Guia do Draft 2017: o que cada time precisa

No meio do turbilhão de negociações que está a NBA, acontece hoje o draft para que os calouros desta geração sejam escolhidos. A turma é muito talentosa, dizem, e vários times têm se movimentado para ganhar posições melhores na lista de seleção. Até por isso, é muito provável que muitas trocas aconteçam ao longo da noite. Como eu não sou nenhum especialista em basquete universitário, vou me limitar a falar apenas as necessidades que cada time espera solucionar na cerimônia desta quinta-feira. Vamos lá:

Philadelphia 76ers
(1, 36, 46, 50)

O time do Processo foi um dos que foi ao mercado para subir no draft. Conseguiu convencer o Boston Celtics de que era uma boa para os dois times que suas escolhas fossem trocadas. A franquia vem há anos buscando o melhor talento disponível e neste ano não corre o risco dos passados, quando pegou duzentos pivôs e acabou congestionando seu garrafão (tanto é que se livrou de Nerlens Noel no meio do caminho). Agora, o draft está carregado de armadores, a posição mais carente do time. É garantido que o time vai de Markelle Fultz na primeira escolha. Nas demais, deve tentar garimpar pelo menor um shooter.

Los Angeles Lakers
(2, 27, 28)

Muita coisa pode acontecer, já que o Lakers teve uma semana agressiva no mercado. Com a saída de D’Angelo Russell, é quase certo que o time vai no armador Lonzo Ball na segunda escolha – é considerado o segundo maior talento e da posição que o time mais precisa agora que abriu mão de Russell. No final do primeiro round, deve ir atrás de alguém com presença no garrafão para jogar com Julius Randle ou até substituí-lo numa eventual troca por Paul George.

Boston Celtics
(3, 37, 53, 56)

A equipe vice-campeã do Leste vem colecionando escolhas de draft ao longo dos últimos anos. A tática é questionável. Ao mesmo tempo que o time tem um sucesso inegável – rápido até -, existe uma dificuldade de transformar as escolhas do draft em reais estrelas. Marcus Smart e Jaylen Brown são jogadores muito úteis, mas não dão pinta de serem franchise players. Nesse cenário, o natural seria ir atrás de algum ala pontuador, como Josh Jackson ou Jayson Tatum, complementando a posição mais fraca do time. Nas escolhas seguintes, os alvos devem ser backups do garrafão.

Phoenix Suns
(4, 32, 54)

Assim como o Boston, o time precisa de algum talento para a posição de ala. Quem sobrar entre Jackson e Tatum é uma boa pedida. Há a alternativa, também, do time buscar alguém para substituir Eric Bledsoe no futuro, já que o jogador tem dificuldade de se manter saudável e, apesar de estar no auge da carreira, é mais velho do que a maioria do time. Nas escolhas seguintes, o perímetro deve ser carregado, já que nos últimos anos o time foi atrás de vários pivôs – que não vingaram muito bem ainda. Existe o boato de que o time poderia trocar esta escolha por Deandre Jordan, do Los Angeles Clippers.

Sacramento Kings
(5, 10, 34)

O mais inteligente seria o Kings tentar pegar com a quinta escolha o armador mais capaz que sobrasse – e possivelmente ainda seria alguém bastante promissor – e com a décima escolher algum dos melhores pivôs. Com Buddy Hield, o time construiria um núcleo equilibrado e com alguma chance de evolução. Mas dá para esperar que o Sacramento tome alguma decisão sensata?

Orlando Magic
(6, 25, 33, 35)

O time da Florida tem vários talentos jovens, mas nenhum que pareça realmente valer a pena apostar para se o pilar central de reconstrução da franquia. Tirando a armação, qualquer outra posição é minimamente carente no elenco. Como o time tem sido horroroso no ataque, um pontuador cairia bem. Malik Monk, combo guard que promete ter um impacto interessante no ataque, é um nome interessante para o time. Mas se sobrar algum jogador com pinta de franchise, o Orlando deve se agarrar nele independente da posição.

Minnesota Timberwolves
(7)

Parecia que já ia acontecer neste ano, mas não rolou. Agora, o Minnesota só tem a tarefa de não FODER seu futuro neste draft. Se chegar alguém decente para somar, legal. Rubio pode sair numa troca, mas Kris Dunn é uma boa aposta para o futuro. Zach Lavine está melhor que a encomenda. Andrew Wiggins tem se desenvolvido em um excelente pontuador e Karl Anthony Towns tem tudo para se tornar um dos melhores jogadores da próxima década. Pensando no time titular, dava para o time buscar o ala-pivô mais talentoso à disposição. Acontece que Gorgui Dieng já está lá e, discretamente, se transformou em um cara muito útil ao elenco. Então qualquer ala que sobrar por ali já seria uma boa escolha, nem que fosse para compor elenco.

