O anúncio mais sem sal possível

Os recordes de James Harden ou de Russell Westbrook? O impacto defensivo de Rudy Gobert dentro do garrafão, de Kawhi Leonard no perímetro ou a versatilidade de Draymond Green? A capacidade de Erik Spoelstra ou o ressurgimento de Mike D’Antoni? O fenômeno Joel Embiid ou a regularidade de Malcolm Brodgon e Dario Saric? As discussões sobre quem são os merecedores dos prêmios individuais da NBA neste ano foram das mais acirradas de todos os tempos, mas a escolha por fazer a divulgação dos awards em um show semanas depois das finais da temporada foi uma péssima decisão.

Tudo isso porque o anúncio vai ser justamente no momento em que ninguém mais se importa com os resultados. A poeira da temporada regular já baixou, a falta de competitividade dos playoffs deu um banho de água fria em todos, o draft abriu a nova temporada e a loucura da offseason já tomou o noticiário.

Não sei se é só impressão minha, mas parece que a briga jogo a jogo de Harden e Westbrook aconteceu há muito tempo. Nem lembro mais quantos mil triple doubles cada um fez, quantas partidas com mais de 30, 40 ou 50 pontos os dois emplacaram. O que é recorde de um e o que é de outro – coisa que há dois meses estava na ponta da língua dos torcedores nos seus argumentos para eleger o merecedor do MVP.

Sinceramente, nunca fui muito simpático à ideia – zzzzzz show apresentado pelo Drake zzzzz -, mas mesmo quem achou interessante concentrar o anúncio em um único dia, em um evento grandioso e tal, tem que admitir que o timming foi péssimo.

Não que a decisão sobre isso deveria ser tomada com este critério apenas, mas imagine que sensacional seria se o vencedor do MVP fosse anunciado durante a série de playoffs entre Houston e Thunder? Ou o Coach of the Year durante Rockets e Spurs? O melhor jogador de defesa justamente no encontro entre Kawhi Leonard e Draymond Green nos playoffs? Sempre foi assim e com certeza seriam fatores que fariam das disputas ainda melhores – no caso dos jogos contra o Warriors, poderiam dar alguma graça a série.

Ao longo de toda a história da liga, a forma como os prêmios eram divulgados (ao longo dos playoffs) mudou a narrativa das disputas do mata-mata. Michael Jordan querendo tirar o sangue do Utah Jazz na final após Karl Malone ser eleito o melhor jogador de 1997 numa eleição apertadíssima, Hakeem Olajuwon usando a perda do prêmio para David Robinson para aniquilar o Spurs na final de conferência e muitos outros casos que entraram para a história do basquete.

Há, ainda, outras desvantagens brutais deste modelo: com muito mais tempo entre a entrega dos votos (que acontece ao final da temporada regular) e a divulgação dos ganhadores, há muito mais chances do resultado vazar (aparentemente muita gente já sondou quem são os vencedores), além de, no futuro, permitir que o MVP, COY e etc sejam reconhecidos quando já nem estiver mais defendendo a equipe pela qual ele foi eleito (em 2010, por exemplo, se o show jé existisse, Lebron James seria anunciado como MVP DEPOIS de ter feito toda aquela cena para ir para o Miami Heat). Anticlímax total.

Que o vexame deste ano sirva de exemplo para os próximos.

CompartilheShare on Facebook715Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on Reddit0Share on LinkedIn0Email this to someone

Previous

Butler e a troca de status de Bulls e Wolves

Next

Prestação de contas: o que eu errei e acertei nos meus palpites ao longo da temporada.

1 Comment

  1. Ana

    Para todos os amantes do jogo do gerente, é grátis http://mybasketteam.com/

Leave a Reply

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén