio muito abaixo do normal – o resultado da partida teria chances imensas de ser outro.

Neste caso, repito, nem acho que seja mérito da defesa do Warriors, pois o Cavs teve muitas chances sem marcação, em que a marcação do GSW não conseguiu acompanhar a troca de passes ou que chegou muito atrasada. Foi deficiência dos jogadores do Cleveland mesmo.

Se a batalha da série final já seria difícil para Lebron e companhia fazendo o que estão acostumados, ficou impossível de ser superada com esse tipo de erro.

Eu, pessoalmente, não consigo pensar o que causou isso. Só sei que custou boa parte da competitividade das finais.

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1 Comment

  1. Nina

    Diretor Última basquete para gamers. http://mybasketteam.com/

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