New York Knicks
(8, 44, 58)

É bem difícil prever o que será do Knicks no futuro. O time tem Carmelo Anthony, mas o jogador e o presidente do time, Phil Jackson, estão tretando publicamente e é provável que Melo seja envolvido em alguma troca – com o seu aval, já que ele tem direito a veto. O time tem Kristaps Porzingis, mas o jogador recentemente começou a ser cogitado como um nome forte para ser trocado (não consigo entender o motivo). Então, de concreto, não temos muita coisa para usar como parâmetro. Na minha opinião, o mais correto seria se aproveitar que esta turma tem milhares de bons armadores e tentar construir uma dupla jovem e promissora com Porzingis – de quebra, ainda despacharia Derrick Rose que, pra mim, é um ex-jogador em atividade.

Dallas Mavericks
(9)

O Dallas vive um cenário incomum. Entrou na loteria do draft e deve ensaiar uma reconstrução do elenco. Ao mesmo tempo, é muito difícil imaginar que vai conseguir garimpar algum talento que salve a franquia ou que tenha um impacto tão significativo nesta posição. Então, é interessante encarar o draft deste ano como o primeiro de uma série. Acho aconselhável tentar buscar algum jogador de característica mais incomum, que seja valioso no futuro e de difícil reposição – portanto, não iria em nenhum point guard nem stretch four. Se sobrar algum shooting guard eficiente no ataque, acho que seria a melhor opção.

Charlotte Hornets
(11, 41)

O Hornets não é o time que precisa buscar alguma salvação no draft. A equipe vinha de uma temporada bacana e, abrindo mão de alguns reservas importantes, teve uma queda de rendimento que o levou para a loteria do draft. O time tem boas peças em todas as posições – apesar de não ter muita profundidade de elenco -, mas um armador reserva para Kemba Walker cairia bem.

Detroit Pistons
(12)

Se eu fosse Stan Van Gundy, já estaria pensando em uma forma de dar um reset neste time. Não confio em Reggie Jackson e tenho um pé atrás com Andre Drummond. Tobias Harris é uma eterna promessa e ainda não está claro se Kentavius Caldewll Pope vai assinar um novo contrato. Dito isso, acho que o Detroit deveria ir no melhor talento existente. Quem vai chegar na décima segunda posição? Não faço a menor ideia.

Denver Nuggets
(13, 49, 51)

O time do Colorado está bem servido de talentos promissores. Nikola Kokic é um monstro e o time usou escolhas altas para completar seu backcourt nos últimos anos. No entanto, Mike Malone, técnico do time, não parece confiar em Emmanuel Mudiay na armação. Neste cenário, é possível que o time tente a sorte com algum outro point guard. Se fosse eu, buscaria algum pretendente a substituir Kenneth Faried como ala-pivô do time.

Miami Heat
(14)

O time de Pat Riley é bem consistente e não chega ao draft desesperado por alguma posição em específico, mas apostando que o núcleo Dragic-Winslow-Whiteside vai se manter intocável, e que Tyler Johnson e Josh Richardson dão conta do recado, um ala-pivô pode ser a necessidade mais visível do time. Ou o time pode apostar em algum shooting guard para tentar substituir a eventual lacuna de Dion Waiters.

Portland Trail Blazers
(15, 20, 26)

Somente o Portland e Lakers têm três escolhas de primeiro round, o que significa uma bela oportunidade de fazer trocas – ainda mais numa semana maluca como esta.  Caso não consiga descolar nada de bom no mercado, a única alternativa possível é buscar algum ala que eventualmente possa colaborar na rotação – já que Damian Lillard, CJ McCollum e Jusuf Nurkic são intocáveis – e, nas escolhas mais baixas, tentar algum backup na armação.

Chicago Bulls
(16, 38)

O Bulls está em uma encruzilhada. O time deveria desesperadamente buscar algum guard chutador. Ao mesmo tempo, o time tem milhões de armadores e ala armadores no elenco (Rajon Rondo, Dwyane Wade, Michael Carter Williams, Jimmy Butler). O ideal seria uma limpa nos jogadores mais dispensáveis deste grupo para, daí sim, buscar alguém com as características de sharp shooter.

Milwaukee Bucks
(17, 48)

Garimpar um pivô era uma opção até Greg Monroe anunciar que iria exercer seu direito de ficar na equipe no último ano de contrato. Agora, a opção mais interessante seria buscar algum ala-pivô com bom rebote e chute de três – já que Jabari e Giannis são atletas mais agudos, que atacam a cesta.

