Month: July 2017

Lonzo Ball era o que faltava ao Lakers

Por mais que sejam percepções alimentadas por clichês e mitos, é inegável que algumas franquias têm personalidades muito bem definidas. Os melhores times do Boston Celtics contam com talentos improváveis que tem algo a provar para o resto do mundo, o San Antonio Spurs parece ser viciado em discrição e eficiência, o Detroit Pistons tem uma aversão a grandes estrelas, que é compensada pelo jogo duro e coletivo. E por aí vai. O Los Angeles Lakers, por sua vez, tem uma característica muito simples: é movido a grandes estrelas.

Não quer dizer que o time vai bem, não quer dizer que os caras dão sempre certo, mas não existe um time do Lakers minimamente memorável que não tenha um cara diferente dos demais quando o assunto é chamar a atenção. É a gasolina do time. Ele vive disso. Se por algum motivo em algum determinado período a franquia não contou com um cara assim, esqueça: são anos que serão jogados na lixeira amarela e roxa da mediocridade.

Neste aspecto, Lonzo Ball era tudo que o Lakers precisava para ter alguma chance de mudar de rota, encerrar o processo de tanking e começar a pensar em evoluir daqui em diante. Não entro nem no mérito do quanto o menino joga – por favor, vamos com calma, Summer League não quer dizer nada e aquelas enquetes sobre quantos MVPs ele vai ganhar na carreira são uma atrocidade -, mas na capacidade que tem de atrair os holofotes.

Parece algo que acontece naturalmente com ele – e, claro, impulsionado por um pai maluco que quer muito aparecer. Só ver o buzz das últimas duas semanas: em primeiro lugar, só se falava da sua performance. Em segundo, do tênis que usava.

Lonzo surge na liga com o carimbo do Lakers na testa, assim como aconteceu com Magic Johnson e Kobe Bryant – de novo, sem comparar o jogo, mas o hype -, que mal vestiram a camisa mais vencedora da California e viraram ídolos instantâneos. Assim como acontece hoje com Ball, Magic e Kobe já eram verdadeiras estrelas antes mesmo de virarem grandes jogadores. Chamavam toda a atenção quando ainda eram adolescentes cheios de espinhas – neste caso em especial Lonzo já superou as duas lendas do Lakers, com mais acne do que qualquer jogador do time em todos os tempos.

Toda essa repercussão, aliás, confirma que finalmente o núcleo essencial do time que foi amargamento reconstruído ao longos das últimas temporadas está formado. Era este selo que faltava a D’Angelo Russell, Brandon Ingram e Julius Randle, por exemplo. Todos aparentemente com muito talento, mas insuficientes para recuperar o protagonismo que a franquia sempre esteve acostumada.

O primeiro pré-requisito foi preenchido. Agora que, com o tempo, confirme tudo que se espera dele dentro de quadra.

Nike confirma tendências em anúncio sobre novos uniformes

Depois de muita especulação, muitos boatos e inúmeros protótipos fakes rodando por aí, a Nike resolveu saciar, mesmo que timidamente, a curiosidade dos fãs de NBA a respeito dos uniformes que a empresa produzirá para a próxima temporada. Além de soltar como será o layout da camisa do atual campeão da NBA, o Golden State Warriors, a Nike também divulgou os conceitos dos uniformes, que contam com algumas novidades.

Duas tendências esperadas se confirmam: o abandono das camisas com mangas e o fim da tradição de uniformes ‘home’ e ‘away’.

A marca, que sempre privilegiou o desempenho (às vezes em detrimento ao design), abraçou a tradição das regatas. Nas artes conceituais divulgadas pela Nike, nenhuma menção às mangas.

Este tipo de modelo era uma aposta da Adidas para fazer cortes mais ‘afáveis’ para o público em geral – que nem sempre tem o ‘shape’ e a oportunidade para usar uma regata.

No anúncio, a fabricante americana também explica que não vai se prender ao rótulo de camisas número 1, para se usar em casa, e número 2, para usar fora. Cada time mandante que defina qual modelo quer usar (agora divididos entre The Association Edition, que será a camisa branca, e The Icon Edition, que será a colorida) e o time visitante que use a outra.

