O que há de bom e de ruim nas mudanças de regras da NBA

A NBA anunciou algumas mudanças para a próxima temporada. A partir de agora, os times terão novas regras que determinam o número de tempos que cada time pode pedir ao longo da partida e as datas de início da temporada e limite para trocas foram adiantadas. Em tese, as mudanças chegam para responder algumas das reclamações de jogadores, canais que transmitem as partidas e torcedores. Na teoria, as ideias são interessantes, mas tendo em vista as tentativas mais recentes de mudanças de calendário e regras, não dá para ter muita esperança de que serão eficientes. Vamos a elas:

Início da temporada adiantado em dez dias

Desde o ano passado, a NBA vem tentando fazer com que o calendário de jogos seja menos exaustivo para jogadores e que os jogos em dias seguidos (os back to backs) sejam cada vez mais raros. Como a liga não abre mão dos 82 jogos de temporada regular – diminuir o calendário para 70, 66 ou 60 partidas representaria um corte na receita -, a proposta tem sido esticar a grade de jogos.

Para este ano, a partida de estreia da liga ficou marcada para 17 de outubro, quase dez dias mais cedo da temporada passada, que já tinha sido mais ou menos uma semana antes do que a NBA estava acostumada a abrir o calendário. No papel, é muito bom. No bolso, idem, já que abrem-se mais datas para transmissão e promoção dos jogos. Para os jogadores, os maiores prejudicados pela maratona, nem tanto: são menos férias e, na prática, não resultaram em menos lesões na temporada passada. Seguindo o exemplo do ano passado, os torcedores devem continuar tendo que assistir times reservas entrando em quadra enquanto as franquias descansam os melhores jogadores.

Prazo final de trocas adiantado para antes do All Star Game

A NBA deu três justificativas bem plausíveis para adiantar a ‘trade deadline’ em uma semana. Primeiramente, seria uma consequência natural do adiantamento do início da temporada. Segundo, que os novos jogadores teriam, agora, mais tempo para se acostumar com suas novas equipes, companheiros e comissão técnica para a disputa dos playoffs. Por último, ajudaria a promover o All Star Weekend por si só, já que nos últimos anos ele se resumia a um evento que reunia toda a imprensa e boa parte dos jogadores em uma cidade para esquentar os rumores de troca, deixando o evento em segundo plano.

Particularmente, não vejo nenhum problema na mudança. Acho bem razoável. Só penso que o problema de competitividade e falta de interesse no ASG não será resolvido apenas com isso – já que o problema ali é a falta de interesse dos jogadores.

Também não sei como ficaria o jogo caso um atleta all star de uma conferência seja trocado para outra. Joga para o time para o qual ele foi selecionado ou para aquele que ele ira jogar no restante da temporada? Também não vi nenhum esclarecimento quanto a isso.

De resto, tudo ok.

Pedidos de tempo, intervalos e atrasos

Este é um tópico que a NBA vem mexendo há algum tempo e até hoje não encontrou uma solução. Os torcedores e, principalmente, os canais de tevê que despejam uma grana bilionária na liga reclamam da duração total das partidas. De fato, um jogo de NBA que tem 48 minutos de bola quicando pode se enrolar por insuportáveis três horas. Com isso, a liga limitou o número de pedidos de tempo que cada time poderá fazer ao longo do jogo para sete. Cada equipe também deve chegar ao último quarto com no máximo quatro tempos para pedir. Nos últimos três minutos de jogo, período em que o jogo fica ainda mais enrolado, serão dois pedidos por time. Com isso, não existe mais a diferenciação entre ‘full timeout’ e 20 seconds’. Agora, todos os tempos terão 75 segundos. No pacote, também estão previstos intervalos de halftime de 15 minutos cronometrados a partir do estouro do relógio do final do segundo quarto e falta técnica para o jogador que sair da área de chute de três pontos entre um lance-livre e outro, atrasando a partida.

(Nhat V. Meyer/Bay Area News Group)

Em resumo, a NBA quer que os times tenham menos tempos para pedir nas últimas jogadas de uma partida. É bem louvável. Ouço muito de gente que não é fã do basquete ainda que os jogos da NBA são muito ‘compridos’ e que os minutos finais ‘que são os que realmente importam’ demoram uma eternidade para passar. Apesar do jogo, em tese, perder um pouco com a mudança (há menos possibilidades dos técnicos desenharem jogadas decisivas), a atração como produto final ganha com isso.

Infelizmente, é possível que o resultado final não seja tão diferente. Ano passado houve uma mudança de regra no que diz respeito às faltas intencionais e mesmo assim o ‘hack-a-shaq’ continuou existindo e os jogos continuaram com milhões de lances-livres nos seus minutos finais.

O que NÃO mudou, apesar dos pedidos

Apesar da NBA ser uma liga bem, digamos, progressista neste sentido (se comparada às outras), algumas mudanças que eram cogitadas foram negadas pelo comissário da liga neste momento. Nada de mudança na forma da loteria do draft para evitar que os times percam de propósito, nem na forma como os times se classificam para os playoffs dado o desequilíbrio entre as conferências ou expansão/relocação de franquias.

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1 Comment

  1. Magnus

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