Indiana Pacers
(18, 47)

Exceto um ala-pivô atlético (nas características de Myles Turner), qualquer coisa é bem aceita em Indiana a esta altura do campeonato. Com a eminente saída de Paul George, é possível que o time sequer use esta escolha e consiga subir no draft. Neste caso, seria interessante buscar um armador, já que Jeff Teague não vingou na sua cidade natal. Se não conseguir descolar uma negociação, vale a pena buscar o melhor talento à disposição na segunda metade do primeiro round.

Atlanta Hawks
(19, 31, 60)

É de se suspeitar que o Atlanta vai partir para uma renovação lenta e gradual daqui para frente, nos moldes parecidos com o que o Dallas Mavericks passará. Por mais questionável que seja, Dennis Schroder é a única realidade do time com alguma capacidade de colaborar ativamente no futuro. Paul Millsap, um craque incompreendido, tem boas chances de procurar uma nova casa. Sendo assim, buscar um pivô ‘moderno’ ou um ala pontuador são boas opções. Partir para trocas para subir no draft também é um caminho interessante, por mais que não tenha muitos valores para oferecer.

Oklahoma City Thunder
(21)

O time de Russell Westbrook penou em muitos momentos da temporada, especialmente nos playoffs, por não contar com arremessadores especialistas no seu elenco. Russell é de lua neste quesito, Victor Oladipo não conseguiu ter um bom ano e Andre Roberson é simplesmente incapaz de colaborar ofensivamente. O problema é que a esta altura do draft, os pontuadores mais promissores já devem ter saído.

Brooklyn Nets
(22, 27, 57)

Para um time que não tem suas escolhas de draft nos últimos anos, o Brooklyn tem se saído até que bem na hora de escolher calouros. Como nas últimas vezes, deve fazer alguma escolha cirúrgica para suprir as necessidades de garrafão – e tem a sorte desta turma de calouros ter vários pivôs cotados para sair no final do primeiro round. Justin Patton, Ike Anigbogu e Isaiah Hartenstein são alguns dos nomes prováveis para fazer companhia ao recém-chegado D’Angelo Russell.

Toronto Raptors
(23)

Difícil fazer grandes prognósticos quando o time entra na free agency com Serge Ibaka e Kyle Lowry ao final de contrato. Por mais que o draft possa render algum bom talento para o banco de reservas do time, é de se esperar que as atenções estejam voltadas ao mercado. Algum ala versátil com bom chute não seria ruim.

Utah Jazz
(24, 30, 42, 55)

Apesar de já ter apostado em armadores nos últimos drafts, é provável que o Jazz repita a dose neste ano. Raulzinho e Dante Exum não vingaram ainda e George Hill deve ser recompensado com um contrato gordo depois de ter o melhor ano da sua carreira. O problema é que a esta altura do draft, os melhores point guards já terão sido escolhidos e é provável que tenham vários pivôs ainda decentes à disposição. Neste caso, algum jogador para ser reserva de Favors ainda seria útil.

San Antonio Spurs
(29, 59)

Como é de se esperar, o San Antonio Spurs tem uma das piores escolhas de draft. Como é de se esperar também, o time vai conseguir pegar algum jogador que no futuro ninguém vai entender como demorou tanto para ser selecionado. Quem é esse cara? Só eles sabem, mas é fato que o time precisa de talento e juventude dentro do garrafão.

New Orleans Pelicans
(40)

É muito difícil conseguir algo útil apenas com a quadragésima escolha, mas é fato que o Pelicans não deve buscar alguém de garrafão – tem, possivelmente, os dois melhores pivôs da liga jogando juntos! Então algum reserva na armação seria excelente.

Houston Rockets
(43, 45)

Ou algum jogador muito cru a ser desenvolvido para ser o defensor na ala ou algum pivô para brigar por posição como reserva. Mais do que isso é pedir muito.

Washington Wizards
(52)

O time tem uma formação titular muito forte, mas penou por não ter um banco confiável. Equilibrar o time, mesmo que tenha que abrir mão de alguma coisa ou outra, é fundamental para brigar com os melhores times do Leste – caso contrário, Wall, Beal e companhia chegarão exaustos mais uma vez na reta final da temporada que vem. Mas isso não se soluciona com a quinquagésima segunda escolha do draft.

Golden State Warriors, Cleveland Cavaliers, Los Angeles Clippers e Memphis Grizzlies não têm escolhas de draft.

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1 Comment

  1. Nina

    Junte-se à maior comunidade de basquete !!! http://mybasketteam.com/

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