Era uma tendência também. Na temporada passada acabou sendo mais comum que os times mandantes usassem suas ‘away jerseys’, contrariando a convenção de que os times da casa deveriam usar branco. Agora, essa ‘regra’ não existe mais.

Como acontecia antes também, os times poderão ter camisas alternativas. Segundo a Nike, existem dois modelos que podem ser inspirados no que a empresa chama de “mentalidade dos atletas” e outra que homenageie as cidades e comunidades em que os times estão inseridos.

Especulava-se que a divulgação dos modelos oficiais só seria feita na iminência do início da temporada, na virada de setembro para outubro, mas imagino que a Nike quis acalmar o público consumidor que vinha aterrorizada com a série de modelos desastrosos que estavam surgindo nas redes – maior parte deles alimentados por prints do Ali Express e pela criatividade e mal gosto dos falsificadores chineses.

Os demais modelos serão divulgados até o metade de setembro.

Tentem se controlar, é só Summer League

Eu sei que é difícil se segurar ao ver um jogador tão anunciado como Lonzo Ball meter dois triple-doubles seguidos quando seu time, o Los Angeles Lakers, vem de algumas temporadas que variam entre o completo desperdício de tempo e a mediocridade. Entendo que o torcedor do Boston Celtics fica empolgadíssimo ao ter as primeiras provas de que o time não fez besteira ao trocar a primeira escolha do draft pela terceira. Da mesma forma, compreendo que os torcedores do Sacramento Kings finalmente possam ter esperança de que as coisas vão mudar vendo D’Aaron Fox em quadra por alguns minutos. Mas é sempre preciso fazer a ressalva ranzinza de que tudo isso está acontecendo em uma mera Summer League.

Para começo de conversa, é um torneio amistoso, que não vale nada. Os times estão ali testando seus jogadores jovens e vendo se conseguem pescar alguém sem contrato. As equipes não estão treinadas e basicamente os jogadores estão ali para tentar cavar algumas vagas finais nos elencos dos times principais. É praticamente uma peneira transmitida pela televisão.

Aí que a Summer League deixa de ser uma comparação boa para se tornar uma pelada ingrata: se o cara quer minimamente fazer parte de um time, ele precisa sobrar no torneio. Quem vai mal, então, podem esquecer. Vai precisar rodar muito, ter um empresário muito bom, jogar muita D-League e, eventualmente, outras Summer Leagues para poder ter uma nova chance.

E mesmo ir bem não é garantia de nada. Bryn Forbes, do San Antonio, e Donovan Mitchell, do Utah Jazz,  fizeram jogos com mais de 36 pontos nos torneios deste ano, por exemplo. Para os padrões das ligas de verão, são performances lendárias.

As dez maiores apresentações individuais da história das Summer Leagues de Las Vegas (a principal delas) pertencem a Von Wafer, Marcus Banks, Keith Bogans, Ike Diogu, Anthony Morrow e Anthony Randolph. O mais relevante deles foi Bogans, que não conseguiu ser titular em nem metade das suas partidas na NBA – e mesmo assim, sempre com bastante discrição.

Há o argumento de que mais do que os números, alguns jogadores estão se destacando pela postura, pelo arsenal de movimentos e tudo mais. É um ponto. Eu discordo – óbvio que todo mundo ali sabe jogar muito, mas será o suficiente? A vida no basquete profissional que vai responder.

Também entendo que a turma deste draft é considerada uma das mais talentosas dos últimos anos, as expectativas estão altas e o período de abstinência de jogos mais relevantes faz com que estes jogos chamem mais a atenção do que deveriam.

Outro exemplo é o draft de 2003, de Lebron James, Dwyane Wade, Carmelo Anthony e companhia. Os medianos John Salmons, Mike Dunleavy e Tayshaun Prince saíram das SL daquele ano parecendo que eram tão bons quanto os melhores jogadores daquela turma. Quando a NBA começou de verdade, todo mundo notou que não era bem assim. Melhor do que eles, até, foram os quase desconhecidos Qyntell Woods, Maciej Lampe e Zarko Cabarkapa.

