Zach Randolph é o sinal da puberdade do Memphis Grizzlies

Nenhum time começa grande. Antes de virarem as superpotências históricas de hoje, Boston Celtics e Los Angeles Lakers, por exemplo, já tiveram seus momentos em que eram apenas franquias buscando seu primeiro título, tentando reconhecer seus primeiros ídolos. Hoje, 70 anos depois, colecionam campeonatos, fracassos e jogadores excepcionais.

O Memphis Grizzlies, uma das franquias mais novas da NBA, ainda não teve tempo para tudo isso. Nos seus 22 anos de história o clube conseguiu, no máximo, chegar a uma final de conferência (em 2012, quando foi varrido pelo San Antonio Spurs) e o único jogador do Hall da Fama a ter vestido sua camisa até o momento foi Allen Iverson numa passagem, digamos, não muito gloriosa da sua carreira (foram apenas três partidas dele em Memphis).

Parte desse processo de amadurecimento, o Grizzlies anunciou nesta semana que Zach Randolph será seu primeiro jogador com uma camisa aposentada pela franquia.

Zach, vocês sabem, não é nenhum craque incontestável da liga. Já teve seus dias, mas o máximo que conseguiu foi ser All Star em duas temporadas, All NBA em uma e ter sido eleito o jogador que mais evoluiu na NBA em 2004 – quando ainda defendia o Portland.

Z-Bo está longe de ser um Larry Bird ou um Magic Johnson, mas não dá para menosprezar: tendo como base o que a franquia viu até hoje, ele é uma referência do que existiu de bom com a camiseta do time.

A história de ambos, inclusive, é bem similar, o que faz da escolha emblemática. Até Randolph desembarcar em Memphis, a franquia tinha tido três viagens aos playoffs em 14 anos. A passagem mais marcante do time até então tinha sido a mudança de endereço de Vancouver, no oeste canadense, para a cidade natal de Elvis Presley.

Randolph, da mesma forma, tinha no máximo mostrado alguns flashes de talento e colecionado algumas decepções. Tinha estourado num grupo conhecido como Portland JAIL Blazers, que reunia o que tinha mais fino da bandidagem da NBA no início dos anos 2000 – Z-Bo, ‘mau elemento’ coadjuvante, foi preso fumando maconha dentro do seu cadillac.

Saiu de lá para o New York Knicks, numa passagem que durou apenas um ano e 11 jogos – foi despachado para o Clippers quando o time de NY descobriu que precisaria de espaço para tentar atrair Lebron James nas temporadas seguintes. Ao final da temporada, o Clippers o trocou pela segunda vez em menos de um ano, depois dele quebrar o maxilar de um rival aos socos – sinal de que Randolph, apesar de ser um bom jogador, não era lá muito confiável.

Chegou ao Memphis como um cara que causava mais problemas do que tinha soluções. Um ‘jogador-problema’ em uma equipe que nunca tinha conseguido nada. Da mesma forma que o Grizzlies, teve seus bons momentos, mas nada digno de nota. Mas a partir daí, a moral dos dois, time e jogador, mudou perante a liga.

Z-Bo emplacou os melhores anos da sua carreira, fez uma dobradinha poderosa com Marc Gasol e suas confusões deixaram de ser o assunto preferido da imprensa que cobria sua carreira. O Memphis Grizzlies não só deixou de ser um time medíocre, como emplacou uma sequência de sete classificações aos playoffs. Nunca foi o favorito, mas virou aquela equipe que os favoritos preferem evitar.

Time brigador e perigoso, mostrou pra NBA que podia ser perturbador jogando com posições bem definidas em quadra, sem um grande jogador ‘all around’, mas com vários especialistas de qualidade. Randolph, por sua vez, mostrou que não é preciso entrar na onda de pivôs-esguios-e-chutadores para ter espaço na NBA. Gordo, pançudo e com cara inchada, sempre se sobressaiu na técnica.

É provável que com o passar dos anos novas gerações marcantes apareçam em Memphis. Que uma delas seja vencedora. Que algum jogador seja um craque espetacular. Mas é um processo que demora. O reconhecimento a Zach Randolph e seus colegas hoje é o sinal de que isso está para acontecer.

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2 Comments

  1. Magnus

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  2. Anthony

    Texto sensacional, Z-bo elevou o patamar dos Grizzles, não é um supertime, porém sempre dão trabalho com seu garrafão nos playoffs, merecido essa aposentadoria de camisa dele.

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