O Phil Jackson de antes e o Phil Jackson de hoje

Phil Jackson é um dos caras mais vencedores da NBA. Foram dois títulos como jogador do New York Knicks, seis como técnico do Chicago Bulls e outros cinco no comando do Los Angeles Lakers. Não existe na folha corrida de personalidades da liga alguém com um currículo tão avassalador quanto o dele. E todas estas vitórias vieram marcadas com alguns selos. Enquanto jogador, Jackson era o símbolo máximo de um time que representava a inovação do basquete, a velocidade, a colaboração em quadra, a multiplicação de tarefas. Um hippie liberal por convicção ainda jovem, Phil Jackson se transformou em um Mestre Zen quando treinador – uma característica fundamental para lidar com tantas estrelas ao mesmo tempo (Michael Jordan e Scottie Pippen, Kobe Bryant e Shaquille O’neal, por exemplo).

Nesta semana, este cara que já foi tão tranquilo, com uma cabeça tão arejada de novas ideias, tão bom na gestão de pessoas foi demitido do posto de presidente do New York Knicks. Além da franquia enquanto organização ser uma zona completa, Jackson foi degolado por aplicar uma filosofia justamente contrária a tudoaquilo que sempre vendeu como essencial para o basquete. O Phil Jackson do Knicks, que falhou miseravelmente, era um senhor retrógrado, de cabeça dura e que foi péssimo na lida com seus melhores jogadores.

Algumas passagens deste período de três temporadas junto do Knicks foram emblemáticas para mostrar que o Phil Jackson de hoje pouco tem a ver com aquele de antes. Ao tentar impor goela abaixo que Derek Fisher era um cara com calibre para ser técnico pelo simples fato de ter sido seu armador por anos, sem qualquer experiência ou indício comprovado de vocação para o cargo, Jackson mostrou que achava que sua simples benção seria suficiente para fazer as coisas virarem. O mesmo quando desistiu de Fisher (que teve a pior campanha como técnico da história da franquia) e colocou o fantoche Kurt Rambis, um dos caras mais desastrosos a comandar times à beira da quadra. O cúmulo foi quando Jackson ventilou a possibilidade dele comandar a equipe do banco de reservas nas partidas do Madison Square Garden e Rambis acompanhar os times mas viagens. O resultado era um grupo de jogadores insatisfeitos e confusos diante da soberba.

Jackson também conseguiu cagar com o clima da equipe e irritar os dois maiores ídolos recentes do Knicks. Primeiro com Carmelo Anthony, ao forçar a barra para o jogador ficar insatisfeito a ponto de cogitar pedir para ser trocado, falando que o futuro do time seria melhor sem Melo – é preciso explicar que o jogador tem uma cláusula que pode vetar as trocas (coisa que Jackson incluiu no contrato de renovação do atleta!), portanto, ele só sairia do Knicks se quisesse. Depois com Kristaps Porzingis, ao ventilar uma troca com o jogador com os outros times – por mais que tenha pedido um retorno bem alto.

Aliás, foi escolher Kristaps Porzingis que deu sobrevida a Jackson, que já vinha fazendo uma série de negociações bem questionáveis. Mas ao acertar na escolha do letão, muita gente achou que Jackson tinha um plano secreto de salvação da franquia. Plano este que consistiu na assinatura de um contrato de quatro anos e 72 milhões de dólares com Joakim Noah, um pivô que mal consegue entrar em quadra atualmente; a contratação de um Derrick Rose completamente desinteressado, a ponto de um dia simplesmente não aparecer no ginásio para jogar; e se livrar de jogadores com uma certa utilidade na liga (JR Smith, Iman Shumpert, Tyson Chandler, Tim Hardaway, Raymond Felton, Robin Lopez) por trocos irrelevantes. Diante disso, a escolha por Porzingis parece mais um golpe de sorte do que uma atitude pensada.

Por tudo isso, eu até acho irrelevante a insistência no triângulo ofensivo como esquema de jogo. Claro que é um indício ruim que um presidente de franquia baseie todas as suas decisões em um estilo de jogo apenas, mas os conceitos do triângulo mudaram o basquete há algum tempo de tal modo que muitos times e jogadores da liga bebem desta fonte, mesmo sem saber – o que não faz dele, isoladamente, um problema.

Como o Knicks é um desastre total, até uma decisão acertada como esta foi feita da pior maneira possível. Ao invés de se livrar de Jackson no começo da offseason, o time esperou que ele escolhesse um jogador no draft do seu gosto (deixando passar jogadores, digamos, mais populares) e se livrou de Phil a poucos dias do começo do período de assinaturas de novos contratos. Seja lá quem vier, terá pouco tempo para tomar ciência de tudo e planejar a equipe para o ano que vem.

Mas é fato que não dava para continuar com Phil Jackson. Pelo menos não este senhor teimoso, antiquado e cheio de ideias erradas – bem diferente daquele Phil Jackson multicampeão.

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1 Comment

  1. Magnus

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