Por tudo isso, a Summer League vale para matar a saudade do jogo e a curiosidade com os novatos. No mais, é uma empolgação perigosa.

O que há de bom e de ruim nas mudanças de regras da NBA

A NBA anunciou algumas mudanças para a próxima temporada. A partir de agora, os times terão novas regras que determinam o número de tempos que cada time pode pedir ao longo da partida e as datas de início da temporada e limite para trocas foram adiantadas. Em tese, as mudanças chegam para responder algumas das reclamações de jogadores, canais que transmitem as partidas e torcedores. Na teoria, as ideias são interessantes, mas tendo em vista as tentativas mais recentes de mudanças de calendário e regras, não dá para ter muita esperança de que serão eficientes. Vamos a elas:

Início da temporada adiantado em dez dias

Desde o ano passado, a NBA vem tentando fazer com que o calendário de jogos seja menos exaustivo para jogadores e que os jogos em dias seguidos (os back to backs) sejam cada vez mais raros. Como a liga não abre mão dos 82 jogos de temporada regular – diminuir o calendário para 70, 66 ou 60 partidas representaria um corte na receita -, a proposta tem sido esticar a grade de jogos.

Para este ano, a partida de estreia da liga ficou marcada para 17 de outubro, quase dez dias mais cedo da temporada passada, que já tinha sido mais ou menos uma semana antes do que a NBA estava acostumada a abrir o calendário. No papel, é muito bom. No bolso, idem, já que abrem-se mais datas para transmissão e promoção dos jogos. Para os jogadores, os maiores prejudicados pela maratona, nem tanto: são menos férias e, na prática, não resultaram em menos lesões na temporada passada. Seguindo o exemplo do ano passado, os torcedores devem continuar tendo que assistir times reservas entrando em quadra enquanto as franquias descansam os melhores jogadores.

Prazo final de trocas adiantado para antes do All Star Game

A NBA deu três justificativas bem plausíveis para adiantar a ‘trade deadline’ em uma semana. Primeiramente, seria uma consequência natural do adiantamento do início da temporada. Segundo, que os novos jogadores teriam, agora, mais tempo para se acostumar com suas novas equipes, companheiros e comissão técnica para a disputa dos playoffs. Por último, ajudaria a promover o All Star Weekend por si só, já que nos últimos anos ele se resumia a um evento que reunia toda a imprensa e boa parte dos jogadores em uma cidade para esquentar os rumores de troca, deixando o evento em segundo plano.

Particularmente, não vejo nenhum problema na mudança. Acho bem razoável. Só penso que o problema de competitividade e falta de interesse no ASG não será resolvido apenas com isso – já que o problema ali é a falta de interesse dos jogadores.

Também não sei como ficaria o jogo caso um atleta all star de uma conferência seja trocado para outra. Joga para o time para o qual ele foi selecionado ou para aquele que ele ira jogar no restante da temporada? Também não vi nenhum esclarecimento quanto a isso.

De resto, tudo ok.

Pedidos de tempo, intervalos e atrasos

Este é um tópico que a NBA vem mexendo há algum tempo e até hoje não encontrou uma solução. Os torcedores e, principalmente, os canais de tevê que despejam uma grana bilionária na liga reclamam da duração total das partidas. De fato, um jogo de NBA que tem 48 minutos de bola quicando pode se enrolar por insuportáveis três horas. Com isso, a liga limitou o número de pedidos de tempo que cada time poderá fazer ao longo do jogo para sete. Cada equipe também deve chegar ao último quarto com no máximo quatro tempos para pedir. Nos últimos três minutos de jogo, período em que o jogo fica ainda mais enrolado, serão dois pedidos por time. Com isso, não existe mais a diferenciação entre ‘full timeout’ e 20 seconds’. Agora, todos os tempos terão 75 segundos. No pacote, também estão previstos intervalos de halftime de 15 minutos cronometrados a partir do estouro do relógio do final do segundo quarto e falta técnica para o jogador que sair da área de chute de três pontos entre um lance-livre e outro, atrasando a partida.

