Dwight de graça

No momento em que apertaram o botão de reset da NBA e todos os times apareceram no mercado trocando, sondando e negociando, o Atlanta Hawks mandou Dwight Howard para o Charlotte Hornets junto com uma escolha de segundo round e recebeu os completamente inexpressivos Miles Plumlee, Marco Belinelli e a escolha 41 do draft. Na prática, o ex-melhor jogador de defesa da liga, múltiplas vezes All NBA Team e All Star saiu de graça para um rival de divisão, confirmando a impressionante queda de valor e moral de Howard perante os times na NBA de hoje.

É espantoso. Desde que saiu de Orlando, Dwight caiu num espiral decadente que não para nunca. Apesar de ter tido uma temporada bem decente, saiu quase que fugido do Lakers – por conta da treta com Kobe Bryant -, foi completamente excluído no Houston e terminou sua passagem no Atlanta Hawks por baixo, sendo pouquíssimo aproveitado nas últimas partidas dos playoffs. Agora, no fundo do poço, foi envolvido em uma negociação que tem como único e exclusivo objetivo livrar seus 47 milhões de salários restantes pelos próximos dois anos da folha de pagamento da franquia.

(Brett Davis-USA TODAY Sports)

A última temporada regular de Dwight Howard até parecia animadora diante do cenário de queda vertiginosa que vem passando. Teve a melhor média de rebotes desde a última temporada com o Magic, registrou o melhor offensive rating da sua carreira e conseguiu jogar o maior número de partidas numa temporada nos últimos quatro anos. O problema é que não parecia parte do time.

O jogador era frequentemente relegado dos momentos decisivos da equipe – foi usado muito menos do que a sua média de minutos nos playoffs, por exemplo. Fora das principais rotações, reclamou e criou uma bola de neve de problema. Além disso, não tinha nada a ver com o esquema de ‘pace and space’ do Hawks. A saída era uma questão de tempo.

Segundo Kevin Arnovitz, da ESPN, o Atlanta terminou a temporada já sondando possíveis trocas com o jogador, mas ouviu da maior parte dos times que Dwight não valia mais do que uma escolha de segundo round e alguns jogadores não muito úteis que pudessem bater os salários.

No fim, parece que o Charlotte Hornets foi a única franquia que topou o abacaxi.

Dá para suspeitar os motivos. Steve Clifford, técnico do time, era auxiliar de Stan Van Gundy no Orlando Magic que foi finalista da NBA com Dwight Howard como sua principal estrela. Aquela equipe jogava com um esquema muito característico em que quatro jogadores atuavam abertos, todos com excelente chute de três, e Dwight no centro do garrafão. A tática funcionava pois abria espaço para o pivô atacar sem muito congestionamento – algo que ajuda jogadores sem muito recurso técnico – e Howard ainda  brigava quase que sozinho pela recuperação de bolas erradas dos seus colegas.

Temporada passada o Hornets tentou reabilitar Roy Hibbert, outro jogador que passou por um processo de decadência parecido com o de Howard, mas a experiência não deu certo. Agora a tentativa vai ser com um jogador minimamente mais talentoso.

Por mais que eu ainda ache Howard útil, entendo que não dá para confiar que vá funcionar. O declínio físico e um jogo ancorado em habilidades tão específicas – e em desuso – fazem de Dwight um cara descartável em boa parte dos esquemas. E é por isso que atualmente ele não tem quase valor algum para a liga.

CompartilheShare on Facebook474Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on Reddit0Share on LinkedIn0Email this to someone

Previous

Preparando o terreno

Next

Guia do Draft 2017: o que cada time precisa

1 Comment

  1. Ana

    Seja o melhor treinador http://mybasketteam.com/

Leave a Reply

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén