Tentem se controlar, é só Summer League

Eu sei que é difícil se segurar ao ver um jogador tão anunciado como Lonzo Ball meter dois triple-doubles seguidos quando seu time, o Los Angeles Lakers, vem de algumas temporadas que variam entre o completo desperdício de tempo e a mediocridade. Entendo que o torcedor do Boston Celtics fica empolgadíssimo ao ter as primeiras provas de que o time não fez besteira ao trocar a primeira escolha do draft pela terceira. Da mesma forma, compreendo que os torcedores do Sacramento Kings finalmente possam ter esperança de que as coisas vão mudar vendo D’Aaron Fox em quadra por alguns minutos. Mas é sempre preciso fazer a ressalva ranzinza de que tudo isso está acontecendo em uma mera Summer League.

Para começo de conversa, é um torneio amistoso, que não vale nada. Os times estão ali testando seus jogadores jovens e vendo se conseguem pescar alguém sem contrato. As equipes não estão treinadas e basicamente os jogadores estão ali para tentar cavar algumas vagas finais nos elencos dos times principais. É praticamente uma peneira transmitida pela televisão.

Aí que a Summer League deixa de ser uma comparação boa para se tornar uma pelada ingrata: se o cara quer minimamente fazer parte de um time, ele precisa sobrar no torneio. Quem vai mal, então, podem esquecer. Vai precisar rodar muito, ter um empresário muito bom, jogar muita D-League e, eventualmente, outras Summer Leagues para poder ter uma nova chance.

E mesmo ir bem não é garantia de nada. Bryn Forbes, do San Antonio, e Donovan Mitchell, do Utah Jazz,  fizeram jogos com mais de 36 pontos nos torneios deste ano, por exemplo. Para os padrões das ligas de verão, são performances lendárias.

As dez maiores apresentações individuais da história das Summer Leagues de Las Vegas (a principal delas) pertencem a Von Wafer, Marcus Banks, Keith Bogans, Ike Diogu, Anthony Morrow e Anthony Randolph. O mais relevante deles foi Bogans, que não conseguiu ser titular em nem metade das suas partidas na NBA – e mesmo assim, sempre com bastante discrição.

Há o argumento de que mais do que os números, alguns jogadores estão se destacando pela postura, pelo arsenal de movimentos e tudo mais. É um ponto. Eu discordo – óbvio que todo mundo ali sabe jogar muito, mas será o suficiente? A vida no basquete profissional que vai responder.

Também entendo que a turma deste draft é considerada uma das mais talentosas dos últimos anos, as expectativas estão altas e o período de abstinência de jogos mais relevantes faz com que estes jogos chamem mais a atenção do que deveriam.

Outro exemplo é o draft de 2003, de Lebron James, Dwyane Wade, Carmelo Anthony e companhia. Os medianos John Salmons, Mike Dunleavy e Tayshaun Prince saíram das SL daquele ano parecendo que eram tão bons quanto os melhores jogadores daquela turma. Quando a NBA começou de verdade, todo mundo notou que não era bem assim. Melhor do que eles, até, foram os quase desconhecidos Qyntell Woods, Maciej Lampe e Zarko Cabarkapa.

Por tudo isso, a Summer League vale para matar a saudade do jogo e a curiosidade com os novatos. No mais, é uma empolgação perigosa.

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1 Comment

  1. Magnus

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