Butler e a troca de status de Bulls e Wolves

Não sou do tipo de cara que se empolga muito com o draft. Nessa época do ano, parece que os 60 jogadores selecionados terão alguma influência nos times pelos quais foram escolhidos – quando, na verdade, uma boa parte sequer acaba jogando por estas equipes e apenas alguns do grupo terão algum impacto no meio ‘dos adultos’. Mas eu gosto quando acontecem trocas, especialmente quando jogadores excelentes são envolvidos. Ontem, para a minha alegria, Jimmy Butler, All Star titular, All NBA e um dos melhores jogadores da posição, foi trocado pelo Chicago Bulls para o Minnesota Timberwolves.

A negociação faz com que os times quase que automaticamente invertam os papéis na liga: a chegada de Butler deve ser o gatilho para que o Minnesota finalmente brigue na parte de cima da tabela e o troco recebido pelo Bulls é a esperança de que a franquia se reinvente para os próximos anos.

Desde que Tom Thibodeau foi anunciado no Timberwolves, Jimmy Butler já era sondado para se mudar para o meio-oeste americano. Foi sob o comando de Thibs que Butler se tornou o Most Improved Player da NBA em 2015, por exemplo. E com um primeiro ano em que o técnico penou para construir uma defesa sólida – sua marca característica -, alguma coisa precisava ser feita.

O Wolves, então, escolheu tentar vencer agora. Abriu mão de dois talentos auxiliares ao seu núcleo principal de Andrew Wiggins e Karl Anthony Towns para buscar algum atleta que já estivesse em seu auge. Que pudesse chegar e ajudar a equipe já, tanto no ataque, quanto na defesa.

(Gary Dineen/NBAE via Getty Images)

Na hora de decidir o que devia abrir mão, com certeza pesaram algumas coisas: mesmo com toda a má vontade da franquia com Ricky Rubio, Kris Dunn não conseguiu se mostrar mais eficiente que o espanhol; a melhora dos resultados do time depois da lesão de Zach Lavine; e a impossibilidade da franquia em draftar Jonathan Isaac, seu sonho de consumo na sétima posição – o jogador foi escolhido pelo Orlando Magic na sexta pick.

Agora, o Timberwolves tem um dos dez melhores quintetos titulares da NBA, facilmente, com Rubio, Butler, Wiggins, Dieng e Towns e não tem mais desculpas para não se classificar aos playoffs, mesmo na conferência Oeste. É um time com futuro, mas com possibilidades reais de bons resultados para já.

O Chicago Bulls, por sua vez, desistiu de vez de tentar qualquer coisa a curto prazo. Apostou na reconstrução. A princípio, parece que o time abriu mão da sua estrela por um trocado não muito valioso – boa parte da torcida achou que foi uma cagada, em português claro. Não foi. Dentro das possibilidades, o Chicago saiu com um núcleo jovem e comprovadamente talentoso.

É claro que ninguém ali se compara a Jimmy Butler e nem deve render o que o jogador rendia em um futuro próximo, mas há boas oportunidades de evolução em várias frentes.

Zach Lavine tem se mostrado um jogador muito bom. Ninguém assiste jogos do Timberwolves e, quando assiste, Wiggins e Towns são naturalmente os jogadores mais vistosos, mas Lavine é um excelente chutador de três pontos, tem uma capacidade atlética impressionante e recursos técnicos para ser um two-way player de destaque na liga. Com mais tempo com a bola na mão e envolvimento na rotação, não é difícil imaginar que ele emplaque logo uma temporada de 20 pontos por jogo.

Kris Dunn pode não ter tido um ano muito animador na sua estreia, mas vale lembrar que no momento do draft ele era considerado um dos jogadores de maior potencial da turma – o melhor defensor, principalmente. Agora, com um time  quase que só para ele, as coisas podem deslanchar.

Para completar, o Bulls pegou o jogador que, a princípio, tem o melhor chute deste draft. Lauri Markkanen é o retrato do pivô que os times procuram: alto, esguio e com range para arremessar de qualquer lugar da quadra. Uma aposta que não tem como não ser útil.

Claro que é frustrante para a torcida perder seu melhor jogador com a pretensa promessa de que as coisas melhorarão no futuro. Pode não dar certo mesmo, é verdade, mas não me parece que Chicago tivesse outra escolha. O time podia manter Butler por mais um ano e descolar uma oitava vaga sofrida nos playoffs, mas sem qualquer chance de ir além, só adiaria o processo de dar um passo atrás para tentar dar outros à frente.

A troca de Butler faz os times trocarem de status. O Chicago, que ano passado montou um trio para tentar ter resultados imediatos, assume o posto de franquia em evolução, que aposta em uma reconstrução a longo prazo. O Timberwolves, por sua vez, pula algumas etapas do seu processo, abre mão de alguns talentos futuros para tentar alguma coisa já nesta temporada.

A offseason está animada – mais do que a média – e é provável que mais times façam o mesmo, reconfigurando os papéis de cada um para a próxima temporada.

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1 Comment

  1. Ana

    Torne-se um diretor de basquete http://mybasketteam.com/

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