(Nhat V. Meyer/Bay Area News Group)

Em resumo, a NBA quer que os times tenham menos tempos para pedir nas últimas jogadas de uma partida. É bem louvável. Ouço muito de gente que não é fã do basquete ainda que os jogos da NBA são muito ‘compridos’ e que os minutos finais ‘que são os que realmente importam’ demoram uma eternidade para passar. Apesar do jogo, em tese, perder um pouco com a mudança (há menos possibilidades dos técnicos desenharem jogadas decisivas), a atração como produto final ganha com isso.

Infelizmente, é possível que o resultado final não seja tão diferente. Ano passado houve uma mudança de regra no que diz respeito às faltas intencionais e mesmo assim o ‘hack-a-shaq’ continuou existindo e os jogos continuaram com milhões de lances-livres nos seus minutos finais.

O que NÃO mudou, apesar dos pedidos

Apesar da NBA ser uma liga bem, digamos, progressista neste sentido (se comparada às outras), algumas mudanças que eram cogitadas foram negadas pelo comissário da liga neste momento. Nada de mudança na forma da loteria do draft para evitar que os times percam de propósito, nem na forma como os times se classificam para os playoffs dado o desequilíbrio entre as conferências ou expansão/relocação de franquias.

A fuga para o Oeste é a chance dos times do Leste

Ao que parece, boa parte dos bons jogadores que foram trocados ou assinaram contratos com novos times correram para jogar na conferência Oeste. O titular do All Star Game do ano passado e um dos selecionados para o terceiro All NBA Team deste ano, Jimmy Butler, é a principal novidade do Minnesota Timberwolves. Também estrelar e outrora ‘segundo melhor jogador da conferência Leste’ Paul George foi para no Oklahoma City Thunder. Paul Millsap, discreto porém eficientíssimo e All Star nos últimos quatro anos no Leste, assinou contrato com o Denver Nuggets.

Além das mudanças mais significativas, confirmam esta tese Chris Paul, Jrue Holiday e Blake Griffin, que poderiam mudar de ares (e fuso horário), mas preferiram continuar ‘do lado de lá’ do mapa. Sem contar, claro, nos inúmeros jogadores bonzinhos, médios e médios-pra-ruins que fizeram a troca e congestionaram o Oeste americano, como PJ Tucker, Jeff Teague e Patrick Patterson.

De relevante no movimento contrário, apenas Gordon Hayward trocou o Utah Jazz pelo Boston Celtics. No mais, são todos jogadores do calibre de JJ Redick pra baixo – úteis, mas nada que reequilibre a ordem das coisas.

Na teoria, isso significa que os times do Oeste estão se reforçando: Rockets adicionou mais uma estrela (e boatos dão conta que pode ter Carmelo Anthony ainda), Timberwolves virou uma força, Thunder reforçou o apoio a Westbrook e Spurs deu mais profundidade ao elenco com Rudy Gay. Além disso, Clippers conseguiu repor peças, Kings e Suns mostram alguma evolução e Grizzlies tenta rejuvenescer.

Apesar de achar que o Golden State Warriors ainda é, de longe, o time mais forte da liga e que nenhuma destas negociações chegue a formar um time tão talentoso quanto o atual campeão, acredito que este movimento, na prática, seja benéfico para as maiores potências do Leste. Na verdade vou além: acho que pode ser essa a grande chance de Cleveland Cavaliers e Boston Celtics ameaçarem o reinado do Warriors.

Meu raciocínio é o seguinte: nas condições atuais, a menos que uma macumba muito braba pegue de jeito o Golden State, o time tem pouquíssimas chances de ser vencido por qualquer time. Uma das chances mais reais, ao meu ver, seria se o melhor time do Leste conseguisse chegar à final da NBA com o mando de quadra a seu favor. Com o fortalecimento dos rivais do Oeste e míngua dos times do Leste, isso pode perfeitamente acontecer.

(Winslow Townson-USA TODAY)

É de se esperar que, fora Raptors, Wizards e, talvez, Bucks, os demais times não sejam lá grandes coisas para realmente tirar vitórias, de uma maneira geral, dos dois principais times do Leste. Knicks, Nets, Pacers, Bulls e Hawks estão formando times para levar porrada. Magic e Sixers devem levar bastante chumbo ainda. Pistons, Hornets e Heat devem descolar playoffs, mas não me surpreenderia se tivessem campanhas negativas ou bem próximas do 50% de aproveitamento. Com isso, projetando classificação em um exercício puro de especulação, seria natural que os melhores times do Leste tivessem um acréscimo considerável nos seus números de vitórias – já que times das mesmas conferências jogam o dobro de vezes entre si.

Por outro lado, é de se esperar que o Warriors tenha um declínio no seu número total de vitórias enfrentando uma concorrência muito mais bem armada dia sim, dia não. Neste raciocínio esperançoso por uma competição mais imprevisível, também dá para supor, mesmo que sem base alguma, que o Warriors relaxe um pouco mais na sua corrida de temporada regular (seria a quarta perto da casa das 60 vitórias!).

Para que um dos times do Leste o passasse, seria necessário que nenhum deles entrasse no modo de piloto automático – como fez o Cavs no ano passado, entregando a primeira posição para o Celtics nas rodadas finais.

Ok, assumindo que é possível que um time da outra conferência, mesmo sendo consideravelmente pior do que o Warriors, termine na sua frente, defendo que isso pode ser decisivo para que este mesmo time mais fraco aumente bastante as suas chances de bater o GSW numa série de playoffs com o mando de quadra a seu favor.

Para começar, existe uma vantagem histórica que dá uma boa sustentação a isso. Na temporada regular, o time da casa vence 60% dos jogos. Conforme a competição avança, a vantagem de jogar no seu ginásio é mais visível. Nos playoffs, o time que joga em seu território vence dois a cada três jogos. Nas finais, são três a cada quatro.

Além disso, dá para tirar como base as últimas finais em que Golden State e Cleveland se enfrentaram. Era esperado um confronto consideravelmente equilibrado neste ano, mas as duas lavadas aplicadas pelo Warriors nos primeiros jogos, em casa, fazendo valer o mando, afundaram as pretensões do time de Lebron James e Kyrie Irving. Mais do que o 2 a 0, parecia que não havia competição e que seria necessário um esforço descomunal para que a vantagem do GSW fosse revertida.

Fosse outra a ordem dos jogos, era possível que a série começasse com pelo menos uma vitória para o Cavs, mesmo que o Warriors fosse bastante superior, o que daria uma cara diferente ao confronto – fazendo com que ele fosse até mais competitivo dali em diante.

Não há nenhuma garantia, claro, mas é uma chance das coisas serem um pouco mais equilibradas enquanto o Warriors tiver um time tão sobrenatural. Por mais que seja uma sucessão de fatores que transitam entre a vontade de uma zebra e a possibilidade real (Golden State vencer menos jogos, Cavs ou Celtics ganharem mais, que a diferença seja suficiente para que o mando seja revertido e que isso seja realmente relevante na final), é um que inegavelmente influencia o jogo.

Só falta que cada um faça a sua parte do combinado.

#ChinaKlay é a melhor coisa da offseason

A offseason é um período ‘diferente’ para o noticiário da NBA. As informações relacionadas ao basquete propriamente dito não são das melhores. Flutuam entre o tracking no twitter para saber em primeira mão quem trocou de time ou renovou contrato, interpretações absolutamente precipitadas sobre as atuações nos sofríveis jogos das Summer Leagues, análises ansiosas das trocas e boatarias de negociações baseadas em fontes escusas.

Absolutamente alheio a tudo isso, vivendo em um maravilhoso mundo paralelo está Klay Thompson. O ala-armador foi ao outro lado do mundo assinar uma extensão contratual de 80 milhões de dólares por dez anos com a Anta, marca de tênis chinesa, e está tendo os melhores dias da sua vida ao cumprir seus compromissos publicitários por lá.

Tudo começou há duas semanas. Duas tentativas frustradas de enterradas de Klay viralizaram pela rede. O jogador se esforçou o mínimo possível para tentar dar um 360º e, na pior promoção possível do garoto-propaganda, se esborrachou de cara no chão. Com a maior cara de pau, Thompson assinou a bola e entregou para um dos torcedores que gritava enlouquecidamente pelo jogador.

Aparentemente, a reação da turma – os chineses são sempre os mais empolgados – ditou o tom das aparições seguintes do jogador. Klay, que não é o cara mais atento e dedicado do mundo, faz qualquer merda, de propósito ou não, e o povo vibra.

O mais fascinante desta viagem é que Klay mistura uma diversão ingênua e solitária em um mundo completamente estranho para ele com a ostentação típica de qualquer jovem multimilionário que está curtindo as férias em um lugar que ele é praticamente um semi-deus (um status que, apesar dele ser um excelente jogador, não seria desfrutado por Thompson em outro ambiente).

É louvável que ele esteja realmente aproveitando o momento. Boa parte dos jogadores participam destes compromissos somente para cumprir tabela, deixando claro que é uma obrigação e que, se pudessem escolher, estariam bem longe dali. Klay não.

De quebra, faz tudo com uma desenvoltura tosca que torna tudo ainda melhor.

https://twitter.com/roseOVERhoes/status/880572491424346112

Mas, de verdade, nada supera a ESPONTANEIDADE da comemoração dele na balada na noite seguinte à sua assinatura de contrato com a Anta, que resume meio o MOOD dessa viagem: Klay completamente frito, num pedestal à lá Michael Jordan dos chineses, regendo a galera numa empolgação surreal.

Nunca volte, Klay Thompson. O ocidente não te merece.

Zach Randolph é o sinal da puberdade do Memphis Grizzlies

Nenhum time começa grande. Antes de virarem as superpotências históricas de hoje, Boston Celtics e Los Angeles Lakers, por exemplo, já tiveram seus momentos em que eram apenas franquias buscando seu primeiro título, tentando reconhecer seus primeiros ídolos. Hoje, 70 anos depois, colecionam campeonatos, fracassos e jogadores excepcionais.

O Memphis Grizzlies, uma das franquias mais novas da NBA, ainda não teve tempo para tudo isso. Nos seus 22 anos de história o clube conseguiu, no máximo, chegar a uma final de conferência (em 2012, quando foi varrido pelo San Antonio Spurs) e o único jogador do Hall da Fama a ter vestido sua camisa até o momento foi Allen Iverson numa passagem, digamos, não muito gloriosa da sua carreira (foram apenas três partidas dele em Memphis).

Parte desse processo de amadurecimento, o Grizzlies anunciou nesta semana que Zach Randolph será seu primeiro jogador com uma camisa aposentada pela franquia.

Zach, vocês sabem, não é nenhum craque incontestável da liga. Já teve seus dias, mas o máximo que conseguiu foi ser All Star em duas temporadas, All NBA em uma e ter sido eleito o jogador que mais evoluiu na NBA em 2004 – quando ainda defendia o Portland.

Z-Bo está longe de ser um Larry Bird ou um Magic Johnson, mas não dá para menosprezar: tendo como base o que a franquia viu até hoje, ele é uma referência do que existiu de bom com a camiseta do time.

A história de ambos, inclusive, é bem similar, o que faz da escolha emblemática. Até Randolph desembarcar em Memphis, a franquia tinha tido três viagens aos playoffs em 14 anos. A passagem mais marcante do time até então tinha sido a mudança de endereço de Vancouver, no oeste canadense, para a cidade natal de Elvis Presley.

Randolph, da mesma forma, tinha no máximo mostrado alguns flashes de talento e colecionado algumas decepções. Tinha estourado num grupo conhecido como Portland JAIL Blazers, que reunia o que tinha mais fino da bandidagem da NBA no início dos anos 2000 – Z-Bo, ‘mau elemento’ coadjuvante, foi preso fumando maconha dentro do seu cadillac.

Saiu de lá para o New York Knicks, numa passagem que durou apenas um ano e 11 jogos – foi despachado para o Clippers quando o time de NY descobriu que precisaria de espaço para tentar atrair Lebron James nas temporadas seguintes. Ao final da temporada, o Clippers o trocou pela segunda vez em menos de um ano, depois dele quebrar o maxilar de um rival aos socos – sinal de que Randolph, apesar de ser um bom jogador, não era lá muito confiável.

Chegou ao Memphis como um cara que causava mais problemas do que tinha soluções. Um ‘jogador-problema’ em uma equipe que nunca tinha conseguido nada. Da mesma forma que o Grizzlies, teve seus bons momentos, mas nada digno de nota. Mas a partir daí, a moral dos dois, time e jogador, mudou perante a liga.

Z-Bo emplacou os melhores anos da sua carreira, fez uma dobradinha poderosa com Marc Gasol e suas confusões deixaram de ser o assunto preferido da imprensa que cobria sua carreira. O Memphis Grizzlies não só deixou de ser um time medíocre, como emplacou uma sequência de sete classificações aos playoffs. Nunca foi o favorito, mas virou aquela equipe que os favoritos preferem evitar.

Time brigador e perigoso, mostrou pra NBA que podia ser perturbador jogando com posições bem definidas em quadra, sem um grande jogador ‘all around’, mas com vários especialistas de qualidade. Randolph, por sua vez, mostrou que não é preciso entrar na onda de pivôs-esguios-e-chutadores para ter espaço na NBA. Gordo, pançudo e com cara inchada, sempre se sobressaiu na técnica.

É provável que com o passar dos anos novas gerações marcantes apareçam em Memphis. Que uma delas seja vencedora. Que algum jogador seja um craque espetacular. Mas é um processo que demora. O reconhecimento a Zach Randolph e seus colegas hoje é o sinal de que isso está para acontecer.

Não é só dinheiro

Stephen Curry completou, nas primeiras horas do período de free agency, a sua negociação com o Golden State Warriors e fechou o maior contrato da história da NBA. Serão 200 milhões de dólares por cinco anos – o primeiro jogador fora do baseball a assinar um contrato deste calibre.

Muito se especulava se Curry não poderia confirmar sua fama de bom garoto e assinar um contrato camarada com a equipe – a franquia está se metendo em uma bolha de salários que vai forçar o time a se livrar de algum dos seus principais jogadores daqui duas temporadas ou vai embarcar em um espiral perigoso de multas por ter extrapolado em muito o limite salarial da liga. O raciocínio era o seguinte: o jogador já é trilhardário e poderia assinar por um contrato abaixo do máximo para dar aliviar as coisas para o Warriors. Em troca, o time teria mais facilidade para entregar um elenco forte por mais anos.

Por mais que seja bem ingênuo pensar assim, tinha quem fizesse esse coro, engrossado pelo fato de que Kevin Durant já tinha anunciado que faria isso – e fez, assinando por 52 milhões por dois anos.

Acontece que nem sempre o assunto é ‘só’ dinheiro.

Descartando o fato de que 200 milhões é muita grana até para as pessoas mais ricas do universo, o simples fato deste ser o contrato mais gordo de toda a história da NBA, já faz com que sua assinatura tenha um valor além das cifras. É uma marca por si só.

É claro que Curry ‘poderia’ assinar por, sei lá, 160 milhões pelos mesmos cinco anos, continuar com uma grana infinita e ajudar o time, mas o papo aqui é sobre ego. É sobre ser o maior.

Numa relação parecida, é a mesma diferença entre ser MVP e ser eleito de forma unânime. O primeiro é um feito absurdo, mas o segundo é algo único.

Nem acho que ele deva esse tipo de esforço ao time. Curry já passou alguns anos subvalorizado com um contrato de 44 milhões por quatro anos, uma bagatela para os padrões atuais da NBA, especialmente se tratando de um dos jogadores mais decisivos da liga nos últimos anos. Este salário, inclusive, fez com que toda a montagem do Golden State Warriors atual fosse possível – em especial, fazer com que o time fosse um destino para Kevin Durant.

Os números de venda de camisa e materiais licenciados também comprovam que pagar alto por Curry é um investimento válido fora das quatro linhas. A camisa mais vendida da NBA pelo mundo atualmente é a 30 do Golden State.

Se era esperado algum sacrifício de Curry, ele já foi feito há algum tempo. Hoje, é mais do que merecido que ele seja o jogador mais bem pago do basquete.

O complicado ‘aluguel’ de Paul George

Depois da ida de Chris Paul para o Houston Rockets, a movimentação mais notável do mercado da NBA até o momento foi a ida de Paul George para o Oklahoma City Thunder em troca de Victor Oladipo e Domantas Sabonis. Mais chamativa do que a ida do ala all star para o time de Russell Westbrook foi o troco pobre recebido pelo time de Indiana. De fato, a negociação fez parecer a troca do Chicago Bulls boa, mas é preciso entender que a situação do time era bem desconfortável e seria quase impossível conseguir alguma coisa realmente valiosa em troca.

Para tudo ficar mais claro, vamos colocar as coisas aqui em ordem cronológica. Paul George está a um ano do final do seu contrato e avisou que testaria o mercado assim que a próxima temporada acabasse. Mais do que isso, disse que estaria predisposto a assinar com o Los Angeles Lakers. Com poucas chances de ficar com o jogador, o Indiana Pacers foi ouvir propostas de trocas por PG13 para não sair sem nada em retorno com a sua saída.

No entanto, como George só tem um ano de contrato e disse que tem um destino preferido, a maior parte dos times ficou receosa de dar muitas coisas em troca do atleta, afinal, as chances dele jogar uma temporada apenas e sair de graça seriam enormes. Na prática, os times não estavam dispostos a dar bons jogadores ao Indiana por um ‘aluguel’ de alguns meses de Paul George.

É muito difícil saber o que realmente aconteceu nos bastidores e quais propostas foram realmente colocadas na mesa pelo jogador, mas os jornalistas que cobrem a NBA in loco dizem que o Cleveland Cavaliers e o Boston Celtics demonstraram algum interesse no negócio. Falaram que o Cavs estaria disposto a trocar Kevin Love e que o Boston ofereceu propostas combinando picks médias do draft, Jae Crowder, Marcus Smart e Avery Bradley.

A situação era complicada. Com o domínio absoluto do Golden State Warriors, o sentimento geral na liga é que não vale a pena sacrificar o futuro de uma franquia para ter um jogador que, garantidamente, só vai te dar algum retorno na temporada imediatamente seguinte – temporada esta que, pelo sentimento de hoje, já está nas mãos do Warriors.

O Lakers, time mais beneficiado pela declaração de George, não se mexeu muito – aposta que conseguirá o jogador ‘de graça’ no ano que vem.

Aparentemente, o Indiana Pacers achou que nenhum dos trocos oferecidos era bom o suficiente pelo seu jogador e foi atrás de outros parceiros para a negociação. Foi assim que apareceu o Thunder. Victor Oladipo, apesar de até hoje não ter se desenvolvido no jogador que muitos esperavam, foi uma estrela local pela universidade de Indiana. Domantas Sabonis também foi um jogador interessante no basquete universitário. Também dizem que pesou o fato do Pacers despachar George para um time da conferência Oeste – não queria reforçar um rival do Leste.

Pelo lado do Thunder, a troca foi boa, apesar dos pesares: na pior das hipóteses, George sai no ano que vem, mas o time se livrou do contrato longo de Victor Oladipo e pode ir atrás de outros free agents. De quebra, coloca algum talento realmente significativo ao redor de Westbrook nesta temporada.

No final das contas, o retorno foi baixo, decepcionante para o Pacers, mas as condições eram complicadas para o time. Poucos times sacrificariam seus futuros por um ano de Paul George – em uma temporada que, a princípio, tem tudo para ser dominada pelo Warriors mais uma vez. O time, talvez inadvertidamente, preferiu não dar seu melhor jogador para um rival direto e apostou em um jogador que a NBA inteira largou mão, mas que hoje, por incrível que pareça, teria um papel útil jogando pela franquia – é um combo guard em uma equipe que não tem um armador propriamente dito.

Hoje, claro, muita gente diz que o Pacers poderia ter feito isso ou aquilo. Trocado por fulano, por beltrano. Mas, na prática, não dá para saber o que realmente foi proposto de fato. Para os próprios rivais é muito conveniente soltar que propostas muito melhores foram feitas – até para que seus general managers prestem satisfação para seus torcedores. Mas, de verdade, é impossível saber o que rolou.

Com certeza não faz disso um bom negócio, mas não dá para dizer que tinha como conseguir muito mais.

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